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25 de abril de 2026

{Resenhas sem vergonhas - que não sairam na quinta} Shameless

Em primeiro lugar, sim, eu sei que existe um original britânico (que meio que descobriu o James McAvoy), mas eu nunca consegui encontrar o orignal para assistir mais que a abertura e verificar que existem bem mais semelhanças que mudanças radicais entre as versões.

Nas mudanças radicais, William H Macy que é um dos atores de Hollywood mais subestimados de todos os tempos (e curiosamente um sujeito incrivelmente talentoso e prolixo) dá vida ao patriarca da família Gallagher, mas a série traz vários outros nomes e rostos bem conhecidos, como Joan Cusack, o "Goku" Justin Chatwin, Amy Smart, Luis Guzmán entre outros enquanto apresentando nomes que se tornariam bastante famosos (como Jeremy Allen White, de The Bear ou Cameron Monaghan que fez o Coringa em Gotham e estrela em dois jogos de Star Wars da EA, além de Emmy Rossum - que é a alma da série e merece muito mais reconhecimento do que tem).

A história segue uma família pobre e disfuncional cujo pai é um alcoolatra e drogado com seis filhos (uma sétima aparece mais tarde mas vamos deixar isso pra outro momento) tendo de fazer o possível para administrar a casa e lidar com as despesas. Fiona, a mais velha e aparentemente a mais ajustada do grupo assume as rédeas da família nas constantes ausências do pai e se esforça como pode para manter as coisas funcionando - mas casa velha, muitas crianças e pouco dinheiro sem sombra de dúvidas é igual a dificuldades financeiras.

Com isso vem em grande parte a condição de 'sem vergonha' do título, em que, diante da pobreza abjeta, se faz necessário usar de toda e qualquer ferramenta disponível para sobreviver ou viver mais um dia, e isso tanto significa aceitar empregos deploráveis (como limpar fossas ou trabalhar num mercado em que o gerente exige sexo oral para não sujeitar as funcionárias aos piores serviços e turnos) como efetivamente roubar, enganar e ludibriar a quem for por uns trocados a mais.

O título se refere ao fato que o pobre não pode se dar ao luxo de ter vergonha, e isso é o que vemos nas dez temporadas da série... Bem, pelo menos nas cinco primeiras eu diria porque depois a série meio que quer dar um final feliz para um personagem que deixa a série e esse personagem, apesar de toda a lógica capitalista em contrário, começa a prosperar continuamente como um mago dos negócios...

É claro que o título também se refere ao sexo e a série tem muito sexo. MUITO SEXO (a abertura já traz sexo e esse é, sem sombra de dúvida, um dos chamariz que usaram para vender a série pela Showtime).

Ok, voltando pra história, cada um dos Gallagher tem seus dilemas interiores - ainda que as crianças mais novas estejam em busca de suas identidades, os mais velhos já tem suas condições mais definidas.

Ian é homossexual (e depois descobre que tem alguns problemas de bipolaridade) e sabe que isso pode custar sua admissão numa academia militar que era seu sonho desde pequeno, enquanto Lip que parece ter um dom natural para ciências não enxerga potencial ou futuro no aprendizado (por mais que tenha universidades babando para lhe oferecer bolsa de estudos), enquanto tenta escapar do alcoolismo que, bem, o atormenta bem mais que a seu pai.

Fiona, como eu mencionei antes, a mais ajustada tem o dilema de viver em função de seus irmãos ou o de viver sua vida própria (até porque sabe que, no momento em que seguir em frente, a casa desmoronará), enquanto Debbie tenta redimir e aceitar o pai, e, Carl tem problemas constantes com raiva.

E, eu não sei se William H Macy entra e sai das cenas sem muito para fazer por questões contratuais e conflitos de agenda, ou se o público estadunidense não reagiu tão bem a ideia do pai ausente e alcoolatra e preferiram relegá-lo apenas a alívio cômico ocasional para a história acompanhar a superação e desafios dos filhos... Mas Frank é um personagem que, sinceramente, me irrita bastante no material e poderia ser removido em qualquer das temporadas subsequentes a primeira sem muito (ou talvez algum) prejuízo, por mais que o ator seja extraodinário é faz uma performance genial com (o pouco) que tem disponível.

Pra contextualizar isso - e eu sei que estamos diante de alguns spoilers moderados de uma série que terminou há mais de cinco anos e da primeira temporada que foi ao ar em 2011 - na primeira temporada Frank começa a sair com a personagem de Joan Cusack - pura e simplesmente para ter um lugar para morar depois que os filhos o expulsam da casa. Essa personagem tem uma filha adolescente que está saindo com Lip (o filho mais velho e ainda colegial) e, em dado momento no final da primeira temporada, Frank acaba transando com a menina - o que encerra a primeira temporada com o pai da menina vendo um vídeo da cena que vazou para a internet.

E isso não rende absolutamente nada.

O pai da menina acaba se matando (sem confrontar Frank), tanto o filho como a personagem de Joan Cusack confrontam Frank mas acabam o perdoando ou ignorando a transgressão como se fosse algo normal e inócuo (sabe, como acabar com o papel higiênico e não abastecer outro rolo?) e o evento sequer é mencionado novamente. Sério, todo mundo finge que tudo isso é normal e é somente 'Frank sendo Frank', e é meio que o motivo do que eu falei antes que o personagem não tem muito peso na história ao contrário dos filhos.

O problema efetivo é que, conforme as temporadas avançam, isso acaba se espalhando e repetindo de novo e de novo com basicamente todos os demais personagens e tramas, e o grande problema é que, por volta da quarta temporada a narrativa está próxima de suas conclusões lógicas e eles continuam até o ponto onde a série deveria acabar (na oitava temporada), mas com sucesso de público e crítica parecia que uma temporada a mais seria óbvia e não obstante temos 3 temporadas a mais.

Eu francamente acho que a série tem vários problemas, mas que tem tanto talento e os personagens são tão interessantes que é fácil deixar de lado para focar somente no positivo, ainda que eu recomende com ressalvas - porque a série entra num modo zumbi nas últimas temporadas que é difícil de extrair qualquer coisa que salve. 

28 de agosto de 2025

{Resenhas que você não pode ler de Quinta} Po-po-poker face

Olha, talvez eu esteja incrivelmente errado em muitas coisas na vida, e, eu não duvido que eu esteja, mas eu genuinamente acho que Natasha Lyonne é uma atriz extremamente carismática (mesmo se isso não significar necessariamente que seja uma boa atriz sob algum critério mais específico) e por essa métrica eu gosto ver projetos com ela.

Por um bom tempo eu quis assistir a Poker Face - vendo as propagandas, inclusive os anúncios que mostravam Lyonne trabalhando com John Mulaney (e ele aparece em apenas um episódio) - e, honestamente o primeiro episódio me mostrou enorme potencial com um elenco extraordinário e uma premissa muito boa (muito boa mesmo), em que Lyonne é basicamente um detector de mentiras (sarcástico) humano que trabalha em um cassino com sua melhor amiga, e, uma tempestade de merda atinge suas vidas.

O primeiro episódio tem direção de Rian Johnson (de alguns de meus filmes favoritos de mistério como Entre Facas e Segredos) e conta com um elenco bastante estrelado que inclui mas não se limita a Adrien Brody, Rhea e Ron Pearlman, Steve Buscemi e mais meio mundo em apenas duas temporadas/22 episódios e eu não ficaria surpreso se eles tirarem o Rick Moranis de aposentadoria para a terceira temporada...

Mas o final do primeiro episódio me desanimou de tal maneira que eu acabei pulando quase toda a primeira temporada para ver se melhorava, e para não entrar em spoilers (que eu já evitei até agora) eu vou concluir a resenha primeiro para depois falar do grande problema para mim com esse primeiro episódio.

Os episódios são construídos de maneira que seja/pareça mais com filmes curtos (de uma hora/quarenta e tantos minutos) do que com uma série de fato, tanto que poucos são atores recorrentes, a estrutura das câmeras e enquadramentos, e os roteiros trabalham nessa estrutura também, com narrativas curtas para funcionar com começo, meio e fim ainda que mantendo a mesma protagonista lidando com uma ameaça constante que a mantém fugindo.

Até aqui, nada muito novo (o seriado do Incrível Hulk ou Kung-Fu com o David Caradine só pra citar dois nessa estrutura), o material se destaca pelo excelente número de astros e pela qualidade da direação e câmeras, além, claro do carisma incrível da protagonista.

O problema reside no roteiro e ele retorna ao roteiro quando ele precisa funcionar, e, puta que pariu, de novo e de novo eu me vi desapontado com o material nesse quesito, e, para entrar em detalhes precisarei de alguns spoilers então se ainda te interessa ver a série sem os spoilers aqui termina a resenha.

Bons atores, boa direção, roteiro fraco, mas vale a pena se você não quiser nada particularmente desafiador ou, sabe, interessante. Se você preferir o exato mesmo mas com bom roteiro particularmente desafiador, tem The Cleaner do Greg Davies, e, esse eu realmente recomendo.

 

 

Ok: Spoiler a partir daqui, não diga que não foi avisado.

 

 

Vamos lá:

 

Eu falhei em explicar a premissa do primeiro episódio pois isso traria alguns spoilers sobre o episódio que estragam o material, então talvez não seria bom falar sobre eles, mas honestamente o fim estraga o episódio da mesma medida, então...

Vamos lá: O primeiro episódio nos mostra a amiga da protagonista sendo assassinada em sua casa depois que ela descobre algo terrível no seu lugar de trabalho, mas, o assassinato foi uma armação para parecer que foi o marido dela (um bêbado abusador).

Natasha Lyone percebe que existem vários sinais errados, e, acaba descobrindo a identidade do assassino - enquanto ela inadivertidamente trabalha com ele em um esquema/negócio. Ok, então chegamos a praticamente Frasier com suspense enquanto os personagens tentam enganar uns aos outros e esconder seus segredos enquanto arrancando informação uns dos outros.

O problema é que, quando Natasha descobre toda a verdade - sobre quem matou sua amiga e que tem armas e sangue frio para operar uma execução e fraudar a cena do crime, além de controlar a polícia local na investigação - bem, o que ela faz?

Busca ajuda de alguma agência federal de investigação e entrega as informações? Confronta o criminoso a uma distância segura após confirmar o sucesso de seu plano (talvez até por telefone)? Confronta o bandido conforme a polícia aguarda para confirmar a confissão do criminoso e prendê-lo...? Confronta o bandido com a ajuda de algum outro bandido maior (inclusive algo que faria mais sentido no contexto do episódio e da série)...? Foge o mais longe possível sem olhar para trás...?

Não... Nenhuma das anteriores, ela só vai confrontar o criminoso, completamente desarmada e sem qualquer trunfo ou plano, para tripudiar e dizer que ela descobriu o que de fato ocorreu... E aí ela foge da máfia e de gente armada que quer matá-la pelo restante da série sem o menor propósito ou motivo (inclusive com cenas em que ela aleatoriamente escolhe o próximo lugar para ir).

28 de maio de 2025

{Resenhas de Quarta...?} The Inbetweeners

Uma coisa que eu ouço muito quando alguém quer elogiar uma série antiga (e criticar nossos tempos modernos) é para apontar que "Não seria possível fazer mais isso hoje em dia".

Sabe, como com os Simpsons (que continuam a produzir episódios, mas não é possível fazer as piadas que eles faziam trinta anos atrás - mesmo que tenham feito por 25 anos, e muita gente parou de rir já faz um bom tempo), ou, e eu não estou brincando, com o Chaves (eu juro que já ouvi gente comentando isso - apesar do fato que essa merda continua passando na tv).

Só que, e isso é importante, o humor mudou e muda com o tempo, porque, e isso é importante, a sociedade muda, e, não apenas a sociedade como a tecnologia.

Quando Chaplin produzia seus filmes, a necessidade de maior expressividade facial e física era necessidade quando todas as ações e emoções precisavam ser compelidas sem palavras. Isso produz uma comunicação mais dinâmica universal, é claro (e é possível se comunicar de maneira não verbal com um público maior uma vez que barreiras linguísticas se extinguem), mas não muda o fato que os temas e argumentos são datados.

O vagabundo num mundo pós-depressão e pré (e durante) a Segunda Guerra, vivia num contexto muito diferente do mundo a caminho de uma cataclísmica depressão econômica promovida por um estadista incompetente ultranacionalista que potencialmente jogue o mundo em guerra de hoje... Ok, enquanto elementos podem funcionar e colocar sob a mesma luz ou perspectiva (e nisso, mesmo Dom Quixote de quase quinhentos anos atrás também continua contemporâneo), ainda existem elementos e estruturas que o tornam completamente alienígena e não relacionával ao público moderno.

Chaplin em seu Tempos Modernos de 1940 criticava como a industrialização tornava pessoas em meras engrenagens e peças de processos industriais mais complexos, quando hoje quase um século depois a situação se tornou tão mais terrível que ensinamos às máquinas como fazer os trabalhos que nos colocaram como meras engrenagens e peças dos processos industriais mais complexos anos atrás.

O mundo mudou e as estruturas mudaram, e a tecnologia evoluiu não obstante.

Não é mais possível produzir um filme como Chaplin da mesma forma que não é possível produzir uma série como Seinfeld, e, de maneira até bastante simplista, porque isso já foi feito e se faz necessário oferecer algo único e com sua própria voz para retratar as lutas e desafios de seus autores.

Quando The Inbetweeners foi ao ar originalmente entre 2008 e 2010, a realidade retratada na série era bem diferente da realidade de hoje, por uma série de motivos - e nem apenas pela pandemia que mudou muitos hábitos e comportamentos. A série mostrava uma realidade de jovens adolescentes tentando se enturmar, serem descolados enquanto apredendo realidades difíceis sobre a vida e o amadurecimento.

Isso obviamente continua a funcionar mesmo que jovens de hoje não precisem aprender a dirigir (pois podem facilmente acionar um uber) ou não se sentem mais pressionados a beberem ou fumar (afinal não são mais bombardeados com propaganda destes produtos diariamente - e, pelo contrário, aprenderam desde cedo o quanto esses itens fazem mal para a saúde).

A série é um retratato de seu tempo e oferece piadas que obviamente não funcionariam hoje em dia (ou causariam maior desconforto do que o pretendido pelos autores e atores), ou, e aqui é onde eu acho mais relevante, não seriam um comportamento normalizado e aceitável hoje em dia... Só que esse era um comportamento normalizado e aceitável menos de duas décadas atrás - e que é algo engessado por décadas na sociedade - foi mudando para que isso não seja mais normalizado e aceitável.

Sei que os personagens usam termos que hoje em dia não seriam tão bem aceitos (ainda que muita gente ainda os use de maneira particular e privada), mas, seria no mínimo relapso ignorar. É pior do que, bem, qualquer coisa de Seinfeld, Friends ou mesmo Chaves (que continua passando na tv aberta todos esses anos)? Talvez um pouco pela repetição, afinal a série tem apenas 18 episódios e mesmo assim eles usam muitos termos que não seriam aceitos hoje, mas, considerando o contexto do período em que eram termos bem mais aceitos e normalizados (e que, repito, muita gente ainda usa sem o menor medo de represálias hoje em dia), acredito piamente que seja possível ignorar e relevar em virtude de todo o restante que é muito bem feito, escrito e atuado.

Era perfeitamente normal a ideia de se beber para se divertir e curtir, ou toda uma série de comportamentos "românticos" (que hoje se carecterizariam como perseguição, stalking ou de forma geral tóxica), e, verdade seja dita, talvez seja necessário o choque de realidade do comportamento escroto e patético de alguns dos personagens na série para revelar muito sobre o mundo real.

Talvez eu seja o único (mas dúvido muito) a me identificar com vários dos comportamentos e atitudes dos personagens e vê-los potencializados pelo exagero de seu ridículo, é muito fácil perceber nas atitudes deles um paralelo com nossas próprias atitudes exageradas e ridículas.

O conflito dos personagens em lidar com o amadurecimento, de abrir mão de fantasias tolas, como Simon que vive obcecado com sua vizinha e colega de classe Carli - que mal sabe de sua existência - ou Jay que tenta em toda ocasião parecer um especialista em sexo (ainda que seja mais inexperiente e virgem que seus colegas), permite experiências genuínas entre os personagens, e o diálogo muito bem escrito combinado com a ótima química entre o grupo, forma um retrato brilhante desse período na vida das pessoas.

Se ele fica datado após a popularização de telefones celulares, aplicativos e, principalmente da mudança de nossos comportamentos após a pandemia, bem, porque diabos isso deveria impactar sua forma de observar e analisar a obra?

24 de abril de 2025

{Resenha? de Quinta} The Last of U.S.A.

Eu fiquei em cima do muro sobre The Last of Us na primeira temporada em grande parte porque, bem, eu não queria falar mais do que eu disse: O elenco é bom, a direção é ótima mas algo me deixava com uma pulguinha atrás da orelha, ainda que eu não soubesse exatamente o que era.

Mas não é só isso, verdade seja dita, e, eu acredito que o maior problema da série é o que vai me causar maiores problemas, e é que os fãs do(s) jogo(s) não conseguem aceitar que o argumento base do material é estúpido (e, bem mais importante, derivativo e sem nada de relevante para dizer).

Quer dizer, isso não é The Walking Dead porque não são zumbis, são funbis, sabe, controlados por fungos altamente inteligentes e baseados em um fungo completamente real porque os criadores do jogo gastaram dois minutos procurando no google - ou talvez menos porque na próxima página sem anúncios verificariam que ele não é perigoso. Mas pior que isso, os fungos cordyceps é utilizado para produção de medicamentos (ou seja a direita maluca que é contra vacina tentando inserir mais de sua retórica estúpida?), e, me desculpa se a ideia de um fungo causando o colapso da civilização me parece ridículo...

De novo, eu entendo que essa seja a premissa dos zumbis e que dependendo da história sobre eles, há um retrato diferente com suas regras diferentes (seja a origem conhecida ou não, eles podem ser minimamente inteligentes ou capazes de tarefas altamente complexas) mas com algumas regras universais e permanentes (eles se multiplicam em progressão geométrica pelas mordidas e só são vencidos com violência - exceto em Dead Rising em que a ciência encontra uma cura ou Todo Mundo Quase Morto em que a ameaça é contida e se torna mera inconveniência).

Dito isso, zumbis são uma analogia para alguma questão ou crítica maior e mais complexa - como o consumismo, o envelhecimento populacional ou o capitalismo e o complexo industrial farmacêutico - e enquanto isso varia assim como a relevância dos zumbis (que vão de ameaça a pano de fundo para conspirações maiores em algumas histórias), eu coço e coço minha cabeça e não vejo qual o ponto dos "zumbis realistas criados a partir de fungos".

O contexto social é o mesmo de várias outras histórias, só que pior (sabe fungos... Passa vodol na ferida e toma uma dose de, sei lá, fluconazol e em dois dias e epidemia funbi acaba, onde que isso causaria o fim do mundo como conhecemos?), e a história não parece sequer se importar com os zumbis criados por fungos como nada além de antagonistas secundários desde o começo só para oferecer algum contexto para a jornada. Mas o que me incomoda é o quanto eu penso sobre a série e quantos apitos pra cachorro eu vou percebendo mais e mais.

Sabe, tipo "gente que constrói bunkers e se prepara para o apocalipse é gente como a gente" ou alguma bobagem do tipo. Claro que vemos caipiras e racistas a rodo no material, mas curiosamente nenhuma explicação fundamentada para o que aconteceu com todos os cientistas e porque nenhum deles parece ter sobrevivido, não? Pra que tratar uma micose turbo com antifúngicos quando metralhadoras são tão eficientes? 'Murica, certo?

Olha, eu entendo que num videogame essa lógica funciona. Videogames precisam de ação para conduzir a parte do 'jogo' e geralmente a violência, além de catártica, oferece tanto ação quanto uma estrutura ativa para o protagonista conduzir a história, por isso são tão comuns antagonistas liderando gigantescos exércitos e obstáculos para tornar a jornada do herói mais difícil.

Faz sentido que o herói de um jogo utilize de armas para resolver seus conflitos e mesmo que esteja completamente dessentizado diante de toda a morte e destruição que causa e deixe em seu caminho (e inclusive faça alguma piada aqui e ali para quebrar o gelo), só que o que funciona em uma mídia não se traduz da mesma forma para outra.

Facções e milícias lideradas por idiotas que se preparam para um apocalipse diferente a cada semana são os mais preparados para lidar com uma crise que médicos e cientistas? Ainda mais quando, e eu não posso dizer isso o suficiente, quando eles querem derrotar um fungo com uma metralhadora.

Além do fato que a infecção deveria ser diferente (afinal a propagação de um fungo é diferente da de um vírus - inclusive quando consideramos que os zumbis se propagam com mordidas), mas talvez isso estivesse na terceira página de resultados do Google então vamos só fingir que é tudo a mesma coisa e balas vão resolver porque afinal de contas o maior monstro é o próprio ser humano (e principalmente os esquerdistas porque se dependesse deles não teriam armas para derrotar fungos - inclusive alguns do tamanho do Hulk).

E tudo isso é preguiçoso pra caralho porque é plágio do que o Robert Kirkman fez por quase duas décadas e vários outros antes dele como George Romero e mesmo o Zack Snyder. Só que esses funbis são produzidos por fungos e as milícias trazem os vagalumes e não o Governador então é diferente o suficiente.

Na primeira temporada a série tenta abordar um lado mais humano do conflito de sobreviver no apocalipse e inclusive das interações interpessoais, e produz alguns episódios muito bem construídos, com personagens bem desenvolvidos e tramas interessantes. Só que você precisa aceitar que o mundo foi para a merda com enorme velocidade e nenhuma estrutura pública (universidades, governos ou o exército - que talvez estivesse ocupado demais pintando meio-fio) ou privada conseguiu se manter organizada e funcional para enfrentar essa ameaça sob qualquer forma...?

De novo, The Walking Dead faz isso porque é o ponto da narrativa que Robert Kirkman queria contar - sem chegar a um fim para a história ou uma solução fácil da cavalaria chegando e tudo se resolvendo (que é o fim do primeiro filme de George Romero e de Todo mundo quase morto) ou uma conclusão deprimente e (auto)destrutiva (como Raccon City sendo destruída por um míssil).

The Last of Us nem tenta isso porque só fez um produto de zumbis porque zumbis se tornaram populares (e a companhia de Uncharted e a Sony precisavam de mais um sucesso).

A primeira temporada termina de maneira que não tem mais por onde construir uma narrativa.

Joel e Ellie estão em segurança, encontram uma cidade perfeitamente fortificada e podem sobreviver ao apocalipse até que as plantas cheguem para salvar tudo... Perdão, franquia errada... Mas a narrativa se concluiu. A jornada de Joel era a de levar Ellie para segurança e é o que ele faz, sobem os créditos e acabou. Mais até que isso, existia a perspectiva de encontrar uma cura para resolver a porra toda (e que seja a mesma ideia que os Simpsons já usaram em 2009), bem é descartada, ignorada e jogada pela janela afinal de contas, você pode realmente confiar nessa ciência frouxa para resolver alguma coisa quando uma metralhadora se mostrou tão eficiente até agora?

Bem... Não, não é isso. A história conclui porque Joel decide que eles devem ser os últimos de nós.

Porque Joel após a primeira temporada em que vê sua humanidade restaurada na inocência pueril de Ellie (com suas piadas toscas e sua jornada de amadurecimento) precisa tomar a difícil decisão de sacrificar essa garota para que a humanidade tenha um futuro, e, prefere jogar o que resta de sua própria humanidade para salvar garota.

É aqui que todos os apitos de cachorro fazem sentido. Joel vê diante de si o número gigantesco de pessoas terríveis que não vale a pena salvar (os habitantes de bunkers que com toda a certeza votariam para fazer a 'Murica grande de novo, o pessoal das milícias organizadas e gente que orgulhosamente anuncia que tem mais rifles que amigos), e escolhe dar uma chance à Ellie (e assim a algum semblante de esperança e inocência).

E aí eles resolvem continuar a história e fazer uma segunda temporada mesmo que não exista um ponto para essa história ou narrativa para continuar, não é mesmo? Afinal de contas as escolhas são 1) pura e simplesmente repetir a história para chegar à mesma conclusão, 2) fazer uma história nova com reviravoltas e piruetas para chegar à mesma conclusão ou 3) mudar a perspectiva (e portanto trair a visção original) para chegar a uma conclusão completamente diferente.

Aqui não é uma história em que todo mundo vive feliz para sempre ou encontra redenção... É o triste e melancólico fim da humanidade, e não existe um caminho que possa melhorar ou mudar isso.

Tudo bem que a continuação poderia tanto colocar Ellie para confrontar Joel como para que ela efetivamente tome a mesma decisão difícil que ele tomou, o que ou obviamente vai levar à mais tristeza e melancolia reforçando um ponto já perfeitamente estabelecido e mudar a perspectiva para um final feliz em que a humanidade se salva e todo mundo acaba feliz e contente aprendendo uma grande lição de amor e respeito, bem, soa extremamente hipócrita e covarde...

No que repito: Qual o ponto?

Eu não sei, e, francamente vendo os primeiros episódios da nova temporada (e a discussão sobre temporadas 3, 4 e sei lá eu quantas mais) nem sei se me importo mais.

Mas, se você adorava The Walking Dead nas primeiras temporadas da série, bem, aqui existe um material tão bom quanto (se não melhor) para assistir.

17 de abril de 2025

{Resenhas de Duplo Flawless e fatality quando Papai Noel sobrevoa} The Pitt

Olha, eu não gosto de séries médicas, vamos deixar isso claro desde o começo.

Se eu assisti mais do que duas séries que se enquadrem nessa categoria (e as duas séries são House e Scrubs), eu genuinamente não me lembro de qualquer outra que eu tenha visto além de uma noite de insônia porque era o que estava passando.

The Pitt, no entanto, é diferente e é genuinamente intenso e indicado para se maratonar de começo ao fim. O material é caótico com dezenas de peças se movendo ao mesmo tempo (vários médicos atuando simultaneamente assim como vários pacientes que entram e saem do serviço de urgência) e a série vai criando situações pequenas que vão mudando episódio a episódio. Como um elemento pequeno que é apresentando num episódio (ou somente comentado) e rende uma cena explosiva e tensa vários episódios mais tarde.

Mais até que isso, a série não tenta glamourizar a vida de médicos como uma constante de romances tórridos e um atendimento gourmetizado que permite atender a um único paciente por semana como se vê em outras séries. Longe disso, eu diria, pois parece bem mais uma crítica ao sistema de saúde estadunidense - que mesmo com seus avanços tecnológicos e científicos, carece de mão de obra, recursos estruturas e muitas vezes o mínimo e básico para um atendimento humanizado e de qualidade (em que hospitais viram verdadeiros fast foods preocupados com avaliações de pacientes e atendimentos rápidos - enquanto com o mínimo de mão de obra e recursos).

Muitos atendimentos dependem mais da assistente social ou do tato dos médicos para lidarem com seus pacientes e outras situações, bem, são apenas grotescas e nojentas (com ratos em um mendigo ou uma barata sendo removida da orelha de uma paciente enquanto um estagiário precisa mudar de jaleco quase todo episódio ao ser exposto a todo tipo de fluído imaginável) e no geral se parecem bem mais com a rotina de um pronto-socorro que o que se vê normalmente em séries dessa natureza.

Talvez não seja a melhor série médica do mundo, mas com toda a certeza oferece uma perspectiva diferente e mostra muito mais o que de fato é o trabalho médico (primeiramente é trabalho com chefes cobrando incessantemente sem fazer absolutamente nada - além de cobrar incessantemente - longas jornadas e poucos recursos para cumprir efetivamente as demandas).

Recomendado!

27 de março de 2025

{Resenhas de Quinta} Uma mente (quase) excepcional

Baseando somente pelo piloto, a série Uma Mente Excepcional (High Potential no original) tem, sem trocadalhos, um enorme potencial mesmo: Premissa interessante para uma série policial tradicional (uma mãe solteira altamente inteligente trabalhando como consultora para a polícia de Los Angeles), atores muito bem escalados (com destaque óbvio para Kaitlin Olson que brilha demais aqui) e ao menos no piloto, um roteiro muito bem construído ainda que nem sempre tão afiado.

Falta um je ne sais quoi (sim, sim, a série é baseada numa série francesa, mas juro que não é trocadalho de novo) para sair do lugar comum, e efetivamente se destacar em um gênero extremamente policial (de investigação criminal) e ou  abraçar a comédia de maneira mais contundente ou partir de cabeça no drama - o que honestamente não me parece o ângulo certo para uma série cuja primeira cena é a protagonista requebrando no serviço e trombando com uma investigação em andamento). 

Abraçando a comédia que parece a decisão lógica e inteligente, precisa melhorar os roteiros para conseguir extrair mais comédia das situações e personagens como Psych faria com casos absurdos e ridículos ou Monk com as muitas manias do protagonista.

Aí me parece a primeira oportunidade completamente desperdiçada da produção. Essa série é uma adaptação da série francesa Haut Potentiel Intellectuel (aqui conhecida como Morgana, a detetive genial) e segue uma rotina tipicamente francesa, com costumes tipicamente franceses.

Não faria sentido ao atravessar o Atlântico trazer situações que de fato trouxessem interesse para a dinâmica da detetive genial? Quer dizer, se a faxineira fosse uma mãe solteira negra de alto QI contrastando com policiais estadunidenses racistas ou mantendo Kaitlin Olson (que é disparado o que o seriado tem de melhor) mas contrastando com um detetive idoso misógino com bonezinho MAGA que obviamente não ouviria o que uma faxineira teria a dizer...

Mas, puta merda, eles não mudaram nada da primeira cena do original francês. NEM A PORRA DA MÚSICA! Minto, mudaram as cores para algo mais primário para ficar mais chamativo para câmeras alta resolução!

Eu vou dar o benefício da dúvida, considerando que Psych melhora enormemente após a segunda temporada (assim como outro remake cult de uma série europeia pouco conhecida, um tal de The Office) e de fato encontra seu próprio ritmo, e, o mesmo pode acontecer aqui com toda a certeza.

Acrescentar mais personalidade ao detetive Karadec (que é só um personagem genérico e desinteressante nessa primeira temporada) ou mesmo substituí-lo completamente por algum personagem novo ou mesmo um dos outros detetives já apresentados (eu acho que a detetive Forrester funcionaria bem), enquanto apresentando casos mais desafiadores e que de fato exijam os conhecimentos e a mente brilhante de Morgan para resolvê-los (com conhecimentos específicos que passariam claramente batido pelas autoridades) seria um bom começo.

Verdade seja dita, falta bastante personalidade à série como um todo para deixar de ser mera cópia carbono do original além de oferecer algo particularmente interessante além de seu conceito. Recomendo o piloto - que até agora foi o melhor episódio que eu vi - esperançoso para que encontre sua própria voz e traga algo mais interessante.

12 de dezembro de 2024

{Resenhas relâmpago edição 2024} Coisas que eu não acho que merecem uma resenha inteira (mas que me despertaram interesse)

Fallout (é, eu não falei dessa, eu falei do filme Borderlands comentando por cima de Fallout) Boa série, funciona tanto para quem não conhece como quem é aficionado pela série de videogames, mas eu honestamente acho que a Amazon planejou mal a divulgação do material e muita gente nem lembra que ele saiu esse ano.

A estrutura de múltiplos protagonistas ajuda a facilitar o acesso da maluquice que é o universo do jogo para o espectador, além de oferecer as diferentes facetas de moralidade dos jogos, mas, eu honestamente acho que uma estrutura mais episódica (com o desafio da semana que o sobrevivente dos abrigos nucleares passa a descobrir ao mesmo tempo que os espectadores).

Falando de uma série que ninguém lembra que saiu esse ano Like a Dragon: Yakuza. Essa é piorzinha e eu acho que é difícil empolgar por uma série de motivos (atores fraquinhos e personagens que levam muito tempo para se apresentarem propriamente, além de um roteiro que só engata a segunda marcha depois de uns três ou quatro episódios), mas é um material que dá um bom caldo e eu preferia bem mais uma segunda temporada bem trabalhada que, bem, mais uma temporada de The Boys ou Os Anéis do Poder.

Black Doves é uma série que eu queria gostar muito. Keira Knightley (que eu descobri recentemente que tem a mesma idade que eu) e Ben "Paddington" Whishaw em uma série de espionagem com possivelmente o melhor diálogo que eu vi não só nesse ano e uma boa dose de cenas de ação. Porque não empolga então? Bem, o roteiro e a direção que não parecem trabalhar de maneira coesa para fazer o restante funcionar... Fica perdendo tempo com flashbacks ou cenas bobas e pouco interessantes que não ajudam ou contextualizam nada de relevante, perdendo totalmente o momento e o interesse do público.

Eu ainda acho que vale a pena ver o material, mas eu gosto da Keira Knightley e do Ben Whishaw, e de fato o diálogo é muito bom... Mas não vale uma efusiva recomendação não. Talvez quando você estiver de ressaca fugindo dos parentes no Natal ou Ano Novo...

O Dublê - melhor filme de ação (só de ação?) do ano, fácil. Tá, o roteiro tem váaaaaaaaaaaaarios problemas e clichês (com uma conclusão incrivelmente estúpida), mas existe algum filme de ação que não entre nessa categoria (Eu nem vou entrar no argumento sobre Duro de Matar com um cofre cheio de ações ao portador num prédio ainda em construção)? Assista pela ação, pelo carisma de Ryan Gosling e ignore o roteiro o quanto puder...

Dan Da Dan é facilmente a animação que mais me surpreendeu em 2024 de longe. O roteiro é insano e rápido (em 20 minutos de cada episódio parece que acontece mais que em 3 horas e meio de muitos filmes), e geralmente as mudanças são imprevisíveis, malucas, hilárias e impressionantes. Existem lá seus problemas (afinal é um romancezinho - meio pervo - para adolescentes com ares de Arquivo X), mas eu realmente fico positivamente supreso com os rumos que o material vai a cada episódio.

No espectro de surpresamente confuso, Comando das Criaturas é uma série que eu não sei o que pensar ou esperar. Quer dizer, olhando num vácuo, é bem divertido como quase tudo que James Gunn fez para a DC desde O Esquadrão Suicida, combinando construção de personagens, estrutura narrativa com piadas bem escritas e bem planejadas.

No entanto, bem, qual é o ponto dessa animação no contexto maior do Universo DC que James Gunn vem construindo? Quer dizer, ele continua a história de O Esquadrão Suicida e Pacificador (que fazem parte no contexto maior do Snyderverso), enquanto trilham um caminho para um novo Superman que veremos no filme de 2025... E mais que isso, num contexto maior, existe o problema que esse roteiro é incrivelmente parecido com o daquela animação ruim do Esquadrão Suicida (grupo black-ops que invade um reino fictício para combater uma força invasora - comandada por um vilão renegado) DESSE MESMO ANO!

Tá, é muitas vezes melhor que a animação em que o Coringa dirige um carro tocando teclado (eu nem sei o que dizer disso além do quão estúpido e ridículo a coisa toda é), mas, é perigosamente próximo para preocupar.

Aguardo os próximos capítulos (que incluem o filme do Superman) para dizer mais, e espero que minhas preocupações sejam infundadas...

19 de setembro de 2024

oreZ orutuF od rodanimretxE {atniuQ ed sahneseR}

Eu acho que já fiz esse comentário antes (mas eu não encontrei exatamente onde) então como as pessoas que não aprendem com o passado estou fadado a repetí-lo. Dizer que Exterminador do Futuro Zero é a melhor continuação para a franquia de James Cameron desde o segundo filme é basicamente a mesma coisa que entrar numa estação de tratamento de esgoto e encontrar o cocô menos fedido.

Lógico que é melhor que essencialmente todos os filmes que vieram depois (sabe, aquele com o Capitão Bumerangue ou aquele em que o John Connor morre nos primeiros cinco minutos do filme) porque efetivamente essa maldita franquia não conseguiu sair do que James Cameron fez com os filmes de 1984 e 1991. Robôs do futuro viajam no tempo para matar alguém em seu plano (idiota) para garantir a vitória em uma guerra com os humanos.

A série está nesse loop perpétuo em que robôs 'dumal' viajam do futuro para enfrentar robôs 'dubem' que também viajaram do futuro para impedir uma guerra que pode ou não acontecer (mas é bem provável que aconteça) e nada faz sentido ou é efetivamente interessante. Ei, dessa vez o robô dumal é uma gostosa! Ei, mas agora são nanomáquinas! Ei, mas agora eles estão no futuro se enfrentando.

Até a animação japonesa da Netflix, a única tentativa de quebrar um pouco o molde se deu na curta série de 2008-2009, as Crônicas de Sarah Connor que tentatava mais do desenvolvimento de John Connor e da jornada de Sarah (quebrando tudo em seu caminho), que honestamente não funcionou muito bem partes por arrogância (em minha opinião dos executivos) de achar que em 2008 seria tão fácil replicar os efeitos especiais criados em 1991 que eles fariam uma série de tv com baixo orçamento e daria certo... Ou talvez os quadrinhos do Frank Miller colocando o Exterminador para enfrentar o Robocop (que acaba servindo como base para a criação da Skynet).

No entanto, a animação japonesa quebra o molde ao mostrar que existem outros países no mundo quando a Skynet iniciou o dia do Juízo Final e as coisas seguiram caminhos diferentes. Uau, agora já temos soluções para franquias presas em um loop.

Na verdade tem mais que isso, uma vez que os oito episódios se passam na iminência do Dia do Juízo Final, em que a Skynet está prestes a se iniciar e acompanha vários grupos distintos de protagonistas, que vão de uma pessoa que veio do futuro perseguindo um exterminador, um grupo de crianças (filhas de um grande cientista especialista em robótica) e sua babá e um sujeito que fica oito episódios conversando com sua Alexa - juro, o sujeito fica oito episódios batendo papo com uma Alexa com filosofia barata sobre o que é um homem senão uma pilha miserável de segredos.

Existem pontos em que a série agrega bastante e modifica enormemente o status quo da franquia (não depende de John ou Sarah Connor, não traz T-800, 1000 ou o que mais for, além de nos mostrar uma dimensão mais abrangente do mundo - afinal todos os eventos aqui se passam no Japão) e que são argumentos para qualquer fã da franquia se deliciar com o que facilmente é a melhor continuação desde O Exterminador do Futuro 2 de 1991.

Para quem não é tão fã da franquia, no entanto, é bem possível se perder em alguns dos negativos, como a filosofia de boteco que permeia episódios e mais episódios (de novo, como o personagem batendo altos papos com sua Alexa sobre a natureza da humanidade) ou a tentativa de ao mesmo tempo consertar a franquia como oferecer uma perspectiva nova com a situação da viagem no tempo - o que ao meu ver cria mais problemas do que efetivamente resolve.

Deixe-me explicar: Em dado momento, a viajante do tempo recebe uma explicação de que ao voltar para o passado, há uma mudança nos eventos e isso faz com que o passado não resulte no 'futuro/presente' onde eles estão (essa é a explicação que tenta justificar porque a Skynet fracassou tantas vezes e continuou com esse mesmo plano de novo e de novo) mas em um novo presente que tende a formar um novo futuro. Faz sentido, é claro, no entanto isso não funciona para a franquia (e nem para essa série).

Ignorando os filmes mais novos (e incrivelmente ruins), isso já cai por terra com o filme mais famoso da franquia, que continua os eventos do primeiro filme (que formam paradoxos como o pai de John Connor vindo do futuro ou que a Skynet se inicia pela viagem no tempo causada pelo T-800), além do fato que pessoas do futuro conseguem voltar para uma mesma linha do tempo no passado (de novo, o T-800 do primeiro filme e na continuação com um T-800 e um T-1000 voltando para a mesma linha do tempo).

Só que a série também parte para esse tipo de (i)lógica ao trazer quatro viajantes do tempo (sem spoilers), sendo que dois voltam aproximadamente 10 anos antes dos eventos da série...

Isso prejudica a série? Bem, honestamente eu acredito que a grande maioria de quem assistir ou não vai se importar ou vai perceber o argumento e passar batido para o restante do que é realmente interessante (a animação, o caos e destruição e efetivamente a narrativa), mas deixando o lado retentivo anal de lado... Até porque o que realmente incomoda(ria) a essas pessoas provavelmente é o quanto a história leva para de fato engrenar.

Crianças protagonistas com narrativas que são pouco interessantes até de fato chegarem a um ponto relevante - ou seja, quando se encontram no fogo cruzado entre um exterminador e um viajante do futuro. O sujeito conversando com sua alexa que não avança até a reviravolta (que pra mim não foi tão interessante assim) e por aí vai. Mesmo que sejam apenas 8 episódios com menos de 30 minutos cada, leva um bom tempo para engrenar a segunda marcha e de fato andar.

Vale a pena conferir para quem é fã da franquia sem sombra de dúvidas, mas quem não está nessa categoria talvez seja mais interessante assistir ao primeiro episódio para tirar suas próprias conclusões pois sua quilometragem pode variar bastante.

29 de agosto de 2024

{Derrapadas de Quinta} A 35ª temporada de os Simpsons e a 12ª de Futurama

Futurama é um dos mais bizarros zumbis da história da televisão. Iniciando sua jornada em 1999 com o bug do milênio se aproximando e cancelado duas vezes na sua primeira encarnação o material foi ressuscitado após uma leva de filmes (que viraram a sexta temporada), que levou ao reinício da série pelo Comedy Central com as temporadas 7 a 10 e novo cancelamento em 2013 para efetivamente a Disney ressuscitar o material novamente agora para o Disney+ com quatro temporadas já previstas desde o começo.

E esse reinício é uma bosta. A temporada 11 foi fraquíssima e até o presente momento com a 12ª temporada não mostrou a que veio, com um material que não consegue acertar o tom ao mesmo passo que se perde na ideia das histórias que tenta construir, que não funcionam ao lidar com temas de ficção científica (como o episódio horrível inspirado em Duna) ou tecnologia (como o episódio horrível sobre NFTs) ou mesmo onde a série sempre surpreendeu e prosperou no desenvolvimento de personagens e aspectos pessoais (e de novo um episódio horrível em que Fry revive um aniversário 'traumático' que é inspirado em Round 6).

A série perdeu sua personalidade única que claramente movia os personagens e suas histórias. Fry, Bender, Leela e os demais personagens não se parecem mais com eles mesmos e são apenas estruturas para mover a história conforme o episódio (da semana) pede, mais ou menos como a 35ª temporada de Os Simpsons!

Meu Deus... Eu tenho sérias dúvidas se a temporada 35 é uma séria concorrente para o posto de pior temporada da série! O primeiro episódio da temporada é praticamente inassistível (zero piadas, roteiro sem a menor graça e só vai piorando conforme progride), dali a pouco vem o obrigatório episódio ruim envolvendo o Sr Burns (e é pior do que você espera com o resumo 'Uma desistente de universidade que se tornou CEO encanta o sr Burns') e temos um episódio de dia das bruxas tão ruim que eu seriamente não conseguia imaginar algo nesse nível (acho que o último tão ruim é o da 20 ou 22 temporada) e continua com episódios ruins e terríveis (como da Lisa com karts). Se dois episódios ao todo se salvam ao todo eu acho que é muito!

Uma coisa que eu notei no que formou o que eu acho, inclusive, alguns dos piores episódios que eu assisti da série - e se não o são, de fato, se só me incomodou tanto (algo que aconteceu várias vezes nessa temporada que eu genuinamente não consegui assistir até o final alguns dos episódios) - é uma estrutura de repetição de ideias, só que pioradas.

Por exemplo, o primeiro episódio tem Homer assumindo um emprego sem importância e em pouco tempo transforma a situação e status do trabalho transformando em sua milícia particular/máfia. Eu já vi isso bem melhor antes (e nem tão melhor também). Mas ao invés do grupo de viligantes da rua ou de bombeiros voluntários, agora ele assume uma profissão voluntária inútil (que salvo engano só existe na 'Múrica) para ajudar a atravessar a rua, então totalmente diferente!

Aí você tem o episódio em que a Lisa tem algum tipo de transtorno psicológico (e isso é totalmente inédito por si só) que precisa ser resolvido através de alguma terapia radicalmente alternativa, sabe, como pilotar karts (e enquanto o episódio com Bart se tornando baterista para lidar com seus problemas psicológicos não é um episódio da Lisa, bem, não muda muito que é mesma estrutura narrativa).

E principalmente não ajuda que tanto os Simpsons como Futurama (que são da mesma Fox/Disney, do mesmo Matt Groening, com estilos artísticos e comédicos bastante parecidos e [com]partilham uma boa parte da equipe de roteiristas) produzem no mesmo ano/na mesma temporada um episódio que fala sobre NFT, com piadas bastante similares, e ambos incrivelmente ruins.

15 de agosto de 2024

{Resenhas de Quinta} Como Treinar Sua Casa do Dragão, segunda temporada

Bem rápido ao ponto? House of The Dragon (ou A Casa do Dragão) poderia facilmente chamar o Fiado do Dragão. Todo episódio é bastante morno mas termina com um gancho para deixar claro que agora vai e no próximo episódio o bicho (ou dragão?) vai pegar, e isso segue até o episódio final em que, agora, na próxima temporada o bicho (ou dragão?) vai pegar.

Woah, déja vu? Quer dizer, parece bastante com o primeiro parágrafo da minha resenha da primeira temporada de 2022, não?

E A Casa do Dragão é um negócio muito estranho. É uma relíquia de um tempo que a HBO/Warner existia e produzia bons shows antes de uma fuuuuuuuusão com a Discovery que entende que vender realities bosta como 'Quilos Mortais' ou 'Irmãos a Obra' - e esses nem são os shows terríveis como "Os Manos do Além" ou a assustadora e crescente franquia Largados e Pelados, e, de novo, alguém lembra o tempo que a Discovery um dia já foi um canal para programas educativos e documentários?

Um artigo de 2022 da Variety estimava que um episódio da série tinha um custo de aproximadamente 20 milhões (aproximadamente porque um episódio pode ter mais efeitos e gastos do que outro e na média vale que o material custa quase 200 milhões para uma temporada, que é o valor de um filme de alto orçamento de Hollywood (sabe, tipo Deadpool 3 que eu falei semana passada, e que é um material cheio de astros e o Ryan Reynolds), e enquanto isso significa 8 horas de conteúdo contra 2:30-3 horas, ainda é muita grana para um material cujo propósito é garantir assinantes, e, numa estrutura de 8 episódios, mal dá dois meses de assinatura garantidos - enquanto uma maratona de realities bosta vão garantir gente assistindo a semana inteira para ver alguma bobagem sobre sobrevivência, renovação de casas ou um idiota filmando com lentes noturnas para capturar 'fantasmas', e custam muito menos que 20 milhões por episódio... Olha, eu acho que com 20 milhões eles fazem uma temporada inteira de todos esses shows e mais uns bons outros (tipo aquele do aeroporto).

(Olha, me perdoe se parece que eu estou criticando fãs de reality shows e chamando vocês de idiotas, por favor, cada um escolhe o veneno que mais lhe agrada - eu mesmo continue lendo quadrinhos de super-heróis e gastei umas boas 300 pratas num omnibus do Batman pelo Paul Dini, então não é uma questão de elitismo intelectual criticando realities como inferiores à tv de verdade. O que me incomoda é que investindo em programas de reality com assuntos pouco interessantes e que tendem a uma grande repetição em detrimento da produção de seriados, acabamos perdendo bons projetos, apostas criativas e materiais interessantes - como Tokyo Vice ou Lakers, Hora de Vencer).

A Discovery é bem diferente na forma de produzir conteúdo comparando com o que a Warner/HBO fazia e os longos intervalos entre lançamentos de material mostram bem isso (Pinguim está em produção desde antes do filme do Matt Reeves chegar aos cinemas, e salvo engano era parte da ideia de lançar os dois simultaneamente, e agora tem algo parecido com o seriado das Bene Gesserit de Duna que também vai sair bem depois do filme - se algum dia ver a luz do dia), e eu acho que nada mostra isso tão claro quanto a segunda temporada de A Casa do Dragão (com anúncio de mais algum outro seriado baseado na obra do George R R Martin).

Talvez os próximos parágrafos possam conter spoilers leves (o que eu acho pouco provável), mas, fica o aviso assim mesmo.

Se você não se lembra do final da primeira temporada, o resumo rápido é que viria a grande guerra dos Targaryen, dragão contra dragão nível juízo final, não vai sobrar pedra sobre pedra. Esse é meio que o ponto da minha resenha na primeira temporada (de que era a constante promessa de algo para vir no próximo episódio e terminando com a promessa para vir na próxima temporada).

E esse é o exato mesmo final da segunda temporada. Literalmente termina com um conselho de guerra formando os planos para a grande guerra dos Targaryen, dragon contra dragão nível juízo final para não sobra pedra sobre pedra. E aqui é onde eu acho que reside o ponto mais estranho da coisa toda, porque durante a temporada existem episódios muito bons (o primeiro mesmo é sensacional e vai melhorando substancialmente até o quarto episódio - que é possivelmente o melhor da temporada e da série como um todo, mas depois cai um balde de água fria e ocorre uma guinada considerável e termina numa nota terrivelmente sem graça, que piora com o fato que é o exato mesmo final da segunda temporada).

Droga, é uma temporada repleta de eventos memoráveis e interessantes, mas termina com uma brochada tamanha que é difícil ignorar, principalmente porque dá a entender que talvez nem a próxima temporada traga de fato a tal guerra dos Targaryen (blá, blá, blá) porque já anunciaram uma quarta temporada e com toda a certeza eles vão partir para o que for mais custo-efetivo (menos dragões e explosões, mais cenas de gente discutindo eventos e conversando sob uma mesa de jantar).

2 de agosto de 2024

{Resenhas de meh} Batman: O Cruzado Encapuzado e Minhas Aventuras com Superman

Olha, eu queria gostar desse material, queria mesmo.

O diretor do último Batman, o baita escritor Ed Brubaker com colaboração de outro baita escritor Greg Rucka em parceria com Bruce Timm... E o J J Abrams ali por algum motivo (porque nunca se pode ter produtores executivos o suficiente eu acho)... Mas o material é na melhor das hipóteses 'meh'.

Meia boca e preguiçoso ao ponto que muitas vezes chega a ser no máximo 1/4 de boca.

Quer dizer, por algum motivo as histórias se passam numa Gotham que parece os anos 1940 (e o Batman também parece aquele dos anos 1940 com o traje de luvinha e tudo mais), enquanto os personagens na sua grande maioria são versões bem diferentes dos personagens tradicionais (O Penguim vira A Penguim, Arlequina usa um traje bizarro e seus métodos são mais para Hugo Strange, Leslie Thompkins tem um orfanato ao invés de ser uma médica respeitada com uma clínica gratuita) e quanto mais eu avancei no material mais essas coisas me distraiam e me tiravam do contexto.

Essa questão do cenário de anos 1940 é o que mais me distraiu o tempo todo porque não importa o que eu tentasse acompanhar do roteiro e prestar atenção na história e nos personagens, eu sempre voltava para 'mas porque diabos isso se passa num mundo análogo aos anos 1940?' (ah, e importante, não é que a história se passe nos anos 1940 ou algo do tipo, pois por mais que tenham tecnologias dos anos 1940 e gangsters e os trajes da época, o mundo é bem diferente dos Estados Unidos dos anos 1940 - sabe, com um homem negro comissário e uma mulher negra advogada, e nenhum deles precisa pegar um vagão separado no trem ou beber água de uma fonte segregada).

Sério, eles imaginaram que a molecada de hoje em dia cansou de tiktok e de vídeos do Lucas Neto para ouvir big bands e curtir a história de Chicago da Lei Seca? Toda essa gurizada de gravata borboleta, sobretudo e fedora? Mesmo para fãs da série animada dos anos 1990, essa estética é bem meia boca e uma cópia artificialmente produzida do excelente mundo criado para a outra animação...

Além disso, em termos de roteiro não é como se o cenário oferecesse maiores perspectivas narrativas porque, de novo, não é como se eles tentassem oferecer qualquer perspectiva do mundo real nesse período para retratar o racismo, misoginia ou qualquer outro problema que efetivamente os personagens enfrentariam nesse período específico da história. Se essas histórias se passassem nos anos 1980, 1990 ou 2020 nenhuma diferença intrínseca no roteiro seria manifesta, então porque escolher esse período específico?

Na comparação com a Série Animada dos anos 1990 novamente, é uma escolha deliberada para emular um passado indistinto enquanto diversos recursos e tecnologias relativamente anacrônicas existem (Batman constantemente usa computadores, enfrenta ciborgues e mesmo o Charada produz um jogo de realidade virtual em determinado episódio), então qual o propósito aqui dessa nostalgia por um período terrível da história entre uma recessão e duas guerras mundiais?

Quando eu consigo ignorar a escolha do cenário por tempo o suficiente, eu começo a me concentrar nas escolhas de roteiro, ,e igualmente elas me incomodam. Troca o gênero do Penguim para que continue sendo um mafioso contrabandista com fixação em pássaros - quer dizer, se queriam uma vilã para ser mafiosa e dona de cabaré, porque não a Coelha Branca? Droga, até mesmo a Mulher Gato mais mafiosa e menos cleptomaníaca impulsiva seria uma caracterização interessante para a personagem, e o próprio Brubaker produziu com a Mama Fortuna e a Sylvia Sinclair duas personagens que seriam muito mais interessantes... 

E puta que pariu, o negócio é tão preguiçoso que eles batizam a personagem de 'Oswalda'... Existe alguma mulher chamada Oswalda? Nem para adaptar, sei lá 'Olivia' ou 'Octavia' ou mesmo WANDA (que pelo menos é parecido), mas OSWALDA é tão preguiçoso, que é assustador (como eu disse, 1/4 boca ou talvez nem isso - 1/8 boca?).

Com tantos personagens pouco explorados do Batman, qual é o ponto de fazer uma versão pior e menos interessante de algum personagem que já existe (vide Bullock corrupto aqui). E quando a gente lembra de algo como A Sombra de Batman de 2013 (mesmo com a animação 3d esquisita) fez bem mais ao apresentar personagens que nunca tiveram uma chance em qualquer outra das dezenas de séries do morcegão...

E é onde o 1/4 de boca prospera... Porque mesmo com personagens nunca apresentados em animações, vemos algo como a gangue do Onomatopéia (um assassino que não fala nada além de onomatopeias - soc, tum, poff), e curiosamente seus lacaios o ouvem e respeitam (sabe, o cara que aponta para um rastro de óleo no chão e diz 'pling, pling, bleim, bleim, bleim' e eles respondem 'brilhante ideia chefe'). Droga, não é nem como se estivessem se esforçando...

Curiosamente, com Minhas Aventuras com Superman, a própria DC apresenta versões bem diferentes dos seus personagens (eu confesso que talvez por burrice, falta de atenção ou outros fatores combinados não percebi que o 'Agente Wilson' era o Exterminador - ainda que em minha defesa, o estilo animê do seriado faz com que todo mundo pareça mais com um personagem de Evangelion que da DC), mas honestamente eles funcionam porque, bem, o foco está no senso de aventura (e nos desafios que o Superman enfrenta num mundo inspirado por animê) que é a proposta da série, inclusive com a segunda temporada abraçando ainda mais o senso de aventura e homenagens a Dragon Ball.

E enquanto o seriado do Superman não seja nada revolucionário - mas mostre muito da burrice da empresa que é dona do material, porque ele está uns 20 a 10 anos atrasado em tentar criar um cenário de animê com o personagem, sabe, na época em que as pessoas de fato assistiam ao Cartoon Network? - eu recomendo bem mais assistir às duas temporadas das Aventuras do Superman que a qualquer episódio do Cruzado Encapuzado.

{Editado} No entanto fica clara uma diferença vital entre ambos os programas. Enquanto o Superman vive em um mundo futurista, enfrentando ameaças tecnológicas e científicas (e é um personagem que vive de esperança oferecendo quantas chances imagináveis para os vilões - ao ponto de vencer uma de suas contendas com um abraço, e eu juro que não estou inventando), o Batman de Brubaker e cia vive de passados, ressentimentos e culpa (em contraste, ele condena um vilão fantasmagórico a um pós vida de torturas constantes) num mundo pessimista e deprimente.

Honestamente eu prefiro o otimismo do personagem que acena dos céus e sorri, mas, ei, para cada um seu cada um... {Fim da edição}

Agora, Esquadrão Suicida: Isekai eu me recuso a comentar (puta merda, o Coringa pilotando um carro com um piano é demais pra mim - não, sério, é o piano que dirige o carro, não tem um volante)

6 de junho de 2024

{Reseric de Quinta} Eric, o Eric do mundo de Eric! Eu já falei Eric?

Existem séries com potencial gigantesco, que fica evidente desde o primeiro trailer. Um elenco fantástico, uma premissa interessante e uma história claramente cativante que te prende do primeiro ao último episódio e geralmente te faz querer mais.

Eric não se encaixa nessa situação (você pode ver o trailer, que inclusive é bem melhor do que a série em si, mas não apresenta nenhum potencial gigantesco), mas com toda a certeza com um elenco encabeçado por Benedict Cumberbatch e o cara de Animais Fantásticos (não, não o protagonista, o padeiro gordinho, sabe? O personagem mais interessante de todo o filme?) e uma premissa que envolve um sequestro e alucionações do pai (que começa a ver um monstro de pelúcia gigante), pelo menos algum potencial a série apresenta.

Verdade seja dita, o primeiro episódio é até bom. Não é ótimo, não é nada memorável, mas é até bom.

Apresenta bem os personagens, contextualiza bem o cenário e nos apresenta os principais atores envolvidos na trama. E aí o detetetive principal no caso invade uma boate, e, bem, as coisas começam a degringolar (coincidências demais, algumas propostas que são idiotas demais - e acabam se relacionando ao caso - e outros elementos que acabam definindo a boate como basicamente o vórtex que conecta toda a história).

Os dois episódios seguintes tentam disfarçar isso com novas situações, novos suspeitos e elementos mas aí do nada a série simplesmente perde total e completamente seu suspense no terceiro episódio ao apresentar para o telespectador a solução do crime (lembra, uma criança desapareceu no primeiro episódio e no terceiro eles nos mostram o que aconteceu), e isso nem é o pior. Não, não... O pior é que justamente o seriado tenta apresentar e amarrar toda uma quantidade enorme de temas que nos foram apresentandos com um belo laço para explicar o que está(va) acontecendo (só que spoiler, eles não funcionam).

A história se perde, os personagens não mais são interessantes e a conclusão de suas tramas não funcionam mais, principalmente porque tudo vai desviando cada vez mais e mais de uma premissa lógica e interessante para uma bagunça completamente insana com cada vez mais e mais ideias que não se encaixam ou fazem sentido no contexto do material.

Da condição básica - da investigação criminal enquanto o pai do garoto desaparecido tem um colapso mental e começa a ver um monstro gigante de pelúcia - para o que o seriado se torna (com toda uma bobagem sobre especulação imobiliária que faria um escritor do Scooby Doo corar), só vemos desperdício de talento e potencial, e enquanto eu não quero entrar em território vasto e longo de spoilers, eu acho no mínimo necessário reconhecer algumas das inúmeras tramas secundárias que permeiam pela história - 1) a mãe tem um amante; 2) o zelador do prédio onde eles moram tem ficha criminal (sim, por envolvimento com menores); 3) o melhor amigo do pai tem uma ficha criminal (sim, por envolvimento com menores); 4) existe toda uma gama de corrupção na polícia de Nova Iorque; 4.1) Um desses policiais corruptos é atropelado; 4.2) O chefe do policial quer apresentar alguém para o principal investigador do caso (sim, o principal investigador é gay e o chefe do policial é corrupto); 5) O marido/parceiro do investigador está doente;

E vai por mim, tem muito mais coisa que eu nem comecei a cobrir. Cumberbatch tenta e se esforça ao máximo (e ele realmente faz um ótimo trabalho) e outros atores como McKinley Belcher III ou Erika Soto conseguem igualmente notas altamente positivas.

Curiosamente, o seriado me fez lembrar do muitas vezes melhor The Night of de 2016, não pelo tema ou história, mas no quanto o seriado da HBO utilizou bem a estrutura para construir sua narrativa (separando os aspectos do investigado e do investigador), que é onde o material fracassa terrivelmente.

Poderia funcionar - e o primeiro episódio aponta inclusive nesse caminho - pena que se perde demais com tantas e tantas e tantas coisas que pouco ou nada importam para o desenvolvimento da história.

13 de maio de 2024

{Resenha lixo} VingAIdor SombrIA... Hm?

Se você treinar uma IA com O Vingador do Futuro e a primeira temporada de Dark, provavelmente você teria como resultado algo como Matéria Escura. E eu digo provavelmente porque ainda faltaria adicionar um pedaço de papelão sem carisma no papel principal, porque aí você teria com certeza o material.

Talvez eu esteja pegando muito pesado com o material (afinal foram apenas dois episódios), mas é difícil se empolgar com um material cujas reviravoltas são tão óbvias que você já percebe uns vinte minutos antes, e que segue num fluxo tão leeeeeeeeeeento (droga o primeiro episódio não tem nem uma hora mas eu juro que dava para eu assistir Duna 1 e 2 no mesmo tempo em que eu assisti esse episódio). O ritmo é glacial, não acontece absolutamente nada e tudo se intensifica com a péssima atuação de Joel Edgerton.

Então recapitulando: A direção mantém um ritmo glacial, o roteiro é previsível e chato (enquanto te lembra constantemente de materiais muito melhores e que você provavelmente se divertiria bem mais assistindo) e o protagonista é terrível. Mais alguma coisa?

Sim, Jennifer Connely.

(Como assim eu preciso me explicar? Isso não é justificativa suficiente? Deixa eu tentar de novo JEN-NI-FER CON-NE-LY!)

Tá, a atriz Jennifer Connely é um talento raro que infelizmente está há muito tempo sem produzir algo interessante (sim, ela fez a voz da roupa do Homem Aranha e esteve naquela versão sem graça de Snowpiercer da Netflix) e, droga, ela rouba o show toda vez que tem pouco mais que cinco segundo na cena. Eu realmente não sei como explicar melhor que isso, mas eu realmente não acho que isso seja suficiente (não foi para Snowpiercer também).

Olha, talvez o material melhore no quinto episódio e engate a segunda marcha (e só fique leeeento), e no penúltimo episódio apresente uma baita reviravolta que faça tudo se encaixar e ficar algo extraordinário - mas eu genuinamente duvido disso.

Nada realmente apresentado nesses dois episódios é empolgante ou oferece o suficiente para continuar mais qualquer número de episódios para descobrir. Essa série talvez se beneficiaria bem mais de um lançamento de todos os episódios de uma só vez (ao contrário de X-men - e na minha opinião inclusive Fallout que funcionaria bem melhor com episódios semanais), ou, sei lá, se tirassem o Joel Edgerton para que a Jennifer Connely fosse a protagonista (ou até fazendo todos os papeis... Ei, eu não reclamaria...)

9 de maio de 2024

{Resenhas de Tretas} Feud: Crawford vs Davis

Susan Sarandon, Jessica Lange e Alfred Molina nos principais papéis (de Bette Davis, Joan Crawford e o diretor Robert Aldrich) em um seriado sobre duas das primeiras e talvez maiores divas do cinema de Hollywood (não somente da era de ouro, mas ainda) e sua incrível história de décadas de intrigas, brigas e conflitos com um roteiro fantástico que consegue manter constantemente a história interessante enquanto pingando os is e contextualizando os fatos (trazendo para o jogo gente talentosíssima para papéis minúsculos como Kathy Bates ou Catherine Zeta Jones) enquanto funcionando brilhantemente como uma analogia para as tristes realidades que persistem - sabe, que não existe espaço para mulheres mais experientes no mercado do entretenimento.

E porque diabos isso demorou quase 7 anos para chegar em algum serviço de streaming no Brasil?

O material é impecável. Recomendadíssimo!

18 de abril de 2024

{Riplenhas de Quinta} Tom Resenha

Andrew Scott é uma puta lenda. Ponto.

O cara rouba a cena em praticamente todo o projeto do qual participa - mesmo que em papéis secundários ou terciários - e dada a condição de protagonista em uma adaptação dos livros de Patrícia Highsmith do talentoso senhor Ripley (um golpista pequeno que vê uma grande oportunidade na Itália - e eu não vou falar mais nada sobre a trama aqui), Adrew Scott destrói o cenário em cada cena em que está.

Claro que ele não é o único merecedor de crédito aqui.

A direção é extraordinária com uma escolha primorosa por branco e preto que realça as cenas ao mesmo tempo que intensifica a tensão (que a série tem vigorosamente conforme o golpista pequeno vai se emaranhando cada vez mais em uma trama complexa).

Enquanto eu sei que muita gente talvez conheça ou esteja familiarizada com a versão dos filmes com Matt Damon, Phillip Seymour Hoffman e Cate Blanchet (e ainda mais um monte de gente extremamente famosa), e a história siga essencialmente as mesmas notas, bem, a canção é beeeem diferente. O tom é mais sombrio (não só pela escolha de cores) e o seriado aposta bem mais no suspense e na tensão. Elementos simples (como um elevador ou o toque de um telefone) tendem a ser de roer as unhas com a impressão constante de que tudo está prestes a desmoronar.

Mais que isso, eu realmente fiquei impressionado com, olha que absurdo, o fato que o seriado que se passa na Itália traz pessoas falando em italiano (ei, no filme do Matt Damon se alguém falou 'prego' foi muito - droga, aquele filme traz o elemento musical do JAZZ na Itália - sabe, com todos aqueles grandes astros do Jazz italianos como Gianni Basso ou Joe Venuti que são homenageados... Não, né? No filme são citados artistas de jazz americanos somente, né?) além de toda a história da arte italiana - com Caravaggio como uma grande inspiração para diversos momentos.

Imperdível!

11 de abril de 2024

{Resenhas de série} Turma da Mônica - A Quinta

Se você queria ver Fernando Caruso fazendo o papel de Capitão Feio (ou o personagem aparecendo pela primeira vez fora de quadrinhos e animações), ei, aqui está sua chance!

Fora isso, como explicar o material para quem quer assistir mas não sabe muito bem, bem, o resumo é bem simples. Você gosta de Malhação mas acha que o problema é que os atores eram velhos demais e precisavam de pré-adolescentes? Pronto, Turma da Mônica, a série é o material para você!

Pra mim não funciona (um porque eu não gosto de Malhação e dois porque pra mim a Turma da Mônica é mais sobre a imaginação o idílico infantil), mas o fato que desde 2019 já produziram 3 filmes, uma série e tem mais um filme (do Chico Bento que aparentemente está pronto).

E considerando que esse ano já produziram um outro filme para entrar no público mais adolescente numa toada de filmes de terror como It - A Coisa (mas, sabe, semo esforço para produzir horror ou se comprometer com isso). Não julgo além do que vi/sei, até porque não conheço a fonte desses materiais...

Se isso é a atualização da turma para os século XXI ou o que for, bem, verdade seja dita, a série não me parecia atualizada mesmo para os anos 1960 quando começou a sair como tirinhas nos suplementos da Folha (ei, Peanuts começa quase na mesma época mas tem bem cara de subúrbio norteamericano dos anos 1950 - e inclusive além)

O que mais dizer? Bem, pode funcionar para pré-adolescentes e crianças ou para fãs extremamente fervorosos da Turma da Mônica (se eles existirem em algum lugar hoje em dia), mas fora isso é só mais um desses materiais com os personagens do Maurício de Souza feito rápido e nas coxas para garantir mais um pagamento.

4 de abril de 2024

{Resenhas de Quinta} Eu, a vó, a boi, as crianças e a Irene!

Olha, eu sei que por todos os efeitos esse material deveria e mereceria um 'Resenha Lixo'. É ruim, não tem um final (porque ou imaginasse que teria uma segunda temporada ou porque aquele final era pra ser mais significativo caso, sabe, tivesse mais episódios para desenvolver o material e terminar como terminou), os atores são péssimos com exceção da Danielle Winitis, Arlete Salles e Vera Holtz e o roteiro com toda a certeza não é material para seis episódios (droga, se alguém me dissesse que isso era um projeto de uma novela de 120 episódios que foi transformado num seriado de 6 episódios, eu consigo enxergar perfeitamente isso!).

Então porque não é uma resenha lixo?

Porque Arlete Salles brigando com Vera Holtz num estilo de Tom e Jerry é um deleite para assistir e realmente justifica totalmente todo o resto do material. Droga, se removessem todo o restante do material e fossem seis episódios só com as duas e um pouco de trilha sonora clássica de perseguição... É, eu pagaria o preço do ingresso! Tem uma mina de ouro gigantesca e tudo que envolve a briga das duas avós diretamente é brilhante de se assistir e as duas realmente abraçam o celeuma e a postura dessa dupla que apesar de morar uma de frente pra outra se odeia com a ardência de cinco infernos.

Mas isso não é suficiente para sustentar um material de maneira prolongada... Talvez uma minissérie curta, talvez com algo a mais para agregar a essa estrutura, e é aqui que o seriado falha e fracassa miseravelmente. Num dos pontos que eu vejo que é onde mais fracassa é justamente em tentar contextualizar porque as duas se odeiam (que é toda uma situação ridícula sobre traição e amantes que eu simplesmente não consigo entender como passou da etapa de rascunho).

Não sei - e não me importo - se esses são elementos da briga entre Miguel Falabella e a Globo e que levaram a recisão do contrato do ator. Não sei se ele queria uma coisa e a Globo queria outra, não sei se ele impôs condições pro material e a Globo incluiu condições para renovar o contrato, francamente nada disso importa ou significa grande coisa pro produto final... Uma vez que o produto final é ruim, simples assim.

Enquanto eu poderia focar nos atores ruins e dizer que é culpa deles, bem, o roteiro não ajuda também - e a direção tampouco. Tem uma trama sobre joias roubadas que é completamente esquecida em episódios futuros, assim como o sonho da policial lésbica de se tornar cantora de ópera (que tem mais espaço, mas honestamente é ridículo toda vez que aparece pelo quão mal dubladas são as cenas) ou a estúpida e ridícula trama do guri de dezessete anos (que é potencialmente o pior ator que eu já vi na minha vida e faz o Cigano Igor parecer o Dustin Hoffman) se relacionando com uma idosa rica e que degringola num pastelão mexicano que além de prisão e circo midíatico tem o sequestro da idosa rica pela própria filha (e sim, caso você esteja se perguntando - mas eu duvido - a filha dela tem vários problemas mentais e passou anos internada em um sanatório o que ela demonstra ao apresentar tiques involuntários, sabe, grande atuação). E vai por mim, mesmo sendo apenas seis episódios, tem mais uma caralhada de tramas que se perdem, não se resolvem ou se resolvem mal e porcamente (como essencialmente tudo envolvendo o personagem do Marco Luque ou a história do irmão dele que tem um sonho de conseguir um green card - porque ele precisava de uma motivação e ele foi o último da fila eu imagino).

Aí você tem as escolhas ruins da direção (além do elenco e da trama) que levam para um final que é facilmente a coisa mais grotesca e mal dirigida que eu já vi na minha vida. Não só pelo episódio final com toda a bobagem de investigação e interrogatórios que simplesmente destoa do restante do material e não funciona (e, o pior, muda o tom cômico para uma investigação criminal), mas pela cena final mesmo que parece claramente que alguém achou que seria uma ótima sacada e não pensou por mais de dois segundos sobre o quanto ficaria cafona, estúpido e não encaixaria no restante do material (sim, a rua explode e forma um buraco no formato do mapa do Brasil, entendeu? Não, nem quem dirigiu porque não tem nenhum comentário político pertinente no restante do material - de novo, é sobre duas idosas brigando igual gato e rato).

Tem ainda um monte de coisa que eu nem citei (como a menina que faz o inverso dos filmes pornôs e entrega uma pizza - e depois engravida e tem toda uma trama bizarra com uma atuação igualmente bizarra sobre adoção, ou o dono da pizzaria local que enrola a filha de uma das avós e tem sua loja fechada pela vigilância sanitária e acaba se casando com outra personagem ou o escândalo político da associação de moradores desviando dinheiro público - porque sim, é assim que funciona) e que eu repito, mostra claramente que esse material não foi criado para ter apenas seis episódios.

Vale a pena conferir? Honestamente, é bastante curto e tem um enorme potencial, mas o material degringola muito rapidamente e o resultado final é horroroso.

Então, não, não vale a pena conferir não. O trailer ou algum outro material de divulgação é mais que suficiente.

21 de março de 2024

{Resenhas de 1997} X-men de Quinta


Olha, eu sei, eu sei... Só sairam os dois primeiros episódios e o material pode degringolar terrivelmente quando a Disney resolver fazer promoção cruzada com o filme do Deadpool ou integrar a animação com o filme da Capitã Marvel ou qualquer outra idiotice do tipo.

Mas dito isso, eu preciso destacar o quanto eu realmente fiquei impressionado com o que foi apresentado até o momento. Não só pela qualidade da animação (fluída, natural e o melhor material da Marvel desde o MCU pelo menos - mas eu acho que vai além, talvez a animação Espetacular Homem Aranha e olhe lá), mas pelo fato de ser uma continuação de um material que terminou há mais de duas décadas atrás (e que, nostalgia à parte, era bem ruinzinho - principalmente depois da segunda temporada) e facilmente respeitar a cronologia da animação original sem que isso seja um empecilho para novos espectadores.

Talvez o roteiro merecesse uma camada a mais de tinta (o primeiro episódio com o brasileiro Roberto da Costa dá bem esse tom com detalhes aqui e acolá que funcionariam melhor com ajustes, como, e isso é importante, ele frequentando um clube tocando música em português, não espanhol), e alguns detalhes principalmente quando o roteiro tenta abraçar um tom mais cômico não funcionam muito bem (sim, Wolverine, a mulher grávida com uma barriga gigantesca dizendo que "Ele" está vindo, está se referindo ao vilão Apocalipse), mas mesmo assim ainda é bom o suficiente e pra lá de recomendado.

Enquanto eu tenha que admitir que esperava rumos pouco diferentes no primeiro episódio quando mencionavam as Sentinelas extintas de que isso levaria a algo nas vias de E de Extinção, confesso que entendo que os rumos para uma animação da Disney Plus faz muito mais sentido o rumo tomado, e, continuo bem empolgado com o material que virá (sem qualquer spoiler para o que aconteceu com Tempestade ou quem aparece ao final do segundo episódio - ainda que ambas situações sejam tiradas de histórias clássicas de Chris Claremont nos anos 1980).

Recomendadíssimo!

14 de março de 2024

{Resenhas de Turpin} Dick Quinta

Se essa não é a melhor série de comédia de 2024, eu vou ficar realmente contente. Sério... Isso só significaria que algo ainda melhor apareça nos próximos meses.

Eu adorei o material desde o primeiro trailer, e assistindo aos primeiros episódios fica bastante evidente que Noel Fielding é absolutamente perfeito no papel título e consegue abraçar o absurdo do cenário e das situações como comédias devem ser e fazer (algo como Jack Sparrow na Inglaterra dos anos 1700)... E funciona, o que mais eu posso dizer?

Fielding é um baita humorista que tem uma extraordinária noção tanto de estranheza (e do bizarro) como de timing e o roteiro se aproveita muito bem disso em cada condição que pode, criando personagens espalhafatosos, situações absurdas e cadenciando a história com um ritmo fantástico.

Não assisti à temporada inteira ainda (afinal ela ainda não terminou quando escrevo esse post), e talvez o material degringole e se perca em si próprio, mas do que eu vi eu adorei e não posso fazer nada diferente de recomendar.

29 de fevereiro de 2024

{Resenhas do Ar e da Água} Avatar o último dobrador de Quintas - Netflix

Antes de começar, eu tenho que dizer que eu não tenho qualquer nostalgia sobre a animação da Nickelodeon Avatar (O Último mestre do ar como ficou conhecida por aqui), pois assisti ao material já adulto e bem depois do filme (que basicamente todo mundo deprezou).

Mais que isso, eu fiquei bastante supreso pela qualidade dos efeitos especiais (mas não somente isso no que tange a qualidade geral da cinematografia) e elenco em geral. Ao contrário de outras adaptações, inclusive da própria Netflix em que nos primeiros segundos você já verifica claramente os problemas de estilo e produção artística em geral, aqui os problemas são mais sutis.

Parece bastante evidente que a série respeita bastante o material fonte e tende a seguir os principais elementos da trama da animação com o máximo de fidedignidade, enquanto caindo no maior problema ao meu ver, tentando produzir algo mais realista e, oras, sombrio na análise complexa da dureza da guerra sobre os povos, e é aqui onde o material me perde.

Quer dizer, eu entendo que adaptações sejam necessárias e mudanças para o material (que, de novo uma vez que eu não tenho qualquer nostalgia, entendo que não é perfeito), só que uma coisa é produzir mudanças para traduzir de uma mídia para outra (afinal, o ar humorístico e leve da animação talvez e provavelmente não funcione em uma versão com atores reais e que precise de mais sombra e escuridão para disfarçar os efeitos computadorizados).

Mas pra mim um mundo em que crianças manipulam os elementos e (existem apenas quatro grande países cada qual com seu poder especial dos elementos) e que tenta se levar a sério com a gravidade e impacto da guerra... Bem, a coisa toda perde o propósito de um analogia séria ou que quer se levar a sério quando um garoto de mais de 100 anos que é o 'avatar' é só mais um de dezenas de pessoas que podem manipular os elementos no planeta (com a diferença que ele consegue manipular todos os quatro além de uma gama de outros poderes que o permitem falar com os mortos também), pra mim isso é mais território de paródia como Fallout ou Aquaman (e se eu não fizer uma resenha direito de Aquaman 2: O Reino Perdido - que é um título horroroso, diga-se de passagem - que ao menos eu deixe bem claro e que fique o registro que apesar do filme ser incrivelmente mal escrito por uma série de motivos, ele é extraordinário e mais filmes de ação deveriam se inspirar nele para produzir ação e dinâmica de personagens interessantes).

 Não dá pra levar tão a sério.

E puta que pariu como esse material se leva a sério.

De novo, eu não tenho nenhuma nostalgia pela animação, mas eu lembro dela com um tom mais cômico e leve (inclusive um dos fatos que mais lembro da animação é do episódio da caverna com os hippies cantores e que sempre me faz rir) e esse tom mais sério talvez funcione para um público mais velho que cresceu e é nostálgico ao material ou simplesmente para quem nunca o assistiu em primeiro lugar. Eu só insisto e acho que esse tom sério muitas vezes não funciona direito.

Mas que me surpreendeu positivamente nessa primeira temporada, sim, me surpreendeu.