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21 de maio de 2026

{Resenhas de ST Louis} DTF Quinta

O final é bem ruim (e eu acho que é bom você saber isso antes de tentar conferir o material), mas eu não vou entrar nas explicações do final e do que faz dele ruim especificamente uma vez que o problema dele está atrelado a um problema narrativo que surge já desde o primeiro episódio.

DTF St Louis é sobre a investigação criminal da morte de um sujeito, e, verdade seja dito, desde o primeiro episódio parece extremamente (e eu digo extremamente) precipitado que a polícia conclua 'assassinato' e conduza uma longa investigação de assassinato.

As peças não estão ali e conforme a narrativa avança com as suspeitas, bem, as peças continuam não estando ali, e, quanto mais eu pensava e analisava a série, mais eu lembrava de Desperate Housewives, sabe?

Alguém morre no começo e mistérios começam a aparecer, alguém inclusive diz e repete que de perto ninguém é normal e por aí vai, só que, e eu repito, o aspecto da investigação criminal que é o que a série QUER conduzir e criar, simplesmente não funciona, não é o gancho que eles acham que é (ou deveria ser).

O gancho é a extraordinária sinergia de David Harbour e Jason Bateman, o gancho é a performance fora de série de Linda Cardelini... E são eles efetivamente porque o roteiro precisava de umas duas ou três revisões para ser algo diferente e mais interessante, talvez até uns cortar uma série de cenas (droga, tem um momento em que Harbour e Bateman cantam rap numa bicicleta esquisita e é completamente dispensável e não é o único - fácil tem um episódio inteiro de cenas igualmente dispensáveis, e isso que é uma mini-série com apenas 7 episódios).

E como o roteiro falha, a série tenta atrair a atenção vendendo sexo, desde o título (DTF é uma sigla que significa 'disposto a transar', e na série é um app de encontros casuais), mas repetidas vezes são mostradas imagens geradas por IA com conteúdo sexual assim como todo o contexto é de que um dos personagens está tendo um caso com a esposa do outro e isso forma todo um cenário... E nisso eles tem toda uma estrutura de fetiches que vão se desfraldando...

Mas se tem um aspecto que é terrivelmente construído é o aspecto da investigação criminal. Puta merda eu acho que esse é uma das piores narrativas detetivescas que eu já vi na vida de longe.

Começa com o clichê do detetive velho (carrancudo e preconceituoso) que pula para uma conclusão estúpida por algum motivo estúpido enquanto a detetive mais jovem (espirituosa e determinada) faz a exata mesma coisa numa outra direção, mas, sabe, ela ainda tem muito a ensinar ao velho detetive carrancudo.

Sinceramente até acho que, se invertessem a dinâmica (com o detetive mais velho mais espirituoso e determinado enquanto a detetive novata fosse uma cristã fundamentalista que pula para conclusões precipitadas) seria ao menos um passo na direção correta, ainda que a estrutura narrativa da investigação continue o grande problema. Eles pulam muito rápido para a conclusão de homicídio, quando tudo aponta, na melhor das hipóteses, para um suicídio esquisito, e, se a série quisesse usar mesmo esse elemento investigativo, a partir dessa tese de suicídio (esquisito) ao descobrir novos fatos que corroborem a versão de homicídio eles deveriam partir para uma investigação mais robusta.

Só que nunca aparece nada para corroborar para uma investigação mais robusta. Droga, um dos pulos gigantescos na investigação vem porque um personagem mentiu sobre o suco favorito (e eu não estou nem exagerando porque o seriado faz isso ainda pior com os atendentes do estabelecimento lembrando claramente quem é a cliente pelo sua bebida favorita, porque óbvio que o fariam!)...

Aí tem o final que é terrível na conclusão da investigação...

Podia funcionar, e, até acho que teria como funcionar, mas não houve esforço suficiente para isso.

Uma pena. 

19 de maio de 2026

{Reagindo aos Reaças} Dark Pangaré, em breve no Tela Class

Por um lado, eu acredito que o filme baseado na biografia de Jair Bolsonaro precisaria de mais de 130 milhões para ser produzido. Faz total sentido se você me perguntar.

Quer dizer, com roteiro de um ator falido que foi considerado ruim demais para continuar na Malhação (a mesma Malhação que manteve o Mocotó e o Cabeção por 5 temporadas), sobre um sujeito que foi considerado ruim demais para continuar no exército brasileiro (sabe, o exército que raramente expulsou alguém, incluindo assassinos, torturadores e diversos outros criminosos) e saiu disso para uma carreira política de quase 3 décadas sem um único projeto digno de nota - ou seja, uma puta de uma biografia bosta pra caramba - que conclui em uma eleição presidencial em que ele vence porque o principal opositor foi preso por um aliado político e, que ele passa 4 anos fazendo merda - e isso sem falar da vida pessoal do cara "família" que não assumiu o filho antes de exame de DNA, colocar filho pra concorrer com a ex-mulher (além de roubar cofre da mesma) e os imóveis comprados com dinheiro vivo. Some a isso um ator falido e fracassado que saiu de protagonista de um filme (ruim) de enorme sucesso para uma carreira (merda) na televisão num seriado que ninguém assistiu e mais tarde num filme cuja narrativa se baseia em teoria de conspiração da internet... Isso tudo com uma produtora que não existe... Como duvidar de que tudo isso é legítimo pra burro? (literalmente pra burro que ainda acredita nessa galera)

E aí você vê o trailer e o bagulho é pior que uma sketch do Hermes e Renato (em que eles faziam as coisas com orçamento baixo justamente na intenção de ser trash).

É lógico que isso precisa de mais orçamento que todos os filmes da Marvel combinados para funcionar, meu amigo! 

(Quer dizer, Capote com Phillip Seymour Hoffman ganhou Oscar e custou menos de 7 milhões de dólares mas quem se importa, né? E o Discurso do Rei - outro que também ganhou Oscar e também tinha um baita elenco - custou algo em torno de 15 milhões de dólares).

Precisa de todo um data center de IA rodando liso em computador quântico para transformar o roteiro em algo legível, além de uma miríade de outros dez ou vinte computadores quânticos (e talvez até uns dez ou doze data centers) para transformar o material produzido em algo minimamente assistível. Quer dizer, quando o público não se empolga pra assistir o novo Mortal Kombat - com 104 milhões sobre um orçamento de 80, é óbvio que um documentário sobre a primeira dama dos Estados Unidos produzido por um estuprador vai dar certo, né? E o mesmo vale pra um filme sobre o pior presidente da história do Brasil... Isso claro que vai ganhar o mercado internacional porque afinal de contas toda a Hungria, Argentina (que tá comendo carne de burra) e 'Murica vai assistir duas ou três vezes!

Droga, só os evangélicos da Lagoinha vão pedir pros fiéis comprarem uns cinco milhões de ingressos... 

Imagine que isso é um esquema de lavagem de dinheiro para comprar imóveis nos Estados Unidos para quando essa galera for pega e precisar fugir igual o Eduardo Bolsonaro (que já fugiu e já está em um desses imóveis, né?)! Imagine, tem gente que nem põe a mão fogo por essa galera mais, eles bebem detergente estragado mesmo! 

Quer dizer, meu irmão, quem nunca pediu milhões para um criminoso prestes a ser condenado para "patrocinar" um filme (com o qual obviamente eles tinham um contrato estrito e de enorme confidencialidade)?

17 de maio de 2026

{Revisitando Clássicos} Fábulas - Bill Willingham (et al) 2002 - 2024

Fábulas era o meu maior pesadelo quando eu comecei esse projeto, e em grande parte, depois de não conseguir terminar a série antes da resenha eu vou explicar da melhor maneira possível os motivos.

A série começa em 2002 e se torna um grande sucesso do selo Vertigo - gerando uma spin-off do João (do pé de feijão, ele mesmo) algumas mini-séries da Cinderela (que é como uma agente secreta nesse universo) e uma outra série chamada Fairest (cujo propósito meio que é o de contar fábulas dentro do universo da fábulas em um nível mais A Origem que o filme do Christopher Nolan - e com uma premissa bastante simples, e que séries viriam a explorar na televisão nas décadas seguintes.

Basicamente a premissa é 'E se as histórias de fadas fossem reais - e, continuassem depois do "felizes para sempre"?'.

Disso surge a genialidade da série, com toda uma estrutura da sociedade que permeiam esses personagens, que ocasiona em fofocas e rumores (como a Branca de Neve que geralmente alguém comenta de seu tempo com os anões ou o Barba Azul e seu histórico de matar esposas, por exemplo) enquanto adicional uma tridimensionalidade a suas perspectivas, quando já no primeiro volume vemos o Pinóquio como um garoto de verdade reclamando da fada azul sendo literal com 'garoto' que o faz se manter uma criança pelos últimos séculos quando ele só quer passar pela puberdade (e, sabe, curtir uma diversão íntima).

A série toma outros rumos, claro, partindo da premissa de que as fábulas vivem em um mundo real (que inspira suas histórias que são contadas no nosso mundo) e devido a um grande conflito lá, tiveram que se refugiar aqui entre pessoas comuns, mas, pela lógica que Bill Willingham constrói para que faça sentido que estes personagens sejam super humanos (que não envelhecem normalmente e possuem poderes coerentes com suas histórias), vivendo pela lógica de um universo ficcional se encontrando em um universo real nessa estrutura.

Então faz sentido que vejamos animais falantes da mesma forma que figuras antropomorfizadas (afinal, são histórias de um reino onde magia existe) ao mesmo passo que consigam sobreviver e aguentar baques e ataques que matariam uma pessoa comum em qualquer outra situação - além, é claro, de poderes e transformações como Bigby que é o lobo mau, mas, mais que isso, um lobisomem - e o fato que eles não envelhecem nas mais de 150 edições da série.

Aqui está o primeiro grande problema (das 150 edições), uma vez que a popularidade do material acabou engolindo a narrativa e a série entrou num modo zumbi produzindo conteúdo sem que fizesse mais lógica, e, nesse modo zumbi gerou séries derivadas e pura e simplesmente chega a um ponto que mesmo a série não pode acabar (em 2022 a série foi ressuscitada para o arco de doze edições a Floresta Negra qua saiu simultaneamente a um crossover com o Batman e tudo isso depois de terminar em 2015 com a edição 150).

Narrativamente, a série traz um conflito dos personagens das fábulas que se exilam no mundo real fugindo de um conflito em seu mundo - um conflito movido pelo Adversário, cujo nome é mantido em segredo até o momento oportuno.

Com isso o conflito entre o povo das fábulas e esse adversário é o grande climax da série, ainda que exista espaço para resoluções (o retorno do povo exilado às suas terras assim como sua readequação à realidade após séculos - sim, séculos - de conflito) e tudo isso se mantém interessante até mais ou menos a edição 75 (que encerra o arco Guerra e Peças), ainda que, sendo generoso o material ainda tenha fôlego mesmo que sem o mesmo gás até a edição 100.

Enquanto rachaduras já vinham aparecendo desde a vitória sobre o Adversário, o negócio degringola mesmo a partir desse ponto quando um grupo super heróico é apresentado para 'defender as Fábulas, e, mostra o quão perdido na necessidade de continuar a história (quando não existe mais uma história para continuar) a série se torna. E é claro que nisso já estamos em quase 10 anos da série, já com o spin off do João e tudo mais...

Só que, e aí existe o grande calcanhar de Aquiles da série, uma vez que o material tem em seus personagens apenas figuras de domínio público, a série poderia continuar indefinidamente desde que a editora assim o quisesse - sem o escritor, sem os artistas ou quem quer que fosse - então o "fim" da história nunca viria nos termos do escritor e isso parece o principal motivo pelo qual a série continuou por tanto tempo e, até porque tem um grupo de super heróis ali após a edição 100, meio que como um metacomentário da indústria de quadrinhos estadunidense que precisa de super heróis e não consegue enxergar outro tipo de histórias diferente disso e como um ouroboros fica tentando comer o próprio rabo se retroalimentando sem criar nada novo ou, bem, sair do lugar... Mas talvez eu esteja lendo demais nisso - e, no celeuma bastante público de Willingham com a DC recentemente.

Mas fica evidente que a série vai se perdendo, e isso acontece justamente porque a série toma tamanho demais para que o autor consiga manter algum foco ou coerência (são spin-offs, mini-séries e uma editora que não quer um ponto final definitivo e concreto) no que leva os leitores a abandonar o barco em diversos pontos e momentos, e, bem, numa história que não parece capaz de se concluir de forma coerente e, mais importante, satisfatória.

 

Ressalvas e Problemas

Olha, sinceramente o maior problema da série se dá no fato de ser beeeeem longa (162 edições, com vários spin-offs e mini-séries, alguns mais interessantes e relevantes que outros), e, como eu disse, ela perde bem o gás depois de um ponto relevante da história, o que torna a série menos acessível conforme cada vez mais personagens secundários ganham destaque (alguns inclusive morrem) e outros novos personagens (filhos de um casal ou parentes distantes de outro) vão aparecendo e ganhando destaque.

Não existe um elenco fixo para que o leitor possa simplesmente pegar e ler de qualquer ponto sem precisar pensar muito, pois mesmo no começo se faz necessário conhecer as histórias de contos de fadas, que, bem, talvez não sejam tão reconhecidas para o público não falante de inglês como o Príncipe Azul ou Barba Azul, e, sim, é parte do objetivo aqui e ali apresentar alguma história folclórica menos conhecida e oferecer algum destaque para esse ou aquele personagem, só que existem momentos em que a caracterização desse personagem depende intrinsecamente do conhecimento da fábula na qual ele se baseia, e não fazê-lo representará menor entendimento narrativo.

Ao contrário de outras séries que envelheceram mal ou tem mais violência (ou sexo), aqui efetivamente não parece nada que desabone além do fato que é uma leitura bem mais volumosa e, por isso, cansativa. Além disso, caso você opte por ler apenas Fábulas, talvez perca alguns dos elementos das séries derivadas - que tem pouco relevância no geral mas tem alguma, principalmente com João que é um personagem interessante e que ganha bastante destaque no universo da série.

Destaco como ressalva, inclusive, que eu mesmo não consegui ler todo o material. Não li as edições 151 a 162 (que são o epílogo publicados após o final da série) assim como boa parte dos spin offs e séries derivadas. Então talvez você que leia esses materiais tenha uma percepção diferente da minha ou até mesmo não se empolgue com nada do material de qualquer forma.

Eu acho que vale a pena pelo menos os dois primeiros volumes para conhecer a série e sentir se isso pode funcionar pra você - são material bem fácil de achar e que tem uma ótima qualidade tanto na arte como no roteiro, até porque, e isso eu acho que é um problema grande para a série, não é particularmente algo que vá mudar sua visão de mundo ou oferecer algo mais interessante e complexo, sabe?

Quer dizer, são fábulas vivendo no mundo moderno e lidando com problemas iguais aos nossos (e eu imagino que você já tenha associado com alguma outra série de televisão em algum momento desse texto, né?), sem oferecer alguma reflexão mais complexa ou algum tipo de perspectiva maior sobre a natureza humana.

Por mais que Bill Willinghan seja um ótimo escritor e crie situações muito interessantes, como eu disse, ele mesmo perde o entusiasmo e nisso a situação toda se perde. O que, no fim das contas, é uma pena. 

11 de maio de 2026

{Resenhas Lixo} Demolidor Rerenascido e Treta (segundas temporadas)

Eu até poderia fazer uma resenha para cada uma destas séries e entrar em mais dos detalhes específicos que fazem os dois materiais ruins, mas, sinceramente, funciona muito bem no dois por um uma vez que ambas padecem basicamente dos mesmos problemas.

O primeiro que o título das séries não faz sentido no contexto destas temporadas.

No caso do Demolidor ele é o personagem que menos aparece no seriado de seu nome - e nem vou entrar nos méritos se as histórias secundárias e os personagens que ocupam o restante do tempo valem minimamente a pena, porque o fato de estar numa resenha lixo já dá bastante a ideia, né? - enquanto no caso de Treta, bem, não existe particularmente uma "treta", não é mesmo?

Quer dizer, na primeira temporada haviam dois personagens que, por motivos claros desde suas primeiras interações estavam obcecados e furiosos um com o outro (e se essa disputa era justificada aí é um argumento para quem assistir a primeira temporada), e isso simplesmente é inexistente aqui.

Na melhor das hipóteses é uma questão de luta de classes, mas eu acho que mesmo isso é um exagero tremendo. Quer dizer, existe um conflito entre o casal pobre (que trabalha no clube para ricaços) e o casal rico (que gerencia o clube para ricaços), mas a série meio que empurra numa conclusão de que nenhum dos dois está errado em detestar o outro e que todos tem que se unir contra os criminosos estrangeiros - que esses sim são o problema.

Isso, inclusive, é o segundo grande problema das duas séries, que é uma tentativa de produzir uma versão aceitável para o público estadunidense da crítica social (e luta de classes).

Não é que o rico presidente do clube de ricaços desvie dinheiro e isso seja um problema do sistema capitalista ou algo do tipo... Afinal ele tem um bom coração e só tomou más decisões no caminho e os verdadeiros vilões são os estrangeiros.

Ou um sistema médico em que a pessoa tenha de se preocupar mais com o valor da conta que com sua saúde... Não, não... Nada que o bom e velho empreendedorismo 'muricano não resolva.

Ou um prefeito corrupto (que logicamente não tem nenhum paralelo com um presidente alaranjado e igualmente corrupto, isso obviamente é mera coincidência e pare de fazer qualquer paralelo porque esses caras da Disney que financiou o presidente alaranjado e corrupto com toda a mais completa certeza não fariam uma crítica aberta ou velada ao cara) aprisionando centenas de pessoas ilegalmente até que rebeliões se montem por toda a cidade, e, claro a resposta tem que seguir pelos tribunais e através da justiça - afinal devemos confiar plenamente nos tribunais em um estado de exceção...

E eu nem vou entrar nos deméritos do quanto a série do Demolidor leva tanto tempo pra trazer a Jessica Jones (que é a única salvação da temporada) e esquece do Justiceiro (que tá ocupado demais no filme do Homem Aranha), ainda que fosse parte de um gancho do final da primeira temporada, ou que Treta simplesmente não sabe o que fazer com a personagem da Carey Mulligan (mas ela é uma atriz famosa, ainda mais agora depois de ganhar um Oscar) e com toda a certeza um chamariz para a série mesmo que nada nos oito episódios a justifique narrativamente ou...

Sério, só esses dois problemas principais (de que o título não faz sentido porque está ausente na história, e de que a série quer retratar um conflito de classes sem ter a coragem para retratar o tema) são a base de todos os demais problemas das duas séries.

Claro, eu assistiria a Treta novamente (até porque mesmo com Oscar Isaac e Carey Mulligan subutilizados e num roteiro ruim, ainda são Oscar Isaac e Carey Mulligan) antes de ver mais alguma coisa de Demolidor (afinal, eles insistem em dar mais tempo de tela pro filho do Tony Soprano que pra quase todo outro personagem, e o moleque ainda não consegue atuar mesmo que sua vida dependa disso), o que indica que a primeira ainda tem algum potencial e principalmente uma primeira temporada incrível, enquanto o segundo, bem, parece que eles nem estão mais tentando nesse ponto, então eu me pergunto: Porque eu deveria?

10 de maio de 2026

Homenagem dia das Mães

Minha mãe não ligava muito para quadrinhos, ainda que, verdade seja dita, ela foi uma mulher que muito jovem se viu viúva e tinha de trabalhar dobrado para sustentar duas crianças (o que já seria desafiador em qualquer momento, mas nos anos 1990 com toda a certeza não foi nenhum passeio no parque).

Ela sempre incentivou - e mais que isso - a leitura e meus hobbies e do meu irmão, mas ela não dava muita bola para meus quadrinhos de super heróis ou outros temas. Mesmo agora mais adulta e aposentada nunca se deu muito a tentar ler alguma coisa por mais que eu indicasse ou recomendasse, como Bone, Asterix ou qualquer outro mais simples e fácil de pegar e ler.

Mas existia algo que ela simplesmente adorava e não importava muito se eu trouxesse um gibi novo, um encadernado mais surrado ou o que fosse, ela sempre se dava ao tempo de ler, e era o Chico Bento. Ela adorava o jeito simples do menino caipira e seu elenco de personagens, não sei se isso a lembrava de sua infância (a casa de meus avós tinha mais em comum com os sítios da Vila Abobrinha que com qualquer metrópole fictícia, droga, minha casa tinha um pé de goiaba no quintal quando eu era bem pequeno).

O Chico Bento me aproximou de minha mãe, e, por conseguinte aproximava também minha mãe de meus sobrinhos, com as musiquinhas e animações antigas que ela não se cansava de colocar para os meninos da mesma forma que eu e meu irmão assistíamos em VHS anos e anos atrás (Olha a Onça, com certeza foi repetido mais vezes que eu gostaria de admitir e algo me diz que continuará para próximas gerações se eu tiver alguma opção nisso).

Curiosamente, pouco após o óbito de minha mãe, meu sobrinho chorava copiosamente e, para consolá-lo minha namorada dizia 'Não precisa chorar que a vovó Cida virou uma estrelinha no céu', e ainda que ela não soubesse no momento é algo diretamente relacionado com o Chico Bento, de sua irmãzinha Mariana de uma edição de 1990 (literalmente uma estrelinha que se torna a irmã do personagem, mas acaba falecendo com pouco tempo depois).

Eu não sei se minha mãe está agora ao lado da Mariana olhando do céu para o netinho dela, e, por mais que o meu lado cético sempre vá dizer em contrário, meu lado lúdico e ligado a ela através do Chico Bento sempre vai pensar isso quando olhar para um céu estrelado.

Um forte abraço à minha mãe nesse seu dia, e que esteja em paz ao menos, mas, quiçá feliz.

Uma boa semana a todos. 

7 de maio de 2026

{Ne Zhas de Quinta} Resenha 2 - O Renascer da Alma

As animações asiáticas tiveram um ano de 2025 realmente incrível.

Chainsaw Man (o filme, o arco de Reze), Demon Slayer Castelo Infinito e Ne Zha 2 (O Renascer da Alma) são alguns dos filmes mais vistos do mundo no ano passado, e, sinceramente são alguns dos filmes mais interessantes de 2025 também... É curioso até pelo contraste com animações mais recentes ocidentais, quer dizer, quando foi a última animação da Disney (Zootopia de 2016?) ou da Dreamworks (Gato de Botas 2 de 2022?) digna de nota mesmo...? Mesmo a Ilumination que saiu dos Minions pra entrar nas franquias da Nintendo (e não fazer nada de realmente interessante com isso, né?).

Eu quero inclusive fazer um novo comentário sobre Chainsaw Man em um futuro próximo mas eu não tenho como deixar de falar em quanto o material consegue ser completamente insano e ainda fazer sentido dentro de seu próprio contexto, produzindo um material inovador e interessante para o público. Droga, tem uma longa cena de batalha em que um sujeito com braços e rosto de motosserra cavalga em um tubarão com pernas de caranguejo enquanto enfrenta um ciclone com um rosto de criança (lógico) que auxilia uma mulher com uma cabeça de granada.

Não, eu não estou tendo um infarto e digitando palavras aleatórias, isso talvez seja a forma como o roteiro montou essa cena, e por mais que pareça uma salada de palavras funciona dentro do filme que você assiste e tem alta octanagem.

Mas esse é um tópico para outro dia porque eu quero falar de Ne Zha 2, e, enquanto eu sei que o '2' do título possa espantar algumas pessoas, e de fato exista um primeiro filme do qual esse se expanda, sinceramente não é particularmente algo que precise de grande contextualização além do que a história apresenta, afinal a história é uma grande fábula (tradicional chinesa, inclusive), e sinceramente não é o elemento ou estrutura mais importante do filme.

É uma fábula como você já deve ter visto tantas outras só que agora num contexto chinês e com elementos orientais que subvertem levemente algumas das estruturas comuns da Disney formando algo mais próximo de um filme de super heróis que de princesas. Mas continua uma fábula com todas as mesmas condições e estruturas que você pode esperar desse gênero de história.

Acontece que existe o elemento visual do filme e é algo que realmente te transporta nessa história clichê e consegue em certos pontos transcender com um terceiro ato que é de tirar o fôlego e extremamente empolgante, sendo que durante todo o filme já existe uma animação bastante competente e fluída.

O material facilmente pode ser usado em uma loja de eletrodomésticos para fazer teste de televisão (porque é deslumbrante visualmente - mesmo que a história não chegue no mesmo nível).

Recomendadíssimo!

4 de maio de 2026

{A culpa é do Estagiário de segunda} A Amazon é uma várzea

Uns anos atrás eu destaquei uma propaganda que recebi da Amazon em que queriam promover uma ação sobre a Consciência Negra e, bem, a imagem diz mais que qualquer coisa, né?

Mas em 2026 eu tive a ideia de assinar o Crunchyroll pela Amazon porque isso facilitaria minha vida - dá pra assistir fácil em qualquer tv da minha casa assim como no celular sem precisar baixar outros aplicativos ou configurar nada além disso, e o que eu descobri amiguinhos?

Que a Amazon é uma várzea e o Frankie Muniz como Malcolm X era só um detalhe pequeno e bobo.

Eu comentei de Solo Leveling algumas semanas atrás, mas o que eu não falei é que a série está com os episódios duplicados na plataforma. Porque? Boa pergunta mas você tem duas vezes o mesmo sendo que um está com áudio original e legenda e o outro dublado (ao invés de, sabe, só adicionar a opção de trocar a faixa de áudio).

Aí tem essa que eu achei simplesmente genial, que é o episódio 42 de Cavaleiros do Zodíaco Ômega em que o material é substituído por um episódio de Street Fighter - e o episódio 42 simplesmente é pulado!


 

 

30 de abril de 2026

{Resenhas Líquidas} A Dança da Quinta - Ta-Nehisi Coates

Sim, eu conheço o autor pelo trabalho em Pantera Negra - e ainda acho que é tanto o melhor arco do personagem (pelo menos até aquela bobagem de Império Intergalático de Wakanda) como o melhor trabalho do autor Ta-Nehisi Coates - e sei que primeiro o autor publicou os livros e com esse sucesso acabou trabalhando para a Marvel, mas eu genuinamente tenho uma certa dificuldade de achar os trabalhos dele tão particularmente interessantes.

Li Entre o Mundo e Eu e quase não consegui terminar de tão pouco que a obra me interessou no geral (e confesso que lembrou muito pouco do conteúdo) e enquanto A Dança da Água é um material muito superior ele ainda padece de alguns problemas que foram me tirando da história aqui e ali.

Essa é uma história sobre escravidão e o protagonista é um jovem que mal se lembra de sua mãe e cresceu na propriedade de seu pai (sim, seu pai também é seu dono), e, por uma série de eventos extraordinários acaba fugindo e se juntando a um grupo de libertadores de escravos, auxiliando assim outras pessoas a fugirem de sua labuta. E a premissa em si é incrivelmente poderosa e interessante.

O problema é a execução.

Em dados momentos a história parece querer fazer como Forrest Gump ou Assassin's Creed e trazer alguma figura histórica real, não sei se como forma de legitimar a ação do protagonista ou consolidar a história em algo baseado em fatos reais... Algo categoricamente desnecessário e que não acrescenta nada além de que é um nome de uma pessoa histórica relevante.

Cada vez que acontece, pelo menos pra mim, isso foi quebrando a ilusão narrativa e a suspensão de descrença, e eu acho que mesmo pra quem isso não incomode tanto, acaba como algo mais estranho por quebrar o ritmo da narrativa para essa inserção de uma participação especial na história.

Mas como eu disse, a premissa é poderosa e e quando funciona, bem, ela funciona muito bem, e, a história central em si é muito interessante, com alguns pontos da história de Hiram - principalmente mais para o final quando ele se lembra do que aconteceu com a mãe quando ele era pequeno - que realmente dão peso ao livro.

Agora, sinceramente não vá com grandes expectativas (o melhor trabalho do autor continua sendo Pantera Negra, mesmo se este seja um bom próximo segundo lugar).

25 de abril de 2026

{Resenhas sem vergonhas - que não sairam na quinta} Shameless

Em primeiro lugar, sim, eu sei que existe um original britânico (que meio que descobriu o James McAvoy), mas eu nunca consegui encontrar o orignal para assistir mais que a abertura e verificar que existem bem mais semelhanças que mudanças radicais entre as versões.

Nas mudanças radicais, William H Macy que é um dos atores de Hollywood mais subestimados de todos os tempos (e curiosamente um sujeito incrivelmente talentoso e prolixo) dá vida ao patriarca da família Gallagher, mas a série traz vários outros nomes e rostos bem conhecidos, como Joan Cusack, o "Goku" Justin Chatwin, Amy Smart, Luis Guzmán entre outros enquanto apresentando nomes que se tornariam bastante famosos (como Jeremy Allen White, de The Bear ou Cameron Monaghan que fez o Coringa em Gotham e estrela em dois jogos de Star Wars da EA, além de Emmy Rossum - que é a alma da série e merece muito mais reconhecimento do que tem).

A história segue uma família pobre e disfuncional cujo pai é um alcoolatra e drogado com seis filhos (uma sétima aparece mais tarde mas vamos deixar isso pra outro momento) tendo de fazer o possível para administrar a casa e lidar com as despesas. Fiona, a mais velha e aparentemente a mais ajustada do grupo assume as rédeas da família nas constantes ausências do pai e se esforça como pode para manter as coisas funcionando - mas casa velha, muitas crianças e pouco dinheiro sem sombra de dúvidas é igual a dificuldades financeiras.

Com isso vem em grande parte a condição de 'sem vergonha' do título, em que, diante da pobreza abjeta, se faz necessário usar de toda e qualquer ferramenta disponível para sobreviver ou viver mais um dia, e isso tanto significa aceitar empregos deploráveis (como limpar fossas ou trabalhar num mercado em que o gerente exige sexo oral para não sujeitar as funcionárias aos piores serviços e turnos) como efetivamente roubar, enganar e ludibriar a quem for por uns trocados a mais.

O título se refere ao fato que o pobre não pode se dar ao luxo de ter vergonha, e isso é o que vemos nas dez temporadas da série... Bem, pelo menos nas cinco primeiras eu diria porque depois a série meio que quer dar um final feliz para um personagem que deixa a série e esse personagem, apesar de toda a lógica capitalista em contrário, começa a prosperar continuamente como um mago dos negócios...

É claro que o título também se refere ao sexo e a série tem muito sexo. MUITO SEXO (a abertura já traz sexo e esse é, sem sombra de dúvida, um dos chamariz que usaram para vender a série pela Showtime).

Ok, voltando pra história, cada um dos Gallagher tem seus dilemas interiores - ainda que as crianças mais novas estejam em busca de suas identidades, os mais velhos já tem suas condições mais definidas.

Ian é homossexual (e depois descobre que tem alguns problemas de bipolaridade) e sabe que isso pode custar sua admissão numa academia militar que era seu sonho desde pequeno, enquanto Lip que parece ter um dom natural para ciências não enxerga potencial ou futuro no aprendizado (por mais que tenha universidades babando para lhe oferecer bolsa de estudos), enquanto tenta escapar do alcoolismo que, bem, o atormenta bem mais que a seu pai.

Fiona, como eu mencionei antes, a mais ajustada tem o dilema de viver em função de seus irmãos ou o de viver sua vida própria (até porque sabe que, no momento em que seguir em frente, a casa desmoronará), enquanto Debbie tenta redimir e aceitar o pai, e, Carl tem problemas constantes com raiva.

E, eu não sei se William H Macy entra e sai das cenas sem muito para fazer por questões contratuais e conflitos de agenda, ou se o público estadunidense não reagiu tão bem a ideia do pai ausente e alcoolatra e preferiram relegá-lo apenas a alívio cômico ocasional para a história acompanhar a superação e desafios dos filhos... Mas Frank é um personagem que, sinceramente, me irrita bastante no material e poderia ser removido em qualquer das temporadas subsequentes a primeira sem muito (ou talvez algum) prejuízo, por mais que o ator seja extraodinário é faz uma performance genial com (o pouco) que tem disponível.

Pra contextualizar isso - e eu sei que estamos diante de alguns spoilers moderados de uma série que terminou há mais de cinco anos e da primeira temporada que foi ao ar em 2011 - na primeira temporada Frank começa a sair com a personagem de Joan Cusack - pura e simplesmente para ter um lugar para morar depois que os filhos o expulsam da casa. Essa personagem tem uma filha adolescente que está saindo com Lip (o filho mais velho e ainda colegial) e, em dado momento no final da primeira temporada, Frank acaba transando com a menina - o que encerra a primeira temporada com o pai da menina vendo um vídeo da cena que vazou para a internet.

E isso não rende absolutamente nada.

O pai da menina acaba se matando (sem confrontar Frank), tanto o filho como a personagem de Joan Cusack confrontam Frank mas acabam o perdoando ou ignorando a transgressão como se fosse algo normal e inócuo (sabe, como acabar com o papel higiênico e não abastecer outro rolo?) e o evento sequer é mencionado novamente. Sério, todo mundo finge que tudo isso é normal e é somente 'Frank sendo Frank', e é meio que o motivo do que eu falei antes que o personagem não tem muito peso na história ao contrário dos filhos.

O problema efetivo é que, conforme as temporadas avançam, isso acaba se espalhando e repetindo de novo e de novo com basicamente todos os demais personagens e tramas, e o grande problema é que, por volta da quarta temporada a narrativa está próxima de suas conclusões lógicas e eles continuam até o ponto onde a série deveria acabar (na oitava temporada), mas com sucesso de público e crítica parecia que uma temporada a mais seria óbvia e não obstante temos 3 temporadas a mais.

Eu francamente acho que a série tem vários problemas, mas que tem tanto talento e os personagens são tão interessantes que é fácil deixar de lado para focar somente no positivo, ainda que eu recomende com ressalvas - porque a série entra num modo zumbi nas últimas temporadas que é difícil de extrair qualquer coisa que salve.