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28 de maio de 2026

{Resenhas lixo(?) de Quinta} Kortal Mombat II

Olha, nem é um negócio que tem muito o que falar pra ser honesto.

Mortal Kombat II é um filme horrível por uma série de fatores. O roteiro é inexistente e fracassa em qualquer tentativa de costurar uma cena de luta com a próxima de forma que, se você assistir ao material sem a mínima ideia do que diabos é a história de Mortal Kombat, boa sorte tentando entender o que está acontecendo em cada dado momento...

O elenco eu acho que é o maior positivo do filme, mas francamente sofre do fato que existe muita gente em cada momento determinado e muitas tramas simultâneas que não parecem interligadas sob nenhuma estrutura. Até porque graças a condição narrativa o pessoal se teleporta a torto e a direito e qualquer senso de direção, distância ou, droga, coerência sobre esses grupos específicos vai pro espaço em uma questão de segundos, formando somente uma colcha de retalhos enquanto elencos distintos agem em cenas distintas.

Tem o grupo da Terra, o grupo de Shao Khan, o grupo de coadjuvantes sem afiliação e o grupo de vilões (que não lutam mas tem alguma ação específica para a trama). Alguns personagens inclusive nem parecem ter uma narrativa direta que justifica sua presença na história (e sim, estou falando de basicamente todo o time da Terra, mas o Johnny Cage ganha o troféu de personagem mais inútil de um filme - ao mesmo tempo que é o personagem mais interessante).

E olha que a história do jogo Mortal Kombat já não é nem um pouco linear e é uma bagunça (com lutas entre clãs de ninjas que duram gerações - mesmo como fantasmas e monstros das sombras), o que também não ajuda, na verdade só faz o filme parecer mais com o modo história de um dos jogos mais recentes, o que, por nenhuma métrica é um elogio. Isso é um filme não um extra de um jogo de videogame.

Não ajuda que é uma continuação do filme de 2021 e não parece se importar com os personagens daquele filme, não ajuda que continua ignorando em grande parte os personagens mais populares da franquia (Sub Zero e Milena não aparecem enquanto Scorpion tem uma breve aparição pra lá da metade do filme - e acho que aparece menos que o Liu Kang) e de fato não ajuda que o filme tenta demais complicar as coisas com elementos que agregam muito pouco ou nada (qual a função do necromante Quan Chi no filme ou de qualquer personagem que ele trouxe dos mortos?) além de servir como easter egg ou referência direta a eventos dos jogos...

Só que isso não é um filme, né? Isso é pornografia.

Isso é pornografia de nostalgia pra você olhar pras cenas, pros personagens e lembrar dos jogos que inspiraram o material, pra lembrar de quando tinha dez/doze anos e estava obcecado com esses jogos no arcade ou no videogame antigo disputando com seus amigos e familiares... É pra isso que serve esse "filme".

E crédito onde o crédito é devido as cenas de luta são sim bem interessantes e construídas de forma que quase compensa a falta de roteiro para quem é fã da franquia, recriando os cenários dos ambientes das lutas (principalmente do Mortal Kombat II), mas acaba meio que faltando substância pra dar aquele gás na nostalgia. Sei lá, colocar Sub-Zero e Scorpion lutando por vinte minutos mesmo que não faça sentido narrativo (sim, os dois estão mortos na continuidade do filme, mas isso não impediu Kano ou Kung Lao de aparecerem - e Scorpion aparece no filme, vale destacar).

Pô, abraça a insanidade da pornografia de nostalgia e corre com isso se não é pra fazer um filme em qualquer sentido lógico da palavra, e é nisso que acaba também faltando, sem servir ao menos nesse propósito de agradar os fãs  e acaba sendo muito pouco, se tornando  muito pouca carne em um osso já carcomido.

27 de maio de 2026

{A vida após Netflix} Filipe vacilou na análise de The Boys

Olá, olá, o tema do post de hoje é sobre a longa análise do final de The Boys feita pelo Filipe Boni que erra em alguns elementos chave e eu vou tentar reforçar e dissecar os principais elementos errados ou ignorados pela análise do cara, até porque eu admiro muito o trabalho dele e acho que ele ao contrário de muito youtuber não erra de propósito pra gerar likes ou fomentar polêmica.

Primeiro de tudo, o vídeo falha em definir claramente o problema da estrutura da indústria do entretenimento (talvez porque Boni já tenha falado em outros vídeos e não quisesse se repetir, mas na minha opinião prejudica a conclusão), e, nesse caso mais específico da indústria televisiva do entretenimento.

Ao contrário do que acontece com a música (que ele cita com o problema do spotify), com livros ou quadrinhos (em que, por mais difícil que seja, ainda é possível se autoproduzir e promover - e, inclusive deixo aqui pros parênteses a condição do próprio cinema nessa mesma caixinha, onde podemos citar o bem recente Megalópolis, que sim é um fracasso, mas não faltam exemplos indies muito bons como Primer ou, bem, inúmeros filmes de terror de baixíssimo orçamento), nas televisão isso não é uma opção.

Produzir uma série depende de uma opção para veiculá-la, não tem meio termo. Não adianta ter uma paixão pelo projeto, se esforçar enormemente para produzir um piloto e não ter uma emissora para divulgá-lo para o mundo, e, antes da Netflix isso era tradicionalmente as emissoras de televisão (ainda que, bem, continue assim hoje em dia inclusive com as empresas de streaming fazendo parcerias com emissoras para divulgar e propagar seu material para um público maior).

Uma série de tv essencialmente sempre dependeu de um processo bastante cristalizado da criação de um conceito, que se aprovado gera um piloto, que se passar pelos testes de público (sejam testes a portas fechadas ou testes com a veiculação do episódio em algum bloco de estreias tradicional) passará pela serialização.

A fase do conceito pode ou não ter a interferência dos executivos - que buscam uma ideia específica ou propõe uma ideia para que a partir dela os criativos produzam a série - mas todas as fases seguintes terão diretamente interferência. Os executivos vão definir o orçamento para o piloto e posteriormente por episódio, vão definir ou vetar o elenco, vão definir o horário de transmissão (e a quantidade de propaganda que o material receberá para divulgação desse horário) e por aí vai. Exemplos não faltam de séries que falharam simplesmente pela mudança de horário sem efetiva divulgação das redes de televisão. 

Só que esse processo, que inclusive nasce do rádio e se aproveita de estruturas tradicionais do circo e do teatro (ou seja vai agregando ideias e estruturas de entretenimento de massa popular já consolidado) depende das caixinhas disponíveis dos horários para a veiculação de programas (ou seja a grade de programação) e do segundo grupo de caixinhas que são o público, e, por conseguinte no que interessa para a grade dos anunciantes para esse público (o que depende e molda a estrutura e conteúdo do material).

E essa questão do espaço para os anunciantes e para o anúncio desde os primórdios da tv - e como eu comentei pouco acima, como uma herança do rádio - já estava incrivelmente enraizado de forma que era perfeitamente aceitável e natural que um personagem de desenho animado (para o público infantil) vendesse cigarros como se fosse nada. 

Essas caixinhas acabam definindo gêneros pouco escapáveis e altamente replicáveis (como o seriado policial, o drama de tribunal, o seriado hospitalar, a animação, a comédia e por último mas não menos importante o drama adolescente), às vezes mesclando e se misturando entre si mas dificilmente saindo dessa(s) estrutura(s), no máximo agregando alguns elementos e ideias.

Isso tudo já meio que responde um questionamento do Boni em parte de sua análise se ficamos mais cínicos ou a tv sempre foi cínica, e, a tv sempre foi cínica (talvez a gente só não prestasse tanta atenção), e olha que a tv nem escondia esse cinismo da gente... Se a gente tentar só lembrar o que era a televisão brasileira nos anos 1980 e 1990 (ou assistir a esse vídeo sobre o filme Bingo - O Rei das Manhãs que lembra dos momentos mais bizarros da programação infantil brasileira, incluindo, obviamente Silvio Santos traumatizando a Maisa e falando que a Xuxa não tinha alma). Mulheres seminuas se digladiando numa banheira por sabonetes e não é roteiro de material de canal adulto, passava de boa na tv aberta nos domingos?

(E pra galera vira-lata de plantão, não é exclusividade do Brasil nem é coisa de agora... Pra cada 1 seriado bom, existem centenas de Depois de M.A.S.H.

O streaming mudou um pouco o jogo por permitir um acesso mais rápido de conteúdo (o crunchyroll libera episódios de animês - já com legendas - no mesmo dia da exibição no Japão, por exemplo), e com a perspectiva de oferecer acesso a um leque maior de conteúdo que, bem, dificilmente estariam próximos do público como produções indianas, sulcoreanas, árabes e por aí vai. Enquanto tradicionalmente na tv pública por décadas só se via projetos feito pelas emissoras norte-americanas e olhe lá da BBC, agora com o streaming de repente um projeto da Espanha e depois da Coréia que se torna o maior fenômeno global... 

Essa é uma mudança de pa... (droga, eu estou tremendo só para completar com ódio dessa frase de coach), mudança de paradigma da estrutura do streaming, e isso mudou com certeza a forma para produção de conteúdo.

A Netflix ou a Amazon ou a Paramount podem gastar milhões para produzir um piloto de uma série que o criador dedicou anos planejando e pensando ou pode comprar por uma fração disso uma série já pronta que foi produzida no Azerbaijão ao mesmo tempo que pode negociar diretamente com o criador, ou, de forma mais específica, pode usar big data e verificar as tendências do público - como a Netflix fez com o caso de House of Cards, em que ao contrário da estrutura mencionada acima (de produzir um piloto, analisar resposta do público e etc), eles buscaram todas as caixinhas que interessavam para a partir daí montar o piloto.

O público procura (e continua assistindo) bastante filmes do David Fincher? E papéis do Kevin Spacey? Ah e também gosta de thrillers políticos? Pô, taí a demanda para um remake do seriado britânico de mesmo nome! Com mais e mais tempo de análise (muitas vezes inclusive sem consentimento do público através de cookies não autorizados) os algoritmos vão se alimentando cada vez mais com nossas buscas e termos de forma que os serviços de streaming saibam cada vez mais sobre os hábitos de consumo dos espectadores e consigam produzir cada vez mais um produto que atenda nichos para manter mais e mais retenção de assinantes (e sim, o vídeo comenta sobre isso com o churn rate que as empresas de streaming tem de levar muito em consideração - e o Boni faz uma análise muito melhor que a Infomoney).


Do final da série em si tem mais comentário sobre como as coisas são convenientes e o material serve mais para desenvolver spin-offs que efetivamente trabalhar sua narrativa e resolver sua trama... Mas eu não sei se essa é de fato uma particularidade da série da Amazon (não é como se o Grande Gazoo servisse a algum papel além de conveniência narrativa ou ).

Como eu comentei até aqui, não é particularmente algo novo ou mesmo um fenômeno pior hoje em dia que em outros momentos históricos (Os Simpsons nasceram como um spin-off do show da Tracey Ulman - que hoje é só uma nota de rodapé na história de Os Simpsons), está mais na tendência de que tudo é um remix (que já tem mais de 10 anos já), e, como o Patrick Willems destaca sobre o fim dos videoclipes, ocorreu uma mudança nos gastos e estrutura de produção.

O que fazia sentido de gastar milhões para um videoclipe (ou até um comercial), que formaria um profissional para trabalhar nos filmes ou mesmo na tv, simplesmente não faz mais sentido hoje, e o mesmo ocorre com a produção de conteúdo para tv.

Produzir um piloto, analisar reações dentro de perfis e públicos demográficos, buscar... A análise do algoritmo já permite construir a caixinha do jeito que o estúdio quer e precisa e depois só partir para a produção. Isso gerou o seriado dos irmãos Russo, Citadel, ou o filme com Ana de Armas e Chris Evans Ghosted...

Mas análises ruins de executivos não são uma novidade de hoje, só as ferramentas preguiçosas mesmo.

E nem são exclusividade de executivos de cinema ou televisão, é só lembrar o 'isso é um Xbox' que nem faz tanto tempo assim.

Só que a gente tem que ver que o público reage e reflete muito justamente nessas respostas de algoritmos e no que os executivos vão autorizar e contratar. O público reagiu e responde muito a essa ou aquela série então mais conteúdo e material é produzido - falei disso sobre Round 6 que não tinha muito motivo para uma segunda temporada, Ted Lasso definitivamente não tem motivo para uma quarta temporada, mas mesmo Lost um pouco mais de tempo atrás e puxando pela memória não vão faltar exemplos de materiais que precisam ser bem mais concisos e curtos.

Nada disso, no entanto, é novidade.

O público tem dificuldade para reagir a materiais que ousam sair das caixinhas.

Star Trek pode ser um fenômeno hoje em dia, mas no período original da série, ela foi cancelada devido a audiência baixa - ainda que o público fervoroso motivou a série animada, os filmes e os eventuais spin-offs, no entanto nem toda série tem essa sorte.

Boas séries acabam se perdendo e escapando do (grande) público, inclusive pela baixa resposta e comentário sobre elas (que oferece o viés de confirmação que, uma vez que elas não geram conversa online, não vale a pena continuar investindo nelas). BarryTokyo Vice, O Ensaio, Detroiters (ou qualquer coisa do Tim Robinson) - e olha que estou mencionando só material de 2020 pra cá praticamente... - quase não geram burburinho online e acabam canceladas prematuramente. 

O público discute e reage a séries ruins, o que engaja (e engana) o algoritmo a continuar produzindo mais desse conteúdo conforme ele gera mais engajamento, reação e comentários - que são as métricas dos algoritmos.

E o público sempre reage mais ao negativo na internet - inclusive um dos pontos em que a série The Boys engaja com o público ao destilar ódio e vitriol pra todo lado desde a primeira temporada. Tem alguma dúvida sobre o quanto destilar ódio move a internet? Dá uma olhadinha em todo o discurso sobre o jogo Mixtape das últimas semanas.

Quem assistiu The Big Bang Theory por doze temporadas (muito provavelmente a galera da 'Murica rural que se via validada pelo pessoal inteligente sendo ridicularizado semana após semana? Imagine, né?)? Não sei, mas isso levou a um spin off (que não sei também quem assistiu) e a uma carreira para a atriz que fez a Penny (também não sei exatamente porque), enquanto seriados vastamente superiores como The IT Crowd ou Silicon Valley...? Bem, quem lembra deles (ou até consegue achar esses dois em algum lugar?)

Isso é a economia da atenção, e o streaming usa isso até dizer chega. Numa das entrevistas de bastidores de Game of Thrones, a atriz Sophie Turner fala especificamente sobre isso como ela viu uma atriz que fez o teste antes dela (e que ela conhecia e sabia que era muito melhor que ela - e, palavras da própria Sophie, não minhas), e que perdeu o papel porque tinha bem menos seguidores no instagram.

Veja só, eu nem vi o final de The Boys (e justamente por isso não comentei uma vírgula sobre o que acontece nele), cansei da série já faz um tempo e até bem honestamente já não achei os quadrinhos lá grande coisa (e já falei isso lá em 2020), mas eu acabo de novo e de novo respondendo ao conteúdo porque isso gera engajamento, enquanto eu tento falar de uma série legal mas tenho medo de jogar spoilers, tenho medo de estragar o conteúdo e acabo vendo o material desaparecendo na obscuridade.

21 de maio de 2026

{Resenhas de ST Louis} DTF Quinta

O final é bem ruim (e eu acho que é bom você saber isso antes de tentar conferir o material), mas eu não vou entrar nas explicações do final e do que faz dele ruim especificamente uma vez que o problema dele está atrelado a um problema narrativo que surge já desde o primeiro episódio.

DTF St Louis é sobre a investigação criminal da morte de um sujeito, e, verdade seja dito, desde o primeiro episódio parece extremamente (e eu digo extremamente) precipitado que a polícia conclua 'assassinato' e conduza uma longa investigação de assassinato.

As peças não estão ali e conforme a narrativa avança com as suspeitas, bem, as peças continuam não estando ali, e, quanto mais eu pensava e analisava a série, mais eu lembrava de Desperate Housewives, sabe?

Alguém morre no começo e mistérios começam a aparecer, alguém inclusive diz e repete que de perto ninguém é normal e por aí vai, só que, e eu repito, o aspecto da investigação criminal que é o que a série QUER conduzir e criar, simplesmente não funciona, não é o gancho que eles acham que é (ou deveria ser).

O gancho é a extraordinária sinergia de David Harbour e Jason Bateman, o gancho é a performance fora de série de Linda Cardelini... E são eles efetivamente porque o roteiro precisava de umas duas ou três revisões para ser algo diferente e mais interessante, talvez até uns cortar uma série de cenas (droga, tem um momento em que Harbour e Bateman cantam rap numa bicicleta esquisita e é completamente dispensável e não é o único - fácil tem um episódio inteiro de cenas igualmente dispensáveis, e isso que é uma mini-série com apenas 7 episódios).

E como o roteiro falha, a série tenta atrair a atenção vendendo sexo, desde o título (DTF é uma sigla que significa 'disposto a transar', e na série é um app de encontros casuais), mas repetidas vezes são mostradas imagens geradas por IA com conteúdo sexual assim como todo o contexto é de que um dos personagens está tendo um caso com a esposa do outro e isso forma todo um cenário... E nisso eles tem toda uma estrutura de fetiches que vão se desfraldando...

Mas se tem um aspecto que é terrivelmente construído é o aspecto da investigação criminal. Puta merda eu acho que esse é uma das piores narrativas detetivescas que eu já vi na vida de longe.

Começa com o clichê do detetive velho (carrancudo e preconceituoso) que pula para uma conclusão estúpida por algum motivo estúpido enquanto a detetive mais jovem (espirituosa e determinada) faz a exata mesma coisa numa outra direção, mas, sabe, ela ainda tem muito a ensinar ao velho detetive carrancudo.

Sinceramente até acho que, se invertessem a dinâmica (com o detetive mais velho mais espirituoso e determinado enquanto a detetive novata fosse uma cristã fundamentalista que pula para conclusões precipitadas) seria ao menos um passo na direção correta, ainda que a estrutura narrativa da investigação continue o grande problema. Eles pulam muito rápido para a conclusão de homicídio, quando tudo aponta, na melhor das hipóteses, para um suicídio esquisito, e, se a série quisesse usar mesmo esse elemento investigativo, a partir dessa tese de suicídio (esquisito) ao descobrir novos fatos que corroborem a versão de homicídio eles deveriam partir para uma investigação mais robusta.

Só que nunca aparece nada para corroborar para uma investigação mais robusta. Droga, um dos pulos gigantescos na investigação vem porque um personagem mentiu sobre o suco favorito (e eu não estou nem exagerando porque o seriado faz isso ainda pior com os atendentes do estabelecimento lembrando claramente quem é a cliente pelo sua bebida favorita, porque óbvio que o fariam!)...

Aí tem o final que é terrível na conclusão da investigação...

Podia funcionar, e, até acho que teria como funcionar, mas não houve esforço suficiente para isso.

Uma pena. 

19 de maio de 2026

{Reagindo aos Reaças} Dark Pangaré, em breve no Tela Class

Por um lado, eu acredito que o filme baseado na biografia de Jair Bolsonaro precisaria de mais de 130 milhões para ser produzido. Faz total sentido se você me perguntar.

Quer dizer, com roteiro de um ator falido que foi considerado ruim demais para continuar na Malhação (a mesma Malhação que manteve o Mocotó e o Cabeção por 5 temporadas), sobre um sujeito que foi considerado ruim demais para continuar no exército brasileiro (sabe, o exército que raramente expulsou alguém, incluindo assassinos, torturadores e diversos outros criminosos) e saiu disso para uma carreira política de quase 3 décadas sem um único projeto digno de nota - ou seja, uma puta de uma biografia bosta pra caramba - que conclui em uma eleição presidencial em que ele vence porque o principal opositor foi preso por um aliado político e, que ele passa 4 anos fazendo merda - e isso sem falar da vida pessoal do cara "família" que não assumiu o filho antes de exame de DNA, colocar filho pra concorrer com a ex-mulher (além de roubar cofre da mesma) e os imóveis comprados com dinheiro vivo. Some a isso um ator falido e fracassado que saiu de protagonista de um filme (ruim) de enorme sucesso para uma carreira (merda) na televisão num seriado que ninguém assistiu e mais tarde num filme cuja narrativa se baseia em teoria de conspiração da internet... Isso tudo com uma produtora que não existe... Como duvidar de que tudo isso é legítimo pra burro? (literalmente pra burro que ainda acredita nessa galera)

E aí você vê o trailer e o bagulho é pior que uma sketch do Hermes e Renato (em que eles faziam as coisas com orçamento baixo justamente na intenção de ser trash).

É lógico que isso precisa de mais orçamento que todos os filmes da Marvel combinados para funcionar, meu amigo! 

(Quer dizer, Capote com Phillip Seymour Hoffman ganhou Oscar e custou menos de 7 milhões de dólares mas quem se importa, né? E o Discurso do Rei - outro que também ganhou Oscar e também tinha um baita elenco - custou algo em torno de 15 milhões de dólares).

Precisa de todo um data center de IA rodando liso em computador quântico para transformar o roteiro em algo legível, além de uma miríade de outros dez ou vinte computadores quânticos (e talvez até uns dez ou doze data centers) para transformar o material produzido em algo minimamente assistível. Quer dizer, quando o público não se empolga pra assistir o novo Mortal Kombat - com 104 milhões sobre um orçamento de 80, é óbvio que um documentário sobre a primeira dama dos Estados Unidos produzido por um estuprador vai dar certo, né? E o mesmo vale pra um filme sobre o pior presidente da história do Brasil... Isso claro que vai ganhar o mercado internacional porque afinal de contas toda a Hungria, Argentina (que tá comendo carne de burra) e 'Murica vai assistir duas ou três vezes!

Droga, só os evangélicos da Lagoinha vão pedir pros fiéis comprarem uns cinco milhões de ingressos... 

Imagine que isso é um esquema de lavagem de dinheiro para comprar imóveis nos Estados Unidos para quando essa galera for pega e precisar fugir igual o Eduardo Bolsonaro (que já fugiu e já está em um desses imóveis, né?)! Imagine, tem gente que nem põe a mão fogo por essa galera mais, eles bebem detergente estragado mesmo! 

Quer dizer, meu irmão, quem nunca pediu milhões para um criminoso prestes a ser condenado para "patrocinar" um filme (com o qual obviamente eles tinham um contrato estrito e de enorme confidencialidade)?

17 de maio de 2026

{Revisitando Clássicos} Fábulas - Bill Willingham (et al) 2002 - 2024

Fábulas era o meu maior pesadelo quando eu comecei esse projeto, e em grande parte, depois de não conseguir terminar a série antes da resenha eu vou explicar da melhor maneira possível os motivos.

A série começa em 2002 e se torna um grande sucesso do selo Vertigo - gerando uma spin-off do João (do pé de feijão, ele mesmo) algumas mini-séries da Cinderela (que é como uma agente secreta nesse universo) e uma outra série chamada Fairest (cujo propósito meio que é o de contar fábulas dentro do universo da fábulas em um nível mais A Origem que o filme do Christopher Nolan - e com uma premissa bastante simples, e que séries viriam a explorar na televisão nas décadas seguintes.

Basicamente a premissa é 'E se as histórias de fadas fossem reais - e, continuassem depois do "felizes para sempre"?'.

Disso surge a genialidade da série, com toda uma estrutura da sociedade que permeiam esses personagens, que ocasiona em fofocas e rumores (como a Branca de Neve que geralmente alguém comenta de seu tempo com os anões ou o Barba Azul e seu histórico de matar esposas, por exemplo) enquanto adicional uma tridimensionalidade a suas perspectivas, quando já no primeiro volume vemos o Pinóquio como um garoto de verdade reclamando da fada azul sendo literal com 'garoto' que o faz se manter uma criança pelos últimos séculos quando ele só quer passar pela puberdade (e, sabe, curtir uma diversão íntima).

A série toma outros rumos, claro, partindo da premissa de que as fábulas vivem em um mundo real (que inspira suas histórias que são contadas no nosso mundo) e devido a um grande conflito lá, tiveram que se refugiar aqui entre pessoas comuns, mas, pela lógica que Bill Willingham constrói para que faça sentido que estes personagens sejam super humanos (que não envelhecem normalmente e possuem poderes coerentes com suas histórias), vivendo pela lógica de um universo ficcional se encontrando em um universo real nessa estrutura.

Então faz sentido que vejamos animais falantes da mesma forma que figuras antropomorfizadas (afinal, são histórias de um reino onde magia existe) ao mesmo passo que consigam sobreviver e aguentar baques e ataques que matariam uma pessoa comum em qualquer outra situação - além, é claro, de poderes e transformações como Bigby que é o lobo mau, mas, mais que isso, um lobisomem - e o fato que eles não envelhecem nas mais de 150 edições da série.

Aqui está o primeiro grande problema (das 150 edições), uma vez que a popularidade do material acabou engolindo a narrativa e a série entrou num modo zumbi produzindo conteúdo sem que fizesse mais lógica, e, nesse modo zumbi gerou séries derivadas e pura e simplesmente chega a um ponto que mesmo a série não pode acabar (em 2022 a série foi ressuscitada para o arco de doze edições a Floresta Negra qua saiu simultaneamente a um crossover com o Batman e tudo isso depois de terminar em 2015 com a edição 150).

Narrativamente, a série traz um conflito dos personagens das fábulas que se exilam no mundo real fugindo de um conflito em seu mundo - um conflito movido pelo Adversário, cujo nome é mantido em segredo até o momento oportuno.

Com isso o conflito entre o povo das fábulas e esse adversário é o grande climax da série, ainda que exista espaço para resoluções (o retorno do povo exilado às suas terras assim como sua readequação à realidade após séculos - sim, séculos - de conflito) e tudo isso se mantém interessante até mais ou menos a edição 75 (que encerra o arco Guerra e Peças), ainda que, sendo generoso o material ainda tenha fôlego mesmo que sem o mesmo gás até a edição 100.

Enquanto rachaduras já vinham aparecendo desde a vitória sobre o Adversário, o negócio degringola mesmo a partir desse ponto quando um grupo super heróico é apresentado para 'defender as Fábulas, e, mostra o quão perdido na necessidade de continuar a história (quando não existe mais uma história para continuar) a série se torna. E é claro que nisso já estamos em quase 10 anos da série, já com o spin off do João e tudo mais...

Só que, e aí existe o grande calcanhar de Aquiles da série, uma vez que o material tem em seus personagens apenas figuras de domínio público, a série poderia continuar indefinidamente desde que a editora assim o quisesse - sem o escritor, sem os artistas ou quem quer que fosse - então o "fim" da história nunca viria nos termos do escritor e isso parece o principal motivo pelo qual a série continuou por tanto tempo e, até porque tem um grupo de super heróis ali após a edição 100, meio que como um metacomentário da indústria de quadrinhos estadunidense que precisa de super heróis e não consegue enxergar outro tipo de histórias diferente disso e como um ouroboros fica tentando comer o próprio rabo se retroalimentando sem criar nada novo ou, bem, sair do lugar... Mas talvez eu esteja lendo demais nisso - e, no celeuma bastante público de Willingham com a DC recentemente.

Mas fica evidente que a série vai se perdendo, e isso acontece justamente porque a série toma tamanho demais para que o autor consiga manter algum foco ou coerência (são spin-offs, mini-séries e uma editora que não quer um ponto final definitivo e concreto) no que leva os leitores a abandonar o barco em diversos pontos e momentos, e, bem, numa história que não parece capaz de se concluir de forma coerente e, mais importante, satisfatória.

 

Ressalvas e Problemas

Olha, sinceramente o maior problema da série se dá no fato de ser beeeeem longa (162 edições, com vários spin-offs e mini-séries, alguns mais interessantes e relevantes que outros), e, como eu disse, ela perde bem o gás depois de um ponto relevante da história, o que torna a série menos acessível conforme cada vez mais personagens secundários ganham destaque (alguns inclusive morrem) e outros novos personagens (filhos de um casal ou parentes distantes de outro) vão aparecendo e ganhando destaque.

Não existe um elenco fixo para que o leitor possa simplesmente pegar e ler de qualquer ponto sem precisar pensar muito, pois mesmo no começo se faz necessário conhecer as histórias de contos de fadas, que, bem, talvez não sejam tão reconhecidas para o público não falante de inglês como o Príncipe Azul ou Barba Azul, e, sim, é parte do objetivo aqui e ali apresentar alguma história folclórica menos conhecida e oferecer algum destaque para esse ou aquele personagem, só que existem momentos em que a caracterização desse personagem depende intrinsecamente do conhecimento da fábula na qual ele se baseia, e não fazê-lo representará menor entendimento narrativo.

Ao contrário de outras séries que envelheceram mal ou tem mais violência (ou sexo), aqui efetivamente não parece nada que desabone além do fato que é uma leitura bem mais volumosa e, por isso, cansativa. Além disso, caso você opte por ler apenas Fábulas, talvez perca alguns dos elementos das séries derivadas - que tem pouco relevância no geral mas tem alguma, principalmente com João que é um personagem interessante e que ganha bastante destaque no universo da série.

Destaco como ressalva, inclusive, que eu mesmo não consegui ler todo o material. Não li as edições 151 a 162 (que são o epílogo publicados após o final da série) assim como boa parte dos spin offs e séries derivadas. Então talvez você que leia esses materiais tenha uma percepção diferente da minha ou até mesmo não se empolgue com nada do material de qualquer forma.

Eu acho que vale a pena pelo menos os dois primeiros volumes para conhecer a série e sentir se isso pode funcionar pra você - são material bem fácil de achar e que tem uma ótima qualidade tanto na arte como no roteiro, até porque, e isso eu acho que é um problema grande para a série, não é particularmente algo que vá mudar sua visão de mundo ou oferecer algo mais interessante e complexo, sabe?

Quer dizer, são fábulas vivendo no mundo moderno e lidando com problemas iguais aos nossos (e eu imagino que você já tenha associado com alguma outra série de televisão em algum momento desse texto, né?), sem oferecer alguma reflexão mais complexa ou algum tipo de perspectiva maior sobre a natureza humana.

Por mais que Bill Willinghan seja um ótimo escritor e crie situações muito interessantes, como eu disse, ele mesmo perde o entusiasmo e nisso a situação toda se perde. O que, no fim das contas, é uma pena. 

11 de maio de 2026

{Resenhas Lixo} Demolidor Rerenascido e Treta (segundas temporadas)

Eu até poderia fazer uma resenha para cada uma destas séries e entrar em mais dos detalhes específicos que fazem os dois materiais ruins, mas, sinceramente, funciona muito bem no dois por um uma vez que ambas padecem basicamente dos mesmos problemas.

O primeiro que o título das séries não faz sentido no contexto destas temporadas.

No caso do Demolidor ele é o personagem que menos aparece no seriado de seu nome - e nem vou entrar nos méritos se as histórias secundárias e os personagens que ocupam o restante do tempo valem minimamente a pena, porque o fato de estar numa resenha lixo já dá bastante a ideia, né? - enquanto no caso de Treta, bem, não existe particularmente uma "treta", não é mesmo?

Quer dizer, na primeira temporada haviam dois personagens que, por motivos claros desde suas primeiras interações estavam obcecados e furiosos um com o outro (e se essa disputa era justificada aí é um argumento para quem assistir a primeira temporada), e isso simplesmente é inexistente aqui.

Na melhor das hipóteses é uma questão de luta de classes, mas eu acho que mesmo isso é um exagero tremendo. Quer dizer, existe um conflito entre o casal pobre (que trabalha no clube para ricaços) e o casal rico (que gerencia o clube para ricaços), mas a série meio que empurra numa conclusão de que nenhum dos dois está errado em detestar o outro e que todos tem que se unir contra os criminosos estrangeiros - que esses sim são o problema.

Isso, inclusive, é o segundo grande problema das duas séries, que é uma tentativa de produzir uma versão aceitável para o público estadunidense da crítica social (e luta de classes).

Não é que o rico presidente do clube de ricaços desvie dinheiro e isso seja um problema do sistema capitalista ou algo do tipo... Afinal ele tem um bom coração e só tomou más decisões no caminho e os verdadeiros vilões são os estrangeiros.

Ou um sistema médico em que a pessoa tenha de se preocupar mais com o valor da conta que com sua saúde... Não, não... Nada que o bom e velho empreendedorismo 'muricano não resolva.

Ou um prefeito corrupto (que logicamente não tem nenhum paralelo com um presidente alaranjado e igualmente corrupto, isso obviamente é mera coincidência e pare de fazer qualquer paralelo porque esses caras da Disney que financiou o presidente alaranjado e corrupto com toda a mais completa certeza não fariam uma crítica aberta ou velada ao cara) aprisionando centenas de pessoas ilegalmente até que rebeliões se montem por toda a cidade, e, claro a resposta tem que seguir pelos tribunais e através da justiça - afinal devemos confiar plenamente nos tribunais em um estado de exceção...

E eu nem vou entrar nos deméritos do quanto a série do Demolidor leva tanto tempo pra trazer a Jessica Jones (que é a única salvação da temporada) e esquece do Justiceiro (que tá ocupado demais no filme do Homem Aranha), ainda que fosse parte de um gancho do final da primeira temporada, ou que Treta simplesmente não sabe o que fazer com a personagem da Carey Mulligan (mas ela é uma atriz famosa, ainda mais agora depois de ganhar um Oscar) e com toda a certeza um chamariz para a série mesmo que nada nos oito episódios a justifique narrativamente ou...

Sério, só esses dois problemas principais (de que o título não faz sentido porque está ausente na história, e de que a série quer retratar um conflito de classes sem ter a coragem para retratar o tema) são a base de todos os demais problemas das duas séries.

Claro, eu assistiria a Treta novamente (até porque mesmo com Oscar Isaac e Carey Mulligan subutilizados e num roteiro ruim, ainda são Oscar Isaac e Carey Mulligan) antes de ver mais alguma coisa de Demolidor (afinal, eles insistem em dar mais tempo de tela pro filho do Tony Soprano que pra quase todo outro personagem, e o moleque ainda não consegue atuar mesmo que sua vida dependa disso), o que indica que a primeira ainda tem algum potencial e principalmente uma primeira temporada incrível, enquanto o segundo, bem, parece que eles nem estão mais tentando nesse ponto, então eu me pergunto: Porque eu deveria?

10 de maio de 2026

Homenagem dia das Mães

Minha mãe não ligava muito para quadrinhos, ainda que, verdade seja dita, ela foi uma mulher que muito jovem se viu viúva e tinha de trabalhar dobrado para sustentar duas crianças (o que já seria desafiador em qualquer momento, mas nos anos 1990 com toda a certeza não foi nenhum passeio no parque).

Ela sempre incentivou - e mais que isso - a leitura e meus hobbies e do meu irmão, mas ela não dava muita bola para meus quadrinhos de super heróis ou outros temas. Mesmo agora mais adulta e aposentada nunca se deu muito a tentar ler alguma coisa por mais que eu indicasse ou recomendasse, como Bone, Asterix ou qualquer outro mais simples e fácil de pegar e ler.

Mas existia algo que ela simplesmente adorava e não importava muito se eu trouxesse um gibi novo, um encadernado mais surrado ou o que fosse, ela sempre se dava ao tempo de ler, e era o Chico Bento. Ela adorava o jeito simples do menino caipira e seu elenco de personagens, não sei se isso a lembrava de sua infância (a casa de meus avós tinha mais em comum com os sítios da Vila Abobrinha que com qualquer metrópole fictícia, droga, minha casa tinha um pé de goiaba no quintal quando eu era bem pequeno).

O Chico Bento me aproximou de minha mãe, e, por conseguinte aproximava também minha mãe de meus sobrinhos, com as musiquinhas e animações antigas que ela não se cansava de colocar para os meninos da mesma forma que eu e meu irmão assistíamos em VHS anos e anos atrás (Olha a Onça, com certeza foi repetido mais vezes que eu gostaria de admitir e algo me diz que continuará para próximas gerações se eu tiver alguma opção nisso).

Curiosamente, pouco após o óbito de minha mãe, meu sobrinho chorava copiosamente e, para consolá-lo minha namorada dizia 'Não precisa chorar que a vovó Cida virou uma estrelinha no céu', e ainda que ela não soubesse no momento é algo diretamente relacionado com o Chico Bento, de sua irmãzinha Mariana de uma edição de 1990 (literalmente uma estrelinha que se torna a irmã do personagem, mas acaba falecendo com pouco tempo depois).

Eu não sei se minha mãe está agora ao lado da Mariana olhando do céu para o netinho dela, e, por mais que o meu lado cético sempre vá dizer em contrário, meu lado lúdico e ligado a ela através do Chico Bento sempre vai pensar isso quando olhar para um céu estrelado.

Um forte abraço à minha mãe nesse seu dia, e que esteja em paz ao menos, mas, quiçá feliz.

Uma boa semana a todos. 

7 de maio de 2026

{Ne Zhas de Quinta} Resenha 2 - O Renascer da Alma

As animações asiáticas tiveram um ano de 2025 realmente incrível.

Chainsaw Man (o filme, o arco de Reze), Demon Slayer Castelo Infinito e Ne Zha 2 (O Renascer da Alma) são alguns dos filmes mais vistos do mundo no ano passado, e, sinceramente são alguns dos filmes mais interessantes de 2025 também... É curioso até pelo contraste com animações mais recentes ocidentais, quer dizer, quando foi a última animação da Disney (Zootopia de 2016?) ou da Dreamworks (Gato de Botas 2 de 2022?) digna de nota mesmo...? Mesmo a Ilumination que saiu dos Minions pra entrar nas franquias da Nintendo (e não fazer nada de realmente interessante com isso, né?).

Eu quero inclusive fazer um novo comentário sobre Chainsaw Man em um futuro próximo mas eu não tenho como deixar de falar em quanto o material consegue ser completamente insano e ainda fazer sentido dentro de seu próprio contexto, produzindo um material inovador e interessante para o público. Droga, tem uma longa cena de batalha em que um sujeito com braços e rosto de motosserra cavalga em um tubarão com pernas de caranguejo enquanto enfrenta um ciclone com um rosto de criança (lógico) que auxilia uma mulher com uma cabeça de granada.

Não, eu não estou tendo um infarto e digitando palavras aleatórias, isso talvez seja a forma como o roteiro montou essa cena, e por mais que pareça uma salada de palavras funciona dentro do filme que você assiste e tem alta octanagem.

Mas esse é um tópico para outro dia porque eu quero falar de Ne Zha 2, e, enquanto eu sei que o '2' do título possa espantar algumas pessoas, e de fato exista um primeiro filme do qual esse se expanda, sinceramente não é particularmente algo que precise de grande contextualização além do que a história apresenta, afinal a história é uma grande fábula (tradicional chinesa, inclusive), e sinceramente não é o elemento ou estrutura mais importante do filme.

É uma fábula como você já deve ter visto tantas outras só que agora num contexto chinês e com elementos orientais que subvertem levemente algumas das estruturas comuns da Disney formando algo mais próximo de um filme de super heróis que de princesas. Mas continua uma fábula com todas as mesmas condições e estruturas que você pode esperar desse gênero de história.

Acontece que existe o elemento visual do filme e é algo que realmente te transporta nessa história clichê e consegue em certos pontos transcender com um terceiro ato que é de tirar o fôlego e extremamente empolgante, sendo que durante todo o filme já existe uma animação bastante competente e fluída.

O material facilmente pode ser usado em uma loja de eletrodomésticos para fazer teste de televisão (porque é deslumbrante visualmente - mesmo que a história não chegue no mesmo nível).

Recomendadíssimo!

4 de maio de 2026

{A culpa é do Estagiário de segunda} A Amazon é uma várzea

Uns anos atrás eu destaquei uma propaganda que recebi da Amazon em que queriam promover uma ação sobre a Consciência Negra e, bem, a imagem diz mais que qualquer coisa, né?

Mas em 2026 eu tive a ideia de assinar o Crunchyroll pela Amazon porque isso facilitaria minha vida - dá pra assistir fácil em qualquer tv da minha casa assim como no celular sem precisar baixar outros aplicativos ou configurar nada além disso, e o que eu descobri amiguinhos?

Que a Amazon é uma várzea e o Frankie Muniz como Malcolm X era só um detalhe pequeno e bobo.

Eu comentei de Solo Leveling algumas semanas atrás, mas o que eu não falei é que a série está com os episódios duplicados na plataforma. Porque? Boa pergunta mas você tem duas vezes o mesmo sendo que um está com áudio original e legenda e o outro dublado (ao invés de, sabe, só adicionar a opção de trocar a faixa de áudio).

Aí tem essa que eu achei simplesmente genial, que é o episódio 42 de Cavaleiros do Zodíaco Ômega em que o material é substituído por um episódio de Street Fighter - e o episódio 42 simplesmente é pulado!


 

 

30 de abril de 2026

{Resenhas Líquidas} A Dança da Quinta - Ta-Nehisi Coates

Sim, eu conheço o autor pelo trabalho em Pantera Negra - e ainda acho que é tanto o melhor arco do personagem (pelo menos até aquela bobagem de Império Intergalático de Wakanda) como o melhor trabalho do autor Ta-Nehisi Coates - e sei que primeiro o autor publicou os livros e com esse sucesso acabou trabalhando para a Marvel, mas eu genuinamente tenho uma certa dificuldade de achar os trabalhos dele tão particularmente interessantes.

Li Entre o Mundo e Eu e quase não consegui terminar de tão pouco que a obra me interessou no geral (e confesso que lembrou muito pouco do conteúdo) e enquanto A Dança da Água é um material muito superior ele ainda padece de alguns problemas que foram me tirando da história aqui e ali.

Essa é uma história sobre escravidão e o protagonista é um jovem que mal se lembra de sua mãe e cresceu na propriedade de seu pai (sim, seu pai também é seu dono), e, por uma série de eventos extraordinários acaba fugindo e se juntando a um grupo de libertadores de escravos, auxiliando assim outras pessoas a fugirem de sua labuta. E a premissa em si é incrivelmente poderosa e interessante.

O problema é a execução.

Em dados momentos a história parece querer fazer como Forrest Gump ou Assassin's Creed e trazer alguma figura histórica real, não sei se como forma de legitimar a ação do protagonista ou consolidar a história em algo baseado em fatos reais... Algo categoricamente desnecessário e que não acrescenta nada além de que é um nome de uma pessoa histórica relevante.

Cada vez que acontece, pelo menos pra mim, isso foi quebrando a ilusão narrativa e a suspensão de descrença, e eu acho que mesmo pra quem isso não incomode tanto, acaba como algo mais estranho por quebrar o ritmo da narrativa para essa inserção de uma participação especial na história.

Mas como eu disse, a premissa é poderosa e e quando funciona, bem, ela funciona muito bem, e, a história central em si é muito interessante, com alguns pontos da história de Hiram - principalmente mais para o final quando ele se lembra do que aconteceu com a mãe quando ele era pequeno - que realmente dão peso ao livro.

Agora, sinceramente não vá com grandes expectativas (o melhor trabalho do autor continua sendo Pantera Negra, mesmo se este seja um bom próximo segundo lugar).