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21 de maio de 2026

{Resenhas de ST Louis} DTF Quinta

O final é bem ruim (e eu acho que é bom você saber isso antes de tentar conferir o material), mas eu não vou entrar nas explicações do final e do que faz dele ruim especificamente uma vez que o problema dele está atrelado a um problema narrativo que surge já desde o primeiro episódio.

DTF St Louis é sobre a investigação criminal da morte de um sujeito, e, verdade seja dito, desde o primeiro episódio parece extremamente (e eu digo extremamente) precipitado que a polícia conclua 'assassinato' e conduza uma longa investigação de assassinato.

As peças não estão ali e conforme a narrativa avança com as suspeitas, bem, as peças continuam não estando ali, e, quanto mais eu pensava e analisava a série, mais eu lembrava de Desperate Housewives, sabe?

Alguém morre no começo e mistérios começam a aparecer, alguém inclusive diz e repete que de perto ninguém é normal e por aí vai, só que, e eu repito, o aspecto da investigação criminal que é o que a série QUER conduzir e criar, simplesmente não funciona, não é o gancho que eles acham que é (ou deveria ser).

O gancho é a extraordinária sinergia de David Harbour e Jason Bateman, o gancho é a performance fora de série de Linda Cardelini... E são eles efetivamente porque o roteiro precisava de umas duas ou três revisões para ser algo diferente e mais interessante, talvez até uns cortar uma série de cenas (droga, tem um momento em que Harbour e Bateman cantam rap numa bicicleta esquisita e é completamente dispensável e não é o único - fácil tem um episódio inteiro de cenas igualmente dispensáveis, e isso que é uma mini-série com apenas 7 episódios).

E como o roteiro falha, a série tenta atrair a atenção vendendo sexo, desde o título (DTF é uma sigla que significa 'disposto a transar', e na série é um app de encontros casuais), mas repetidas vezes são mostradas imagens geradas por IA com conteúdo sexual assim como todo o contexto é de que um dos personagens está tendo um caso com a esposa do outro e isso forma todo um cenário... E nisso eles tem toda uma estrutura de fetiches que vão se desfraldando...

Mas se tem um aspecto que é terrivelmente construído é o aspecto da investigação criminal. Puta merda eu acho que esse é uma das piores narrativas detetivescas que eu já vi na vida de longe.

Começa com o clichê do detetive velho (carrancudo e preconceituoso) que pula para uma conclusão estúpida por algum motivo estúpido enquanto a detetive mais jovem (espirituosa e determinada) faz a exata mesma coisa numa outra direção, mas, sabe, ela ainda tem muito a ensinar ao velho detetive carrancudo.

Sinceramente até acho que, se invertessem a dinâmica (com o detetive mais velho mais espirituoso e determinado enquanto a detetive novata fosse uma cristã fundamentalista que pula para conclusões precipitadas) seria ao menos um passo na direção correta, ainda que a estrutura narrativa da investigação continue o grande problema. Eles pulam muito rápido para a conclusão de homicídio, quando tudo aponta, na melhor das hipóteses, para um suicídio esquisito, e, se a série quisesse usar mesmo esse elemento investigativo, a partir dessa tese de suicídio (esquisito) ao descobrir novos fatos que corroborem a versão de homicídio eles deveriam partir para uma investigação mais robusta.

Só que nunca aparece nada para corroborar para uma investigação mais robusta. Droga, um dos pulos gigantescos na investigação vem porque um personagem mentiu sobre o suco favorito (e eu não estou nem exagerando porque o seriado faz isso ainda pior com os atendentes do estabelecimento lembrando claramente quem é a cliente pelo sua bebida favorita, porque óbvio que o fariam!)...

Aí tem o final que é terrível na conclusão da investigação...

Podia funcionar, e, até acho que teria como funcionar, mas não houve esforço suficiente para isso.

Uma pena. 

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