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6 de junho de 2026

{A vida após Netflix} O que aconteceu com as aberturas de séries?

Esse é um assunto que vem me atormentando faz algum tempo ultimamente, e, principalmente depois que eu assisti a uma animação bem boba mas que traz uma abertura genial e que eu simplesmente não consigo tirar da minha cabeça.

A música é animada, a sucessão de imagens compõe uma estrutura simples (apresentando o elenco gigantesco de personagens da série) ao mesmo tempo que consegue estabelecer suas personalidades (sim) e suas importâncias dentro do contexto narrativo inclusive apresentando os antagonistas (e igualmente definindo suas personalidades e importância dentro do contexto narrativo da série) e tudo isso em um minuto e quarenta segundos de forma a empolgar o público para o episódio prestes a começar.

Isso me fez rever várias outras aberturas de séries que eu acho fascinantes (como do Pacificador, de Dexter ou de The Wire) ao mesmo tempo que refletir sobre o assunto e porque cada vez mais vemos aberturas breves, quase inexistentes que apenas trazem o nome da série em uma fração de segundos.

Esse segundo (as aberturas breves) é um fenômeno bastante recente e vem sendo incorporado às séries por questões dos serviços de streaming, sim. Uma vez que os serviços oferecem a opção de pular a abertura, porque gastar tempo e recurso nelas, certo?

Mas isso não começou agora e podemos olhar para séries do início dos anos 2000 como Lost e 24 horas que já se valiam disso como uma breve transição - no caso de 24 horas inclusive numa questão temática já que cada segundo conta para Jack Bauer salvar o mundo, então não dá pra perder tempo com uma abertura - mas eu acho que o primeiro exemplo que me vem a memória de alguém fazendo isso é Seinfeld.

Seinfeld não tinha uma abertura também por um motivo temático, afinal a série queria se vender e destacar como um anti-sitcom e ao partir para uma estrutura sem uma abertura no sentido tradicional (geralmente os episódios começavam com um número de stand-up de Jerry Seinfeld para então a história começar, mas isso não era tecnicamente uma abertura no sentido que estamos acostumados - clap, clap, clap).

Até porque antes de Seinfeld era bastante comum a ideia de uma abertura simples para contextualizar uma série - afinal, não obstante os materiais eram produzidos para reprodução contínua por anos nas reprises estadunidenses (chamadas de Sindication), e por esse motivo a condição tradicional de abertura de séries até os anos 1990 (e inclusive neles) era a de apresentar a premissa de um seriado, seja através de música ou de contextualização narrativa.

{Breve edição aqui pós publicação} Eu confesso que não me lembro de muitas séries de antes dos anos 1990 que eu tenha assistido que tinham episódios duplos (com exceção do Chaves e do Batman do Adam West), então a ideia da narrativa que se estendia por múltiplos episódios, quiçá uma temporada toda era bem pouco utilizada.
Dito isso, vale lembrar a raiva que alguém sentia quando aguardava pelo próximo episódio de uma série para simplesmente se deparar com uma reprise (até hoje, mesmo com o streaming, eu acho que não vi a conclusão de alguns episódios duplos ou até mesmo triplos de Arquivo X). {fim da edição} 

Vide Star Trek com a narração de Bill Shatner ou Um Maluco no Pedaço com o rap de Bill Smith (mas vai por mim, isso se repete em vários e vários outros shows ao longo das décadas), para que seja fácil contextualizar o material para qualquer espectador que esteja simplesmente vendo um episódio aleatório sendo transmitido. Não importa se é a primeira ou terceira temporada de Star Trek, a narração (e os créditos) te apresentam a premissa e os personagens.

Então esse contexto de te explicar o básico para que você não fique perdido inclusive funcionava para evitar a necessidade de um primeiro episódio/piloto explicando os eventos que dão origem da série. De novo vale para Star Trek (a história de como a Enterprise parte em sua missão de 5 anos é narrada em um dos filmes da franquia - e não na série original ou na animação subsequente) mas vale para outros programas também como o exemplo da Caverna do Dragão.

Isso, também está atrelado ao fato que vários destes shows não tinham finais (porque eles seriam reprisados ad infinitum e um final poderia estragar ou prejudicar essas reprises) e é o motivo pelo qual muitas séries antigas simplesmente não acabam ou ficam num loop sem uma conclusão lógica (sim, Quantum Leap, jamais saberemos se Ziggy trará Sam Beckett de volta para seu tempo). Minisséries tinham histórias e estruturas, mas séries eram produzidas para repetição e reprises eternas, e por isso mesmo muito pouco (se é que alguma coisa) mudava.

Mas é curioso que as animações japonesas continuam a investir e a investir pesado em aberturas e encerramentos fantásticos com músicas incríveis e uma contextualização brilhante do universo e dos personagens enquanto cada vez mais séries dos EUA preferem um breve e esquecível crédito com o nome da série para ser pulado, então eles gastam o mínimo de esforço (série, que abertura mais bosta a de Ted Lasso que é possivelmente a melhor série da Apple, mas não é o único exemplo que vem à mente).

No fim do dia, eu tenho alguma reposta? Sinceramente não muitas.

Sim, produzir uma abertura (que vai ser ignorada e pulada) parece uma perda de tempo nesse mundo de streaming, mas se essa abertura pode atrair público e angariar novos fãs, não parece uma boa ideia? 

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