Ano passado eu critiquei Batman vs Deadpool e Deadpool vs Batman (que é bem ruim, esquecível e com o desespero gigantesco de duas empresas decaindo ano após ano em vendas, público e crítica).
Com Superman/Homem-Aranha, Mark Waid faz algo muito melhor que as duas edições de 2025, claro, mas é algo igualmente esquecível e que expõe o desespero gigantesco de duas empresas decaindo ano após ano em vendas, público e crítica.
E ainda que o roteiro e a arte são vastamente superiores, nós temos que lembrar que é algo bastante genérico e esquecível com algo que parece um roteiro desprezado de alguma edição de Batman/Superman: Melhores do Mundo ou Liga da Justiça Sem Limites (ambas do próprio Waid), e, que o roteiro de Alan Moore ou da trama da animação da Liga da Justiça de Brainiac se unindo a algum vilão para dominar o mundo.
Ainda que eu não esperasse mais - afinal não buscaram gente mais talentosa e ousada como Jonathan Hickman ou Jason Aaron, inclusive de fazer algum evento maior com mais páginas e com uma história coesa (ei, porque não usar o Absolute Superman e o Ultimate Homem-Aranha?) e produzir as duas edições integradas numa minissérie?
O resultado que temos apela demais para nostalgia e joga seguro demais com os clichês que devemos esperar desse tipo de história, e, quando consideramos que é um marco de 50 anos do primeiro encontro entre os dois heróis, bem, não seria demais esperar um pouco mais de impacto, porque e eu direi isso sem a menor sombra de dúvidas: Duvido piamente que alguém vá se lembrar dessa edição até o final do ano.
Por outro, em termos de sinergia corporativa (e para lançarmos duas resenhas para cobrir mais assuntos em menos tempo), temos um caso que, contraria boa parte do que eu falei de animês ou mangás nos últimos anos. Eu geralmente disse em alguns casos de que se eu tivesse 15 anos eu provavelmente gostaria desse ou daquele título (ainda que eu nunca ache que isso é um elogio), mas esse é um caso em que eu genuinamente sei e com toda a certeza, que eu não passaria nem perto desse título mesmo que ele tivesse um cheque em branco com meu nome nele.
Witch Hat Alelier é um quadrinho que eu teria muita vergonha de ler na minha adolescência, ainda que isso diga mais sobre o tipo de adolescente que eu era - que tinha vergonha de comprar quadrinhos do Demolidor ou outro herói chorando no telhado todo sombrio e gótico - e, francamente eu só posso dizer que é um quadrinho voltado para o público infantil e mais até, o público feminino...
Mas é uma graça de material e mesmo que tenha um monte de coisas esquisitas (tipo um grupo de meninas morando num 'ateliê' com um sujeito esquisitão, para ficar só naquela que chama mais a atenção do adulto lendo esse material - mas vale lembrar que quando eu era criança não via nada de errado com as crianças órfãs sequestradas e torturadas em 'treinamentos' para conseguir armaduras mágicas nos Cavaleiros do Zodíaco), tudo consegue passar uma aura bastante inocente, pueril e, perdão do trocadalho mas é verdade, uma vibração mágica.
As personagens são encantadoras, o cenário consegue vender bem o cenário ao mesmo tempo fantástico e fantasioso que lúdico, e enquanto o roteiro é basicamente Harry Potter em mangá (na verdade, mais para a fonte inspiradora de Ursula K L Guin - O Feiticeiro de Terramar), e esse é um material em que, curiosamente, a animação não faz jus ao original, onde a arte é muito superior e consegue criar o encanto de maneira mais orgânica e funcional.
Recomendado.
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