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29 de junho de 2026

{Resenhas lixo} Supergirl - e Homem Aranha/Superman

Na primeira edição do encontro entre Homem Aranha e Superman eu disse que faltava criatividade nessas edições comemorativas e encontros... E puta merda como isso sintetiza tanto a segunda edição (agora produzida pela Marvel e escrita por Brad Meltzer) e o filme da Supergirl.

Homem Aranha e Superman traz uma edição que, basicamente, refazer, uma edição de 2007 (de reboot de 2006 escrito pelo próprio Meltzer) com dois heróis soterrados e tendo que lidar com seus sentimentos e o trauma enquanto buscam uma forma de escapar/fugir. Claro que sem o mesmo impacto (afinal naquela edição eram duas pessoas praticamente sem poderes e a arte de Gene Ha usa os quadros de maneira soberba, e, bem, ela não é exatamente um material indie e que passou desapercebido - então a novidade não é um fator aqui também), ou mesmo sem a mesma graça.

Então o que sobra? Um material protocolar que te faz lembrar do original e pensar "O que isso oferece de novo?". 

Com Supergirl, bem, não é particularmente diferente. Eu já falei sobre a hq que inspira o material (e que basicamente faz Bravura Indômita NO ESPAÇO), o que coloca o material como uma adaptação de uma adaptação de uma adaptação... E, talvez, o ponto mais memorável seja que, bem, é o primeiro filme de super heróis (de estúdios norte-americanos) adaptando uma história de fato produzida nos quadrinhos (e não apenas os conceitos e ideias dos personagens)... Claro que se você ignorar as muitas animações que fazem isso a tempos (e o mercado japonês), então é algo notável.

E se você lembrar que a hq é algo facilmente esquecível e dispensável (diferente da fase de Peter David reexaminando a personagem, literalmente desconstruindo e reconstruindo a personagem, seus símbolos e estrutura), me parece no mínimo curioso que essa fosse a ideia para adaptar e apresentar a Supergirl do novo DCEU - ainda mais quando até o momento, e com o atual estado da Warner/HBO sendo comprada... Fica a dúvida se ainda faz qualquer sentido isso efetivamente.

O filme cai naquele vácuo de que não sabe como oferecer uma perspectiva única (ou interessante) para a personagem ao mesmo tempo que não oferece uma perspectiva maior do universo em que ela está inserida. O que a gente vê é o estúdio que insiste em jogar tudo na parede pra ver o que gruda...

Até porque não é como se a Warner tivesse, de qualquer maneira operado de forma consistente na produção de conteúdo (com o estúdio que resolveu lançar Constantine 2 mais de 20 anos depois do primeiro ao mesmo tempo que engavetou o já produzido e caríssimo filme da Batgirl).

Nada disso ajuda - porque, e eu repito, a história de Supergirl é Bravura Indômita NO ESPAÇO - o que não contextualiza ou forma um universo compreensivo mais coeso e interessante.

Pode ser que daqui uns anos isso funcione melhor - como aconteceu com o MCU com os Vingadores (enquanto os filmes individuais, conforme saíam não impressionavam)? Eu acho difícil porque essa história de Supergirl tem tão poucas ramificações e capacidade de refletir num contexto maior que é difícil esperar algo nesse sentido (além de, talvez mais Lobo e mais Supergirl nos outros filmes).

Resumindo? Bah. Procure os originais (a edição de 2007 da Liga da Justiça escrita por Meltzer ainda inspirado, e, bem, Bravura Indômita - que não é no espaço). 

15 de junho de 2026

{Resenha Lixo} He-Man e Todo mundo em pânico

He-man é um filme ruim?

Olha, eu não sou alguém que tem nostalgia para o personagem ainda que sim ele tenha feito parte da minha infância junto com outras animações da época (outras das quais eu possivelmente não me lembre também e na verdade eu estava justamente falando com um amigo uns dias atrás sobre o que diabos era o Cavalo de Fogo - que eu confesso que não lembro uma vírgula do que era mas conseguia lembrar da música tema).

Sinceramente eu acredito que o maior problema do filme reside no fato que é muito tarde para o He-man, saca? Quer dizer, já tentaram revitalizar a franquia outras vezes com animações e quadrinhos, mas, não deu certo. E porque não deu certo? Porque isso é uma franquia baseada em brinquedos e que existe para vender brinquedos (e nem é como se os personagens fossem interessantes ou legais como dos Thundercats, Silverhawks ou das Tartarugas Ninja), e, sejamos honestos, não é como se nenhuma dessas franquias esteja prosperando hoje em dia (sim, incluo as Tartarugas Ninja que são o mais próximo de um sucesso contínuo desse grupo).

Vinte anos atrás talvez apelaria para a nostalgia (como os Transformers do Michael Bay), dez anos atrás talvez seria outro Power Rangers ou aproveitaria a onda do MCU... Hoje eu simplesmente não acho que teria qualquer chance mesmo que fosse o melhor roteiro do mundo (o que não é) com o melhor elenco do mundo (nem de longe) e uma direção impecável (qualé).

Droga, é quase o filme do Minecraft mas mais autoconsciente e menos divertido... até tem seus momentos, e, francamente se você é fã do material original, dificilmente vai encontrar algo tão bom quanto isso produzido desde... Sempre?

 

Falando em menos divertido: (o Novo) Todo mundo em pânico!

Olha, eu não acho que a franquia Todo mundo em pânico valha qualquer coisa além de uma nota sobre como ela sozinha é responsável por todos aqueles filmes bosta de paródias que vieram nos anos seguintes. Você sabe do que eu estou falando com "Os Espartalhões" ou o "Super-herói" e o que caralho foi aquele filme que incluiu Narnia, Harry Potter, Superman e sei lá mais o que porque a ideia deles de 'paródia' era citar o máximo de filmes por segundo, dane-se se pelo menos faz sentido narrativo...

Todo mundo em Pânico surge num momento em que a popularidade e condição meta de Pânico do Wes Craven dá vazão justamente para uma sátira (de uma sátira), mesmo que parte do comentário já estejam no filme original, mas, sabe, o público que tem medinho ou não estava na faixa etária para assistir, e ainda conseguiria ver na versão sanitizada da sátira.

A grande 'sacada' do novo filme agora em 2026 é a 'volta' da família sem talento Wayans (sabe, os caras que pegaram um desenho do Pernalonga e resolveram fazer um longa metragem, mas obviamente cheio de piadas sensacionais e brilhantes porque eles são muito talentosos - e sua longa filmografia desde então mostra exatamente isso, né? Né?).

 Mas será que eu estou pegando muito pesado e o filme realmente merece um olhar mais imparcial e criterioso? Veja: Eles colocaram uma personagem no filme chamada Terça-Feira (para ser uma """"""paródia"""""" da Vandinha Addams) e essa é toda a extensão da piada.

Nada para tentar destacar o fato que a personagem tem quase 90 anos (sim, criada em 1938 quase o mesmo ano que Superman e Batman) e continua numa máquina perpétua de reboots e remakes para apelar ao mínimo denominador comum da audiência... O que obviamente o filme não faria pois é exatamente o que ele está fazendo nessa continuação/reboot e, honestamente, ninguém na redação do remake de Todo Mundo em Pânico tem a sequer mínima sagacidade para perceber isso (que nem é remotamente sagaz).

Esse é uma bosta que nem pro seu pior inimigo como tortura você deve indicar. 

11 de maio de 2026

{Resenhas Lixo} Demolidor Rerenascido e Treta (segundas temporadas)

Eu até poderia fazer uma resenha para cada uma destas séries e entrar em mais dos detalhes específicos que fazem os dois materiais ruins, mas, sinceramente, funciona muito bem no dois por um uma vez que ambas padecem basicamente dos mesmos problemas.

O primeiro que o título das séries não faz sentido no contexto destas temporadas.

No caso do Demolidor ele é o personagem que menos aparece no seriado de seu nome - e nem vou entrar nos méritos se as histórias secundárias e os personagens que ocupam o restante do tempo valem minimamente a pena, porque o fato de estar numa resenha lixo já dá bastante a ideia, né? - enquanto no caso de Treta, bem, não existe particularmente uma "treta", não é mesmo?

Quer dizer, na primeira temporada haviam dois personagens que, por motivos claros desde suas primeiras interações estavam obcecados e furiosos um com o outro (e se essa disputa era justificada aí é um argumento para quem assistir a primeira temporada), e isso simplesmente é inexistente aqui.

Na melhor das hipóteses é uma questão de luta de classes, mas eu acho que mesmo isso é um exagero tremendo. Quer dizer, existe um conflito entre o casal pobre (que trabalha no clube para ricaços) e o casal rico (que gerencia o clube para ricaços), mas a série meio que empurra numa conclusão de que nenhum dos dois está errado em detestar o outro e que todos tem que se unir contra os criminosos estrangeiros - que esses sim são o problema.

Isso, inclusive, é o segundo grande problema das duas séries, que é uma tentativa de produzir uma versão aceitável para o público estadunidense da crítica social (e luta de classes).

Não é que o rico presidente do clube de ricaços desvie dinheiro e isso seja um problema do sistema capitalista ou algo do tipo... Afinal ele tem um bom coração e só tomou más decisões no caminho e os verdadeiros vilões são os estrangeiros.

Ou um sistema médico em que a pessoa tenha de se preocupar mais com o valor da conta que com sua saúde... Não, não... Nada que o bom e velho empreendedorismo 'muricano não resolva.

Ou um prefeito corrupto (que logicamente não tem nenhum paralelo com um presidente alaranjado e igualmente corrupto, isso obviamente é mera coincidência e pare de fazer qualquer paralelo porque esses caras da Disney que financiou o presidente alaranjado e corrupto com toda a mais completa certeza não fariam uma crítica aberta ou velada ao cara) aprisionando centenas de pessoas ilegalmente até que rebeliões se montem por toda a cidade, e, claro a resposta tem que seguir pelos tribunais e através da justiça - afinal devemos confiar plenamente nos tribunais em um estado de exceção...

E eu nem vou entrar nos deméritos do quanto a série do Demolidor leva tanto tempo pra trazer a Jessica Jones (que é a única salvação da temporada) e esquece do Justiceiro (que tá ocupado demais no filme do Homem Aranha), ainda que fosse parte de um gancho do final da primeira temporada, ou que Treta simplesmente não sabe o que fazer com a personagem da Carey Mulligan (mas ela é uma atriz famosa, ainda mais agora depois de ganhar um Oscar) e com toda a certeza um chamariz para a série mesmo que nada nos oito episódios a justifique narrativamente ou...

Sério, só esses dois problemas principais (de que o título não faz sentido porque está ausente na história, e de que a série quer retratar um conflito de classes sem ter a coragem para retratar o tema) são a base de todos os demais problemas das duas séries.

Claro, eu assistiria a Treta novamente (até porque mesmo com Oscar Isaac e Carey Mulligan subutilizados e num roteiro ruim, ainda são Oscar Isaac e Carey Mulligan) antes de ver mais alguma coisa de Demolidor (afinal, eles insistem em dar mais tempo de tela pro filho do Tony Soprano que pra quase todo outro personagem, e o moleque ainda não consegue atuar mesmo que sua vida dependa disso), o que indica que a primeira ainda tem algum potencial e principalmente uma primeira temporada incrível, enquanto o segundo, bem, parece que eles nem estão mais tentando nesse ponto, então eu me pergunto: Porque eu deveria?

2 de fevereiro de 2026

{Resenha Lixo} Terror em Silent Hill - Regresso para o Inferno

Com raríssimas exceções uma continuação de algum filme décadas depois dá certo - ou mesmo minimamente certo, mas com o horror e numa franquia que vem pelejando há décadas para (re)encontrar sua voz, uma continuação direta do filme de 2006 (que não é nem um bom filme sob muitas perspectivas).

Com um diretor como Christophe Gans com uma filmografia minúscula (inclusive desde o primeiro Silent Hill só tem um filme nada memorável adaptando A Bela e a Fera), e o roteirista Roger Avary (que ficou preso por dirigir embriagado - e em liberdade condicional por cinco anos) que não produz nada desde 2019... Meu amigo, isso tinha como dar certo?

O filme tenta adaptar o segundo jogo da franquia (que é um favorito dos fãs e o melhor da franquia sem grande concorrência), enquanto simultaneamente tenta contextualizar a série de uma maneira mais coesa (até porque o primeiro filme de Gans já usava vários dos elementos que são exclusivos do segundo jogo, como o vilão Cabeça de Pirâmide e as AlôôÔOO enfermeiras).

Até aqui, não é exatamente grande novidade e, sinceramente até tinha como funcionar, certo?

O problema é que, na tentativa de contextualizar como uma continuação direta e dentro do contexto do universo do primeiro filme (com a seita que é responsável pelos monstros e a névoa estranha permeando a cidade), inclusive justificando os eventos da história de James Sunderland e Mary como consequência direta e única da cidade, o grande gancho da história que é a culpa de James perde todo e qualquer impacto e relevância.

Ou seja, o filme não consegue lidar com o que faz o jogo interessante e desenvolver a partir daí.

Com isso, porque assistir um filme que não entende o material no qual é inspirado?

Com certeza não é pela atuação, pelo roteiro ou pelos efeitos especiais, mas fique a vontade para tentar me explicar qual o argumento que justifique isso, porque pra mim é um filme que nem como curiosidade vale a pena... 

1 de dezembro de 2025

{Resenha Lixo²} A série da Kim Kardashian e do Glen Powell

Começando dezembro com uma dose extra de cinismo, eu poderia me dar ao trabalho de aprender os nomes em português para estes dois seriados (que eu mal aguentei terminar o primeiro episódio de ambos)? Sim, mas honestamente você sabe que é ruim, eu sabia que seriam ruins desde o primeiro trailer... Droga, a série da Kim Kardashian você sabe que é ruim desde o anúncio de uma série sobre advogados estrelando Kim Kardashian e com o produtor Ryan Murphy (daqueles cada vez piores American Horror Story e não se limitando a eles).

Mas isso é um sintoma de algo maior, certo?

Não é por acaso que esses seriados existem e, francamente, eles continuarão a aparecer cada vez mais com influencers da internet ou idiotas sem talento migrando para o ramo da atuação que lança novos remakes e reboots porque, e isso é importante, essa é a única forma de chamar atenção ou pelo menos um pouco de atenção em um mundo em que séries são produzidas em massa com roteiros que já se pareciam com algo escrito por IA vinte anos atrás (afinal a equipe criativa tem o mínimo incentivo para produzir algo novo e efetivamente criativo).

Ao invés de dar uma chance a atores novos e desconhecidos para galgar o interesse do público através do talento de suas atuações combinada com roteiros bem escritos e produzidos (como historicamente ocorreu), você precisa da garantia de um sucesso ou ao menos da atenção do público por tempo o suficiente para descontar o cheque e, se isso não for renovado para uma segunda temporada (o que é bem provável, e, considerando os atores envolvidos eles mesmos não devem querer isso). E isso nem é o problema todo...

Atores e atrizes realmente talentosos não encontram trabalho ou no máximo pequenas pontas em seriados e filmes - que mal devem cobrir suas despesas para o set - enquanto toda uma espiral de incompetência forma a estrutura do nosso entretenimento, com roteiros que não funcionariam em uma reader's digest de 10 centavos.

Isso é algo estrutural para garantir salários mais baixos e maiores retornos para executivos? Claro, mas, de novo, não é só isso, pois o fracasso também traz retornos gigantescos para executivos de Hollywood, e, apostar em algo ruim como os seriados da Kim Kardashian e do Glen Powell são apostas extremamente seguras e coerentes para esses estúdios.

Se der certo, eles ganham dinheiro. Se fracassar? Ei, eles ganham dinheiro também tanto no curto como no longo prazo, ao deduzir as perdas através de programas do governo estadunidense (sim, que permite compensar o valor investido em entretenimento que fracassou de forma a mitigar riscos e manter investidores interessados - e que justifica situações como engavetar um filme de 70 milhões inteiramente gravado e produzido) ao mesmo tempo que oferece maior controle sobre todo o restante da indústria que não compreende as pessoas que escrevem os cheques (e que precisam aceitar termos cada vez piores com a perspectiva e risco de retornos ruins e perspectivas pobres - e que colocam Edgar Wright dirigindo um remake estrelado por Glen Powell para ter alguma chance ou perspectiva de dirigir de novo em Hollywood num futuro).

Particularmente nem me parece algo drasticamente diferente do que vimos nos últimos anos ou mesmo décadas... O problema é que, em 2025, ao contrário de anos anteriores, o número de exemplos positivos para contrapor essa tendência foi muito pequeno ou inexistente. Entre um ou outro seriado razoavelmente assistível ou interessante (mas nada particularmente impecável e genial), temos um novo remake um novo reboot, uma nova celebridade sem talento estrelando algum seriado ou, droga, até mesmo uma novela... De novo e de novo.

E talvez existam algumas jóias aqui e ali que surjam e se perdem nesse lamaçal de lançamentos (que tanto se esforçam para vender para o público goela abaixo) e, sem sombra de dúvidas isso também é intencional (como tática negocial com os criativos para redução de seus salários e condições).

Se isso vai mudar ou tem alguma perspectiva, honestamente, parece cada vez mais improvável, mas os números também acompanham essa tendência, com um retorno de investimento cada vez menor e estes executivos idiotas (ainda que mantendo seus altos cargos e salários por hoje), falhando miseravelmente em manter as empresas que lhe pagam os salários marginalmente acima da água até que um conglomerado saudita venha comprá-la... E, segredo, isso não é bom para manter essas empresas funcionando mesmo que por mais alguns meses.

Mas que essas empresas continuarão a chorar publicamente que o público não assiste mais ao conteúdo que produzem e que o problema são os celulares ou alguma coisa do tipo (e não o fato que o material produzido parece cada vez mais produzido por IA) e que concorrência é ruim, bem, não deveria te surpreender. 

27 de outubro de 2025

{Hallowsenhas lixo} A Guerra dos Mundos - Amazon, 2025

Se você não ouviu falar do filme A Guerra dos Mundos lançados pela Amazon em 2025, estrelado por Ice Cube e Eva Longoria - e filmado durante a pandemia de Covid (e sim, lançado só agora) de forma que nenhum dos atores do filme contracena ou sequer parece que esteja distante de um monitor - bem, então comecemos com as apresentações.

O "filme" é uma adaptação "moderna" do clássico de ficção científica de H.G. Wells, que, verdade seja dita já é bastante conhecido graças a leitura de Orson Welles como pegadinha num programa de rádio narrando a história como se fosse real, e, causando certo pânico na população, ainda que isso seja uma lenda urbana.

A história em si é sobre uma ameaça alienígena sobre o planeta enquanto o protagonista (que é uma pessoa comum e sem nenhuma patente ou cargo elevado, portanto acesso a informação privilegiada a maior) registra os eventos conforme eles vão se desfraldando e os sobreviventes vão aprendendo melhor sobre a ameaça, e ainda que o material tenha resistido a uma boa série de versões e adaptações que mudaram a noção geral da história e principalmente do final para algo mais próximo do final de Sinais como algo que os alienígenas são alérgicos a água ou algo igualmente ridículo, o livro em si não tem uma conclusão objetiva sobre o que resulta na vitória (ainda que ela venha lenta e gradativa conforme os extraterrestres tombam e a humanidade aprende mais sobre seus adversários).

Nada disso é particularmente relevante para o comercial de uma hora e meia que Ice Cube faz para a Amazon. Quer dizer, você sabia que eles possuem drones que permitem a entrega praticamente instantânea para a porta de sua casa? Ou que a Amazon pode oferecer um cartão de presente mesmo que você seja um morador de rua? Uau que empresa porreta, não é mesmo?

E caso você esteja se perguntando, o "filme" é bem menos sútil que o último parágrafo. 

Não que Ice Cube seja um bom ator sob condições normais mas com constantes close-ups e comerciais a cada cena e meia num roteiro que tenta costurar uma ameaça alienígena (que, uma vez que seria lançada durante a pandemia, provavelmente queria evocar o sentimento de vulenrabilidade diante de uma ameaça externa incontrolável), mas simplesmente não existe nada aqui para justificar essa história.

O personagem do ex-rapper é mais prolixo com computadores que um dos hackers do jogo Watch Dogs e sua história tem toda uma série de celeumas familiares, que, destaca-se, NO MEIO DE UMA INVASÃO ALIENÍGENA! Veja bem, esse é um filme sobre uma invasão alienígena que manteve na sua uma hora e meia uma cena sobre o filho do Ice Cube ser um hacker terrível e todo um celeuma sobre a filha recém casada/prestes a se casar e com um filho ao caminho mas que está se afastando do pai extremamente controlador. 

Se você precisa de mais explicação sobre como o filme é ruim, bem, eu poderia descrever mais das cenas horrorosas que tentam simular uma reunião de zoom extremamente dramática conforme uma invasão alienígena acontece, sem de fato conseguir oferecer qualquer tensão ou senso imediato de perigo enquanto o propósito do filme se escapa completamente.

{Editado em 30/10/2025} Perdão, eu acabei esquecendo talvez do ponto mais grave e cruelmente irônico do filme no quanto ele é incapaz de ter qualquer autoconsciência de seu comentário vs conteúdo. Quer dizer, alguns parágrafos atrás eu mencionei o quanto o filme é basicamente um gigantesco comercial da Amazon - que curiosamente ficou famosa pelo uso de big data e data mining para monitorar atividade dos clientes - enquanto, e isso é importante, o objetivo dos alienígenas do filme é ROUBAR OS DADOS da humanidade.

Deixa eu repetir porque talvez, tal qual à Amazon, a ironia tenha lhe escapado: A empresa que monitora os clientes constantemente na internet usando de forma agressiva esse conhecimento para, nas palavras deles, fazerem "ofertas mais assertivas" lança um "filme" que é um comercial constante dessa empresa, e, o vilão desse filme é uma raça alienígena ROUBANDO INFORMAÇÃO de data centers de toda a humanidade.

É, eu não tenho mais nada pra dizer depois disso... Só o quanto eu me assusto por perder a chance de colocar esses parágrafos no texto original. {/fim da edição} 

E se por sua conta e risco você quiser fazer pipoca, reunir seus amigos e assistir a uma atrocidade de filme para rir, bem, eu ainda acho que Manos - As mãos do Destino é bem mais divertido e tem toda uma lista de filmes no mesmo campo para se apreciar, mas, dificilmente exista outra forma para assistir esse filme se não for por deboche. Os memes da internet com as reações do Ice Cube que o digam...

25 de setembro de 2025

{Resenhas x Quinta} Deadpool de Batman 1

É ruim.


 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

O que? Eu tenho que elaborar mais?

É muito ruim. Puta merda eu acho que não consigo pensar em um crossover pior do que esse que eu tenha lido (o que obviamente exclui o crossover do Justiceiro com a turma do Archie ou Meu Pequeno Pônei e Transformers - que eu até hoje não sei se é só uma piada da internet) ou mesmo em outras mídias como Fred vs Jason ou Os Simpsons se encontrando com uma Família da Pesada.

Isso consegue ser pior porque não tenta disfarçar em momento algum o quanto é meramente comercial com a tentativa de atrair a atenção de fãs e dane-se todo o resto, no máximo fingindo que as tiradas do Deadpool para quebrar a quarta margem justamente dizendo que isso é uma ideia estúpida justifique e fica por isso mesmo.

Zeb Wells é um péssimo roteirista (e essa é só a última de suas produções preguiçosas e ruins), a arte de Greg Capullo produz algo protocolar sem o mínimo esforço ou consistência e isso é basicamente o fundo do poço da falta de criatividade corporativista caindo num ciclo interminável de um vácuo contínuo de falta de qualquer mínima perspectiva de ideias novas para atrair o interesse público então produzem algo com personagens facilmente reconhecíveis para se enfrentarem com roteiro preguiçoso e previsível até a última página para promover algum próximo mega evento ou ao menos a próxima edição ad infinitum.

A """história""" coloca o plano genérico Y do Coringa em prática que o faz contratar o Deadpool para mater o Batman (porque o Deadpool e não o Exterminador, Pistoleiro ou até mesmo o Sanguinário...? Quem se importa?) e depois dos dois se desentenderem no telhado da Polícia de Gotham (com o Deadpool ameaçando o Comissário Gordon), obviamente, o Batman aceita a ajuda do mercenário bocudo em um plano ridículo para deter o Coringa (porque aceitar a ajuda do Deadpool ao invés de prendê-lo por ser um assassino por recompensa e sabe, chamar um dos diversos aliados como Robin, Asa Noturna, Batgirl ou... Já sei, já sei, quem se importa, né?).

Eu acho que já gastei muito spoiler aqui (ainda que não valha a pena se importar com esse conteúdo), e honestamente nem sei se vale a pena gastar mais qualquer parágrafo explicando mas eu preciso citar um exemplo do patético roteiro de Zeb Wells para ilustrar o que estou falando: "Mas eu vejo suas intenções... escritas sob o tecido da minha cidade" essa verborragia extremamente dramática ridícula que vem dos recordatórios do Batman é interrompida por Deadpool literalmente quebrando a quarta janela para iniciar a história e tudo segue da maneira mais estúpida e clichê que seria cômico se o roteirista fosse minimamente competente.

O que é curioso porque podemos olhar para o manifesto de Grant Morrison nos anos 2000 para o início de nova fase dos X-men e, entre suas muitas ideias, está lá em alto e bom som que os quadrinhos estadunidenses estavam estagnados (em 2000) de boas ideias se retraindo num mundinho de mesmos personagens truncados em 30+ anos de cronologia masturbatória (o que é inclusive curioso pois Morrison deve ser o autor da próxima edição desse crossover, diga-se de passagem). E eu nem vou citar o crossover entre os Jovens Titãs e os X-men dos anos 1980 que é simples e eficiente em promover um encontro entre os dois grupos, ou, pouco depois do manifesto de Morrison, o crossover entre a Liga da Justiça e os Vingadores porque, bem, se eu ficar lembrando dessas histórias talvez eu não consiga terminar de falar dessa história ruim aqui...

É curioso, inclusive, no quanto a história parece não entender nem do Batman e nem do Deadpool, mas eu honestamente não acho que vale a pena entrar nesse meandro (mas droga, o morcegão aceitando a ajuda de um sujeito que minutos atrás estava tentando matá-lo e inclusive oferecer carona para ele no batmóvel é ridículo demais - e o Deadpool trabalhando da mesma forma que em histórias ruins do Rob Liefeld na X-Force consegue ser pior que o material do próprio homem que não sabe desenhar pés). Zeb Wells gasta boa parte do """roteiro""" com piadas que fariam o Joe Rogan parecer um comediante em comparação e tudo termina de maneira ridícula para deixar claro que terá mais, e, literalmente já tem mais...

A edição termina com histórias de back-up escritas por outros autores com a parceria de diversos personagens como Krypto o Supercão e Jeff, o tubarão terrestre jogando volei ou Frank Miller em sua pior forma (e eu tenho minhas dúvidas se ele não desenhou segurando o lápis com seu orifício anal), numa breve história de três páginas que não vale o papel (a tinta ou os anos de terapia para discutir o que diabos foi isso), e sobram outros materiais entre dispensável, repeteco de algo muito melhor feito por Kurt Busiek em JLA/Vingadores duas décadas atrás e o que diabos que uma amálgama entre Lobo e Wolverine possa ser.

O encontro entre Arqueiro Verde e Demolidor é a única história com um pingo de potencial e que renderia um bom caldo num crossover que me parece que vários leitores de fato gostariam de ler e que é de fato interessante (mesmo se não particularmente inteligente - ainda que em comparação...).

...

E essa vai ser a hq mais vendida do ano, né? Alimentando diversos outros projetos semelhantes e igualmente marqueteiros com a mera ideia de reunir personagens que não combinam ou fazem sentido - mesmo quando, se fosse a bosta do propósito reunir personagens das editoras pelo menos fazer uma reunião coerente como o Deadpool e o Pacificador pelo menos!

Depois a gente não entende porque o público se afasta cada vez mais do mercado de quadrinhos, né?

 

{Atualização em 22/11} Com a segunda edição - e eu não vou fazer um segundo post sobre isso - escrita pelo Grant Morrisson fica bem claro a diferença entre um escritor que mal aprendeu todas as letrinhas e um que há décadas é um dos maiores nomes na indústria de quadrinhos estadunidenses.

Morrison usa a quebra de quarta-margem de maneira inteligente, consegue brincar com vários dos clichês de histórias do tipo (iniciando com a grandiloquência dos universos colidindo e colocando Batman confundindo o Deadpool com o Exterminador, por exemplo) ao mesmo tempo que enche todas as páginas com referências e elementos para agradar fãs, incluindo elementos pequenos e bobos até elementos chave para a história (que inclui uma referência obscura ao próprio Morrison numa história do Esquadrão Suicida dos anos 1990).

Nada disso é inovador ou fascinante, mas pelo menos temos algo que agrade os fãs e funciona - inclusive com a arte bem mais inspirada além do roteiro que funciona e retrata os personagens de maneira bem mais coerente e interessante.

O ponto fraco aqui são as histórias secundárias (acho que somente a do Asa Noturna é razoável e mais pelo agrado aos fãs que qualquer outra coisa), ainda que razoavelmente melhor que na primeira edição. {/fim da edição} 

11 de setembro de 2025

{Resenhas púpuras...?} Na na na na na na na Hush, hush

Em 2002, a DC publicou a partir da edição 608 a série Batman: Silêncio com roteiros de Jeph Loeb e arte de Jim Lee numa tentativa de dar um novo gás à franquia que vinha agonizando após alguns anos medíocres para dizer o mínimo (mas, verdade seja dita, com algumas coisas bem legais por Greg Rucka e Ed Brubaker, pena que experimental demais para algo do cacife do Batman).

Jim Lee é um artista medíocre que, por algum motivo se tornou uma gigantesca sensação nos anos 1990 e não é por seu talento e sim pelo fato que ele consegue incluir mulheres seminuas, de biquini ou saindo do banho em toalhas ínfimas além de poses extremamente ginecológicas enquanto elas partem para a luta. Seu maior sucesso foi destruir anos de trabalho cuidadoso e bem construído de Chris Claremont ao acabar com Magneto em duas edições e abandonando o material pouco depois para montar uma péssima série que consegue a proeza de criar o pior trabalho de Alan Moore (e isso ainda ser melhor que tudo que Lee produziu nos anos antes) - e levar a sua editora à beira da falência até ser comprada por uma empresa maior.

Sua contraparte em Jeph Loeb não é particularmente melhor, com roteiros piegas e rocambolescos que ele produziu para explorar a arte espetacular de Tim Sale (que merecia com toda a certeza roteiristas muito melhores - e infelmente só viu com pouquíssimas exceções). Ele é famoso por produzir algumas mini-séries como Superman: As Quatro Estações (piegas) e Batman: O Longo Halloween (rocambolesco). Além disso tem o trabalho dele na Marvel (a partir de 2008, vale destacar), que, bem talvez seja melhor não falar muito mas inclui a história em que todo mundo morre de maneira nojenta e cruel e a outra em que o Wolverine pega dois irmãos transando (e o Capitão América é muito "antiquado" por achar isso errado).

A história surge num ponto em que a DC tentava uma guinada para diminuir a diferença entre ela e a Marvel, e, verdade seja dita, em meio a diversos projetos grandiosos, a editora conseguiu aumentar consideravelmente suas vendas e aumentar sua projeção no mercado, dando um gás interessante e ganhando momento na primeira década do século, e, Silêncio foi um destes pontos e projetos grandiosos e o melhor resumo que eu posso fazer da história é que ela é uma história simples contada de maneira estúpida. Claro que faz sentido contar dessa maneira estúpida - para manter uma série por doze edições e usar a arte de Jim Lee para retratar o máximo de personagens possíveis e imagináveis (mesmo que eles não façam sentido ou funcionem na história - como a Caçadora ou mesmo a luta com o Superman) enquanto um mistério estúpido vai se desfraldando da pior maneira, e, com o maior "detetive do mundo" ignorando pistas claras enquanto persegue o próprio rabo ou becos sem saída.

O breve resumo é que o amigo de infância (e agora médico) Thomas Elliot tem uma antiga rixa com Bruce Wayne e resolve se tornar um vilão fantasiado para perseguir o Batman. Eu confesso que não me lembro todos os detalhes (afinal eu li isso faz quase vinte anos e não tive curiosidade para ler de novo em nenhum momento da minha vida) até porque isso é A Queda do Morcego mas, sabe, mal escrita e com o propósito específico de fazer um gigantesco desfile de personagens famosos do universo do Batman no estilo de arte do Jim Lee.

O vilão Silêncio é Thomas Elliot, um amigo de infancia invejoso do Batman que voltou com um plano de vingança (que, bem, nunca é muito bem explicado ou faz sentido até, de novo, os quadrinhos do Paul Dini). Ele tem alguma motivação boba porque o Bruce Wayne brincou com seu trenzinho favorito quando eles tinham cinco anos ou algo do tipo (de novo, o Paul Dini trabalha isso bem melhor com todo o ressentimento do personagem que teve que cuidar da mãe moribunda por décadas enquanto ela controlava sua vida e suas finanças - mas nada disso é relevante para a história do Jeph Loeb e Jim Lee).

Silêncio é Bane (só que piorado) que tenta parecer o grande estrategista manipulador capaz de enganar todo mundo (ao mesmo tempo que consegue enfrentar no mano a mano alguns dos vilões mais perigosos do Batman - incluindo o próprio) ainda que por algum motivo ele receba ajuda do Charada para montar o plano altamente elaborado. O final fica bem em aberto (afinal o Charada descobre a identidade do Batman e a 'vitória' sobre o Silêncio é bem parca e fica evidente que ele voltaria para se tornar um grande vilão recorrente).

E um grande vilão recorrrente ele se tornaria nas várias continuações nos anos seguintes com praticamente tudo que Paul Dini fez na sua trilogia do Silêncio e posteriormente com a redenção do Charada e as Sereias de Gotham... Aí vieram os novos 52 com o grande reboot da editora e o personagem acabou meio que jogado de lado (ainda que aparecesse no longo crossover de 2015 Batman Eterno) para alguma outra nova ameaça como a Corte das Corujas e o irmão perdido do Batman que foi dado para adoção (o que meio que torna o amigo de infância com alguma birra redundante quando o irmão desparecido criado por uma organização secreta que quer controlar o mundo reaparece, né?).

Mas diga-se de passagem, tudo que o Paul Dini fez com o personagem é milhões de vezes melhor que o que Jeph Loeb planejou para o arco de doze edições, assim como o trabalho feito com o Charada, Arlequina, Mulher Gato... E, honestamente, todos esses anos mais tarde eu não consigo nem entender qual o ponto e argumento em favor da série.

Não sei quem efetivamente gostou do material vinte anos atrás e com toda a certeza não vejo pessoas clamando por uma 'continuação' escrita por Jeph Loeb (depois de Ultimatum e Ultimates volume 3 que o fez ficar mais de uma década sem produzir nada - e se existisse alguma entidade compassiva, ele continuaria assim pelo resto da vida) e ilustrada por Jim Lee (que eu entendo que era novidade em 2003 quando era o primeiro projeto dele na DC, mas hoje? Depois da Liga da Justiça, do Superman, da péssima série com o Frank Miller, outra série do Batman e a queda na qualidade consistente na arte - droga, ele fez uma capa pior que do David Finch de quinze anos atrás!!! -Quem se importa...?), mas a editora deve estar desesperada o suficiente para fazer novos crossovers com a Marvel com a leva de Deadpool vs Batman que veremos em breve, então aqui estamos.

Batman 158 traz a primeira parte de Silêncio 2 (Boogaloo elétrico) com a proposta de continuar a história de 2003 meio que do ponto em que ela termina (inclusive referenciando vários pontos dela - como o Jason Todd que aparece ali) enquanto considerando eventos mais recentes do universo DC (como o Alfred morto, Damien Wayne, a Bárbara Gordon andando e como a Batgirl de novo e por aí vai)  e ignorando todo o resto que lhe é conveniente (sabe, como tudo que aconteceu com o Asa Noturna e os Titãs e o Jason Todd) ao mesmo tempo introduzindo novos personagens como o Raio Neg... Digo um clone mal sucedido do Superman com poderes sonoros (que provavelmente vai ser chamado de Sussurro e é o capanga do vilão Silêncio)...

Até aí, eu nem acho que nada disso seria particularmente ruim - mesmo que seja algo bobo e desnecessário.

Quem leu a série original e espera uma sequência - que é a ideia aqui - não precisa acompanhar todos os vinte e dois anos de quadrinhos da DC para entender tudo o que mudou (ou, pior ainda, ver o quão pouco mudou), e particularmente isso funcionaria de maneira simples e coerente se existisse uma premissa, bem, simples e coerente. O vilão quer executar seu plano e agora é pessoal ou qualquer que seja o clichê da vez, ótimo.

O problema é que a estrutura narrativa que Loeb tenta construir é cheia de buracos e carente do mínimo de bom senso. Como eu disse, a história original conta uma história simples da maneira mais estúpida possível para que aconteça todo tipo de desvio e todo um desfile de personagens passe pelas doze edições. 

Aqui nós temos uma história estúpida contada da maneira mais estúpida possível.

Silêncio reaparece e sequestra o Coringa (porque obviamente), deixando-o à beira da morte (porque obviamente) para que Batman o salve gerando o gigantesco celeuma com o restante dos personagens sobre a escolha moral sobre salvar ou não o vilão, ainda que, e isso é extremamente importante, isso só leve a cenas patéticas e decisões estúpidas (como o Capuz Vermelho todo bravo que o Batman poupou a vida do Coringa e enquanto aponta sua arma várias vezes para a cabeça do vilão, acaba o levando para um esconderijo ridículo onde facilita sua fuga - com o acesso às suas armas - porque obviamente).

Tudo isso sem que a trama avance um centímetro em quatro edições, só mostrando que o parco talento de ambos envelheceu muito mal e eles estão muito aquém de sua já extremamente limitada capacidade.

O celeuma dos personagens é bobo, as discussões estúpidas, Silêncio não tem nenhum plano ou propósito (além do fato que desenvolveu super poderes nesses vinte anos sendo capaz de aparecer onde bem entender, fazer o que for conveniente para a trama e provavelmente criar clones e/ou androides altamente avançados) e além disso foram somados novos personagens que, nada agregaram ou apresentaram de diferente ou interessante para a história. Tudo isso já passadas quatro edições das seis da 'primeira parte' do material.

Droga, mesmo Thomas Elliot não é melhor trabalhado ou suas rusgas com Bruce Wayne ou mesmo com Batman melhor desenvolvidos para que tenhamos mais motivos para nos interessarmos pelo drama que se desfralda e pelo conflito do antagonista com o herói.

E eu nem vou comentar o arremedo de novo design do Charada que o quanto menos e falar disso, melhor. 

Passe longe! 

30 de junho de 2025

{Resenha Lixo} Amizade Tóxica

Um filme com Tim Robinson cheio de humor tipicamente saído de algum dos absurdos sketches de I Think you Should Leave...? Mas porque é uma bosta?

Bem...  Porque no caso das sketches, por mais 'longas' que sejam, elas se prolongam até certo ponto e, fim. Um filme de uma hora e meia que segue como uma sketch de um material de Tim Robinson acaba perdendo o fôlego beeeem antes de chegar a qualquer coisa minimamente interessante, e, puta merda a reta final do filme é uma prova de resistência (droga, os quinze minutos finais pareceram quase uma hora e meia de novo).

Até tem algumas boas sacadas e Tim Robinson é sempre um deleite com seus trabalhos absurdos, mas esse filme precisava de pelo menos umas duas revisões no roteiro para funcionar.

Não sei se é um lixo, efetivamente, mas que merece a lista 'É, se você estiver em casa sem nada melhor para fazer e com um pacote de pipoca próximo de vencer, existem coisas piores para passar o tempo... Mas não muitas'. 

16 de junho de 2025

{Resenha lixo} Predador Assassino de Assassinos

A franquia Predador sofre de uma crise de identidade, que, honestamente não faz muito sentido pra mim, e, sofre disso justamente porque não sabe ou consegue definir se quer ser uma franquia de terror ou de ação.

Isso funciona para o primeiro filme que joga o monstro alienigena para enfrentar o ex-governador da Califórnia (que era um grande astro de filmes da ação naquele ponto da história), mas a continuação joga um monstro alienígena dessa mesma espécie para enfrentar a ameaça conjunta de Danny Glover e Gary Busey, e as coisas não melhoram conforme a franquia chega no século XXI com uma criança autista sendo a maior ameaça que os monstros alienigenas já enfrentaram. E não ajuda muito que tanto Batman, Superman e agora Wolverine e Homem Aranha já tenham enfrentado as criaturas...

E, obviamente, em todos estes exemplos, os monstros espaciais com tecnologia vastamente superior são superados de novo e de novo pela engenhosidade humana... O que não me convence muito e francamente me mostra que a franquia só não sabe muito bem o que está fazendo ou porque.

A melhor sacada para os personagens veio através de novelizações e quadrinhos onde os monstros espaciais se tornaram inimigos ferrenhos dos xenomorfos de Alien em uma guerra interplanetária que transcorre por séculos, mas quando eles se demonstram como antagonistas de personagens humanos, bem, eles são bastante patéticos e não parece haver qualquer interesse em mudar isso oferecendo uma perspectiva mais ameaçadora e interessante para a mitologia do Predador (efetivamente como uma terrível ameaça imparável).

E a antalogia de 2025 Predador: Assassino de Assassinos não ajuda nem um minúsculo milimetro para avançar isso.

Os predadores são derrotados em quatro ocasiões diferentes (em três eras diferentes na Terra e uma quarta vez no planeta deles - e em superioridade numérica). 

E, olha, a animação é fantástica, os personagens interessantes (com exceção do último - um norte-americano da segunda guerra mundial que, além de irritante, colocá-lo em pé de igualdade com os outros dois, ou mesmo capaz de vencer uma nave espacial de altíssima tecnologia com um teco-teco que mal se aguentava no ar, é no mínimo ridículo), e um roteiro coerente e consistente com essa visão do Predador, que eu honestamente não acho nem que funcione e nem que seja interessante...

Quer dizer, na primeira história, nos é apresentada uma guerreira Viking fodona numa jornada de vingança, e, somente após concluir sua jornada somos apresentados ao primeiro Predador (que usa uma máscara que evoca a figura de Grendel, e, inclusive é chamado por esse nome pelos seus adversários), mas se, ao contrário a guerreira viking se deparasse com um rastro de sangue e destruição e nisso seu caminho se cruzasse com o do Predador coincidentemente, além do impacto maior do personagem para a história, isso funcionaria muito mais para mostrar a ameaça e o poderio vastamente superior do monstro espacial.

Ao contrário vemos uma viking que luta como uma super-heroína (com golpes que parecem bem mais aqueles que vemos do Capitão América em jogos da Capcom), e somente depois de sua jornada vemos alguma mínima ameaça do Predador em uma longa e impossível luta que não funciona em condições normais de temperatura e pressão (droga, a Viking luta por minutos embaixo da água congelante com um alienígena melhor equipado) e só reforça que a personagem é bem mais super-humana que qualquer outra coisa...

E francamente não melhora com as outras histórias (ainda que aquela no Japão feudal seja a melhor das três, a história na segunda guerra é horrível e existe uma conclusão após para arrematar a coisa toda e, pra mim não funcionou). 

Se você quer alguma bobagem para desligar o cérebro por pouco mais de uma hora, existem coisas piores, mas, honestamente, não precisa procurar muito também para achar coisas beeeeem melhores, inclusive nessa franquia.

9 de junho de 2025

{Resenha Lixo} Afundação parte 2

Tá, quem já tinha lido os restantes capítulos da Fundação talvez soubesse que eu queimaria a língua quando todo animado com o primeiro volume lancei uma resenha elogiosa como se tivesse descoberto a melhor série de todos os tempos.

Mas, honestamente o segundo livro (Fundação e Império) não é ruim sob nenhuma métrica.

A história funciona e oferece uma boa continuação para o material contado no primeiro livro, agora sob a condição de que, passadas algumas gerações a grande experiência está em um eixo de estagnação, e, pendendo para um perigoso eixo descendente, incapaz de se sustentar e enfrentar as ameaças externas ou mesmo internas (devido a sua considerável expansão e integração de novos povos e culturas).

Certo... Então porque isso é uma resenha lixo?

Porque o segundo livro tem um problema muito sério na sua estrutura, e, oferece o pior Tom Bombadil deste lado do Senhor Neutron de todos os tempos.

Vamos lá: O segundo livro se divide em duas histórias principais (enquanto o primeiro é composto por cinco em momentos distintos, só para recapitular), e essas duas histórias são a de um general do antigo Império travando guerra contra a Fundação e a história de um sujeito chamado 'O Mulo' travando guerra contra a Fundação.

Ou seja, as duas tem um monte comum, porém, enquanto uma oferece um general com um vasto exército (e que é considerado o maior da galáxia até aquele ponto), o outro é um sujeito com um apelido ridículo e que o autor deve adorar porque ele é o Tom Bombadil desse livro.

Não existem dois parágrafos sem citar seu maldito nome. Se ele não está na cena alguém precisa lembrar que ele é o cara mais legal da história da galáxia e que todos os cachorrinhos do mundo choram quando alguém não lembra que ele existe. E seus adversários se borram de medo com a menção de seu nome porque ele é a mente tática mais brilhante e incrível de todos os tempos, capaz de vencer qualquer conflito com pouco mais que um peido...

E só uma ou duas dessas talvez seja um exagero com relação ao personagem, porque o grande problema real dele é que ele é um Senhor Neutron, sabe? Que o tempo todo o livro fala de como ele faz coisas incríveis e consegue todos esses feitos incríveis, mas, sob a perspectiva dos personagens dos capítulos, não acompanhamos estes feitos... Só ouvimos da última vitória sem disparar um único tiro todos os contínuos e inequívocos esforços de suas forças.

Se essa história terminasse com o toderoso Mulo escorregando numa casca de banana e assim a Fundação aprendesse uma lição de humildade de que é vastamente inferior a táticas militares avançadas (afinal eles são na maioria comerciantes descendentes de cientistas - sem qualquer exército organizado e funcional, ainda que armados de equipamento mais avançado que em boa parte do universo), para que a segunda história trouxesse o Império com um general ambicioso derrotando a complacente Fundação...

Mas não é o que temos, e o livro faz exatamente o contrário - o general ambicioso é derrotado de maneira boba e isso elimina completamente a ameaça taticamente superior do Império enquanto o outro vence por ser o Tom Bombadil do livro e capaz de vencer todo mundo pura e simplesmente por existir (e o fato que o terceiro livro continua exatamente a história do Mulo, eu folgo em dizer que não estou nem um pouco empolgado em continuar).

Só que, como eu disse no começo, nada disso é particularmente ruim. O livro é bem escrito e produz uma narrativa coerente ainda que, ao meu ver, não particularmente interessante, e, conforme descobrimos mais sobre a identidade e escopo do Tom Bombadil, aprendemos mais que Asimov se distancia da ficção CIENTÍFICA (que eu elogiei no primeiro livro) para a ficção new age mística, que vemos com um ser mutante com poderes que fazem os X-men parecerem a Patrulha do Destino...

Droga, o cara controla uma frota de assalto remotamente com seus poderes mentais enquanto faz uma dezena de outras coisas! Simplesmente o livro oferece todo tipo de reforço aos poderes mentais do personagem sem nenhum contraponto... PIOR! No livro seguinte, logo no primeiro capítulo temos um vislumbre da Segunda Fundação (que é onde Seldon enviou os psico-historiadores que não acompanharam a Fundação em Terminus) e toda essa galera evoluiu em condições pós-humanas se tornando vastamente superiores ao próprio Tom Bombadil (todos se comunicando com telepatia e camuflando um planeta inteiro de sensores e radares apenas com o poder da mente), e está difícil passar desse ponto na leitura.

Uma pena, porque a quantidade de ideias fascinantes ali são incríveis, inclusive com a noção de Seldon errando ou mentindo (propositadamente) em uma previsão para testar a dependência da população de Terminus mais na crença da infalibilidade de suas previsões que na perpretação de trabalho (científico) árduo e pesado para garantir os passos necessários desse contínuo avanço, mas o resultado não reverbera esse potencial...

E imaginar que existem mais três ou quatro livros que fazem parte dessa mesma série... Brrr... 

2 de junho de 2025

{Resenha Lixo} Megalópolis

Megalópolis é um filme ruim, mas, honestamente você não precisaria que eu diga isso nessa altura do campeonato, né? Todo mundo e suas mães já disseram que o filme é ruim e absolutamente nada de novo (se é que existe alguma forma diferente) para dizer que o filme é ruim.

Atuação patética, roteiro sem pé-nem-cabeça, direação confusa...

Mas existe um motivo pelo qual isso tudo aconteceu, não é mesmo?

Francis Ford Coppola foi um baita sucesso na década de 1970 beirando a unanimidade (com 5 Oscars, e 3 dos filmes mais relevantes da história com O Poderoso Chefão I e II e Apocalipse Now), e aí vieram os anos 1980 e, bem, ainda que sem tentar recriar o sucesso e talvez até buscando mais sua própria voz e contar histórias que o interessavam - e não que renderiam gigantescas bilheterias ou premiações - não é como se qualquer um destes tenham vingado. Não que os filmes sejam particularmente ruins nesse período, mas eles pendem bem mais para o experimental e para um tom bem diferente do que a obra de Coppola na década anterior, como com filmes mais joviais e alegres como Peggy Sue - Seu passado à espera ou O Fundo do Coração e mesmo filmes dramáticos com bem mais ação como O Selvagem da Motocicleta (que inspirou uma franquia de jogo de luta com o mesmo título original "Rumble Fish") ou Vidas Sem Rumo.

Até os anos 1990, quando ele volta para filmes bem mais comerciais com a terceira parte do Poderoso Chefão e, talvez sua maior produção na década, a adaptação de Drácula mais próxima da obra literária que das produções clássicas da Universal dos anos 1930, além de uma comédia com Robin Willians (que é considerado o pior filme do diretor até Megalópolis) e, enquanto eu acredite que Coppola continuava a produzir bons filmes (se não ótimos) a crítica não era tão generosa com sua opinião, e, a bilheteria menos ainda. A visão geral era que o diretor tinha perdido o tino da arte, e, ficado para trás com um estilo que não combinava mais com a expectativa do público e crítica.

Enquanto diretores como Spielberg, Cronenberg ou Cameron quebravam os moldes revolucionando os limites técnicos e tecnológicos com efeitos práticos e computadorizados cada vez mais avançados e intrincados, ao passo que diretores com menores orçamentos como Smith, Tarantino e Rodriguez apresentavam projetos que mesclavam o estilo artístico com o cinema comercial, produzindo resultados inovadores.

Coppola estava no meio de tudo isso, como um diretor tradicional que queria mesclar e utilizar um estilo mais artístico ao cinema comercial mas sem buscar avançar qualquer limite tecnológico com os efeitos especiais, e, de novo, para o crítico e público em geral ele era um dinossauro incapaz de se adaptar com o sinal dos tempos, e, isso foi afastando o diretor dos grandes estúdios e da cadeira diretorial (investindo em sua vinícola particular ao mesmo tempo que nos projetos da filha, Sofia - que talvez você tenha ouvido falar), e nos anos 2000 o diretor foi produzindo cada vez menos e menos, além de ter seu nome cada vez mais distante das marquises.

Isso explica que ele perdeu o dom e deixou de fazer filmes bons ou competentes e por isso Megalópolis é um projeto egocêntrico de alguém que perdeu seus tempos áureos e quer viver de nostalgia...?

Não, até porque ele produziu alguns filmes menores e, verdade seja dita, bem interessantes como Tetro ou Velha Juventude.

Só que enquanto ele produziu filmes menores (e mais para independentes) que são bons/muito bons, ele quase não produziu filmes para uma escala maior, para larga distribuição e lançamento nos cinemas há quase trinta anos, e, o constante de seus sucessos tem dois elementos em comum: São adaptações e possuem elencos não apenas talentosos mas que facilmente definem os melhores atores de suas gerações.

Com Megalópolis o primeiro ponto já falha pois é uma produção original escrita por Coppola, e, se ele é bom ou capaz para adaptar um roteiro ou mesmo um livro para formar um roteiro coerente, lhe falta a síntese e capacidade para bolar uma história e organizá-la de começo a fim de maneira lógica.

E o segundo também não ajuda muito com Shia LaBeouf e Adam Driver encabeçando um elenco pouco ou nada promissor (com talvez único destaque para Aubrey Plaza, que parece a única pessoa que sabe o que está fazendo no filme), mesmo que estes fossem de fato, bem, atores realmente competentes e o juri ainda está debatendo nesse assunto, talvez somente em favor de Driver, que o trem já passou para LaBeouf uns três Transformers atrás...

Diz a lenda, inclusive, que Coppola tentou produzir o material às vésperas dos atentados contra o World Trade Center em 2001 com nomes bem mais incontestes como Paul Newman, James Gandolfini e Robert De Niro, mas, sabe, pelo fato que a cidade acaba destruída em dado momento acabou atrasando produção até abandonar o projeto quase uma década depois... Mas se isso faria do filme melhor ou só com melhores atores, bem, não muda muito não é mesmo? O roteiro original Coppola continua sendo ruim e atores bons ou péssimos, pouco mudariam alguma coisa nisso.

Mas, com mais de vinte anos tentando produzir o material e caindo num abismo de autoindulgência pelo financiamento com recursos próprios e sem alguém para controlar os impulsos e excessos, e, bem, nós temos todos os ingredientes de um desastre.


28 de abril de 2025

{Resenha Lixo} O Papa Terrível

Vamos lá: O Papa Terrível é uma leitura díficil que eu não recomendo para ninguém.

Alejandro Jodorowsky escreveu em parceria com Milo Manara a história do Papa Rodrigo Bórgia, que, entre suas críticas tem o fato que ela é um tanto leve (na violência, nudez e outros aspectos), enquanto tenta manter uma perspectiva mais acurada do ponto de vista histórico. Honestamente eu não acredito que substitua qualquer obra acadêmica tanto quanto complemente ou ofereça uma boa porta de entrada para o assunto, e eu concordo com parte das críticas, sim.

Rodrigo Bórgia tinha dois filhos (Lucrécia e César), ambos que tiveram grande papel na história do papa Alexandre VI, incluindo o fato que Lucrécia era usada como moeda de barganha através de casamentos para garantir e consolidar poder pelo 'amor' enquanto César comandava o braço militar da família para igualmente garantir e consolidar poder pela 'dor'. É uma história fascinante, com diversos aspectos difusos, e, eu acredito que o trabalho acaba cobrindo parte dos aspectos mais importantes da história de maneira mais leve e rasa para cobrir mais terreno e história.

Ainda que falte um pouco do erotismo do qual Manara seja grande nome, e a violência seja bastante moderada, honestamente a história funciona e o material vale a pena com toda a certeza.

Ok, mas aqui estamos falando do outro trabalho que eu não vou chamar de continuação, ou tratar de continuação mas que seria tolo ignorar o primeiro/original porque parece claro que foi produzido como uma resposta ou em contraste com o original.

Parece que Jodorowsky escreve o Papa Terrível como resposta às críticas de que Sangue para o Papa foi leve em violência e nudez e traz toda a violência, nudez que ele consegue por página, o que faz a obra vazia e parva.

Enquanto eu consigo analisar Sangue para o Papa sob o pretexto histórico e com suas liberdades criativas, eu genuinamente não consigo fazer o mesmo com o Papa Terrível porque só me parecem liberdades criativas para explicar fatos históricos.

E isso não é interessante.

Quer dizer, eu sei que nas duas obras existem liberdades criativas, mas as liberdades criativas da primeira constroem personagens críveis e uma narrativa consistente enquanto a segunda oferece uma caricatura, uma chargem que se move de acordo com a necessidade narrativa (ao invés de servir à narrativa).

Por exemplo, Maquiavel aparece em ambas obras, mas enquanto enquanto ele funciona a um propósito lógico na primeira, aqui, bem, ele é um sujeito que aparece costumeira e constantemente transando com prostitutas gordas que ele chama por regiões da Itália (e, que conforme a história avança parecem se tornar maiores para que ele pareça ainda mais diminuto em relação a elas). Mais que isso, muito do que consta nessas cenas (e não apenas nelas) serve apenas para chocar, sem fornecer real desenvolvimento ou contexto.

Eu entendo o choque e as cenas chocantes como uma crítica à igreja, à hipocrisia do Cristianismo e vários outros aspectos da religião como um todo - afinal, enquanto religiosos/cristãos modernos adoram citar as "escrituras" enquanto criticam as mesmas coisas que vemos o Papa da obra pratica, e, provavelmente fariam o mesmo sabendo que ficariam impunes, ou lucrariam com isso - mas chega a um ponto de que perde qualquer impacto ou mesmo qualquer semblante de relevância.

Se torna apenas chocante pelo propósito de ser chocante.

A história se divide em quatro partes e, na primeira delas, o amante do (ainda não) Papa é utilizado como moeda de barganha para obtenção de favores políticos. Mais tarde esse mesmo amante é utilizado para praticar um assassinato, e, mais tarde, o Papa se casa com esse amante (cenas e falas chocantes aparte, mas tenha em mente que elas estão ali), o que leva a família do Papa a assassinar essa pessoa, e, todo e qualquer desenvolvimentou narrativo cai por terra uma vez que esse argumento não reverbera mais pelo resto da história (o texto até diz que o Papa se torna mais amargo, mas não é como se ele fizesse algo diferente da história até então, e não tarda para ter um novo amante).

E, sim, o Papa é gay na história, ainda que eu não veja como um ponto crítico em si, apenas pelo fato que isso se pinta de tal maneira caricata que ele não apenas é gay ou lascivo, mas uma máquina amoral, incansável e insaciável.

Nisso, a estrutura caricata distrai para os fatos relatados. Eles são verdadeiros e a história oferece uma perspectiva exagerada da história ou eles são uma gigantesca ficção que se baseia leve e minimamente nos fatos e eventos para oferecer uma analogia mais complexa e crítica real?

Veja, no segundo volume, Michelangelo (sim, o artista) é apresentado uma vez que ele é relevante para a narrativa do Papa Júlio, e responsável por trabalhar por mais de quarenta anos na construção do mausoleo do mesmo.

A história é extremamente complexa e cheia de miríades com historiadores debatendo se Michelangelo roubou dinheiro do papado e da família para a construção de uma obra que nunca foi entregue (afinal ele entrega muito menos que uma fração do projeto todo), enquanto uma outra vertente de historiadores debate que não é bem assim uma vez que ele era mal gestor de seu tempo e dos recursos a sua disposição (para dizer o mínimo, e, para começar essa extremamente complexa história, o documentário Michelangelo Santo ou Pecador é um bom ponto de início), enquanto Jodorowsky explica que o artista se tornou amante do papa (após ser estuprado na primeira vez que encontrou o líder da igreja católica) e seduzido pelo mesmo aceitou uma série de condições que seriam impossíveis de cumprir e entregar.

Tudo isso é curioso, porque, com a existência da história dos Bórgia em contraste, nada disso tem importância (pelo fato da história ser mais comedida e oferecer umas perspectiva muito mais coesa e coerente dos fatos - oferecendo assim uma analogia mais cromplexa e crítica real aos fatos). Com a caricatura tudo só se estende, repete e cansa pelo fato que os personagens não parecem nada além de instrumentos para uma caricatura. 

Como disse lá no começo, não recomendo e acho muito difícil argumentar a favor quando a obra sobre a família Bórgia faz o mesmo muito melhor.

14 de abril de 2025

{Resenha Lixo} Bebê Rena (sim, nós estamos fazendo isso)

Olha, eu resolvi numa regra não escrita que eu não comentaria sobre Bebê Rena durante todo o alto da popularidade do seriado ano passado. Não sei se é uma decisão inteligente (talvez porque desde ano passado eu já era uma voz dissonante que não concordava que o material era a combinação de Cristo, Buda e Superman em uma única pessoa), mas eu preferi esperar a poeira baixar para comentar sobre o material e ver onde estaríamos.

E onde estamos? Bem, ninguém mais finge que o seriado foi a melhor coisa produzida depois de Bergman e Kurosawa porque a melhor coisa produzida depois de Bergman e Kurosawa (do momento) é Adolescência, e isso acontecerá até a próxima grande coisa produzida e lançada pela Netflix obscurescendo a anterior até o fim dos tempos (ou da Netflix, o que vier primeiro).

Além de achar esse fenômeno particularmente curioso ao mesmo tempo em que vários projetos muito bons de outros serviços acabam esquecidos e perdidos, eu me esforço ao máximo para manter a imparcialidade ao material principalmente nesse caso em que, e isso é importante, o meu maior problema não é o material. Bizarro, não?

Quer dizer, os atores são muito bons, a direção extremamente competente e o roteiro funciona muito bem. Então qual o problema? Bem, porque isso não é uma mera obra de ficção, isso é baseado em uma história real (que inclusive a pessoa retratada como uma psicopata maluca no seriado entrou com um processo contra a Netflix). Então vamos deixar bem claro, cartas na mesa, o meu maior problema com o material: É uma história de separação narrada por uma das partes de um relacionamento (e baseada em fatos reais).

Não tem como isso ser honesto e objetivo, com isso o material busca apenas validação ao autor e, o grande problema é que sendo subjetivo vai retratar mesmo que inconsciente, uma das partes de maneira mais favorável que a outra, o que acaba criando uma falsa narrativa em que quem escreve a história é a vítima de um relacionamento terrível enquanto a outra parte é um monstro psicótico sem coração.

Isso pode funcionar, e funcionaria perfeitamente bem, se estabelecesse desde o começo que é mera obra de ficção, como tantos outros materiais ficcionais que tem um contexto razoavelmente familiar e real, desde Shogun, The Office, Plantão Médico ou Demolidor (ei, a Cozinha do Inferno é tradicionalmente o lar de irlandeses, e lá estão alguns dos melhores advogados cegos que combatem o crime lutando com ninjas de todos os Estados Unidos). Como é, bem, temos sempre que olhar com um pouco de desconfiança.

Narradores confiáveis dificilmente são confiáveis quando precisam ser francos e honestos para narrar de maneira fidedigna - porque é algo da natureza humana - e principalmente numa situação de conflito é extremamente natural que uma das partes tente pintar a outra como um monstro psicótico e sem coração enquanto pinta a si próprio como uma vítima de sua própria nobreza e escolhas generosas.

E no fim das contas não importa o quanto os atores sejam bons e talentosos, o quanto os diretores competentes e os roteiros bem escritos... Remete ao fato de que os eventos são baseados em fatos reais (ou até que essa é uma história real - e não uma "história real" como Fargo), e não importa muito o quanto você tente ou se esforce para analisar de outra forma porque a realidade é que o filme é parcial e retrata pessoas de maneira parcial.

Parece um pouco com aquela situação de How I Met Your Mother, em que é produzido um filme sobre um dos relacionamentos do protagonista Ted e ele é retratado de maneira, vamos dizer o mínimo, bem pouco favorável. No contexto do show, conhecemos Ted e vemos sua perspectiva da história (mesmo ele narrando a si próprio como o herói) e conseguimos absorver e contextualizar e mesmo recontextualizar que Ted pode exagerar e mentir em vários momentos da história para distorcer fatos.

Tá, eu sei que tem gente virando o nariz porque eu comentei sobre uma comédia (que envelheceu mal pra caramba mesmo enquanto era produzida), mas se você quiser um retrato mais cru e visceral de relacionamento(s) abusivo(s) e tóxico(s), outros materiais já fizeram isso de maneira estelar como I may destroy you de 2020, e, o argumento se mantém de que não é dito em momento algum que é baseado em uma história real (na verdade tem a mesma frase mágica de que qualquer semelhança com fatos e pessoas reais é mera coincidência).

Bebê Rena não faz isso.

Os eventos são retratados como 'fatos' e isso oferece ao narrador sua voz como verdadeira e o coloca como uma pobre vítima de sua própria nobreza e escolhas generosas enquanto sua ex é um monstro psicótico e sem coração...

Eu prefiro um pouco mais de distanciamento numa ficção para aceitar sua narrativa, senão, pra mim a subjetividade do autor pode nublar escolhas e tornar um mero exercício masturbatório para lustrar o próprio ego.

17 de março de 2025

{Resenhas lixo} Demolidor: Mas que desgraça

Sim, eu disse que não faria resenhas de quadrinhos ou filmes de super-heróis esse ano, mas eu quero fazer um aparte para, o que eu considero uma das piores histórias não só do Demolidor mas no geral que eu já li (e isso só convenientemente agora que a Disney vem relançando a série no streaming): Caindo em Desgraça, rescentemente republicada pela Panini.

Eu sei que o que vem depois não é nada melhor, e, é fácil parecer uma hipérbole de que o material é uma das piores histórias, mas deixe eu fazer um breve resumo da trama (nem vou entrar no mérito do monte de personagens e eventos) e você tire suas próprias conclusões se eu estou exagerando.

Em 1963, um experimento do exército desenvolve um vírus misterioso (que é basicamente mágico mas vamos ignorar isso por enquanto) que, agora (em 1993) é o alvo das buscas da organização criminosa Ordem Serpentária (no original Snakeroot, que é uma facção do Tentáculo - com conexões ao vilão da saga Elektra Assassina, a "Besta") com o propósito de ressuscitar Elektra. 

Até aqui tudo bem, certo?

No entanto, um número considerável de pessoas também busca esse vírus misterioso por motivos particulares e essas pessoas vão aparecendo a cada capítulo com explicações de como o vírus resolveria seus problemas. Temos uma versão demoníaca vudu do Demolidor (não estou brincando) chamado  Hellspawn - que espera virar um menino de verdade com a ajuda do vírus - ou Venom e Morbius - que esperam que o vírus resolva a limitação de seus poderes - além de Silver Sable (essa só é uma mercenária que foi paga para caçar o vírus, ainda que nunca se explique diretamente por ou para que). Além deles temos a Ordem Serpentária que quer ressuscitar Elektra (mencionado no parágrafo anterior), e que conta com a ajuda de John Gareth (que ajuda a personagem em Elektra Assassina - e termina como o presidente dos Estados Unidos), trazendo uma história avulsa da cronologia regular (e que estava perfeitamente bem lá) para a continuidade regular Marvel com explicações bobas e convolutas (sim, o final - ou talvez todos os eventos - de Elektra Assassina se deu na cabeça de Gareth preso em um tanque de animação suspensa na S.H.I.E.L.D.). Curiosamente, tanto a S.H.I.E.L.D. quanto o exército dos Estados Unidos parecem pouco interessadas nessa busca, e, se você está se perguntando porque então o Demolidor está preocupado (quando os antagonistas são personagens do Homem Aranha e a trama envolve elementos que deveriam interessar o Capitão América), bem, eu não sei, porque concomitante a tudo isso uma estagiária do Clarim Diário descobriu os diários do Ben Urich e viu que o Matt Murdock é o Demolidor, é por isso.

Respira, respira...

Vamos lá, eu li não muito tempo atrás o segundo volume de Blueberry, e ele trás um longo arco chamado o 'O Homem que Valia 500.000 dólares' que é uma história envolvendo vários personagens (e grupos) com suas agendas pessoais e propósitos específicos em busca de um mesmo obejtivo (os tais 500.000 dólares). Ainda que alguns grupos e personagens tenham mais destaque que outros, a motivação de cada personagem é clara e evidente - para a maioria é somente ganância enquanto para alguns existem propósitos específicos para o que querem fazer com tanto dinheiro.

O ponto para as motivações destes personagens é claro, específico e definido.

Venom, Silver Sable e a Ordem Serpentária todos querem coisas completamente diferentes com o tal víruso mágico e nenhum destes objetivos é claro, específico ou definido. Cada personagem aparece (e desaparece) da história sem uma lógica inerente de sua participação ou mesmo de suas motivações. Quer dizer, como o mesmo vírus perdido desde 1963 seria capaz de ressuscitar uma pessoa morta, curar um vampiro e aumentar as tolerâncias de um simbionte alienígena?

E eu nem vou entrar no mérito que esse é um universo com jóias do infinito ou cubos cósmicos que podem atender as motivações destes personagens com a mesma facilidade (e talvez maior eficiência) e igualmente um criador poderia facilmente adicionar outro qualquer artefato místico equivalente.

O problema aqui, além de uma história mal escrita, ilógica e sem propósito, é que a narrativa não se constrói de forma natural, orgância e funcional, no que as conclusões não funcionam (e já abordarei esse aspecto nos próximos parágrafos).

Quer dizer, porque a Ordem Serpentária resolve que precisa da Elektra nesse ponto específico? Como apontado, o vírus foi desenvolvido em 1963, Elektra morreu na edição 181 de Demolidor de 1982 (a edição inicial de Caindo em Desgraça é a de número 319 - quase 140 edições e mais de 10 anos depois após as passagens de Frank Miller, Denny O'Neil, o retorno de Frank Miller e Ann Nocenti), então porque esse é o ponto específico em que faz mais sentido que a tal Ordem busque ressuscitar Elektra, e não, sabe, logo após a morte da personagem...?

E porque eles precisam de Elektra especificamente e não qualquer um dos milhares de ninja e assassinos que o universo Marvel produz semana após semana (como a Mary Tifóide da fase de Ann Nocenti ou mesmo o Mercenário que Frank Miller tanto trabalhou?).

Tudo isso faz com que sejam escolhas editoriais conduzindo a história, e não escolhas narrativas.

O mesmo acontece com Matt que muda de uniforme (porque não) e simula a própria morte - algo que pelo menos é familiar com o que acontece durante A Queda de Murdock e  mais tarde durante o arco dos X-men Inferno quando se presume que o personagem morre.

E, mesmo presumindo que você ignore tudo que aconteceu até aqui (que o Rei do Crime derrotou o Demolidor duas vezes consecutivas fazendo com que ele perdesse o rumo e vagasse por meses pelos Estados Unidos até finalmente se reencontrar e fazer o necessário para conseguir derrubar tanto o Rei do Crime quanto seus asseclas criando assim um vácuo de poder que todo tipo fantasiado de Nova Iorque tentou aproveitar) ou que você leve isso tudo em consideração, a questão toda é que o Demolidor estava finalmente dando passos para reassumir sua vida (recentemente reatou com a namorada Karen, reiniciou a firma de direito com seu amigo Foggy), porque entrar de cabeça nessa busca obsessiva por uma ex-namorada...?

Mais até que isso, fingir que ele forja a própria morte para sumir com a reportagem sobre sua identidade quando, 1 ele mal dava qualquer tempo do dia para sua identidade civil e 2 a própria história trabalha para desmentir a notícia - e 3 anos mais tarde Brian Bendis fez a mesma história da revelação da identidade, só que, sabe, bem melhor - não faz o menor sentido e interrompe qualquer progresso e lógico até o momento. A situação com Karen e Foggy vão para os ares porque Matt resolve forjar a própria morte, e, nem ao menos tenta reatar com a ex-namorada morta Elektra.

Falando da Elektra, apesar das várias vezes que eu falei que o propósito do arco é ressuscitar a personagem (4 vezes nos parágrafos anteriores - mas quem está contando...?) revelação de spoiler: Ela nem estava morta no fim das contas.

Esse é facilmente o mais confuso aspecto da história, afinal, ela tenta amarrar todos os elementos de histórias anteriores (que são claramente antagônicos - e inclusive não fazem parte da cronologia comum da Marvel naquele ponto, como a série Elektra Assassina) e interpreta completamente errado o final da fase de Frank Miller quando a ordem de ninjas da qual o mestre do Demolidor Stick fazia parte (os Castos, um enclave de ninjas místicos que combate o Tentáculo desde tempos imemoriais) faz um velório da Elektra, e, Matt acredita que vê o semblante da garota como se ela tivesse renascido.

A história deixa a ideia no ar, ainda que fique bastante claro (já na edição seguinte quando o Demolidor joga roleta russa com o Mercenário) que na realidade Elektra continuava tão morta quanto meses atrás, mas Caindo em Desgraça interpreta isso como literal e a ninja estava escondida nas montanhas do Himalia por todo esse tempo em conjunto com os ninjas milenares dos Castos... Então porque ela ficou todos esses anos sem se manifestar simplesmente para voltar agora para impedir a ressurreição de alguém que não era ela (afinal ela não morreu)?

Na verdade, o que eles estão tentando ressuscitar se ela está viva? Ah, jovem padawan, é a essência má de Elektra que ela descartou ao se juntar com os Castos, e agora ela precisa se livrar de seu lado mal (ou ao menos impedir que os vilões fiquem com ela).

(De novo volta às questões de 'porque especificamente agora e não em qualquer momento dos dez anos e quase 140 edições nesse intervalo, mas vamos deixar isso pra lá)

Elektra volta, se une ao Demolidor para enfrentar as hordas de vilões que querem o vírus mágico no último capítulo, para que fiquem os dois sozinhos contra uma gigantesca oposição, e tudo se conclui de maneira pouco satisfatória ou relevante. Matt forja a própria morte mas nem ao menos tenta reatar o relacionamento com Elektra ao mesmo tempo que Elektra sequer tenta partir para cima da Ordem Serpentária (que agora estava bastante exposta) e terminar a luta de uma vez por todas (E, inclusive mal aparece nas edições seguintes pouco ou nada justificando seu retorno no fim das contas).

As coisas não melhoram e a série acaba sendo cancelada, ainda que leve uns bons quatro anos para isso, mas o que vemos claramente é  que a interferência editorial forçando não para um desenvolvimento natural da história mas para soluções que ninguém estava pedindo, acabam por afastar o público. Algo que por acaso se parece muito diferente do que a Disney vem fazendo com o MCU hoje...?

Deixando bem claro, D G Chichester é um autor bastante competente (e ele produziu uma que talvez seja minha história favorita com o personagem na edição 304, 34 horas em que acompanhamos pouco mais de um dia na vida do personagem enquanto tenta ajudar o máximo de pessoas possível - além de produzir o arco Ritos Finais que é bem sólido), e Scott McDaniel é um dos meus artistas favoritos (com seu trabalho no Batman e Asa Noturna principalmente, é verdade), ainda que a série já apontasse para um navio com crossovers e mais crossovers e cada vez menos desenvolvimento para os personagens e as histórias eclodindo nessa bagunça sem fim e sem sentido.

E que no final ninguém aprende nada com os erros do passado...

10 de março de 2025

{Resenha lixo} Bookie

Eu confesso que não sei o que faz Bookie ser medíocre. A ideia é sólida, o material é bom, e o elenco tem seus problemas (principalmente no papel principal), mas não é como se isso tivesse atrapalhado comédias antes (com Seinfeld ou Segura a Onda com exemplos bem fáceis de comédias com protagonistas péssimos e Sebastian Maniscalco é melhor que os dois - ao menos como protagonista, enquanto como comediante, bem...).

Então se eu tivesse que apostar, eu direcionaria os problemas da série no produtor executivo, Chuck Lorre, o criador de Two and a Half Man, Big Bang Theory e uma lista considerável de comédias ruins e medíocres, e nisso parece haver algum padrão bem mais claro.

Bookie poderia ser um material extraordinário em qualquer momento da história da televisão ou com outro produtor executivo? Eu pessoalmente acho bem dificil, no entanto,existe algo ali que, com algumas mudanças (ou sendo franco, mais para ajustes) fariam o material brilhar e não apenas para premiações como para o público geral mesmo. Quer dizer, em uma temporada de oito episódios, existem duas "piadas" envolvendo suicídio e tem mais ao menos umas duas outras cenas que envolvem assassinatos (além de agressão física) em uma comédia, porque, sabe, o material é "ousado".

O roteiro tem outros problemas que sob uma luz diferente, funcionariam melhor, mas com o tom escolhido pela direção do material (de ser mais ousado porque agora é HBO), acabamos com, bem, algo que falha na aterrissagem, e aqui é onde eu enxergo o maior elemento em que Chuck Lorre exerce a maior influência (e onde o show fracassa).

Veja, a série é uma comédia sobre um agente de apostas na California lidando com, o que a série diz muitas vezes, 'o fim dos tempos das apostas tradicionais' que serão tomadas por plataformas de bets. No entanto, nada parece demonstrar essa ameaça latente das plataformas de apostas (quase todo episódio parece mostrar os protagonistas lucrando valores assombrosos - e exceto na segunda temporada em que brevemente uma plataforma de apostas digital entra em contato com os protagonistas para propor comprar seu negócio, nada de efetivo existe nesse sentido).

Não é acidental que eu tenha falado de Seinfeld ou Segura a onda em um parágrafo anterior... esses dois shows tem comediantes que não sabem atuar nem que suas vidas dependessem disso, no entanto eles geralmente estão acompanhados de um roteiro e um elenco coadjuvante igualmente sólidos. 

Com exceção de Jorge Garcia (ou Hurley de Lost), o elenco principal da série é bem esquecível, enquanto o roteiro, bem, não é exatamente muito melhor. Algumas boas cenas aqui e acolá (geralmente para as ótimas participações especiais, incluindo mas não se limitando a Charlie Sheen, Ray Romano e Zach Braff) o material tende a piadas forçadas, repetitivas e cansativas depois de uma temporada com 8 episódios (de 20 minutos cada um em média).

E quando o maior elogio a um material é que ele é curto e passa rápido... Eu não consigo acreditar que isso seja remotamente um elogio.

3 de fevereiro de 2025

{Resenha Lixo} Jurador Número 2

Olha, eu acho que essa é a resenha mais difícil que eu vou fazer por uma série de motivos.

O filme nem é tão ruim quanto muitos outros dos exemplos que eu já publiquei sob a tag de resenhas lixo, mas existe algo que continuou de novo e de novo martelando na minha cabeça sobre como o material não funcionava. Sobre condições normais de temperatura e pressão o filme seria meramente medíocre e esquecível.

Quer dizer, o elenco é ótimo, ainda que nenhuma das atuações seja particularmente memorável, o roteiro traz um dilema interessante no seu cerne, ainda que seja mais um drama de tribunal e inequivocadamente remeta logo de cara - inclusive pelo título - a um dos filmes mais famosos do gênero, Doze Homens e uma Sentença (e sim, eu sei que é baseado em uma peça para televisão), e, apesar dos clichês e de tudo o mais, bem, o filme é morno e sem graça no máximo.

Algo perfeitamente esquecível e que talvez seria inclusive legal de assistir enquanto se recupera de uma cirurgia da tireóide ou algo do tipo.

Mas onde eu vejo o meu maior problema com Jurado Número 2 vem de um ponto de vista político e ignorar seria hipocrisia. Por um lado talvez se o diretor fosse alguém diferente (sabe, não o ultra-republicano Clint Eastwood), é possível que o filme teria algumas sensibilidades diferentes e talvez se aproximasse de pontos tópicos de maneira bem mais contundente e crucial, e é incrível como as falhas do roteiro coincidem enormemente com argumentos repetidos exaustivamente pela extrema direita.

O protagonista do filme (e o jurado número 2) é um jovem JORNALISTA cuja esposa está grávida (de uma gestação difícil) e ele solicita sua exclusão do processo do juri, que é negada com a base de que ele (esse hipster jovem preguiçoso) não trabalhará um minuto a mais que sua jornada normal.

O QUE NÃO É O MALDITO DO PONTO! Mesmo que ele tivesse uma 'jornada' menor como jurado que em seu trabalho normal, ele não estaria disponível para uma emergência enquanto muito provavelmente estaria desfocado no assunto sério de um julgamento enquanto sua cabeça foca em sua esposa grávida que talvez esteja com alguma dificuldade...

E vai por mim esse não é o primeiro e nem o último exemplo que veremos durante o filme.

(Se não ficou claro, esse tipo de coisa foi e vai me deixando incomodado e irritado, por isso as maiúsculas e negritos extras - e eu diria até desnecessários).

Você tem o policial aposentado herói que continua se esforçando e devotando tempo livre para garantir que a justiça seja aplicada (ao contrário desses policiais liberais preguiçosos, HARN, HARN, HARN!), ou o alcóolatra que usa sua doença como escudo ou a mulher jovem que só pensa em sapatos...

Quer dizer, temos dois jurados negros que do começo ao fim destacam que enxergam o réu como culpado sem que, em momento algum, um deles que fosse destaque o ponto mais óbvio acerca do fato de que se o réu fosse negro a deliberação seria bem mais rápida (com um veredito de culpado antes mesmo de esfriar o café do meirinho - e se fosse um latino com tatuagens de gangue o advogado de defesa sequer falaria na sessão), mas tanto eles quanto outros dos personagens só tangenciam o fato de que o réu e a vítima são brancos e por isso o caso ganha alguma repercussão (inclusive a atenção de uma promotora buscando reeleição para o cargo).

O juri inclusive atua da forma de um tribunal das mídias sociais cancelando um sujeito inocente sem embasamento ou fatos concretos (enquanto, sabe, é trabalho da polícia e do promotor - e advogado de defesa - apresentar esses fatos concretos). Só porque o réu brigou com a vítima na noite que ela morreu e a chamou de vaca (além de demonstrar claramente comportamento violento) vão condenar o pobre coitado branco?

Ou mais especificamente, que um grupo com diversidade étnica (que incluem mas não se limitam a um homem e mulher negros, uma jovem médica asiática, uma jovem do oriente médio) esteja disposto a condenar um homem branco à cadeia (mesmo que o caso não apresente provas além de dúvida razoável) e seguir com suas vidas.

E isso foi gradualmente fazendo com que eu perdesse o interesse no filme e abandonasse a suspensão de descrença... Conforme a argumentação dos jurados chega a conclusões mais rápido que todo mundo que analisou o caso (incluindo o advogado de defesa) sem que em qualquer momento seja destacado o fato que a cor de pele do réu (e da vítima) são um fator importante no caso.

Quer dizer, o sujeito fazia parte de uma gangue (tanto que tem as tatuagens para provar isso), que é uma gangue com histórico de venda de narcóticos ilegais mas de alguma forma a promotoria não apresenta estes fatos como relevantes para a definição do caráter do réu? Droga, um video do réu de alguma rede social em que ele confessa seu amor inegável à vítima é apresentado como argumento da defesa, mas a promotoria não tem absolutamente nada de um sujeito que fez/faz parte de uma gangue que vende narcóticos...?

E enquanto os antecedentes não são reflexivos ou mesmo justificativas para um crime específico em julgamento (além de contaminar a opinião do juri conforme esse artigo do jusbrasil), será que uma promotora concorrendo à reeleição escolheria um caso tão frágil e fraco para atuar?

Quer dizer, o filme aponta que o casal brigava constante e frequentemente (e que o réu demonstrou comportamento violento inclusive na noite em questão), mas essa é a base toda do argumento da promotoria? Não existe alguma testemunha ou registro de agressão prévia para que tanto a polícia quanto a promotoria considerassem o caso como conclusivo e concreto?

Percebe como isso coincide com pontos da retórica da (extrema) direita de que as pessoas são condenadas sem um julgamento justo ou de que a polarização e a internet forçam a julgamentos rápidos e ríspidos sem o direito a contextualização e coerência... Mesmo que o próprio filme deixe claro que um sujeito violento que cometeu outros crimes ficaria livre enquanto uma pessoa lindando com um problema de alcoolismo ser condenado a até 30 anos de cadeia (por um acidente) correspondem a um cenário de justiça.

Se o roteiro ofercesse alguma dúvida sobre o caso (algo com a possibilidade de que o réu de fato tivesse cometido o crime - é, eu sei, que absurdo que um traficante branco com histórico de violência e abuso pudesse agredir uma mulher) ou mesmo maior espaço para reflexão sobre o real culpado (que talvez ele estivesse confundindo os fatos - inclusive em virtude de seu problema com alcoolismo), algo que um diretor como David Fincher ou Bill Hader (sim, depois de Barry eu acredito que ele faria algo muito bom com o material), nos mostra o potencial desperdiçado e os principais motivos pelos quais esse filme é uma resenha lixo.

Honestamente? Passe longe e veja qualquer uma das muitas versões de Doze Homens e uma Sentença que vale muito mais a pena.