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30 de outubro de 2025

{Hallowsenhas} Dracusferatu - Ou quem é morto-vivo sempre aparece!

Eu vou ser bastante honesto em uma coisa e dizer que eu sinceramente não entendo o fascínio que ainda existe sobre a história de Drácula no século XXI (ou em qualquer ponto após a segunda guerra no século XX).

Quer dizer, existe um certo charme gótico que funcionava para a era silenciosa do cinema - e essa é uma época que influenciou muitos dos criadores e produtores que produzem filmes até os dias de hoje, e, nem só na condição de filmes pois tem toda uma toada de quadrinhos, jogos de videogame e o que mais que se estrutura nesse charme gótico - mas é curioso como o material pertence a outro tempo e contexto e não faz sentido, ao meu ver, para a estrutura moderna... Mas quando facilmente um noticiário matutino traz mais violência e sangue que uma história de um século atrás que ainda é considerado um clássico do horror, eu confesso que tenho minhas dúvidas se não é a hora do vampirão aposentar sua casaquinha e deixar o reino da noite para as novas gerações de mortos-vivos...

Drácula (e sim, Nosferatu que é a mesma história mas, sabe, com problemas de direitos autorais) é uma história carola sobre gente reprimida que tem (muito) medo da própria sombra e por isso tenta justificar que existem monstros (comedores de moscas controlados por esses terríveis estrangeiros lascivos). E, ei, eu sei que isso continua o exato mesmo discurso conservador da galera da mamadeira de piroca...

Só que esse é o ponto na verdade.

Esse verniz clássico e gótico para o exato mesmo tipo de racismo que a sociedade tinha no século XIX não o torna mais charmoso ou menos ridículo. Sim, sim, o monstro bebe sangue - ao contrário dos costumes altamente médicos de rejeitar vacina ou paracetamol enquanto bebe a própria urina, digo, de usar sangue-sugas porque uma pessoa tinha "sangue demais" - tudo isso está no mesmo contexto de que, e eu sei que isso vai me fazer impopular com um grupo de pessoas mas eu preciso enfatizar: O horror é o gênero mais carola e conservador que existe.

Eu poderia gastar vários parágrafos com exemplos disso, desde os exemplos clássicos do horror de Drácula, Frankenstein e as bruxas, que existem no popular como contos cautelares para a manutenção de valores tradicionais (e a crítica àqueles que quebram as normas), e subir para exemplos mais recentes com os filmes de horror dos anos 1970 e 1980 como os assassinos seriais dos massacres de serra elétrica e Mike Myers (yeah, baby) e Jason ou mesmo Freddy Krueger que trazem comentários sociais.

Não é à toa que a 'garota final' (a única mocinha pura e virgem) sobrevive ao ataque sem fim do bicho-papão da vez, enquanto os demais personagens morrem um a um (e geralmente são pessoas que quebram alguma das normas sociais, como com a garota que fez e gosta de sexo, mas tem diversas situações do uso de drogas ou por fazerem pixações, vandalismo ou qualquer argumento para justificar que a vítima do assassino serial) e não incomum o próprio assassino/monstro é alguém com sérios problemas mentais (e geralmente com perturbadores poderes sobrenaturais que o permite sobreviver continuamente e inclusive escapar do próprio inferno para continuar matando).

O horror tem em seu DNA os valores conservadores sendo desafiados por protagonistas ou monstros que são constante e frequentemente estereotipados (o sujeito com problemas mentais que se torna um psicopata assassino que mata adolescentes através das décadas, o homossexual que prende mulheres em seu porão para usar suas peles, o estrangeiro que seduz nossas mocinhas belas, recatadas e do lar...) e enquanto criadores mais talentosos aprenderam a subverter as estruturas para oferecer críticas sociais, isso é um fenômeno bem mais recente, e, como destacado, uma subversão da estrutura.
 
Pânico do Wes Craven é o maior exemplo disso justamente ao quebrar com a quarta margem e expor através do metacomentário os clichês e reforçar estereótipos do gênero, mas diversos outros filmes antes já foram minando e testando as águas aqui e acolá, desde o Predador que é um filme de ação que joga horror quando o monstro aparece para enfrentar o herói imparável ou mesmo Alien cujo vilão efetivamente não é o monstro gosmento que sai de um ovo, e sim a corporação capitalista maligna que joga os trabalhadores na rota de colisão com esse monstro (plenamente ciente dos riscos) por uma mera margem de lucro maior.
 
Então nisso eu te pergunto: Porque nós continuamos a ver remakes de Nosferatu, Drácula (um Frankenstein do Guillermo del Toro saindo em novembro e outros tantos em pré ou produção)...?
 
O motivo cínico é porque esses personagens fazem parte do domínio público e isso significa que estúdios não precisam pagar direitos autorais para utilizá-los (vide porque logo que os direitos do Ursinho Pooh ou do Mickey seguiram essa rota a primeira coisa que fizeram foram filmes de horror com eles). Além disso, ainda mantendo uma ótica cínica, estes são personagens facilmente reconhecíveis e histórias que não precisam de grande contextualização e explicações do que motiva ou condiciona esses personagens, e, mesmo que filmes de época custem um pouco mais, o horror é um gênero de produção barata e rápida (vide os exemplos no parênteses anterior).
 
Mas eu acho que não é só isso, pois existem motivos mais complexos para a situação toda, e, em grande parte é porque esses personagens ainda nos fascinam, envoltos nessa aura gótica de mistério e ouso dizer sedução que escapa do horror moderno, e sim, existe a grande romantização da época - motivo pelo qual esses filmes continuam a ser produzidos se passando na Inglaterra vitoriana e não atualizados para os dias de hoje por exemplo.
 
Drácula não é apenas um monstro terrível que suga sangue e mata sua vítimas, mas é bastante comum em seus filmes que ele corteje e mantenha uma pose aristocrática cheia de seus formalismos antes de aplicar o bote, e, não é difícil ver nos exemplos seja de filmes do Francis Ford Coppola, do Luc Besson ou do Robert Eggers cenas de gigantescos salões de baile com grandes sequencias que parecem saídas de animações de princesas da Disney.
 
E, claro, não vamos fingir que a questão política que eu já gastei alguns parágrafos referenciado não seja importante, mesmo se, talvez, hoje o Drácula seja mais para o sujeito que usa spray de bronzeamento artificial para ficar com a pele laranja e se eleger em algum carguinho burocrático por aí do que um conde da Romenia...

27 de outubro de 2025

{Hallowsenhas lixo} A Guerra dos Mundos - Amazon, 2025

Se você não ouviu falar do filme A Guerra dos Mundos lançados pela Amazon em 2025, estrelado por Ice Cube e Eva Longoria - e filmado durante a pandemia de Covid (e sim, lançado só agora) de forma que nenhum dos atores do filme contracena ou sequer parece que esteja distante de um monitor - bem, então comecemos com as apresentações.

O "filme" é uma adaptação "moderna" do clássico de ficção científica de H.G. Wells, que, verdade seja dita já é bastante conhecido graças a leitura de Orson Welles como pegadinha num programa de rádio narrando a história como se fosse real, e, causando certo pânico na população, ainda que isso seja uma lenda urbana.

A história em si é sobre uma ameaça alienígena sobre o planeta enquanto o protagonista (que é uma pessoa comum e sem nenhuma patente ou cargo elevado, portanto acesso a informação privilegiada a maior) registra os eventos conforme eles vão se desfraldando e os sobreviventes vão aprendendo melhor sobre a ameaça, e ainda que o material tenha resistido a uma boa série de versões e adaptações que mudaram a noção geral da história e principalmente do final para algo mais próximo do final de Sinais como algo que os alienígenas são alérgicos a água ou algo igualmente ridículo, o livro em si não tem uma conclusão objetiva sobre o que resulta na vitória (ainda que ela venha lenta e gradativa conforme os extraterrestres tombam e a humanidade aprende mais sobre seus adversários).

Nada disso é particularmente relevante para o comercial de uma hora e meia que Ice Cube faz para a Amazon. Quer dizer, você sabia que eles possuem drones que permitem a entrega praticamente instantânea para a porta de sua casa? Ou que a Amazon pode oferecer um cartão de presente mesmo que você seja um morador de rua? Uau que empresa porreta, não é mesmo?

E caso você esteja se perguntando, o "filme" é bem menos sútil que o último parágrafo. 

Não que Ice Cube seja um bom ator sob condições normais mas com constantes close-ups e comerciais a cada cena e meia num roteiro que tenta costurar uma ameaça alienígena (que, uma vez que seria lançada durante a pandemia, provavelmente queria evocar o sentimento de vulenrabilidade diante de uma ameaça externa incontrolável), mas simplesmente não existe nada aqui para justificar essa história.

O personagem do ex-rapper é mais prolixo com computadores que um dos hackers do jogo Watch Dogs e sua história tem toda uma série de celeumas familiares, que, destaca-se, NO MEIO DE UMA INVASÃO ALIENÍGENA! Veja bem, esse é um filme sobre uma invasão alienígena que manteve na sua uma hora e meia uma cena sobre o filho do Ice Cube ser um hacker terrível e todo um celeuma sobre a filha recém casada/prestes a se casar e com um filho ao caminho mas que está se afastando do pai extremamente controlador. 

Se você precisa de mais explicação sobre como o filme é ruim, bem, eu poderia descrever mais das cenas horrorosas que tentam simular uma reunião de zoom extremamente dramática conforme uma invasão alienígena acontece, sem de fato conseguir oferecer qualquer tensão ou senso imediato de perigo enquanto o propósito do filme se escapa completamente.

{Editado em 30/10/2025} Perdão, eu acabei esquecendo talvez do ponto mais grave e cruelmente irônico do filme no quanto ele é incapaz de ter qualquer autoconsciência de seu comentário vs conteúdo. Quer dizer, alguns parágrafos atrás eu mencionei o quanto o filme é basicamente um gigantesco comercial da Amazon - que curiosamente ficou famosa pelo uso de big data e data mining para monitorar atividade dos clientes - enquanto, e isso é importante, o objetivo dos alienígenas do filme é ROUBAR OS DADOS da humanidade.

Deixa eu repetir porque talvez, tal qual à Amazon, a ironia tenha lhe escapado: A empresa que monitora os clientes constantemente na internet usando de forma agressiva esse conhecimento para, nas palavras deles, fazerem "ofertas mais assertivas" lança um "filme" que é um comercial constante dessa empresa, e, o vilão desse filme é uma raça alienígena ROUBANDO INFORMAÇÃO de data centers de toda a humanidade.

É, eu não tenho mais nada pra dizer depois disso... Só o quanto eu me assusto por perder a chance de colocar esses parágrafos no texto original. {/fim da edição} 

E se por sua conta e risco você quiser fazer pipoca, reunir seus amigos e assistir a uma atrocidade de filme para rir, bem, eu ainda acho que Manos - As mãos do Destino é bem mais divertido e tem toda uma lista de filmes no mesmo campo para se apreciar, mas, dificilmente exista outra forma para assistir esse filme se não for por deboche. Os memes da internet com as reações do Ice Cube que o digam...

16 de outubro de 2025

{Hallowsenhas para maiores de 18 de Quinta} Druuuuuuuuuuuuuuna

Druuna é um quadrinho que me assusta por mais de um motivo.

O primeiro é o motivo pelo qual eu tive que enorme dificuldade para escolher uma imagem para referenciar o material para quem nunca tivesse sequer ouvido falar e provavelmente pensasse que eu escrevi errado Duna ou Bruna o usei lá mais o quê.

Sim, é quadrinho erótico/pornô e a protagonista está em trajes sumários por boa parte do material - só que esse não é o problema. Manara também faz quadrinhos nessa toada, e o mesmo posso dizer de Crepax e outros tantos e tantos artistas que produzem material nesse estilo e gênero, e, a arte de Serpieri sem sombra de dúvida se destaca pela qualidade do traço e arte final que consegue criar tanto personagens quanto mundos que são ao mesmo tempo bizarros, alienígenas e ainda assim familiares.

O que acontece é que, bem, da amostra que eu li de Druuna - e eu confesso que não fui muito adiante - o material pende bem mais para a pornografia que erotismo (ao contrário dos exemplos do parágrafo anterior) e, não apenas ou mera pornografia, mas pornografia de estupro o que torna as cenas que envolvam sexo no geral bem mais desagradáveis de se ver - e talvez esse seja o ponto em si, criando um contraste com a arte produzindo uma protagonista estonteante que se vê vez após vez em cenas intragáveis de sexo.

Pra mim o limiar de tolerância não foi muito além da primeira história Morbus Gravis, até porque a parte narrativa não é muito melhor. O mundo é nojento, grotesco e, com exceção da protagonista Druuna, permeado por gente desagradável, detestável e terrível - e ao longo de pouco mais que 60 páginas desse primeiro volume (tá, eu acho que eu li ou passei por cima o volume 2, Delta, mas não é particularmente muito melhor nos argumentos que estou reclamando, talvez eu até ache que é pior no sentido de como toda cena de sexo seja de estupro).

Olha, eu não vou fingir que quadrinhos eróticos - ou que utilizem elementos mais pendendo para o eróticos - tenham roteiros estelares, brilhantes e incríveis. Talvez com a exceção de Black Kiss, não sei dizer se existe algum outro quadrinho que eu realmente me lembre com um roteiro mais elaborado ou minimamente escrito, e, Druuna não é exceção sob nenhum aspecto. 

Os personagens são rasos e geralmente as cenas são, como você pode esperar em pornografia, uma mera desculpa para que alguém acabe transando (sendo que, como eu comentei a pouco, esse sexo não seja consensual).

Então o material é mais repulsivo que erótico (de novo, o que talvez seja o ponto), mas existe um elemento que está intrinsicamente ligado ao universo da série, com um mundo de Mad Max mais perverso e violento que Mad Max (e com sexo), e, enquanto não funcionou para mim para criar um mundo e personagens interessantes (por mais que, como eu disse antes, seja um mundo e personagens visualmente interessantes), talvez seja algo que funcione para bastante gente, o que, não me parece tão absurdo considerando o quanto já esgotou e foi reimpresso.

E acaba meio que nisso uma vez que os personagens não são interessantes e a história não são interessantes ou empolgantes enquanto a arte que é o grande chamariz acaba criando mais cenário desagradáveis e repulsivos que efetivamente te engajando (ou compensando as falhas do roteiro no que tangem personagens e enredo).

Mas isso é terror para justificar uma Hallowsenha?

Bem, não tecnicamente - está mais para o erotismo ou pornografia - mas de fato é algo que me assusta bastante, saca?

Talvez a série melhor imensamente em volumes seguintes e eu esteja errado em minha avaliação do material, mas olha, não vamos fingir que nessas histórias que eu citei (Morbus Gravis e Delta) não aconteça uma quantidade enorme de estupros - eu acho que é em Delta que é apresentada uma garota careca que, a cada dois quadrinhos ela está sendo abusada por algum personagem diferente.

Porra, talvez a Itália dos anos 1970 fosse ainda mais machista que o Brasil de 2025, talvez um monte de talvezes, mas é muito difícil defender esse material pelo que ele apresenta, e, de novo, isso me assusta, saca?

A Pipoca e Nanquim lançou uma edição bastante cara em 2009 e, está esgotada com mais de uma reimpressão. Esse material já foi republicado diversas vezes no Brasil por várias editoras pequenas aqui e acolá (enquanto material bem mais interessante nunca viu a luz do dia ou está perdido em edições precárias, como Astrologia Divertida do Will Eisner que só saiu por aqui na revista DESTINO - que vale lembrar, sequer tem uma página própria da Wikipedia - da Editora Globo em 1991) e eu insisto que não consigo defender o material sob nenhuma luz ou perspectiva.

Não é inteligente, não é erótico, não é interesssante... Então qual é o ponto?

O ponto é que isso funciona para uma galera, né? Até tem uma galera que vai tentar justificar o contexto do estupro ficcional numa obra, mas é bem diferente quando uma narrativa que constrói e usa o assunto (Alan Moore trabalhou com isso em Watchmen e Monstro do Pântano, e Claremont lidou com o assunto durante sua passagem pelo X-men) mas existe sempre a diferença em lidar com um assunto e fetichizar sobre um assunto, o que, claro, depende e muito do talento do autor produzindo o material.

Além disso acho bem interessante que o ex-prefeito (e futuro presidiário, se houver alguma justiça) do Rio além de outros da patotinha dele viu problema numa hq com beijo gay consensual, mas ninguém da equipe dele pensou que uma série com retratos gráficos de estupro tenha qualquer problema. Curioso, né? 

Mas vamos combinar que eu já gastei tempo demais explicando ou falando sobre um material que não vale a pena tanta reflexão...? Passe longe.

9 de outubro de 2025

{Hallowsenhas} A Hora do Mal (Weapons)

Se existe algo que me assusta realmente sobre o filme A Hora do Mal é o quanto ele demonstra o anafalbetismo crítico e literário que se expõe com o filme. Eu perdi as contas de quanta gente viu a necessidade "explicar" o filme.

Não vou entrar em spoilers da melhor maneira possível, só que o filme tem várias cenas que dão as 'pistas' do motivo do que está acontecendo e mais tarde no filme ele expõe todos os elementos. Claro que o filme não explica cada detalhe (afinal não é uma obra de engenharia, a explicação fantasiosa não precisa de mais do que temos na tela...). Droga, e mesmo assim o filme mostra em detalhes "como" os eventos se dão (só, de novo, são uma lógica de fantasia e não de matemática).

Claro que existe um metacomentário afinal toda obra de terror opera com algum tipo de metacomentário de uma forma ou de outra, e, muitos filmes operam com muito mais do que apenas um tipo de comentário mais abrangente. Não é difícil ver nas obras de horror uma preservação de valores conservadores (não obstante a 'garota final' é a moça virgem que resiste às tentações), por mais que a patota conservadora odeie tanto os filmes de terror, e, nem é preciso muito para ver exemplos de críticas e xenofobia como plataforma, e, francamente o filme poderia buscar algum metacomentário diferente com uma narrativa diferente - se focasse somente na personagem da excelente Julia Garner de começo ao fim sem revelar categoricamente o que acontece com as crianças ou mesmo com os outros personagens do filme, bem, teríamos uma outra história completamente diferente e bem mais um suspense que um filme de horror.

Do jeito que está os elementos são apresentados ao espectador, e, honestamente se faz necessário um esforço hercúleo para não entender o filme (é extremamente mastigado).

A história segue um grupo de crianças que, uma bela madrugada, somem de suas casas o que inspira uma enorme revolta e indignação de pais e moradores de uma pacata cidade. A professora da sala destes alunos é imediatamente vista como a principal suspeita (ou ao menos alguém que sabe mais sobre o que aconteceu) e acaba perseguida e atormentada pelos familiares e moradores do local.

Esse não é o filme, no entanto - na verdade se você olhar o poster, esse parágrafo meio que resume o que está ali - e essa é apenas a primeira de seis partes que acompanharão outros personagens (um dos pais, um policial, um drogado/morador de rua, o coordenador da escola e o único garoto da turma que não desapareceu) onde todos os demais elementos serão explicados - pouco por vez nestas partes que se seguem, e, concluindo no capítulo final em que se resolvem os eventos.

A conclusão, pra mim, falha em alguns elementos (e talvez eu seja o problema pois eu me vi rindo e me lembrando mais de um filme de comédia do Mel Brooks que efetivamente investido na cena que estava se desfraldando), mas não diminui o material.

Quer dizer, é decente no geral - longe de algo como Pecadores ou A Substância que tem algumas cenas realmente incríveis e consegue trabalhar brilhantemente a construção de personagens e elementos, além de servir a um metacomentário bem mais interessante - e, de novo, talvez o problema seja eu especificamente que olhei para a solução (ou o monstro se você preferir) que o filme apresenta e achei 'meh'.

 Se você não quer saber qual é o monstro do filme e qual a solução pare por aqui na área sem spoilers e assista ao filme para suas próprias conclusões.

Pra mim não funcionou, ainda que eu considere o filme bem amarradinho, com ótima direção e excelentes atuações (principalmente da Julia Garner e o Josh Brolin).

Nota: 7/10 

 

Ok? Aqui vamos com os spoilers:

 


O monstro do filme é uma bruxa (que é quem sequestrou as crianças e quem causou todas as coisas bizarras que ocorrem com os outros personagens durante todo o restante do filme), e, como eu disse, isso não funcionou muito bem para mim.

Não vou questionar as escolhas (a atriz nesse papel é muito boa ainda que a maquiagem utilizada - tá, é impactante e chama a atenção, isso eu tenho que concordar - mas faz com que ela pareça que saiu de uma orgia exclusiva com palhaços e não se limpou depois), e, honestamente acho que tinha como trabalhar a ideia geral de maneira mais interessante de outra forma (eu curiosamente fiquei pensando no Flautista de Hamelin e como isso serviria com um metacomentário de manipulação de massa) mas, é, o vilão do filme é uma bruxa com uma maquiagem bizarra.

E não é que ela não seja ameaçadora (de novo a atriz é excelente e suas cenas são fantásticas mesmo com a maquiagem bizarra), é mais que pra mim não funcionou e o final eu achei particularmente ruim (de novo, me lembrando do final de Banzé no Oeste com a bruxa fugindo e atravessando casas enquanto o caos se segue - mas até pela forma um tanto exagerada e caricata com que a atriz conduz esses momentos finais). 

2 de outubro de 2025

{Hallowsenhas} Marvel Zombies Ate My Neighbours!!! e Alien: Mother Earth

Duas resenhas em uma para dar início às Hallowsenhas do especial de horror (?) para o mês de Outubro.

Começando com Zumbis Marvel, que, apesar do mesmo nome da série de Robert Kirkman de 2005 é bem diferente e não apenas por se tratar de Zumbis no MCU, mas pelo fato que, bem, parece apenas mais um episódio daquela outra animação da Marvel, o What If só que mais longo (e serializado).

E com roteiro de Zeb Wells (lembra da semana passada) você já sabe que não pode esperar lá muita coisa, até porque pelo menos o Robert Kirkman contextualiza o universo Marvel dominado pelos zumbis, Wells liga o foda-se e vai pra vigésima temporada de The Walking Dead e parte para cenas de ação atrás de cena de ação (por mais ridículas e absurdas que sejam - mas, ao contrário do MCU com bem mais violência até para justificar a alcunha de 'terror') com o pior tipo de diálogo constrangedor que você viu dos últimos filmes da Marvel (ou provavelmente não viu porque as bilheterias vem caindo filme após filme) para que talvez distraiam seu cérebro reptiliano por tempo suficiente para não perceber que não é interessante (e você poderia assistir a algo bem mais legal como Olhos Sobre Wakanda - só pra manter no Universo Marvel - ou, sei lá, Andor - só pra manter na Disney ou Alien: Terra, mas isso vem mais tarde).

O material é curto com apenas quatro episódios (ainda que seja uma extensão de uma ideia que já estava lá no primeiro What If (inclusive com boa parte do elenco original dos filmes) - e bem melhor nos 32 minutos porque o título inclusive é bem mais acurado com zumbis de fato enquanto aqui é sobre o Hulk possuindo o poder das jóias do infinito enfrentando a Feiticeira Escarlate enquanto existem zumbis no universo Marvel (só que, sabe, sem praticamente nenhum dos astros ou estrelas mesmo).

Então se você quer MESMO ver algo de quadrinhos com monstros e tem preguiça de ler o quadrinho do Robert Kirkman que está incluído no Kindle Unlimited e não quer também se dar ao trabalho de ver a série What If (que tem um episódio focado exatamente nos Zumbis na Marvel - e é bem melhor, além de mais curto) ou a série Comando das Criaturas da Max, bem, você é preguiçoso(a) e tem mal gosto então não existe muito propósito em te recomendar alguma coisa, não é mesmo?

Mas honestamente se isso se aplica a você, talvez você se divirta mais assistindo à novela Mutantes da Record. Eu acho que vai combinar mais com seu estilo...


Se você tem bom gosto, então vamos pra segunda resenha e Alien: Terra é o assunto, e, eu tenho dificuldade para formar uma opinião diferente de meh.

Eu sei que a ideia de tirar o Alien do espaço e trazer para a Terra não é nova (e na verdade faz parte dos quadrinhos e do crossover com o Predador) e quer dizer, o material é bem feito no geral e as cenas são tensas com algumas cenas realmente assustadoras, e você tem o criador da série Fargo no roteiro o que ajuda, mas, bem... Tem as cenas em que não são apenas similares a outros filmes mais famosos (e populares) da franquia como são idênticas às cenas de outros filmes mais famosos da franquia, e, vale lembrar, que são bem melhor feitas naqueles filmes de quarenta ou mais anos atrás!

Mais que isso você cai no problema que a franquia criou para si mesma com Prometheus e suas continuações tentando explicar toda uma série de coisas que não fazem sentido ou são interessantes ou, mais importante, funcionam para uma franquia de um alienígena babento que mata pessoas no espaço. 

"Ah, mas é a melhor versão de Alien desde..." eu sei e eu já estou cansado de ouvir essas coisas. Tem franquias que deveriam ser esquecidas quando todo o argumento na defesa dos últimos projetos por serem melhores que x outros na franquia que foram decepcionantes (sabe como Exterminador do Futuro, Predador, Sexta-Feira 13, Halloween e mais uma dezena de outras continuações/reboots produzidos nos últimos vinte e poucos anos).

Se não existe mais nenhuma nova história para contar com esse particular personagem, não seria melhor apresentar algo novo...? Eu sei, eu sei, essa ideia é mais assustadora para executivos que qualquer franquia ressuscitada que Hollywood poderia sequer cogitar em ser.

E eu sei que, tecnicamente não é ruim - ou mesmo tão ruim quanto parece pelos meus últimos parágrafos - é só que é tão dependente de filmes que são extraordinários justamente por serem inovadores, que é uma traição para eles tornar seu legado formulaico e repetitivo.