Na primeira edição do encontro entre Homem Aranha e Superman eu disse que faltava criatividade nessas edições comemorativas e encontros... E puta merda como isso sintetiza tanto a segunda edição (agora produzida pela Marvel e escrita por Brad Meltzer) e o filme da Supergirl.
Homem Aranha e Superman traz uma edição que, basicamente, refazer, uma edição de 2007 (de reboot de 2006 escrito pelo próprio Meltzer) com dois heróis soterrados e tendo que lidar com seus sentimentos e o trauma enquanto buscam uma forma de escapar/fugir. Claro que sem o mesmo impacto (afinal naquela edição eram duas pessoas praticamente sem poderes e a arte de Gene Ha usa os quadros de maneira soberba, e, bem, ela não é exatamente um material indie e que passou desapercebido - então a novidade não é um fator aqui também), ou mesmo sem a mesma graça.
Então o que sobra? Um material protocolar que te faz lembrar do original e pensar "O que isso oferece de novo?".
Com Supergirl, bem, não é particularmente diferente. Eu já falei sobre a hq que inspira o material (e que basicamente faz Bravura Indômita NO ESPAÇO), o que coloca o material como uma adaptação de uma adaptação de uma adaptação... E, talvez, o ponto mais memorável seja que, bem, é o primeiro filme de super heróis (de estúdios norte-americanos) adaptando uma história de fato produzida nos quadrinhos (e não apenas os conceitos e ideias dos personagens)... Claro que se você ignorar as muitas animações que fazem isso a tempos (e o mercado japonês), então é algo notável.
E se você lembrar que a hq é algo facilmente esquecível e dispensável (diferente da fase de Peter David reexaminando a personagem, literalmente desconstruindo e reconstruindo a personagem, seus símbolos e estrutura), me parece no mínimo curioso que essa fosse a ideia para adaptar e apresentar a Supergirl do novo DCEU - ainda mais quando até o momento, e com o atual estado da Warner/HBO sendo comprada... Fica a dúvida se ainda faz qualquer sentido isso efetivamente.
O filme cai naquele vácuo de que não sabe como oferecer uma perspectiva única (ou interessante) para a personagem ao mesmo tempo que não oferece uma perspectiva maior do universo em que ela está inserida. O que a gente vê é o estúdio que insiste em jogar tudo na parede pra ver o que gruda...
Até porque não é como se a Warner tivesse, de qualquer maneira operado de forma consistente na produção de conteúdo (com o estúdio que resolveu lançar Constantine 2 mais de 20 anos depois do primeiro ao mesmo tempo que engavetou o já produzido e caríssimo filme da Batgirl).
Nada disso ajuda - porque, e eu repito, a história de Supergirl é Bravura Indômita NO ESPAÇO - o que não contextualiza ou forma um universo compreensivo mais coeso e interessante.
Pode ser que daqui uns anos isso funcione melhor - como aconteceu com o MCU com os Vingadores (enquanto os filmes individuais, conforme saíam não impressionavam)? Eu acho difícil porque essa história de Supergirl tem tão poucas ramificações e capacidade de refletir num contexto maior que é difícil esperar algo nesse sentido (além de, talvez mais Lobo e mais Supergirl nos outros filmes).
Resumindo? Bah. Procure os originais (a edição de 2007 da Liga da Justiça escrita por Meltzer ainda inspirado, e, bem, Bravura Indômita - que não é no espaço).
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