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7 de novembro de 2019
{Resenhas de Quinta} My Hero Academia (Friendship is Magic) - Kohei Horikoshi
8 de maio de 2025
{Resenhas Perdedoras de Quinta} Go, Go, Loser Ranger!
Eu não cresci com os Power Rangers em grande parte porque eu cresci assistindo outras séries japonesas que efetivamente inspiraram o grupo (Changeman, Jaspion e vários, vários outros da extinta Manchete antes dos Cavaleiros do Zodíaco), mas o conceito não me é completamente alienígena, e, honestamente eu nem acho que seja necessário contextualizar tanto assim uma vez que a ideia é já bastante batida e clichê com tantas variações e repetições à fórmula: Grupo de pessoas recebe poderes especiais (e uniformes coloridos) para combater monstros/alienígenas/robôs tirânicos e salvar o mundo (em intervalos episódios semanais nos quais enfrentam o monstro da semana que geralmente trará alguma importante lição de moral - e talvez uma batalha final com robôs gigantes).
Não que eu imaginei que seria uma grande revolução, honestamente Alan
Moore e Garth Ennis já fizeram esse tipo de comentários há pelo menos
umas quatro décadas já. O que me surpreendeu foi a perspectiva de alguma
obra japonesa fazer algo em uma toada semelhante.
É diferente do que existe com os super-heróis como Liga da Justiça e Vingadores pela estrutura, uma vez que o monstro da semana não é um criminoso ou mesmo alguém que possua qualquer característica redimível, e invariavelmente eles são acompanhados de um exército de bucha de canhão que não serve para nada além de fazer parecer que o monstro da semana é uma ameaça maior (do que realmente é).
Não existe dubiedade ou confusão: Os heróis coloridos são bons e justos e quem eles enfrentam são vilões que precisam ser destruídos. Ponto. Nenhum vilão tem algum argumento válido como Magneto ou uma origem trágica como o Senhor Frio ou qualquer nuance e etc... São monstros que querem destruir o mundo, simples assim (geralmente comandados por um monstrão mais poderoso que lidera todos eles).
Go, Go, Loser Ranger propõe alguma variação significativa nesses clichês com o questionamento dessa premissa básica, ao propor que os Rangers não são exatamente bons ou justos, e, verdade seja dita, a história sequer é sobre eles mas sobre um dos membros do exército de subalternos que está cansado de apanhar semana sim, semana também e sob a perspectiva da qual aprenderemos mais sobre o mundo em questão.
Os Rangers venceram a guerra com os monstros quase uma década atrás mas mantém os minions como escravos para promover shows regulares como demonstração de força além de garantia contínua de investimentos, enquanto a história nos mostra de maneira similar que os fantasiados são também pessoas corruptas, canalhas e psicopatas (no mínimo), e tudo isso desmorona tão rapidamente no que a série tenta fazer que é absurdo sequer tentar acompanhar ou entender os motivos para isso (mas que, de maneira bem cínica, seja para apresentar mais personagens e vender mercadoria derivada).
Depois que é apresentada a proposta (que os Rangers são bandidos e corruptos) a série nos apresenta o elenco principal e o conflito com um grupo de jovens que querem ingressar na academia dos Rangers (sim, como em My Hero Academia, e não, não é coincidência) e o minion rebelde tenta se infiltrar no grupo ao que boa parte da história segue as batidas desse tipo de história (dinâmica de formação de grupo e caráter, personagens amadurecendo e enfrentando desafios cada vez maiores), mas é onde acaba me perdendo.
O autor desse mangá/animê toma um tom mais satírico e humorístico (ainda que honestamente eu não tenha visto nenhuma cena particularmente engraçada, por mais que a intenção de colocar dancinhas ou bonecos explicando o que ocorrerá nos próximos capítulos no lugar de uma prévia) o que me parece querer copiar The Boys como uma crítica ao material que referencia, mas, sabe, sem ter a coragem de efetivamente oferecer qualquer crítica (afinal, o problema não são os Rangers ou a estrutura corrupta que os formou mas as pessoas corruptas que ocupam essas posições hoje e substituindo-os facilmente se restaura o status quo e tudo se resolve, confia).
Falta encontrar o tom certo para produzir o material, mas mais que tudo, falta coragem para fazer o material da maneira certa e oferecer algum comentário que valha a pena...
16 de julho de 2020
{Remender de Quinta} Black Science Matters
Isso até pode(ria) desenvolver e desenrolar nos capítulos futuros e apresentar coisas interessantes nessas histórias, só que, bem, verdade seja dita não faz.
No primeiro volume mesmo (na edição 5 ou 6) já nos é apresentado um Grant McKay de uma realidade alternativa, e, o volume 2 nos mostra outros e mais destas realidades alternativas e mundos paralelos com ramificações diferentes para as consequências e ações dos personagens...
Os mundos alternativos e as variações do mesmo personagem fazem muito mais com que nada importe e tenha conseqüência do que, de fato, que os riscos sejam relevantes e importantes (como é a impressão nítida na primeira edição enquanto o protagonista corre freneticamente por sua vida).
12 de abril de 2026
{Editorial} Solo Leveling é a coisa mais idiota que eu já assisti?
Existe algo que eu genuinamente admiro na estrutura de quadrinhos japonesa (e eu sei que Solo Leveling que está no título é uma série sulcoreana, por favor, me dê um pouquinho mais de crédito), ainda que eu saiba de todos os problemas da estrutura de produção, da estafa, e tudo o mais que afeta a estrutura produtiva, e, o que eu admiro genuinamente é a forma como a indústria de quadrinhos japonesa é capaz de se reinventar a cada dez/quinze anos.
Não vou fingir que eu conheço todas as fases, ali dos anos 1950 pra frente, mas pegando mais ou menos ali quando eu nasci e começa uma onda de grande popularidade nos anos 1980-1990 com Dragon Ball, Cavaleiros do Zodíaco e Yu Yu Hakusho (mas obviamente não apenas esses), e que tem uma transição até o final dos anos 1990 e começo dos anos 2000 quando começam a surgir One Piece, Naruto e mais uma leva de outros quadrinhos relevantes, incluindo Death Note e Full Metal Alchemist e mais próximo do momento atual dos 2015 pra frente (ainda que One Piece continue sendo publicado assim como Naruto agora através de seu filho Boruto e Dragon Ball foi ressuscitado uma terceira vez), temos mais uma leva surpreendente com Jujutsu Kaizen, Dan Da Dan, Demon Slayer, Dr Stone, My Hero Academia e mais uma lista crescente.
Isso tudo sem ignorar fenômenos de quadrinhos de esportes como Hajime no Ippo (sendo publicado desde 1989) ou Slam Dunk e outras obras sejam com escopo mais limitado (como Akira ou Ghost in the Shell que são mais curtas) ou com finalidades mais cômicas ou mesmo voltadas para nichos mais específicos.
Eu acho muito legal isso, mesmo que bem provavelmente chegue pra gente só uma fração muito pequena de todo o escopo de material - afinal são os produtos que dão certo no Japão e conseguem catapultar para o mercado internacional de uma forma ou outra, geralmente através das animações (que já são o primeiro passo para catapultar uma produção de sucesso no próprio Japão e conseguinte para outros mercados), e muito legal quando comparamos com o que estamos acostumados dos Estados Unidos, Europa e não obstante o próprio Brasil, com material que vai seguindo uma estrutura da cobra comendo o próprio rabo e expandindo ad infinitum sem qualquer pretensão de considerar uma nova voz e ouvir suas histórias - apenas a de vender novas roupagens para personagens antigos.
Não vou fingir que todas as histórias e séries citadas aqui nos parágrafos anteriores são ideias originais e criações inovadoras (eu sei que não foi George Morikawa que inventou o boxe e que Akira Toriyama bebeu bastante de Jornada para o Oeste para o começo de Dragon Ball), ainda que seja hipocrisia fingir que todas as histórias e séries populares no Ocidente o sejam (droga, Superman usa a história de Moisés como base para sua origem enquanto Batman é inspirado em heróis como Zorro - que é inspirado no Pimpinela Escarlate, sim, isso existe), mas tudo isso é parte de uma discussão maior de como artistas 'se inspiram' ou até mesmo roubam o trabalho de outros, e, francamente eu não quero mexer nesse vespeiro até porque eu passei cinco longos parágrafos sem nem entrar no assunto do texto.
Todo esse contexto é para falar de um dos animês/mangás que ganhou notoriedade nos últimos anos, a produção sulcoreana Solo Leveling e que compartilha muito da estrutura narrativa e visual da produção japonesa mas falta alguns aspectos fundamentais para que o material tenha de fato substância, e são problemas estruturais (e não, eu não vou pegar os graficos do Felipe Boni apara justificar as superestruturas do capitalismo), porque o material é 100% estilo.
Faz sentido que o estilo seja impressionante - e várias das cenas de luta são realmente interessantes de se ver, ainda que, passado o terceiro ou quarto confronto do protagonista fica mais claro que ele nunca corre nenhum real perigo - mas são apenas calorias vazias, é só salgadinho de milho e logo você quer mais, só que percebe que não vai conseguir extrair aqui.
Solo Leveling é uma história Isekai em que portais mágicos se abrem aleatoriamente no mundo e estes portais levam a mundos de RPG onde os monstros de D&D são reais e, obviamente, uma vez que esses portais surgem as pessoas do planeta também tem maior propensão para combater esses monstros - na exata e idêntica estrutura de uma campanha de dungeons and dragons, incluindo classes e encantamentos, mas, de maneira a dialogar com o jovem que conhece RPGs através de videogames, também com caixas de pilhagem e recompensas aleatórias.
Isso é basicamente um jogo de RPG moderno, não é mesmo?
Tipo Persona, né? Só que sem o carisma dos personagens, a motivação dos vilões, a construção de mundo e, sabe, o elemento mais importante de um jogo, a interatividade...
Ou seja, um jogo sem muita imaginação e criatividade com elemento bem típico de uma estrutura narrativa de Mary Sue em que o protagonista realiza todas as fantasias - e compensa todas as frustrações - do autor, mas, e pior que tudo, um jogo sem a decisão e ação do jogador, e sem qualquer imprevisibilidade pois tudo já foi arquitetado em avanço, e que, devido a parca habilidade narrativa do autor, fica muito claro o desfecho de cada evento antes mesmo de rolarem os créditos de abertura do episódio.
O gênero Isekai se popularizou bastante nos últimos anos - mais ou menos desde a pandemia, mas acredito que um pouco antes, e isso produziu uma série de obras, que honestamente, eu só de ver os títulos já me faz passar longe, e Solo Leveling (de novo, que é coreana e não japonesa) é talvez uma das grandes responsáveis dessa popularização do gênero em conjunto com Sword Art Online...
E eu não sei se isso é uma limitação do gênero Isekai (que eu acho que comentei em outro texto, mas basicamente é onde alguém que é um nada aqui na Terra se vê em um mundo onde ele é incrível e genial - mais ou menos como Flash Gordon e John Carter, só que em universos inspirados por RPG) ou mesmo quais as características do gênero em si para ver se nele se inserem por exemplo Matrix ou Avatar (que pela minha descrição no parêntesis anterior funciona perfeitamente, certo?) ou se ele de fato começa e toma forma a partir de Sword Art Online no final dos anos 2000 começo dos 2010.
Mas, Solo Leveling especificamente falha em estabelecer tanto o personagem principal da sua narrativa - que singra entre mundos com liberdade e começa como um garotinho mirrado e que apanha sempre e se torna um cantor de K-Pop em algumas semanas (inclusive ficando mais alto) conforme se torna mais forte e confiante... No entanto, falta o desenvoolvimento ao personagem, que conforme ele 'sobe de nível' (como num jogo) e fica mais forte, não existe nenhuma alteração significativa em sua personalidade ou qualquer conflito.
Sung Jin-woo tem um dilema em que ele enfrenta criminosos (que estavam dispostos a matá-lo, é verdade) em determinado episódio e sua reação diante do cenário não é muito diferente de quando ele precisa enfrentar um monstro que lhe oferece pontos de experiência (para subir de nível), e mesmo depois não vemos o personagem lidando com isso com alguma consequência mais dramática ou significativa - mesmo que a história prometa um confronto vindouro com o irmão de um desses bandidos que é um cara muito mais forte e etc, só que é uma consequência muito vazia e rala em si.
Droga, tem toda uma narrativa de dois investigadores acompanhando o caso de Sung Jin-woo e um desses caras é um psicopata - que leva a outro confronto com uma pessoa sem nenhuma consequência, reação ou desenvolvimento do personagem - e no geral isso só vai cansando pelo quão vazio tudo é, se esforçando tanto mais tanto mesmo para ser legal com suas cenas de ação (que são boazinhas, claro, se você considerá-las fora de contexto narrativo) e ignora todo o resto, jogando clichês e estruturas subdesenvolvidas de narrativa e personagens para prencher o vazio dos capítulos.
E enquanto existem coisas que eu não gosto mas consigo entender o público desse material - e que eu não estou nesse público, como os filmes do Mário da Illumination ou Frieren que eu comentei não muito tempo atrás - e eu sei que isso se aplica aqui também, não muda o fato que quanto mais eu penso sobre o material mais eu vejo as lacunas e falhas em sua execução e desenvolvimento, coisa que eu não consiga nos outros exemplos nesse parágrafo, só entenda que eles são para outro público que não eu.
Tudo bem se você curtiu e curte Solo Leveling, amigo leitor, seja feliz com o que te faz feliz. Eu só proponho que você tente observar um pouco mais de perto porque as rachaduras vão ficar visíveis e com isso talvez você consiga apreciar outras narrativas e histórias melhor desenvolvidas.
Tente ver que os desafios são todos risíveis, que o protagonista não tem nenhum desenvolvimento (e é uma Mary Sue - ou seja, uma auto-inserção do autor para compensar suas frustrações, tal qual a saga Crepúsculo), ao mesmo passo que a narrativa não oferece nenhuma reviravolta relevante ou mudança da estrutura "protagonista enfrenta desafio e vence" e mesmo as cenas de ação que são o grande chamariz para o material, que elas fracassam quando a vitória já está definida e o protagonista vai vencer quase sem nem suar.
Mesmo o ponto de algum maior mistério que é a janela pop-up que o protagonista (e somente ele) tem acesso, não parece gerar qualquer tipo de questionamento ou desenvolvimento narrativo além de alguma observação mínima aqui e ali.
Então é a coisa mais idiota que eu já assisti? Dificilmente, mas que se esforça para entrar na lista com toda a certeza se esforça (e honestamente, eu tenho que destacar que eu assisti aquele seriado do tiozão que quer ser um Kamen Rider, e aquilo é tão estúpido que quase faz Solo Leveling parecer Shakespeare em comparação)
13 de novembro de 2024
{A vida após Netflix} Uma (longa) análise sobre como interagimos com a mídia após o streaming
Talvez essa não seja tão longa (ou tão chata) quanto minha série de postagens sobre porque os quadrinhos vendem mal, mas após ver os inúmeros cancelamentos que a plataforma de streaming faz de novo e de novo (e de novo) de bons seriados enquanto outros materiais tendem a durar bem mais tempo em sistemas convencionais de produção de entretenimento (sabe, com lançamentos periódicos preocupados com audiência e muitas vezes se adaptando e mudando justamente pela flutuação desta).
Eu venho assistindo Shameless com minha namorada - a série é longa com mais de 10 temporadas, com uma versão britânica que precede o material com William H Macy, Jeremy Allen White e Emmy Rossum (além do Goku de Dragon Ball Evolution por alguns episódios) - assim como vi alguns materiais cancelados pela Netflix (a ótima Mindhunter vem em mente, mas obviamente não é o único exemplo) que me fez pensar muito sobre a natureza da produção de entretenimento moderno e tudo o que mudou.
Séries hoje são produzidas de forma diferente de trinta, droga, mesmo pouco mais de dez anos atrás quando a Netflix começou com House of Cards, com temporadas mais curtas - que era o formato destinado a séries de prestígio da HBO - mas muito se deve a forma como interagimos com a mídia mais do que o formato dos shows.
Comédias, animações ou mesmo shows de variedade que comumente possuiam temporadas longas (ainda que muitas vezes de episódios curtos), hoje são divididos em temporadas mais curtas ainda que em alguns cenários com mais de uma temporada por ano, para ter mais tempo de exposição ao público ao material. Mesmo com os animês que possuem uma estrutura bem diferente das convencionais temporadas (ainda que os distribuidores estadunidenses tentem vender nesse tipo de embalagem) cederam mais para uma estrutura mais próxima de temporadas anuais e produção episódica limitada (como My Hero Academia ou Attack on Titan) do que, bem, a insanidade de produzir episódios para acompanhar com o ritmo da produção semanal de um material conforme ele é lançado (sabe, como One Piece ainda é feito).
Este é apenas um teaser para discutir a ideia, e, começaremos em breve numa discussão sobre as estruturas narrativas, o que diferencia um seraido de um filme e as diferenças em formatos de produção de entretenimento.
17 de junho de 2024
{Resenha Lixo} O Estadão, digo, a resenha do Estadão para The Boys
Honestamente eu acho que já falei tudo o que eu precisava falar sobre The Boys. Eu não gosto da série e acho que é superestimada, além do fato que ela só existe porque seu criador ficou putinho que as grandes editoras norte-americanas não lhe davam espaço para publicar histórias de guerra para publicar mais super heróis.
Eu já falei que a proposta não funciona (uma indústria farmacêutica produzindo gente super poderosa desde a década de 1950 e o mundo é virtualmente idêntico ao que nós vivemos com a diferença que essa indústria farmacêutica é basicamente as 50 maiores da Forbes combinadas e depois de quatro temporadas a série ainda não conseguiu explicar qual o papel ou função dos super heróis nesse mundo - além de serem famosos e idolatrados?), eu já falei que o comentário político é raso quando existente (e muitas vezes ele só tende para alguma cena grotesca - de cunho sexual, violento ou uma combinação dos dois), e, droga nada mudou nem dá menção de que vá mudar... Até o Estadão escrever "The Boys se assume woke, abraça o viés político e deixa rivais Marvel e DC para trás", e além do título longo, estúpido e que não significa coisa nenhuma.
Começo pelo fim, da dieia de deixar 'as rivais Marvel e DC para trás' que honestamente é *smack* um coco de cereja colocado num bolo de merda.
Quer dizer, o problema com o filme do Flash foi que não tinha nenhuma cena dele se movendo tão rápido para transar com ele mesmo ou desmembrando pessoas em alta velocidade? Ou é o fato que ele não é woke e faz algum comentário político raso? Realmente gostaria de sacar a análise genial dessa resenha ainda mais quando, e, isso é importante tanto Marvel quanto DC (e, diga-se de passagem mesmo o mercado japonês com My Hero Academia) conseguem produzir material mais maduro e inteligente. Mas o material para gerar lucro para os grandes estúdio e agradar o grande público tem que ser o arroz e feijão para chegar ao meio oeste estadunidense e passar incólume por toda uma leva de gente que se ofende e incomoda com o mínimo do mínimo - e isso significa fazer poucas apostas, produzir continuações e filmes com grandes marcas já conhecidas.
Quer dizer, você viu que tem um novo Bad Boys com o Will Smith nos cinemas continuando a ideia de filmes com duplas de policiais que são basicamente a lei mesmo (ou apesar de) com toda a destruição que causam no processo? E já foi anunciado MAIS um Transformers? Ah, e não vamos esquecer do Velozes e Furiosos 11!
Todos esses vastos exemplos de filmes que empregam talento capaz de revisar completamente tudo o que suas franquias construiu até agora para tecer um novo tipo de comentário, estabelecer alguma autocrítica, mudar o tom ou formar uma ponte para uma nova direção mais ousada para o material, né? (Como assim são basicamente repetições dos mesmos pontos cansados que outros filmes - não somente dessas franquias - já fizeram a exaustão mas que funcionam e portanto serão repetidos para garantir mais alguns quinhões para os investidores?).
Droga... Alguns anos atrás teve toda uma questão sobre a animação da Arlequina que queria fazer uma piada com o Batman fazendo sexo oral na Mulher Gato e a editora disse que isso não é algo que super heróis façam - e depois a piada acabou no ar, e, bem, não é nem engraçada nem funciona e a editora estava certa em barrar (só não em sua justificativa). E isso tudo é só bobagem tentando produzir algo ousado mas sem se preocupar em produzir conteúdo! Isso resume The Boys em cada episódio!
The Boys faz isso desde a primeira temporada e não mudou com a temporada mais recente (seja com o personagem que é flagrado fazendo uma suruba com ele mesmo na quarta temporada sejam outras situações de cunho sexual mais ou menos perturbadoras - como na primeira temporada quando Annie foi forçada a fazer sexo para ser aceita pelo grupo da Vought)!
Não 'ficou woke' ou 'abraçou o comentário político' (droga eles já vinham com esse comentário político do Capitão Pátria republicano e cristão desde o começo do seriado!). E muito menos trouxe a esse comentário algo mais interessante que duas piscadelas para a câmera seguidas de nudge, nudge, não diga mais nada.
A quinta temporada de Fargo traz um vasto comentário político (e extremamente poderoso) sobre conservadores e seus valores "cristãos" (sabe, enquanto considerando mulheres suas propriedades para abusar e espancar quando der na telha), além de uma pesada crítica ao uso miliciano da polícia em sua estrutura. Mas a série não ficou 'woke' (nem deixa para trás suas rivais CSI e Law and Order).
Mas esse é o ponto da péssima resenha do Estadão: Gerar engajamento, sem se importar ou comprometer com qualquer integridade jornalística (ou coerência). Fazer pessoas lerem algo tão mal estruturado para que fiquem incomodadas e se manifestem, compartilhem com outras pessoas e, como um patinho eu cai.
10 de setembro de 2020
{Resenha de quinta parte 2} The Boys don't Cry (versão com Spoilers)
Imagine um mundo em que os irmãos Lumière não inventaram o cinematógrafo. Por mais difícil que seja imaginar todas as possíveis ramificações, é fácil ver alguns dos efeitos mais claros e imediatos: Sem o cinema, uma enormidade de astros famosos nas telinhas migrariam para outras áreas - seja como atores mesmo ou em segmentos completamente diferentes.
Não haveria Chaplin ou Harrison Ford por exemplo, mas eles talvez seguiriam carreiras como atores de teatro ou rádio. E isso mostra outro efeito da popularização de outra mídia no lugar da que nunca existiu.
Isso é história alternativa, algo que por mais lógico que seja na ficção, seja de fato poucas vezes (bem) explorado e construído. Narrativas no geral tentam ignorar que o mundo seria efetivamente diferente com a existência ou ausência de um fator primordial.
No caso de The Boys é a existência de super heróis.
E enquanto Watchmen ou My Hero Academia exploram em maior detalhes os efeitos da existência de super seres em um mundo tipicamente 'real' e o quanto a presença destes afeta a realidade, The Boys simplesmente finge que a existência de super seres se incorporaria na realidade como celebridades adoradas e idolatradas. E ignora que, bem, tão importante quanto o mito da celebridade está o mito da destruição de celebridades.
Nossa sociedade adora ver o colapso mental de uma figura pública - tenha ela feito algo errado ou não.
Um ator dá um soco na cara de um paparazi (que para a manchete vira 'jornalista')? Milhões vão querer ver! O contexto da história não é importante.
Mas no mundo de super heróis corruptos e auto destrutivos de The Boys, as pessoas preferem ser e se manter ignorantes do comportamento auto-destrutivo.
Por mais que o herói veloz dependa de patrocínios - e precise constantemente competir para marcar seu lugar e sua presença - ninguém tenta flagrar esse personagem com uma amante ou frequentando um clube onde as pessoas se drogam e fazem todo tipo de atividade recriminável. O foco é somente na idolatria destes seres... Sim, eles tem 'rondas' que são monitoradas por equipes de produção enquanto analistas buscam possíveis crimes que sejam cinematográficos o suficiente.
E aqui é onde a coisa fica mais difícil de entender... No universo de The Boys não existem (ou não foram mostrados) vilões ou ameaças que de fato requeiram tamanha demanda por super seres.
Combater roubos a caixa forte, estupros e outros crimes...? A polícia dá conta deste tipo de atividade - com erros e acertos na condução das investigações, e, nenhum dos super poderes mostrado na primeira temporada denota algo de efetivamente auxiliaria no combate ao crime (talvez o herói falido Mesmer).
Desastres naturais e acidentes com transportes...? De fato é mais difícil prever e antecipar, mas não é exatamente o tipo de coisa que ocorre com grande freqüência - nem, como vemos na série que os heróis possam de fato fazer muito mais do que já acontece em nosso mundo.
Porque então existe tamanho culto de celebridade para estes seres poderosos? Faria sentido se, vamos supor, seres como Homelander tivessem impedido o ataque das Torres Gêmeas nesta história alternativa (apesar disso ser outra história em quadrinhos...) ou conduzido uma retaliação mais rápida e eficiente aos terroristas da Al Qaeda. Mas os super heróis dessa narrativa não integram ações militares - na verdade até é o ponto da narrativa na primeira temporada para que os heróis da Vought possam integrar ações militares.
Então repito... Porque as pessoas desta realidade se importam tanto com super heróis se não existe demonstração clara (e evidente) de que eles servem a alum propósito que de fato faz da vida das pessoas comuns melhor?
Sei que com artistas isso é similar (nenhum ator de Hollywood ou cantor de qualquer gênero faz de fato com que a vida de seu expectador seja melhor), mas ainda assim a percepção é diferente, assim como a estrutura. Mick Jagger não é famoso por ser famoso, tampouco Beyoncé.
Do que vemos na primeira temporada, Capitão Pátria é famoso por impedir um assalto e fazer discursos em eventos cristãos... Outros personagens como o Translúcido ou mesmo o Black Noir nem isso tem.
Essas pessoas são famosas por seus poderes, então seria importante ver constantemente a demonstração destes poderes na prática para ao menos criar a ilusão de que eles estão contribuindo para a melhora das vidas das pessoas - o que não ocorre ou é demonstrado no seriado. Então, se existe tamanho culto de celebridade... Onde estão os Paparazzi para flagrar super heróis bêbados ou canais sensacionalistas para cobrir cada erro destas figuras como algo execrável (como é)?
Até porque fica ainda mais estranho (ou confuso) quando o seriado deixa claro que estas pessoas poderosas de fato são responsáveis pela estrutura de mídia acerca de suas marcas, como filmes e seriados... Só que isso não faz exatamente muito sentido (a menos que seja o filme dos Jovens Titãs, né?), e até vai contra o propósito do heroísmo como um todo.
Mais: Porque a idolatria aos super é tamanha e tão grande nesta temporada (antes dos supers estarem envolvidos com o exército), já existindo há pelo menos uma década (uma década mais ou menos do sumiço de Becca Butcher quando Capitão Pátria e Rainha Maeve já eram famosos, mas, como Giancarlo Esposito declara no começo da segunda temporada, eles existem há bem mais do que isso, pelo menos desde a segunda guerra mundial com uma versão do Capitão América) ignorando, bem, o aspecto altamente litigioso do ser humano?
Sério, não só Hughie recebe uma oferta de um calaboca pela morte de sua noiva no começo da série como a esposa de Billy e mais alguns personagens são apresentados com situações semelhantes (num encontro de grupo de suporte para vítimas de acidentes com super poderosos). Isso é, ao meu ver, o aspecto mais bizarro da série.
E não importa que o pai de Hughie destaque que processar um super é tão difícil quanto processar um policial... Antes da participação da Vought em contratos militares, deveria ser extremamente comum - e empresas concorrentes deveriam exatamente explorar estes riscos de acidentes civis e ocorrências litigiosas.
Nessa questão do exército, inclusive, é onde está o grande x da questão de porque a cronologia de The Boys faz pouco sentido, se algum. Vemos que Billy Butcher e seu grupo de caçadores de Super tinham aval da CIA em algum momento entre o sumiço de sua mulher e o presente, mas... Porque a CIA e o FBI (e mesmo o congresso norte-americano assim como o exército) não faria mais e mais detalhadas investigações...?
Em uma temporada vemos uma enormidade de corrupções e crimes dos quais a Vought está envolvida (em um período que, quiçá equivalha a um ano), e o governo dos EUA simplesmente ignora crianças sendo drogadas com compostos químicos perigosos que geram poderes aleatórios...?
Sei que algumas destas questões podem ser explicadas ou corrigidas em futuras temporadas (e até um filme de Billy Butcher que deve sair no meio da segunda temporada pela própria Amazon), mas, considerando que estou somente focando nos principais problemas - ou ao menos nos principais que me chamaram a atenção - parece cada vez menos provável que estes erros se corrijam.
19 de outubro de 2019
{Resenhas} X-men de Jonathan Hickman (com Spoilers)
Tudo isso é muito legal e muito interessante e tem perspectivas incríveis para anos de histórias (como eu já disse), mas tem alguns problemas muito sérios que precisarão de solução para que a coisa toda flua melhor e mais coerente.
Um dos problemas principais, ainda que algo redundante de quadrinhos de super herói (americanos, diga-se de passagem, já que o mangá My Hero Academia é beeeem diferente nesse aspecto), reside na morte e subsequente ressurreição de personagens.
Hickman deixa bem claro que tem uma técnica para ressuscitar qualquer personagem mutante que ele bem entender, e, enquanto isso pode render problemas maiores e confusões ainda maiores (já existe uma série de especulações sobre Xavier alterar a memória de personagens nesse processo de ressuscitação), nesse primeiro momento ao menos fica uma sensação nítida de que dentro desse status quo dos personagens ao ponto de que mortes, lesões sérias ou qualquer outro tipo de complicação permita tão somente o uso do processo convoluto de ressuscitação desenvolvido por Xavier.
Considerando que a própria Marvel trabalhou com algo bem mais interessante no caso do Hulk Imortal do Al Ewing (imbuindo toda a lógica do Hulk e da radiação gama na ideia dos muitos monstros - que como nos filmes de horror, sempre voltam).
De novo, sei que outros quadrinhos trouxeram personagens dos mortos com explicações ainda mais idiotas (quando sequer ofereceram alguma explicação) mas isso não muda o velho problema de que a morte é só uma inconveniência em quadrinhos de super herói - e no caso dos X-men nem chega a tanto, já que com um processo de ressuscitação tão facilitado, poderia com facilidade levar ao extremo da hq de Bryan O'Malley, Repeteco, em que a personagem reinicia a realidade sempre que o mínimo incômodo e inconveniente lhe ocorre (Surgiu uma espinha em meu rosto? Vou ressuscitar em um novo corpo sem espinha...).
Pode render, pode representar algo no longo prazo (até porque a trama com anos 100 e 1000 tende justamente em conceitos de inteligências coletivas e coisas do tipo e esse debate somado com o conceito de individualidade pode render um caldo), mas também pode tirar todo e qualquer senso de perigo imediato... Na verdade, até 'se' existe qualquer perigo.
Tem uma série de personagens omissos que podem representar mudanças significativas (inclusive com suas ausências definitivas das séries mutantes, nos casos de Bishop ou Cable por exemplo, dois viajantes do tempo), mas é o caso da Feiticeira Escarlate (que era mutante, deixou de ser e eu nem faço mais ideia do que é hoje em dia) que pra mim entra num problema mais abrangente dos retcons (como a DC já experimentou algumas vezes) que é o bom e velho 'o que ainda vale na cronologia?'.
Xavier tem conhecimento de eventos futuros desde o 'ano 0' no que molda-se essa nova realidade que estamos lendo na série. Mas o que mudou e muda?
Quais eventos das histórias X mudam completamente e quais continuam valendo como foram publicados...? Sei que isso pode (ou não) ser explorado nos próximos capítulos e anos inclusive (a primeira edição de X-men lançada nessa semana já traz alguns relances sobre isso), mas é justamente nessa reconstrução de mundo - ainda mais um mundo integrado a outros diversos títulos igualmente mensais e algumas vezes conflitantes - que tudo pode degringolar rápido.
Vou dar um voto de confiança e francamente até ignorar bastante do material avulso (como o crossover programado para 2020), até porque no momento o saldo é bem mais positivo que negativo.
26 de janeiro de 2020
{Editorial} Mas não é o ponto de uma adaptação...?
Droga, mesmo a concepção do trabalho se perde conforme fica claro (ou cada vez mais claro) que quem escreveu o material não entendeu ou não gostou da obra de Alan Moore. É só ver todo o trabalho para justificar a conclusão de Dr Manhattan na obra de Moore (que parte para o universo para criar vida e descobrir os segredos do universo) com uma piada sobre ejaculação precoce.
A partir daí você pode tirar suas próprias conclusões, não?


