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27 de novembro de 2025

{Resenhas de Quinta} O Munster e eu

Eu confesso que me interessei pela premissa da série da Netflix O Monstro dentro de mim com Claire Danes e Matthew Rhys, e, com o primeiro episódio estava razoavelmente captivado. Claire Danes é uma atriz extraordinária e consegue produzir algo fantástico mesmo com o roteiro mais pedestre do mundo, e, bem, esse é potencialmente um dos roteiros mais pedestres do mundo.

Quer dizer, é aquele suspense/thriller que você já viu umas vinte e cinco mil vezes mas que no lugar de recombinar elementos e oferecer alguma reviravolta nova ou ideia original ou, sabe, qualquer coisa diferente (como mesclar elementos de outros gêneros como humor, horror ou dadaísmo pelo que importe) parece contente pura e simplesmente em produzir algo mais rocambolesco e achar que conveniência e personagens com listas (já elaboro mais nisso) é o suficiente.

Veja, eu não acho que um personagem precise de complexidade para ser interessante, e, muitas vezes os personagens mais interessantes são tão básicos e simples como pires. Batman funciona quase noventa anos depois (e gerou toda uma enormidade de derivados que viram seus pais ou entes queridos assassinados e por isso resolveram combater o crime), ao oferecer uma visão simples que permite desenvolvimento e complexidade.

Aghata (a protagonista vivia por Claire Danes) é uma 1) escritora vencedora de prêmios 2) endividada que 3) perdeu o filho num acidente de trânsito (que resultou 4) no seu divórcio e 5) numa complexa batalha judicial com o responsável), e, 6) está lidando com o bloqueio mental na produção de seu mais recente livro seguindo o sucesso do anterior.

Isso não é tudo, mas, honestamente já é demais e sobra ruído no quanto as informações se perdem e escapam - inclusive quando aparece o 1) agente do FBI bêbado que 2) tem um caso com sua ex-parceira e 3) está obcecado com um caso que nunca resolveu enquanto... - ao mesmo tempo que nada disso se refere ao foco da narrativa e da história. Isso tudo são apenas elementos, e, de novo, ruído para a trama principal que é do vizinho novo de Aghata que é um bilionário pomposo e excêntrico que pode ter matado a primeira esposa e essa turminha do barulho vai causar muitas confusões e virar a vida da pacata escritora de cabeça para baixo...

Quer dizer, o material mesmo se perde nessas listas de elementos que definem os personagens enquanto tenta justificar a história ou a narrativa de qualquer forma, ao mesmo passo que vai apresentando coincidências para que exista uma história (o vizinho que pode ter matado a esposa se muda justamente no aniversário da morte do filho de Aghata que percebe que está empacada com seu livro)...

E a história é tão boba e sem graça quando você tira esse ruído extra (ou talvez o diretor seja ruim e o roteiro não ajude, não sei dizer), que fica difícil recomendar. Talvez pela atuação fantástica de Rhys e Danes, mas, mesmo isso é pouco pra justificar qualquer coisa.

Talvez eu só não esteja no clima para esses materiais, talvez 2025 seja um ano ruim de produções (droga, Glen Powel continua não convencendo que consegue fazer qualquer coisa e por algum motivo que me escapa Kim Kardashian """"estrela"""" uma série que nem que me paguem eu assisto, e eu nem quero me repetir do que eu já falei, ou do quão pouco animado estou para o final de Stranger Things...), mas francamente por mais que eu tentasse de novo e de novo, não funcionou.

Só posso dizer que não é pra mim. 

25 de novembro de 2025

{Reagindo aos reaças} Influencers idiotas não acreditam na ciência

Te parece minimamente curioso que a mesma galera que duvida do pouso na lua acredite em alienígenas do passado? Quer dizer... Civilizações alienígenas conseguem viajar no espaço (e se manter incógnitas de registros históricos ao longo dos séculos) mas seres humanos (geralmente de tonalidade de pele diferente do branco na escala Pantene, curiosamente) não seriam inteligentes o suficiente para, bem, qualquer avanço científico mínimo.

A resposta para o motivo de algumas pessoas acreditarem que, bem, gente do passado não ser capaz de conquistar avanços brilhantes na história é, em geral, porque elas próprias não são muito brilhantes (como o trapaceiro influencer Jake Paul ou a Kim porque diabos é famosa afinal de contas...? Kardashian) e nisso são completamente incapazes de entender que, bem, existe gente bem mais inteligente que elas, e, invariavelmente no passado também existiria - e, no passado essas pessoas bem mais inteligentes se reuiniria com outras pessoas mais inteligentes para bolar projetos e encontrar soluções criativas para os problemas do passado.

Paul, inclusive, é um caso curioso de alguém que trapaceia em lutas - lutando boxe com ex-campeões de MMA (ou seja, diminuindo as opções desses lutadores) ou MMA com ex-campeões de boxe (basicamente a mesma coisa), ou, ainda lutando com gente bem fora de forma e longe de seu pico. Ou seja, se um trapaceiro diz que houve trapaça no pouso da lua, ele claramente entende uma coisa ou outra de trapaça.

Curiosamente, se existe uma coisa que trapaceiros não gostam é de fatos, e, quando analisamos os fatos históricos fica bastante claro através de fatos bastante comprováveis como os satélites que garantem o bom funcionamento de nosos aparelhos celulares (e não apenas eles) de que a corrida espacial foi um avanço considerável, e, que sua conclusão lógica seria chegar à lua (como ocorreu) e, que igualmente se uma fraude dessa natureza fosse produzida o outro lado se esbaldaria expondo seu adversário.

Certo, mas como é que essa galera que não questiona o governo 'Muricano quando ele vende armas para o Irã para comprar drogas na América Central (ao mesmo tempo que fortalecia - e fingia combater - o tráfico de drogas na Colômbia nos anos 1980 e a Venezuela agora para desestabilizar o governo - mas, ei, Nancy Reagan dizia que era só dizer não às drogas então está tudo certo).

Afinal, um barco de pescadores na Venezuela (onde os Estados Unidos não tem jurisdição ou deveriam atacar sob nenhuma perspectiva) ou um casamento no Oriente Médio (mesma coisa do parênteses anterior) é válido como alvo quando o governo diz que eram terríveis e perigosos terroristas (mesmo que somente quem diga seja o governo norte-americano e que, de noov, não tem jurisdição ou deveria atacar ali sob nenhuma perspectiva).

Nisso você acredita piamente em cada palavra da 'Murica mas quando existe toda uma linha do tempo, descobertas e avanços científicos justificáveis e mensuráveis que podemos vislumbrar em nosso dia a dia e nossas vidas, e que são consequência direta dos avanços da corrida espacial... Bem, aqui é muito difícil de acreditar, né?

Mais fácil confiar no pedófilo, amigo de um pedófilo (que curiosamente """"se matou"""" na prisão quando nenhuma câmera funcionava) que numa agência espacial que recebeu milhões para vencer uma corrida espacial (e, sabe, apresentou todas as provas disso - e não só os videos, as pedras lunares e todos os avanços científicos - que incluem a comprovação de teorias sobre a formação do universo - além de tecnológicos que conseguimos justamente por isso).

Afinal, qual dos lados pode ter mentido e ganha mais mentindo, não é mesmo?

Será que o boxeador que forja lutas para ganhar patrocinadores ou a mulher vazia e estúpida que é famosa unicamente por postar fotos (constantemente e de absolutamente tudo)... ou a agência espacial desenvolvendo conhecimento científico? Realmente difícil de imaginar a resposta... 

20 de novembro de 2025

{Resenhas de Quinta} A biografia do Bruce Springsteen (que você também não lembra o nome do filme mesmo olhando pro pôster, né?)

Existe algo particularmente fascinante na história de Bruce Springsteen, mas talvez não pelos motivos certos.

Talvez eu seja execrado por essa opnião é verdade, mas eu sinceramente acho que Springsteen é um poço de mediocridade e que expõe categoricamente como a 'Murica tenta vender seu sonho americano goela abaixo e não importa mais nada... Não que seja particularmente uma exceção (como quando criaram os Monkees para competir com os Beatles), ou mesmo algo diferente do que vimos em décadas seguintes com as boy bands e, bem, a Taylor Swift... Sinceramente eu duvido que se ele tivesse nascido na Bélgica, Bielorrussia ou aqui no Brasil que ele seria um músico, e, a verdade é que ele só se tornou um grande astro por uma série de combinações que fazem dele o Forrest Gump do rock.

Ele deu muita sorte de começar sua carreira nos EUA num ponto em que, apesar da ascenção do rock internacional e mesmo da contracultura do rock a partir do Woodstock, não haviam particularmente estrelas no mesmo callibre nos Estados Unidos. Você tinha o Kiss para quem gostava de algo mais pesado e tinha o Creedence para quem queria algo mais próximo do country, mas não tinha lá muitas opções para competir com grandes artistas britânicos... Talvez Jimmy Hendrix, é claro, mas, bem ele era negro e não vamos fingir que a 'Murica rural corria para comprar ingressos para vê-lo em turnê.

Springsteen surge como a resposta da 'Murica ao Eric Clapton e ao Bob Dylan (sim, também estadunidense, mas, sabe, mais folk e menos comercial e com fama de pedante e intelectual), talvez até "o Bob Dylan comercial" que a crítica musical estadunidense queria como alcunha para o artista e devorava cada peido dele como se fosse a próxima vinda de Cristo. Cada álbum medíocre era aclamado e coroado como o lançamento da década ou do século, e, para um público que tinha cada vez menos opções no rock (sem pender para o metal ou alguma de suas vertentes) e que Deus me livre passava longe de progressivo (pelos mesmos motivos que passavam longe de Bob Dylan - menos comercial, pedante e intelectual), bem, Forrest lotava estádios com gente branca ouvindo canções de colarinho azul sobre como a vida era difícil para gente branca de colarinho azul na 'Murica rural.

Não que o artista seja ruim (até acho que ele tem umas dez ou quinze músicas muito boas), mas ele está longe de merecer todos os elogios que recebe, e até mais que isso de ser tudo o que se projeta nele. Suas letras são bastante pedestres e lugar comum (talvez por isso ressoem tanto com a 'Murica rural, mesmo quando eles não entendem que Born in the USA é uma música de protesto - e continuam a usar como slogan político) e sua musicalidade não traz nada particularmente interessante ou digno de nota... Só que depois de décadas de elogios e loas, ele apela tanto para a nostalgia de um rock clássico para tiozão quanto fica difícil dizer que ele não é nem nunca foi tudo isso.

Nisso, executivos de Hollywood vendo o sucesso de filmes sobre músicos - inclusive de artistas menores como Robbie Williams - em um momento de sinergia corporativa simplesmente pensa: "Mas e se fizermos um filme sobre o maior artista do rock norte-americano?" (De novo, não o Jimmy Hendrix).

Eis que nasce Salve-me do Desconhecido (Deliver me from Nowhere) com o astro de The Bear e toda a espectativa de produzir o próximo grande sucesso (na temporada de prêmios)... E o filme é um sonífero.

O drama não é interessante ou relacionável, as cenas carregam pouco ou nada de emoção ou interesse e a maior parte do tempo você passará pensando porque diabos está assistindo esse filme ou qual é afinal de contas o nome. 

Eu não sei se fãs do artista ficariam particularmente empolgados com a história de um álbum que talvez seja o divisor de águas na carreita dele (e que, sinceramente está longe de qualquer divisor de águas importante na carreira de qualquer artista relevante), mas, sinceramente, será que existem tantos fãs assim do Springsteen para justificar um filme sobre o tenebroso período do início da década de 1980 para a gravação de seu 'melhor álbum até 1982*' (*de acordo com críticos da Rolling Stone)?

Nem como se a história turbulenta da produção do álbum fosse realmente interessante - sabe como a história do Exile on Main Street de 1972 marcada por excessos e contos proibidos para menores de 18 anos - o que torna a justificativa de focar num período específico da vida do cantor ainda mais estranha... Será que queriam fazer alguma continuação caso o filme fosse um sucesso (ou apostaram num sucesso para fazer uma continuação sobre o Born in the USA por exemplo)?

Sinceramente, é meh até dizer chega e só se você for muito fã do cantor (mas aí, será que te interessaria um filme sobre a história...?). 

18 de novembro de 2025

{Reagindo aos Reaças} Economistas que prevem sempre o pior (e erram constantemente)

Uma constante reclamação econômica que vemos de novo e de novo é como o Brasil vai quebrar, como o dólar vai disparar e a inflação e o meteoro vai cair...

Eu acho que o vídeo do grupo Gaia explica de maneira bem simples como 95% das análises de economistas nos últimos 5 anos estavam erradas (curiosamente, né?) sempre prevendo valores muito piores que a realidade.

A resposta, em linhas gerais reside na tributação mais alta para gente mais rica - que entra em pânico e usa seus veículos de comunicação para disseminar caos e vender que imposto mais baixo para gente rica é melhor para todo mundo (sabe, trickle down economics que até hoje não trickled down?), e aí dá-lhe o pânico de que os bilionários vão deixar o país.

Quer dizer, o Ratinho (cujo filho é governador no Paraná, vale lembrar) deixou o país para o Paraguai, e a Lupo também, meu Deus, é o fim do mundo, não? Bem, não necessariamente porque não é assim que o dinheiro funciona.

Quem sabe se o Ratinho se mudar de vez para o Paraguai a emissora porcaria onde ele trabalha não o demita e coloque alguma coisa que talvez gere audiência no horário, e, sabe, gere novos empregos para redatores, diretores e toda uma equipe de produção assim como trazendo anunciantes...? Mas, lógico que isso não vai acontecer porque o sujeito deixa o país mas não abre mão da boquinha, porque, de novo, não é assim que o dinheiro funciona.

Em análise feita sobre quantos bilionários migraram em 2024 em virtude de mudanças tributárias, os números são tão insignificantes que estão perto de 0. E o motivo disso não é particularmente difícil de deduzir - o problema não é a evasão fiscal de milionários ou bilionários, mas os empregos qualificados como de médicos, engenheiros, galera de TI e demais cargos que deixam um local quando uma empresa se realoca.

Mas como vemos de novo e de novo, as empresas não tem particularmente interesse em se realocar. Droga, longe disso elas não querem nem manter a galera no Home Office - e vão tentar desestabilizar seus funcionários para acatar as normas e criticá-los abertamente por criticar a postura da empresa, né, Nubank que é diferentão dos dinossauros

Jogam o pior cenário apostando pesadamente (e muitas vezes nem nesse pior cenário, só para ter uma cortina de fumaça mesmo) buscando maximizar seus lucros ao criar caos no mercado, coletam os lucros e fazem tudo de novo, e, quando você tem recursos para publicidade e para financiar partcipações em eventos importantes (inclusive promovê-los) e veículos de mídia - é fácil parecer um especialista mesmo quando você não acerta uma.

 

{Editado mais tarde no mesmo dia} Ah se eu soubesse que hoje correria a ação da PF contra o criminoso presidente do Banco Master, hein...? {/fim da edição} 

13 de novembro de 2025

{Resenhas de Quinta} Plurilb(astof)us

Eu não sei exatamente o que eu tenho contra a Apple como produtora de conteúdo, mas, existe alguma coisa que geralmente me incomoda. Não sei se é uma forma de produzir o material que parece mais precário (com extras piores que olham para a câmera quebrando a imersão, ou cenas que parecem bem mais vazias do que deveriam) Talvez seja um preconceito (mas, verdade seja dita, eu dei várias chances a shows da empresa) e Pluribus me parece algo que eu deveria gostar.

É uma série de Vince Gillian após Breaking Bad e Better Call Saul com uma narrativa de ficção científica (do trabalho que o descobriu em Arquivo X) e com a excelente Rhea Seehorn (a Kim de Better Call Saul) e o material fica realmente tenso por volta da metade do episódio escalando de maneira cadenciada e genial conforme o mundo desmorona ao redor da atriz... Mas algo parece vazio ou ao menos faltando, e, na minha impressão é uma constante de outros materiais da Apple, sabe?

Existe aqui um potencial incrível, eu realmente enxergo algo extraordinário que poderiam fazer com isso (e o fato que eu não quero usar spoilers torna mais difícil explicar), mas ainda não está lá, e, com Pluribus, acima do que acontece com outros dos seriados da Apple que eu não tenha gostado ou tenham funcionado pra mim, aqui eu posso descrever exatamente onde o seriado erra sem o menor medo.

O erro dessa série está no começo que tenta explicar o que vai acontecer.

Se você tirasse aquelas cenas todas que não envolvem a autora frustrada e cansada com sua obra que vê o mundo desmoronar ao seu redor (sem saber o que diabos está acontecendo), o material fluiria muito melhor e, eu não duvido por um microssegundo que essa era a ideia original - pois os cortes não funcionam direito para intercalar com isso. Essas cenas estão ali porque algum executivo burro não entendeu o seriado e precisava que alguém segurasse sua mãozinha para conduzir a série do ponto A ao ponto B e ele não ficasse perdido. Droga, eu acho inclusive que essas cenas todas foram gravadas para algum episódio posterior - e honestamente eu acho que seriam um fantástico começo para a segunda temporada para contextualizar todos os eventos explicados ou não na primeira - mas não funciona da forma que é conduzida aqui.

O maior trunfo desse tipo de série reside justamente no mistério da falta de explicações e, mais até que isso, de buscar respostas em conjunto com a protagonista lidando com esse novo cenário absurdo no qual ela está inserida - e, vale lembrar, é algo que a comédia com Tim Robinson, A Cadeira faz, e, se formos bem honestos essa premissa não é muito diferente de uma série da Vertigo, mas eu não vou entrar nos detalhes e nem comentar o título para evitar qualquer tipo de spoiler.

Não quero julgar o material como ruim pelo primeiro episódio - é apenas 1/10 da temporada e eu não ficaria minimamente surpreso se não tiver uma baita reviravolta por volta do episódio 7 ou 8 que mude completamente os rumos da série - e, honestamente eu não acho que seja ruim (como eu disse no segundo parágrafo, por volta do meio do episódio, ele realmente funciona e vai ganhando tração), é só que não empolga.

O começo fraco (pra explicar os eventos futuros segurando o espectador pela mãozinha) enquanto leva quase trinta minutos para chegar em algum lugar narrativamente, inclusive desenvolvendo a personagem principal...

Talvez sua quilometragem possa variar e você aprecie mais o que a série faz bem (e de novo, o caos que se dá pela metade do episódio é embasbacante e fácil de deixar qualquer espectador na pontinha do sofá sem piscar os olhos direito), mas o começo me decepcionou e me tirou da imersão.

Eu sei que o segundo episódio que segue bem mais no que se espera do Vince Gillian (longas cenas apresentando fatos e eventos para contextualizar o mundo, quase quinze minutos construindo personagens sem uma única linha de diálogo e complicações que tornam a estrutura mais interessante), mas não me empolgou muito mais principalmente quando chegou ao ponto dos personagens recorrentes e seus dilemas/conflitos. De novo, talvez melhore um pouco quando toda a temporada estiver disponível e seja possível conferir isso numa maratona... 

Talvez com a temporada inteira para maratonar eu mude de ideia, mas hoje, simplesmente não funcionou pra mim. 

11 de novembro de 2025

{Reagindo aos Reaças} Nossa galinha jamais será vermelha!!!

Você viu isso obviamente, e, se não viu, o resumo é que a Galinha Pintadinha é propaganda marxista para crianças promovido por aquela deputada que usa uma tiara ou para homenagear um filme de terror moderno ou como apito de cachorro para nazistas de Santa Catarina (de onde ela é)... Um dos dois.

Eu não acho que precisa falar muito mais sobre isso - o Murilo Moraes do video que eu linkei explica muito bem o absurdo da coisa toda - mas valem dois pontos a se destacar.

1) Que isso é a tática dessa galera para te distrair com um absurdo desses para não prestar atenção no prefeito de Florianópolis deportando gente (negra) que não tem passaporte ou entrevista de emprego, ou que o prefeito de Cuiabá está envolvido num escândalo de corrupção ou que o prefeito (tiktoker) de Sorocaba está num escândalo de corrupção ou que... 

A validade do argumento é nula, só para te distrair enquanto você se perde num debate insosso para que o ataque venha de outro lado.

e 2) Isso é de um analfabetismo tão gigantesco que é assustador. Tem vários exemplos que a própria Zavatta coloca na tela enquanto 'explica' porque a Galinha Pintandinha é 'comunista' e que requerem um malabarismo mental tamanho para vender que é uma mensagem esquerdista ou, mais importante, uma mensagem ruim para se passar para as crianças.

Sabe, como a mensagem de comparar com a borboleta (que tem a fase estranha de larva e depois cresce e vira uma linda borboleta - que curiosamente se aplica à perfeição a todos nós... Quanta gente não teve aquela fase esquisita no colegial ou era mais feinho na infância e depois achou sua confiança e seu estilo...?) ou mesmo de apresentar às crianças as mazelas do capitalismo e reforçar seus privilégios de frequentar uma escolinha particular e ter um quartinho próprio enquanto tem criança que nem tem garantia de três refeições por dia (coisa que o Maurício de Sousa já expunha nas tirinhas da Mônica em 1960 - e nem só ele!).

E eu podia comentar tanta coisa mais - sobre como isso incomoda a deputada, no entanto a adultização não, ou usar a própria filha como escudo - mas vamos ser honestos...? É só um peido de uma deputada irrelevante que busca algum palanque e espaço para aparecer na mídia, nos distraindo de discussões mais importantes.

9 de novembro de 2025

{Explicando o fim...} Round 6

Eu poderia gastar horas explicando porque o final de Round 6 é decepcionante...? Não, honestamente.

O final é bastante clichê, verdade seja dita, e diga o que quiserem, mas não existia nem motivo para mais de uma temporada - ou, pelo menos não da forma como seguiram as duas temporadas seguintes - a menos que você considere uma ponta de dez segundos sem diálogo de uma atriz incrivelmente conhecida (e que não agrega absolutamente nada para a cena ou a série) algo que mereça discussão e debate - enquanto eu acho que isso é simples e unicamente análise excessiva.

Não existe nada para se observar, analisar ou discutir no final de Round 6 além de como é um final vazio, apático e, categoricamente, sem nenhum do impacto e crítica contundente ao contrário do que fez a primeira temporada um fenômeno global. Então porque isso aconteceu?

Bem, esse é o ponto que pretendo analisar nesse post, ainda que não pareça categoricamente difícil de entender (é o capitalismo, baby), mas eu pretendo demonstrar através de alguns exemplos na história não tão antiga que demonstram como isso acontece de novo e de novo e porque.

Começando quase cinco décadas atrás quando Rambo - Programado para Matar um livro de 1972 e adaptado para os cinemas uma década depois, e, se tornou um baita sucesso rendendo várias continuações, uma série animada (com duas temporadas e sessenta e cinco episódios!) e mais uma série de brinquedos, lancheiras e todo tipo de merchandising... O que é particularmente curioso porque o filme original era voltado para adultos ao lidar com assuntos pesados como transtorno pós-traumático e o tratamento de veteranos de guerra (que vale lembrar, no filme e no livro são tratados pior nos Estados Unidos que no país em que estavam combatendo - Rambo especificamente conta histórias sobre frequentar bares com outros soldados em Vietnam enquanto é escorraçado por um xerife pura e simplesmente por cruzar uma cidade).

O ponto todo do livro de David Morrell está no fato que esses jovens foram mandados para lutar em guerras pelas quais ninguém se importa - inclusive com esses jovens quando voltam para casa. Não existe nenhum reconhecimento ou parada. O que acontece depois? Uma franquia em que Rambo vence o Vietnam sozinho mais de uma década depois do fim do conflito enquanto vendendo lancheiras para crianças, e com isso toda a crítica contundente se torna pasteurizada e perdida numa confusão para criar (mais) um supersoldado herói de ação genérico.

Não é um caso isolado, alguns talvez até foram sucessos maiores (como as Tartarugas Ninja que eram um quadrinho beeeeem violento e foram adaptadas na maior franquia animada dos anos 1990 e que continua a render frutos) e no geral o motivo principal é grana com toda a certeza, e não só certeza é pungente. Essa é a lógica da Netflix aqui com Round 6 também, vendendo ultraprocessado de frango, fantasia de Carnaval e Halloween e licenciando o material para tudo possível e imaginável - inclusive com um esforço enorme para infantilizar o conteúdo e vender para crianças através do Mr Beast (e não só ele).

Marketing, propagação da marca, lave e repita. Isso obviamente dilui o argumento, e quando a segunda e terceira temporadas surgem anos mais tarde, você já viu tantas variações e diferenciações que não existe muito mais que a franquia de fato conseguiria criar de novo ou interessante, não é mesmo? Ou mesmo que consiga algum baita argumento fantástico, ele se dilui e perde em alguma das incontáveis peças obrigatórias para garantir o número de episódios ou o tempo de duração firmados em contrato.

E, vamos lembrar, a Netflix conseguiu muito sucesso buscando contratos fora do mercado estadunidense, justamente ao buscar brechas e condições de distribuição mais baratas, onde encontrou na Índia e Coréia do Sul lugares espetaculares para comprar novelas e programas para lotar suas grades ao passo que concorrentes surgiam.

Nada disso foi realizado com a perspectiva de encontrar ouro, e sim de lotar a grade, e, se por sorte/coincidência algo se tornasse um fenômeno global, bem, não é como se eles tivessem grande coisa a perder - provavelmente com os contratos já bem amarradinhos para garantir maximização de lucros, distribuição e merchandising, e, caso precisassem renovar, eles tem um número gigantesco de advogados e executivos prontos para oferecer todo tipo de conversinha para dissuadir um criador sonhador (como oferecer um bônus de performance com coisas do tipo "Ei, mas na primeira temporada você não teve toda a máquina da Netflix para promover seu show, e agora ele já é um fenômeno global... A segunda temporada claramente terá muuuuuuito mais audiência").

Sim, dinheiro e cinismo, a mais fantástica combinação para garantir maximização de lucros e a precarização de resultados (o que inclusive oferece melhor condições de barganha pra maldita empresa na renovação de contrato devido a redução nos números da série - enquanto a empresa lucra horrores com licenciamento). E não duvide que isso (forçar metas impossíveis depois de um sucesso único em uma geração enquanto diluindo os retornos continuamente) seja tática padrão dos contratos para que o criador tenha o mínimo de controle criativo e abra mão de seguranças financeiras importantíssimas.

Veja, voltando para Rambo, o final do livro é bem diferente do filme. Rambo morre no final (e não apenas morre como é assassinado pelo Coronel Trautman) como uma mensagem clara do governo estadunidense varrendo os veteranos do Vietnam como meros inconvenientes, o que claramente é uma mensagem bastante crítica não apenas da 'Murica como da estrutura do complexo industrial militar fomentado pelo capitalismo... Mas se Rambo se redime e vira o grande herói de ação em filmes subsequentes (e séries de animação) enquanto reconhecido como o mais brilhante soldado vivo, bem, a mensagem vira outra bem diferente, não é mesmo? A mensagem quase se torna nula e inválida, pasteurizada e perdida numa masturbatória ode ao soldado estadunidense que vence uma guerra sozinho porque nada ou ninguém se compara (USA, USA!!!) 

Rambo não é mais um soldado lidando com trauma, ele é um herói.

A mensagem muda e o dinheiro continua jorrando, mesmo que o ponto se perca completamente.

Então o que acontece com Round 6? A primeira temporada é uma severa crítica ao capitalismo que joga pessoas em uma série de competições (que são jogos infantis tradicionais na Coréia) ao mais completo desespero para aceitar condições abjetas por uma promessa de recompensa gigantesca - que pode ou não vir - e que força as pessoas a seus instintos mais crueis, vis e primitivos pela sobrevivência. Como você continua quando a situação chega às últimas consequências e alguém vence nesse jogo?

Bem, a conclusão lógica é de partir para o enfrentamento para destruir a estrutura e acabar com o jogo, expondo o quão absurdo e ilegal ele de fato é (afinal todo aquele monte de gente morrendo para diversão de meia dúzia de apostadores bilionários), mas, conforme o sucesso da primeira temporada e tudo o que eu argumentei até agora, eles precisam refazer o jogo e reestabelecer os elementos e agregar novos conceitos (novos jogos e desafios) enquanto conduzindo algum mínimo de trama sobre o enfrentamento para destruir essa estrutura e acabar com essa máquina maligna de moer gente.

No entanto essa não é a mensagem que os produtores e executivos querem - pois a estrutura e máquina maligna de moer gente gera audiência e consegue contratos de licenciamento - e talvez funcione melhor com um 'Mas será que o verdadeiro Round 6 não são os amigos que formamos pelo caminho?' ou algo nas linhas de que talvez o problema sejam as pessoas ruins que mantém o jogo e não o jogo em si...

Indiferente, o final todo se volta em tentar criar uma imagem positiva e deixar claro que é impossível acabar com essa estrutura toda - pois sempre haverá alguém para assumir o controle do jogo, talvez até a multitalentosa Cate Blanchet...

Lave e repita... 

6 de novembro de 2025

{Resenhas de Quinta} Cybertruck Mercenários

Cyberpunk 2077 é uma daquelas histórias estranhas da indústria.

Saindo de um fracasso retumbante do lançamento (cheio de bugs), mas com enorme potencial pelo fatnástico estúdio polonês CD Projekt (o mesmo da franquia The Witcher), com uma ideia bastante simples e diria até clichê mas que funciona muito bem para jogos... Quer dizer e se GTA no universo da NeoTokyo de Akira?

E eu confesso que até hoje não consegui jogar o jogo, por mais que me pareça bem interessante, e talvez até por isso eu tenha ignorado solenemente a animação Edgerunners/Mercenários lançada na Netflix, mas, honestamente, me arrependo.

O material é muito bom.

Animação fluída, a narrativa é extremamente complexa para uma temporada curta (com o que facilmente me pareceu duas temporadas ou mais condensadas em dez episódios), apresentando personagens e cenários que vão escalonando exponencialmente.

O melhor? O conhecimento prévio do universo do jogo pode oferecer alguns vislumbres e easter eggs para fãs, mas, honestamente não teve nada que travou minha habilidade de compreender o conteúdo com facilidade, então sem dúvidas não é nenhum pré-requisito entender qualquer coisa sobre como funciona esse universo para desfrutar da história - ainda que, claro, seja bom aceitar as premissas básicas de um universo cyberpunk onde a interação de humanos e máquinas é parte fundamental da narrativa, e, esse é um mundo onde incrementos não são apenas comuns como são a norma.

Justamente por serem a norma, isso forma toda uma estrutura social em que aqueles que não tem capacidades financeiras para incrementos robóticos (e são apenas humanos comuns) estão em desvantagem, e, como a série nos apresenta em um episódio fantástico que demonstra a partir do protagonista David todos esses aspectos da sociedade vão se desfraldando e estabelecendo de maneira gradual e coerente.

Não dá pra explicar muito sem spoilers - e honestamente vale a pena conferir sabendo o quanto mínimo possível - mas é um material que consegue estabelecer tanto o mundo no qual está inserido quanto os seus personagens, e, realmente me parece que merecia um pouco mais de chance tanto da Netflix quanto do público.

Para quem gosta de ficção científica e cyberpunk, um prato cheio. 

4 de novembro de 2025

NOVIDADE::: {Reagindo aos Reaças!} """"""Engenheiro""""""" Leo não gosta dos Correios

Se você não conhece a figura deplorável e insuportável do caricato aluno que mal se formou (cheio de dps numa faculdade privada de péssima qualidade - como uma engenheria que não tem cálculo 2 por exemplo) mas que acha que sabe mais que todo e qualquer ser humano em qualquer área de conhecimento, bem, você não precisa procurar muito mais para um exemplo claro e insuportável disso.

Enquanto o Tamir Felipe (que curiosamente não precisa de um título de 'Especialista' ou 'Economista' Tamir, mas isso tem mais com o Ego inflado de alguém que não consegue formar um único pensamento lógico e/ou original sem regurgitar a cartilha da extrema-direita que outra coisa, né?) tenta calmamente explicar os aspectos mais coerentes de como os Correios (mesmo diante de todos os desafios e da competição de outras empresas de transportes) tendem a apresentar resultados positivos, e, que, tem funções sociais importantes e que beneficiam pequenos e médios empresários (mais sobre isso abaixo), Léo tal qual Rogério Skylab põe o dedo em um orifício e gritaria (danem-se os argumentos, a lógica ou a coerênciam o importante é falar alto e falar muito impedindo os outros de usarem, sabe, lógica e coerência) porque, e isso é importante, ele comprou DUAS vezes (através da entrega dos Correios*) e o produto chegou danificado.

O que eu achei particularmente curioso, pois, na alegação dele, a compra foi de vinho, e, pela longa lista de proibições e restrições dos Correios, advinha o que está lá? Bebidas Alcóolicas (aparecem no item 'Artigos Perigosos' além de outra especificação no item Líquidos - Restrição de envio) e, em consultas bastante rápidas foi possível verificar que, ou a empresa precisa de um contrato específico com os Correios para enviar esse tipo de item ou declarar especificamente (o que, por experiência**, significa que o envio fica mais caro).

Se você conferir outras vedações, vale destacar, estão inclusive itens que são de fácil envio e circulação pela empresa, como revistas ou dvds de conteúdo adulto. Eu sei que parece bobagem, mas é muito mais fácil enviar uma Playboy em um envelope (que é proibido por uma lei de 1978, diga-se de passagem), e, ao que diz a lei, o simples fato de usar um embrulho/envelope com a palavra ou marca é suficiente para enquadrar na mesma. E isso que, de novo, é um item fácil de transportar e colocar em um envelope/ou caixa ao contrário de bebida alcóolica que precisa de um transporte mais cuidadoso e embalagem bem melhor ajustada, e, como eu mencionei, teria um custo maior justamente por isso...

Vale destacar que a Amazon, Mercado Livre e outras empresas de entrega (que fazem entrega destes produtos sem problemas), curiosamente também entregam produtos com danos, avarias ou mesmo acarretam em extravios, mas, como é importante destacar pelas políticas dessas empresas (que eu linkei no nome delas pra quem não confere os links), existem condições de devolução e ressarcimento dessas compras, já previstos antes do envio. Então porque particularmente é um problema dos Correios (que são apenas o transportador e não tem qualquer responsabilidade pelo item e pela venda) que o item chegou danificado?

(Pss, se você não sabia a resposta é porque a Jovem Klan, o portal do Alexandre Garcia e outros da patota da Direita gosta de criticar as empresas públicas unica e exclusivamente para justificar a privatização para aumentar os lucros de seus anunciantes e patrões)

E, olha, é normal ter ranço com alguma empresa de entrega. Eu tive problemas com a Jadlog em três pedidos e se ela é a única opção eu não compro com o estabelecimento (porra uma das remessas extraviadas teve alegação de entrega a meia noite para o 'funcionário' no meu endereço - e eu não moro em apartamento ou tenho qualquer funcionário dia ou noite), mas críticas e preferências pessoais não deveriam contaminar uma opinião mais abrangente. Por mais que eu não goste da Jadlog, isso não muda qualquer número de faturamento ou dos resultados da empresa... 

Então, ou é lorota que ele comprou vinho com entrega pelos correios (e quis posar de refinado comprador de vinho e não dizer que era um colecionável de porcelana - o que pegaria mal para a imagem - bwa, há, há, há, há - cultivada na web do cidadão), ou a empresa (e ele) cometeram fraude postal ao enviar um item vedado e proibido alegando que seja outra coisa - como dizendo que o objeto num formato de garrafa de vidro claramente é de plástico e não contém bebida alcóolica para pagar menor tarifa.

Algo disso muda o fato de que os Correios são uma empresa deficitária ou não? Não, mas é curioso que o simples argumento feito pelo cidadão sobre o motivo de não gostar da empresa é uma mentira, o que nunca é um bom começo, não é mesmo...?

Mas tem mais, você se pergunta...?

Bem, sim.

Ao criticar os Correios, o Léo aponta para empresas melhores como a Amazon e o Mercado Livre, e, curiosamente, além do fato que elas podem enviar todos os itens restritos e vedados pelos Correios (o que já aumenta a receita), vale lembrar que, essas empresas tem uma estrutura diferente de lucro (ambas são multinacionais - mas curiosamente ambas foram startups copiando modelos de negócios já existentes, no caso das livrarias para a Amazon e a Ebay para o Mercado Livre), e, caso a Amazon ou Mercado Livre apresentem um resultado deficitário em uma ou mais áreas como no caso da área de entregas, há uma chance disso ficar perdido e desaparecer dentro dos demais resultados da companhia...

Na verdade é parte da estrutura destas empresas consolidar e garantir uma entrega mais rápida, mesmo se isso absorver um prejuízo no médio e curto prazo, e, isso é parte da merdificação que empresas fazem de novo e de novo: Garante o cliente ao consolidar o mercado para depois diminuir drasticamente a qualidade enquanto aumentam expoencialmente o preço quando não existe mais alternativa no mercado. 

E, existe outro aspecto que é mais importante também, mesmo que o resultado das entregas seja baixo ou deficitário para essas empresas (e eu não estou alegando especificamente que é), eles podem compensar os custos com aumento de receita nesses processos, que eu tentarei explicar da maneira menos "economeira" possível.

Veja, cada item vendido no site da Amazon ou Mercado Livre gera uma receita para esses sites (geralmente um valor proporcional ao preço anunciado), algo que se estende aos produtos comercializados por lojas parceiras (sejam pequenos produtores ou lojas gigantescas como a Samsung - mas que, obviamente é negociado diretamente com essas lojas ao contrário do pequeno produtor que tem que aceitar as condições calado). Acontece que, essa não é a única forma de receita.

Sabe a caixinha com a logo da loja ou a fita adesiva com as promoções e ofertas do mês...? Pois é, alguém paga por isso, e, caso você esteja em dúvida, é a empresa que vende (e que, se quiser usar o sistema de logística e garantias, precisa comprar caixas, fitas e outros produtos do serviço de logística).

Quer dizer, se eu vou aos Correios com um envelope pardo padrão embrulhado com fita adesiva e plástico bolha (todos items comercializados em qualquer papelaria), está tudo certo. Mas se eu quero utilizar o serviço de logística das empresas "boas" de entregas, eu preciso comprar caixa padrão, fita adesiva padrão, plástico bolha padrão... Curioso como isso aumenta a receita da empresa enquanto diminui o meu lucro de pequeno e médio empresário parceiro, não é mesmo?

Tudo isso enquanto os Correios são uma empresa brasileira que SÓ fazem o processo logístico (e tenham a função social do envio de correspondência, além de agências em quase todo o território nacional e a garantia de entrega em todo o território nacional - enquanto essas empresas de logística podem, pura e simplesmente, se recusarem a entregar em determinada região). De novo, Mercado Livre e Amazon são multinacionais que lucram com diversas áreas e atividades ALÉM da logística (e com toda a certeza absorvem enormes prejuízos, sabe como com a produção de A Guerra dos Mundos ou um documentário de 40 milhões de dólares sobre Melania Trump - qualé, você está louco pra assistir, confessa!) e isso SE LUCRAREM com a logística em primeiro lugar, até porque podem absorver os prejuízos dessas áreas como parte do processo e garantia de crescimento no setor.

Mas quando Leo resolve criticar gestão, aí meu amigo eu simplesmente não consigo mais manter qualquer pretensão de que existe algo minimamente honesto com sua argumentação. A gestão das empresas públicas brasileiras é ruim...?

Só as empresas públicas brasileiras, né? 

Droga, Trump conseguiu falir mais empresas que a maioria das pessoas trabalha em todas as suas vidas, mas, puta merda entre elas um cassino. UM CAS-SI-NO (deixa digerir essa informação um pouquinho)! E a Tesla de Elon Musk perdeu em 2025 mais de 380 bilhões de dólares (enquanto tem de pagar 1 TRILHÃO para o vilão da pior paródia de James Bond) e, caralho, será que eu tenho que falar sobre a Microsoft nessa altura do campeonato? Sério, desde 2013 os caras estão fazendo cagada atrás de cagada com a marca Xbox além de não lançar nada novo ou interessante desde... Honestamente não sei responder essa... E a última do Game Pass dobrando de preço (mesmo sem lançar exclusivos, e, inclusive, a própria Microsoft caminhando cada vez menos para vender videogames com a aposta do 'This is an Xbox').

Isso sem falar da bolha da IA, e claro que eu poderia falar de mais uma dezena de empresas ruins e mal geridas - teve toda uma CPI sobre a maior fraude da CVM no Brasil e o dono da empresa ainda é considerado um dos maiores empresários do país... 

Mas o problema são empresas públicas brasileiras que não operam com lucros constantes, né...? Sim, os Correios são mal geridos inclusive quando dão lucros, mas a Tesla (beija a mão fechada como se fosse uma coxinha e aponta pra cima) baita empresa foda inclusive dando prejuízo e apresentando ideia bosta após ideia bosta (qualé quem achou o Cybertruck algo diferente de uma bosta?).

Só pra garantir, eu ainda preciso falar sobre o "monopólio" (de envio de cartas) dos Correios?

1 de novembro de 2025

{Editorial} Mais de cento e trinta mortos no Rio de Janeiro, e agora com a previsão do tempo...

Existe uma dessensibilização muito comum em nossa sociedade que é assustadora e que, é bem provável, só nos atinja com uma epifânia quando conseguimos quebrar o abusrdo disso tudo. Talvez você já tenha percebido isso com os dois anos da 'guerra' em Gaza (em que só um lado ataca com um número gigantesco de destruição e óbitos civis, inclusive depois do acordo de cessar fogo) mas pra muita gente que eu conheço parece difícil perceber qualquer coisa além de nosso mundinho, além do que nos está próximo.

Talvez seja a correria do cotidiano que nos deixa perdidos e apáticos (e sim, isso é proposital), mas eu acho que existe algo mais feio nisso que está ligado numa parte ao nosso egocentrismo, e se algo não me afeta diretamente, porque eu deveria me importar?

Isso acontece de novo e de novo, e, em grande parte porque existe uma parte de nossa sociedade que quer vilanizar a empatia, e, nem mais tenta esconder que isso é parte de sua agenda, o que, curiosa e ironicamente geralmente tem em suas lideranças pessoas que se declaram cristãs (porque afinal de contas o Cristo bíblico é o maior sociopata que não se importava com os outros, certo?).

No entanto, não é difícil que percebamos nas repostas e reações das pessoas como às vezes os circuitos estão cruzados. Nessa semana mesmo, não foi difícil ouvir gente defendendo a ação do governador do Rio de Janeiro justificando que o nosso problema são efetivamente os traficantes e, por conseguinte, a solução seja exterminá-los tal qual baratas.

Certo que essa não foi a reação quando, um mês atrás, descobriu-se a vasta conexão entre a Faria Lima e o PCC, e, não acredito que alguém enxergaria como justificável que a polícia militar subisse os prédios luxuosos dessa avenida distribuindo pipoco e cada engravatado, e, inclusive como tudo isso está conectado com o uso do metanol nas bebidas que levaram a diversos óbitos no estado de São Paulo. Tampouco imagino que seria a reação para cumprir um mandato contra Pablo Marçal desviando milhões em uma "ONG" ou pela sua responsabilidade em uma morte ou qualquer outro dos dezenas de crimes cometidos pelo canalha.

Não que seria justificável matar esses engravatados canalhas mais que os traficantes (ainda que, honestamente não acho que seria menos sob nenhum motivo), mas, será que não estamos olhando sob a situação de uma perspectiva errada de novo e de novo?

E ainda que seja claro que a resposta para os últimos parágrafos seja 'racismo' (sim, sobe-se o morro ou desce-se a serra atirando e acumulando corpos no caminho porque são cadáveres negros e pardos, mas não se faz alegadamente isso na alegada Faria Lima ou contra o alegado Pablo alegado Marçal que alegadamente tem capital - pois como destaca meu advogado, no caso deles é tudo alegadamente) e você já viu isso de novo e de novo. O criminoso rico inclusive tira fotos com os agentes da polícia depois de disparar repetidas vezes (e até jogar granadas - mesmo que, sob nenhuma circunstância poderia ou deveria manter tamanho arsenal em seu domicílio, inclusive sob prisão domiciliar como estava) e alvejar alguns dos agentes.

Quando é um jovem negro assassinado (mesmo que por acidente) ele é culpado e faz-se dancinha de CPF cancelado. Quando um bandido branco e rico é assassinado, alegadamente ele talvez fosse culpado de alguma coisa. Na verdade, se é indiciado toda uma classe se manifestará em apoio e solidariedade ao bandido rico pelas acusações terríveis e difamatórias (do crime que ele cometeu, sabe, como com o Leonardo e a "ALEGAÇÃO" de trabalho escravo).

Então tem que matar o traficante pobre e negro na favela do Rio (mesmo se ele nem for traficante e só estiver passando na rua e cuidando da vida no momento da ação policial), mas defender a morte do Leonardo (cuja esposa "DEVOLVEU" uma criança para adoção) ou do Pablo Marçal... Que tipo de monstro é você? E para deixar bem claro antes que alguém tire completamente o contexto disso, eu não estou defendendo a morte (nem alegadamente e nem não alegadamente) dessas pessoas, mas, de nenhuma dessas pessoas.

É para isso que existe o processo legal, e, parte do processo legal envolve o julgamento e o aprisionamento - não o óbito, que, diga-se de passagem não é cogitado como punição no sistema legal brasileiro (e, eu gostaria de deixar bem claro, esse tipo de visão de que a solução é o sujeito armado que atira primeiro e faz perguntas depois, e, justamente por isso é a reposta e solução está muito cimentado na cultura popular desde John Wayne nos anos sessenta passando pelo John McClane e Justiceiro dos anos 1970 e 1980 - e, continua algo intrínseco e comum no inconsciente coletivo e ser um clichê).

Sem dúvidas a operação foi um desastre (sem cumprir seu objetivo - que era de capturar uma pessoa específica - com uma apreensão ridícula de bens e armamento e com um derramamento abissal de sangue de vítimas, que, diga-se de passagem já começou a pulular que haviam muitos civis e inocentes no meio) e mais de uma pessoa já apontou sobre o quanto ela foi um desastre em comparação com operações muito melhor planejadas pela PF (como aquela da Faria Lima que além de todo o montante bloqueado do PCC, ainda conseguiu o trunfo de expor muita da falcatrua de lavagem de dinheiro das 'empresas' que o mercado tanto defende nessa tão mencionada avenida de SP).

Uma ação populista (como tantas que a direita adora defender) para fingir que se é "duro" com o crime quando na verdade os verdadeiros culpados estão livres, incluindo o alvo da operação, enquanto jovens negros inocentes que tiveram o azar de estar no lugar errado na hora errada, agora sequer lhes é permitida a condição de sua memória ser preservada conforme são difamados e caluniados por gente escroque e bandida como o mais de uma vez condutor bêbado (assassino e claro que cidadão de bem, né?) Gustavo Gayer ou o primo traficante (que curiosamente mandou muito dinheiro para ele - alegadamente) Nikolas Ferreira.

Inclusive nossa indignação é seletiva e logo se apaga (parte do motivo do título desse editorial). A 'história' termina abruptamente e cortamos para outro segmento fingindo que isso explica e conclui tudo ou, se eu tenho que ser realmente franco, conclui qualquer coisa.

Talvez, no fim do dia, só conclua nossa apatia e cansaço cada vez maior, cada vez mais próximo do burn-out a nos destituir de nossa humanidade.