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22 de janeiro de 2026

{Resenhas de Tronos} O Cavaleiro das Sete Quintas

Eu não quero chover no molhado e ficar repetindo o que é óbvio, então vamos gastar o mínimo de tempo dizendo que, sim, faz muito sentido que a Warner (da qual a HBO faz parte) esteja passando pela segunda grande compra (depois da Discovery em 2022 e agora em 2026 pela Netflix ainda em andamento).

Os erros são constantes e repetidos e as estratégias são ruins não importa como você tente justificar e contextualizar, e, desculpa, não é uma questão de olhar pra isso com a vantagem do retrospecto de que você já tem a conclusão disponível.

O Cavaleiro dos Sete Reinos e mesmo A Casa do Dragão são séries que a HBO tinha que ter lançado entre 2015 a 2019 (no auge da popularidade de Game of Thrones e quando estava mais difícil manter episódios novos devido aos atrasos na conclusão dos livros de George R R Martin - que, diga-se de passagem ainda não foram concluídos).

Facilmente intercalando o lançamento das séries para dar mais tempo para produzir a série principal ao mesmo tempo que trabalhando em algo mais barato - que é o caso claro e evidente com O Cavaleiro dos Sete Reinos que não tem nenhum motivo para grandes gastos com efeitos especiais (afinal não é uma história sobre dragões, zumbis de gelo ou qualquer coisa que precise de muito mais que, bem, usar alguns figurinos sobressalentes e cenários sub aproveitados).

Permitiria melhor contextualização do mundo das histórias e aos fãs algo para aproveitarem no hiato entre temporadas enquanto gerando receita para a HBO (com um custo mais baixo e muito menor risco), e, me parece inclusive com o tipo de série que funcionaria muito melhor em 2015 ou 2017 que hoje... Até porque, e isso é importante também, os Estados Unidos vem enfrentando uma dificuldade gigantesca de produzir sucessos televisivos nos últimos anos que sejam relevantes.

E eu sei que os fãs da série original são chatos e pedantes pra cacete (droga, em 2026 cobrando os atores e a equipe do material por um remake 'competente' da última temporada), e talvez a ideia geral de que spin-offs para se aproveitar do sucesso do material original não seriam recebidos com bons olhos... Sabe, ao contrário de hoje em dia, em que todo novo projeto da franquia é recebido com pompa e circunstância e são aclamados por público e crítica, certo (*pisca, pisca)?

O Reino Unido continua com material como Adolescência ou Os Traidores (ou Taskmaster, eu já falei de Taskmaster, certo? Quer dizer, não é como se eu falasse de Taskmaster em qualquer oportunidade repetida e obsessivamente...) produzindo material que gera discussão e comentários entre o público, enquanto cada dia mais uma inundação de produções sul-coreanas e indianas chegam pelos mais diversos serviços de streaming, e isso sem contar nas novelas turcas, nos seriados espanhóis, alemães e de toda outra nacionalidade que dificilmente seria relevante no resto do mundo.

Enquanto As Guerreiras do K-Pop se torna uma sensação do dia para a noite, a HBO tem que tentar resgatar a boa vontade de fãs que já se cansaram de Game of Thrones quase uma década atrás... E te surpreende de fato que tantos remakes, reboots e adaptações sejam o que vemos na tv da 'Murica?

Mas, sendo justo com a série - da qual eu sequer falei um único parágrafo até agora - ela é boa ou tem alguma chance?

E a reposta é: Talvez.

Existem boas ideias, existe um potencial para lidar com o personagem de maneiras interessantes e contar histórias interessantes nesse mundo cínico que é Westeros e onde um jovem simplesmente quer ter uma vida melhor e anseia encontrar isso através do combate como um cavaleiro, o que igualmente abre ramos narrativos para colocá-lo para explorar o mundo e desfrutar de diversos desafios e situações das mais variadas de acordo com a situação e história (afinal se trata de um protagonista único vagando o mundo o que permite histórias cômicas, trágicas, assustadoras ou o que ele se deparar num episódio isolado).

Da mesma forma, como inclusive a série faz, é possível explorar de maneira mais cínica a visão glorificada que se tem do passado, destacando elementos sobre a estrutura social que não ganhavam espaço na série de livros ou da HBO (afinal acompanhávamos as famílias nobres e suas disputas por poder).

Aqui logo no primeiro episódio o rapaz Dunk se depara com dilemas para tentar participar de um torneio, onde como plebeu e sem uma moeda em seu nome percebe que suas aspirações se chocam violentamente com a realidade (da cobrança de subornos ou de descobrir que torneios não serão necessariamente vencidos pelos mais habilidosos), e ainda na nítida condição para demonstrar de maneira cínica e sem qualquer glamour a realidade sórdida do passado, antes mesmo dos créditos de abertura a série apresenta o protagonista lidando com diarreia (por um tempo muito maior que o necessário na minha opinião).

Sinceramente não prendeu minha atenção e, como eu disse teve não apenas uma cena que durou muito mais tempo que o necessário, e mesmo a trama principal é alongaaaaaaaaaaaaada - e continuará por mais alguns episódios se bobear - mas existe potencial e, quem sabe quando estiver na Netflix eu assista a temporada toda de uma tacada.

14 de janeiro de 2026

{Revisitando Clássicos} 100 Balas - Brian Azzarello e Eduardo Risso 1999-2009

Um dos pontos interessantes dessa ideia de reler esse material - que eu não leio há pelo menos uns quinze anos, na melhor das hipóteses - é que enquanto eu me lembro de alguns dos pontos da série aqui e ali e do que está por vir em outros capítulos, boa parte principalmente do começo eu simplesmente não me recordo.

Quer dizer, as primeiras 15 edições apresentam protagonistas diferentes com histórias tecnicamente isoladas e menores no esquema maior das coisas enquanto vão nos apresentando os conceitos maiores da série e do universo em que ela está inserida, e o começo nos mostra essencialmente um cenário em que o Agente Graves (um sobrenome que significa "Cova" ou "Lápide") aparece como um Mefistófoles ou o Vendedor que Ri, oferecendo uma grande barganha que parece inofensiva ou simples o suficiente. Graves apresenta ao protagonista da vez o culpado por todos os problemas que ocorreram em suas vidas e uma arma com 100 balas irrastreáveis.

Claro que Graves não faz nada isso pela bondade de seu coração, e, ao contrário de alguma explicação mais mística e metafísica, ele também não faz isso por nenhuma justificativa paranormal ou algo do tipo (ainda que, e isso seja verdade, o custo para quem aceita a proposta de Graves possa ser a própria alma), e mesmo que nem toda ação seja totalmente justificada ou coerente, existe um plano maior pelas escolhas de quem recebe a oferta, e, mais espeficicamente porque.

É claro que a arma direciona a conclusão que a pessoa deve tomar da oferta de Graves (será que se fosse uma rosa com 100 pétalas no lugar da arma, as pessoas pensariam ainda assim em matar aqueles que os prejudicaram?), e, não obstante isso faz parte de uma discussão mais complexa sobre o interminável ciclo de violência - e até mesmo das reais motivações por trás do agente e de seu jogo.

A série vai aos poucos nos capítulos seguintes moldando a estrutura da narrativa, o cerne da questão por trás da maleta com as 100 balas irrastreáveis e a organização para qual Graves trabalha, mas ao meu ver os primeiros dois arcos (de Dizzy e Lee) são extraordinários para apresentar o mundo e o contexto da série, detalhando de maneira bem abrangente os elementos principais enquanto deixando claro que existem diversos pontos e segredos para se apresentar.

Não quero fazer uma resenha com spoilers (ainda que a série tenha terminado há mais de 15 anos), e, boa parte do que eu falei até agora cobre basicamente o comecinho da série (antes das conspirações e organizações secretas, do time que vai se montando para enfrentar o outro time que controla a coisa toda).

Enquanto eu não quero entrar em aspectos muito específicos ou que estraguem a série, é interessante que a série oferece algo que ao mesmo tempo é familiar (Graves e seus homem minuto com ternos que parecem saídos de um filme do Tarantino), mas que funcionam e explicam o mundo no qual estão inseridos de forma mais clara.

A história é sobre uma visão mais utilitária do mundo e que divide as pessoas em jogadores (aqueles dispostos a fazer qualquer coisa para conseguir sucesso) e peças (aqueles que são usados e manipulados no grande esquema das coisas). Graves e Shepperd aparecem como representações da justiça (ou, nas palavras de Lono, como um 'joguinho'), como a espada e a balança respectivamente, oferecendo ferramentas para que as peças se tornar jogadores - mas, e isso é importante - saibam seus lugares.

Nessa explicação, no entanto, fica claro que existe um terceiro elemento, como a banca (do qual Graves e Shepperd fazem parte) observando nos bastidores para garantir que o jogo funcione e as regras sejam cumpridas, mas, mais importante, ganhando sempre. Nisso, ao contrário de Tarantino que tem uma visão fetichista da violência, o mundo de 100 Balas é puramente transacional e utilitário (mas não apenas a violência é retratada dessa forma), e até por isso o excesso das balas não é para garantir um banho de sangue mas para oferecer à peça maiores chances de sucesso (em alguns dos casos do 'joguinho' de Graves, as peças nunca viram uma arma na vida, e com uma centena de chances podem garantir o sucesso em sua empreitada).

Mas não é só isso.

Como mais tarde se descobre sobre o Conselho (Trust, que, numa tradução mais literal seria o fundo fiduciário - mas, a palavra também é um sinônimo para Confiança, por isso a escolha da tradução 'Conselho') e as regras para mantê-lo funcionando a série parte para as explicações de como essa organização funciona e construiu a si e a América com base no crime e na violência - e representado pela multietinia dos homens minuto de Graves, como o sucesso dessa empreitada depende de imigrantes dispostos a fazer de tudo para proteger esses ideais ao mesmo tempo que são execrados (como ocorre com a história de Atlantic City) e jogados para debaixo do tapete quando querem um pouco mais.

A história do Conselho está diretamente ligada à história da América desde sua fundação, e é a influência de como a criminalidade é normalizada (o criminoso de hoje é o milionário de amanhã, a menos que ele deslize e caia - ou o sindicato faça ele cair, e as histórias secundárias nos mostram constantemente pessoas caindo, e, sim, esse é o reflexo que o arco final da série propõe claramente), e, Graves e Shepperd agem como as ferramentas para garantirem esse processo, e, a manutenção do Sindicato como a força preponderante que ganha de toda forma, e, com sobrenomes como Dietrich (mesmo sobrenome de um dos mais graduados generais da SS) ou Medici (sobrenome do sádico ditador brasileiro e da família italiana da renascença), o autor vai indicando para os elementos da influência nesta organização tanto de maneira histórica e compreensiva como adaptativa às mudanças geopolíticas mais recentes para garantir a manutenção do status quo - seja eliminando a mudança quando possível ou a abraçando quando necessário, e, esse é o papel (histórico) dos homens minutos para a organização.

É claro que não somente, pois como Lono destaca, Graves tem um certo prazer sádico em seu "joguinho" ao escolher pessoas aparentemente aleatórias para conseguir sua vingança, enquanto manipulando as mesmas para seus próprios fins (ou algum prazer sádico em destruir suas imagens de mundo). Tem uma cena que eu acho que ilustra isso perfeitamente quando o agente explica para uma mãe cuja filha desapareceu há quatro anos o que aconteceu com a menina - com detalhes viscerais - entre uma bocada e outra de torta, antes de oferecer à mãe a valise com o dossiê e as balas.

A série nunca tenta explicar a questão logística desses dossiês ou das armas* - e eu acho que isso é um (baita) positivo, mantendo essas perspectivas mais holísticas e metafóricas do que plausíveis - ao ponto que alguns aspectos, principalmente da investigação de Graves (como ele consegue os dossiês detalhados com cada um dos pontos e eventos para justificar a jornada de vingança de quem recebe a valise) levanta pontos sobre o quão verdadeiros são esses documentos e o quanto as informações são precisas o bastante para que, quem a receba somente queira acreditar (ou receber o empurrãozinho suficiente para acreditar).

Isso, hoje em dias de 'pós verdade', bate inclusive mais pesado que em 1999 quando a série era publicada porque abre essa perspectiva dúbia, mesmo que, como tanto Graves como Shepperd repitam inúmeras vezes que não mentem (e existe um diálogo bem importante 79 quando os Homens Minuto são confrontados pela ideia de Graves mentir) nós os leitores (e mesmo os protagonistas das histórias individuais) não temos como verificar as informações dos dossiês e confirmar que são verdadeiras, ainda mais quando vemos os dois manipulando lados opostos, ou usando informações convenientes - quando convenientes (como no exemplo em que o agente negocia com uma organização criminosa e, instantes depois os entrega para a força-tarefa anti-drogas).

E isso, na edição 22 (que é a segunda parte de talvez o arco mais fraco do início da série) na conclusão da história quando descobrimos que o responsável por todos os problemas daquele personagem era (spoiler, me desculpe) ele mesmo, o que oferece uma certa ironia da parte do "joguinho" (ainda que isso tenha certa relevância mais tarde, mas, os spoilers ficam por aqui). 


Existe uma série de elementos numerológicos da série - 100 edições com treze encadernados (assim como o Conselho que traz em seu símbolo um numeral romano 13 - acima), cada volume tem uma brincadeirinha com o número ao que faz parte, como o volume 7 com nome "Samurai" (alusão aos Sete Samurais) ou o último, 13 chamado "Wilt" (em referência ao jogador Wilt Chamberlain, que usava a camisa 13 e é famoso por ser o primeiro jogador profissional da NBA a fazer 100 pontos em uma única partida).
Com isso são 13 encadernados que foram compilados em 5 volumes de capa dura (ou 2 omnibus), com mais de 2400 páginas (456 o primeiro volume, 416 o segundo, 528 o terceiro, 512 o quarto e 496 o último), com alguns extras (um roteiro, alguns esboços), tudo isso sem a mini-série Brother Lono de 2009 (que, verdade seja dita parece mais com uma daquelas histórias alternativas que a DC publicava nos anos 1990).
 
13 é outro número importante para a série, com 13 famílias que compõem a Corporação, enquanto 7 é o número dos Homens Minuto que trabalham sob Graves com a função de proteger e resolver problemas para as famílias. 

Francamente isso é muito interessante ao mesmo tempo em certos pontos é também o calcanhar de Áquiles da série.

Enquanto outras séries do selo Vertigo terminam com 5 a 6 anos na faixa de 60 edições (como Scalped, Y: The Last Man ou  Invisíveis - com três volumes e 59 edições) ou pouco mais como Preacher (66 Edições mais especiais) ou Sandman (com 75 edições mais especiais), com as cem edições (ou seja, quarenta a mais que a maioria das séries do selo e vinte e cinco - ou seja dois anos a mais - que um dos maiores sucesso no selo Vertigo), a série acaba invariavelmente com algumas barrigas e narrativas circulares que poderiam facilmente ser cortadas da série principal sem maior ou, em alguns casos, qualquer prejuízo.

Em diversos momentos, principalmente pela metade da série, com o arco da prisão seguido pelo arco de Jack brigando com um tigre e após a edição 60 com dois arcos bem mais fracos - como Staring at the Son - que é bem mais sobre os personagens secundários que a trama principal - e A Wake entre as edições 70 e 74 que traz o último (e francamente detestável) Homem Minuto, em que, sinceramente, parece que a equipe criativa está tentnado lidar com a popularidade da série impondo uma meta de chegar à edição 100 com a estabilidade derivada dos prêmios dos anos anteriores, e em alguns pontos enrolando bem mais que o necessário colocando a série à deriva em certos pontos (repetindo argumentos, não desenvolvendo elementos importantes na trama e perdendo a perspectiva do confronto central).

Sei que, entre 2003 e 2005, com a popularidade da série e os prêmios motivou a DC a incumbir Brian Azzarello e Eduardo Risso de produzirem um arco do Batman (o que causou um intervalo maior entre as edições de 100 Balas), e, na leitura do material de uma tacada só, existe uma certa estranheza justamente nesse momento (sem spoilers) quando ocorre uma mudança de comportamento de um dos personagens** entre dois arcos publicados da edição 46 de 2003 e a 58 de 2005 (que, considerando o intervalo das histórias nos mesmos um ano e meio do mundo real, representariam essa gradual mudança de maneira mais coerente). 

Talvez com algum intervalo para os criadores recuperarem o fôlego (como Brian Vaughan faz atualmento com hiatos para a produção de saga) ou a divisão da série em temporadas como ocorreu com Morrison e os Invisíveis (dividindo a série no meio com dois volumes de 50 - o segundo num 'Reloaded' ou 'Recarregado') por exemplo, ou mesmo reduzindo para algo como 60-75 de maneira mais concisa para chegar à mesma conclusão.

Inclusive, e, isso é uma ressalva que eu acho curiosa e interessante, quando eu li a série originalmente nos anos 2000, além do fato que eu lia conforme o material era publicado - o que levava meses entre edições e compilações, ao mesmo tempo que eu tinha toda uma série de outros afazeres e séries que eu estava lendo ao mesmo tempo - dessa vez eu li as 100 edições em pouco mais de quinze dias no kindle, e, a série funciona (bem) diferente dessa forma.

Não sei se alguns dos problemas ficam mais evidentes (com as tramas secundárias que não vão exatamente a lugar nenhum mas estão ali para que a série chegue ao número rendondo de 100 edições), mas eu sei categoricamente que alguns dos positivos ficam mais evidentes numa segunda leitura, e, principalmente, numa leitura mais rápida, num intervalo mais curto.

A arte do Eduardo Risso brilha nos momentos decisivos quando precisa criar uma tensão extra ou conversar com o diálogo (ou muitas vezes a falta dele) para criar uma cena mais tensa e nos explicar com com nuance e contexto o que está acontecendo, e a edição 41, pra mim, é o ápice disso - com Graves se reunindo com o Conselho e a tensão entre sempre palpável, mas, muito mais direta na arte do Risso que no texto do Azzarello. Não são as palavras ditas na história que vão te oferecer maior interpretação dos fatos, mas os close-ups, os painéis mais gerais, os cortes... Magistral!

Só que fingir que o roteiro do Azzarello não tem nada com isso é ignorar que essa troca entre os personagens é acidental, que não funciona muito melhor na segunda (ou terceira, ou quarta) vez que você lê (já com conhecimento dos eventos do restante da série) e consegue observar a nuance com maior atenção, procurando os detalhes. Olha, é uma aula magna de como produzir um quadrinho, e tem várias edições mais calmas na série que produzem justamente esse efeito com o contraste entre uma ação aparentemente aleatória (como um casal encontrando um bilhete de loteria) e uma reunião incrivelmente importante para a narrativa, só que isso se encaixa e interconecta.

O 'joguinho' de Graves é justamente como a loteria que de maneira aleatória pode premiar e oferecer uma oportunidade única a uma pessoa (que pode usá-la para seu benefício ou para sua ruína), e a forma condescendente como os membros do Conselho tratam Graves, incluindo a escolha de palavras, tudo isso mexendo o caldeirão lentamente até entornar, e, em uma única página na edição 75 (abaixo) bem depois a dupla repete exatamente isso com gigantesca qualidade.


Eu li a versão kindle em inglês e recomendo mais no original - com as gírias, abreviações fonéticas e a linguagem 'das ruas' (que mesmo entendendo bem inglês tem seus momentos mais difíceis), assim como os trocadilhos nos títulos - e não quero criticar a versão Panini até porque essa é uma série que eu nunca li em português, mas, eu sei das escolhas tanto da Ópera Gráfica que batizou o Counterfifth Detective - um trocadilho com Counterfeit que significa imitação ou falsificação, com a palavra para 'Quinto', em alusão ao número do volume da série, e ao quinto Homem Minuto apresentado até o momento - como O Cara de Múmia, enquanto a Panini lançou como o "Detetive Enquadrado" (mantendo a questão do número, só errando qual deles, né?).


Ressalvas e problemas

Eu seria omisso se não comentasse que, uma série sobre crime teria cenas perturbadoras que podem ativar alguns gatilhos, mesmo que, como eu já mencionei, a violência da história seja em sua maioria retratada de maneira utilitária e transacional (pois essa é a visão tanto de Graves como do Conselho - e,  Risso normalmente corta essas cenas violentas com algum pulo temporal ou com um enquadramento que deixa mais subentendido que claro o que acontece), e, para alguns a violência é mais emocional, e isso produz alguns momentos mais desconfortáveis.

Pode variar de pessoa para a pessoa obviamente, pra mim tudo parece suficientemente justificado numa história sobre crime cujo mote é que um grupo de criminosos na Europa resolve pilhar a América antes da fundação do continente.

Eu acho que a cena mais perturbadora da série toda é quando Lono sequestra e estupra uma garota (por horas) depois que ela faz parte de um plano para roubá-lo, e, de novo, sei que isso pode despertar gatilhos e incomodar alguns leitores, mas eu acho que ao contrário de muita coisa por aí, a cena reforça muito do universo no qual a história existe e sobre esses personagens (incluindo a forma utilitária da violência e, como eu disse antes, sobre como o mundo se divide entre jogadores e peças num tabuleiro). Entendo a repulsa que essa descrição e mesmo a cena pode causar, sinceramente não acho que seja algo gratuito ou que esteja ali simplesmente para causar choque e sim algo muito maior sobre um mundo violento sobre crime.

Nisso, obviamente vem a questão se a série é misógina (afinal, traz um número muito pequeno de personagens femininas, uma delas sofre um estupro cruel como acima relatado, e, outras das personagens recorrentes da série são apenas objetificadas).

E enquanto isso é um problema da indústria dos quadrinhos como um todo, e, verdade seja dita não apenas da indústria de quadrinhos, mas nesse caso específico que se trata de uma obra de crime, que é um gênero permeado pelo noir de Raymond Chandler, organizações mafiosas e criminosas como o Poderoso Chefão e Scarface, além é claro dos filmes do início dos anos 1990 como o começo de Tarantino com Cães de Aluguel, Os Bons CompanheirosO Pagamento Final. Essa é a base na qual 100 Balas se monta, então, me desculpe mas, teria como ser diferente...?

E isso considerando que uma das personagens mais importantes da série é a mulher latina Dizzy enquanto a antagonista e femme fatale Megan é pivotal durante toda a trama (e constantemente presente nos momentos mais interessantes da história). 

Mas não dá pra ignorar que mais de um momento é pelo menos questionável para dizer o mínimo, e, tal qual o item anterior, tem que ser analisado pela perspectiva de uma série sobre crime com um grupo de personagens masculinos tipicamente machistas (como, cito de novo, boa parte da obra do Tarantino - que, principalmente no começo é a base para os Homens Minuto com seus ternos e tudo mais).

Existe também uma questão de como a série aborda certas teorias conspiratórias, e, enquanto fica muito claro que a função narrativa dessa obra de FICÇÃO é de abordar essas conspirações de maneira FICCIONAL no contexto da obra, nós vivemos tempos bizarros em que qualquer balela é suficiente para rezar para pneu e servir como validação para teorias estúpidas da internet.

Tem uma edição sobre o assassinato do Kennedy, e, enquanto ela serve para justificar a maneira mais intrincada na qual o Conselho - e o próprio jogo de Graves já funcionam há décadas - ela pode servir para gente que insiste em acreditar na terrível conspiração de que Oswald não agiu sozinho (quando ele claramente o fez, e, claramente foi explicado por toda a evidência que esse é o caso)... Mas, teoria de conspiração e a história (ficcional que deixa claro que essa é uma versão para justificar o universo ficcional no qual está inserido) e pode servir pra gente idiota confirmar que existiu um segundo atirador ou toda uma outra camada de estupidez. 

Dito tudo isso, continua uma recomendação gigantesca.

Um dos melhores trabalhos dos quadrinhos norte-americanos de todos os tempos.

 

Notas: 

* Mentira, a série explica sim - ao menos parcialmente - a estrutura logística na edição 91.

** Sem spoilers, mas na edição 46, fica claro que Lono quer estragar os planos tanto de Shepperd quanto de Graves (o que significa matar outra pessoa ali na cadeia), e, na próxima vez que vemos esses personagens, Lono está todo amiguinho e treinando essa pessoa, enquanto Shepperd escolhe Lono como seu substituto. 

8 de janeiro de 2026

{Resenhas de Quinta} Ardor

Andor é a melhor produção do universo Star Wars? Sim.

Isso significa alguma coisa? Não sei... Honestamente eu tenho minhas dúvidas porque, e isso é importante, existem bem mais limitações que impedem o material de ser realmente brilhante e interessante além de apenas a melhor produção do universo Star Wars, e essas limitações vem justamente do fato que o material principalmente em sua segunda temporada se esforça tremendamente num triplo twist carpado para terminar exatamente segundos antes das primeiras cenas de Rogue One (que, para quem não se lembra, termina segundos antes das primeiras cenas do primeiro Star Wars, Uma Nova Esperança), fomentando um ciclo vicioso bizarro e estranho, mas, mais importante que qualquer coisa, desnecessário.

Nem acho que esse é o maior problema da série - sinceramente, pra mim, quando a história não acompanhava o personagem que dá título para o material, com raríssimas exceções era possível ver alguma construção de cenas e situações minimamente interessante - mas eu genuinamente vejo isso como um problema maior na segunda temporada onde parece haver menos conteúdo e mesmo menos ideias para moldar a narrativa.

A primeira temporada, sinceramente, é um dos melhores materiais que a Disney tem em seu catálogo, com apenas 12 episódios, e, no entanto, pelo menos três grandes arcos (o do ataque à base Imperial, o da prisão e o final do velório da mãe de Cassian Andor - culminando as diversas tramas e personagens em um único ponto focal), permitindo uma grande mudança de cenário e situações conforme os episódios avançam ao mesmo tempo que desenvolvem os personagens e suas motivações.

É um material realmente muito bom e sinceramente, se você tiver ali algum teste de alguns dias para assistir à Disney Plus ou qualquer coisa do tipo, a primeira temporada de Andor é um forte candidato do que assistir nesse período, e, sinceramente a série poderia ser um material limitado com esses doze episódios e nada mais e tudo estaria ótimo, mas, sabe como é, a Disney precisava de mais algum material de Star Wars e os demais que forma lançados nos últimos anos vão de ruim a péssimos, não é mesmo?

E, sinceramente existe bastante coisa legal na segunda temporada da série, e, se eles tivessem um pouco mais tempo (de produção) para cortar as arestas e excessos dos primeiros episódios para desenvolver as tramas importantes/interessantes, eu tenho certeza que a segunda temporada seria facilmente tão boa quanto a primeira (quiçá melhor)... Só que com três episódios do casamento da filha da senadora (em que nada acontece de interessante) enquanto Cassian está lidando com um conflito (nulo) entre grupos rebeldes com dificuldade de liderança e uma enorme dificuldade para desenvolver novos coadjuvantes e tramas (inclusive com uma série de conflitos bem nulos e sem graça por quase metade da temporada), até que faltando quatro episódios para o final a série parece perceber que faltam quatro episódios e pisa no acelerador com tudo.

O fim é fraco justamente por ser um não final - construindo um material diretamente para o streaming e pensando em te garantir mais tempo na plataforma e buscando mais conteúdo semelhante - mas vale muito a pena conferir, sim,  mesmo para quem não curte Star Wars ou mesmo quem está meio cansado da franquia.

7 de janeiro de 2026

{Revisitando Clássicos} Apresentação da ideia

Dentre as minhas resoluções para o ano novo, em grande parte motivado pelo fato que eu peguei pra reexaminar o que eu vi, li e apreciei de quadrinhos, livros, jogos e o que mais no ano, uma coisa me ficou muito clara: Eu não consumi quase nada do que foi produzido no ano de 2025, e, eu tenho uma pilha considerável de material que eu gosto bastante que fica somente tomando poeira em minha casa.

Minha ideia, sem querer desmerecer projetos mais novos ou qualquer coisa do tipo, é de revisitar material produzido há dez anos (ou mais), inicialmente focando em quadrinhos e, nessa ideia inicial, do selo Vertigo olhando sob uma ótica de um quarentão que está relendo esse material e tem um pouco mais de bagagem que quando leu esse material da primeira vez (ou em alguns casos desde a última vez).

Nesse conceito eu não pretendo resenhar material mais tarimbado e não autoral (então Sandman, Hellblazer, Monstro do Pântano e Homem Animal estão fora) e, inicialmente pretendo reler cada série para fazer ao menos uma resenha por mês da lista que segue (será atualizada conforme alguma mudança ou com o link para facilitar a localização posterior):

1 - 100 Balas (janeiro)

2 - Y: O Último Homem (fevereiro)

3 - Preacher (março)

4 -  Escalpo (abril)

5 - Fábulas (maio)

6 - O Xerife da Babilônia (junho)

7 - Transmetropolitan (julho)

8 - Invisíveis (agosto)

9 - Hard Time (setembro) 

10 - Vampiro Americano (outubro)

11 -  Shade: O Homem Mutável (novembro)

12 - Promethea (dezembro - e eu sei que tecnicamente não é Vertigo)

4 de janeiro de 2026

{Explicando o fim...} O final melancólico de Stranger Things

Se você nunca ouviu falar de uma franquia de jogos de videogame chamada Silent Hill (que em breve voltará aos cinemas) ela e conta a história de uma cidade nefasta constantemente permeada por névoa onde monstros habitam para torturar os poucos que são tolos ou aventureiros o suficiente para passar pelas fronteiras pela cidade.

O segundo jogo coloca James Sunderland aventurando pela cidade em busca da esposa falecida que, curiosamente, lhe enviou uma carta, e, entre os muitos finais da história, as variações são de deprimentes a péssimas (desde o protagonista se matando a descobrir que é diretamente responsável pela morte de sua finada esposa) até, bem, a descoberta que o arquiteto de todo o sofrimento de James é um cachorro (e, claro, que isso explica tudo). E, olha, enquanto eu poderia falar muito mais sobre todo o contexto de Silent Hill - e talvez eu o faça num fuutro não muito distante - e todo o trauma e problema experimentados pelo protagonista e os coadjuvantes, eu preciso lembrar que esse é um texto sobre Stranger Things e não Silent Hill.

E enquanto o jogo na época com toda a certeza teve mais liberdade para trabalhar e desenvolver James e mesmo a cidade do que o mega projeto da Netflix que emplacou uma série de atores e atrizes desde o seu lançamento pouco menos de uma década atrás - desde gente que foi para o MCU ou estrelou franquias diversas como King Kong e It e Caça Fantasmas, até gente que não se deu tão bem com o remake dos Power Rangers - o material permite pra Netflix vender Mclanche feliz, capa de caderno e bolacha recheada, e, foi aos poucos tirando a urgência e capacidade dos autores de contar a sua história e da forma que assim preferiam.

E eu não vou entrar em spoilers para te dizer o que acontece ou deixa de acontecer no final, talvez você até enxergue que a interação final dos garotos (e inclusive conforme os créditos sobem) que exista algo mais complexo, como que essa gurizada estava jogando RPG o tempo todo e essa piração de monstros, mundo invertido e segredos militares são uma forma de contextualizar através do jogo de fantasia toda a frustração e trauma

Sinceramente, se essa fosse a direção real, droga seria um final muito melhor (e mais honesto com o conteúdo do show) num realismo fantástico à Scott Pilgrim vendo o mundo como um videogame (com um ponto importante nos capítulos finais em que ele confronta o passado de seus relacionamentos e descobre que, bem , não foi assim tão brilhante) ou o mundo de Kevin can Fuck Himself em que a protagonista se vê presa em uma realidade deprimente e um simulacro de sitcom multicâmeras quando diante do marido.

Ainda que essa não seja essa direção do final ou mesmo da série de maneira alguma. Sim, existe um monte de simbolismo em que as lembranças e traumas do passado são revisitados enquanto as pessoas estão dentro das mentes e memórias uma das outras perseguindos monstros literais e figurativos em algo mais próximo de Akira - em que os monstros são uma externalização dos sentimentos e problemas internos, e não uma metáfora ou comentário - e eu continuo citando finais e histórias melhores que não são o que Stranger Things caminha ou tenta produzir.

Sim, o final traça uma série de paralelos diretos ao final de O Retorno do Rei (enquanto isso é bem evidente), inclusive com múltiplas conclusões para os desfechos dos personagens individualmente e a partida para uma névoa da vida adulta, após a derrota do vilão (que controla um número definido de pessoas - como os anéis) numa terra desolada... Droga, eles até evocam o Sean Astin (que aparece  nas imagens finais depois de ninguém lembrar dele por várias temporadas) nos momentos finais da série... 

Se você conferir as temporadas anteriores fica claro que existem escolhas difíceis que foram necessárias para o desenvolvimento dos personagens e da narrativa (talvez até por obrigações contratuais, é verdade), mas que eliminam atores e mudam os cenários e núcleos, criando e desenvolvendo a história de maneiras diferentes.

Nisso, em decisões muito mais contratuais que narrativas, a Netflix viu que a série precisava de um final e construir um final emblemático, gigantesco e épico, construindo para isso um grande vilão que serviria como o canal para justificar, explicar e contextualizar toda a série, e, na forma de Vecna que é o grande monstro capaz de matar criancinhas para seu plano terrível de destruir o mundo (e que obviamente vem desde a primeira temporada) vem como o chefão final para ser vencido e, com sua derrota, fazer com que tudo fique bem no mundo novamente.

E eu nem vou ficar buscando furos do roteiro com elementos das temporadas passadas (quando você não precisa ir nem muito longe na própria quinta temporada com a Linda Hamilton pra gente focar em apenas um ponto), porque nada disso é relevante. Esse mega-evento dividindo a """"temporada final (TM)"""" em três partes com um filme de duas horas como o capítulo final e lançado nos minutos finais de 2025 (assim como os outros episódios foram lançados pouco antes do Natal - e, vale lembrar, em momentos que muitas vezes não existe lançamentos de episódios novos de outras séries, além de acontecer a reunião e confraternização do público consumidor, e, com isso ter assunto para discutir numa ceia com seus amigos e família - ou mesmo para assistir com essa galera todo mundo junto enquanto aguarda o peru).

Isso não foi produzido para fazer sentido ou funcionar enquanto roteiro mas como evento, então julgar com base do argumento do material é perder a perspectiva de que ele não existe para ser visto como um material.

Parece até roteiro produzido por IA com um salto cronológico de um ano e meio no final da história que ignora completamente a tensão da cena anterior (sim, o grupo estava detido pelo exército em uma instalação militar, mas, puff, um ano e meio depois) porque a série quer um final feliz e otimista para deixar todo mundo contente e pimpão na hora de estourar a cidra (edição especial Stranger Things (R) ) ou pura e simplesmente acordar nos momentos finais e perceber que tudo termina bem com todo mundo feliz sem levar em consideração todo o processo.

James Sunderland não pode simplesmente deixar Silent Hill e encontrar uma lâmpada mágica que traz sua esposa de volta e tampouco funciona para o elenco de Stranger Things para voltar a um porão mofado para jogar RPG depois de sobreviver a ataques de monstros terríveis de dimensões paralelas capazes de destruir o universo.

Falta talvez que este final estendido se dê mais tempo no final que na pirotecnia e nos apresente como essa gurizada seria capaz de retornar a um semblante de vida normal e suburbana depois de tudo o que viveram, mas a verdade é que falta coragem para fazer um final que não deixe a porta aberta para spin offs (As Novas Aventuras de Nancy e Robin (R) em junho, somente na Netflix), continuações (Strangest Things (R) em 2027, somente na Netflix), animações (Strangers Things babies (R) em maio, somente na Netflix) e todo tipo de material derivado promocional imaginado.

O final tem que servir justamente para isso e oferecer uma fantástica dose de sacarina e nostalgia em quantidades cavalares para permitir retornar à fonte quantas vezes a sinergia corporativa permitir. Não é mais sobre concluir a história, não é mais sobre o grupo de garotos nerds de uma cidade suburbana dos Estados Unidos que se encontraram num filme de terror... É para oferecer um show do Coldplay cheio de positividade para agradar uma molecada que começou a assistir motivada por algoritmo da internet e quer um final feliz e fofinho (que, de novo, vai permitir a manutenção do ciclo).

Se você pensar no final de que tudo é apenas um jogo de RPG, é curioso como ele se parece bem mais com o final do cachorro de Silent Hill que eu mencionei antes (sim, isso explica tudo), porque ele parece coerente como uma análise mais abrangente (nada do extraordinário de fato aconteceu além da imaginação das crianças), mas muito se perde no contexto do que é real ou não (e que é um problema constante quando uma história tenta um narrador não confiável de último minuto), porque você tem que costurar a história para entender onde ela é literal e onde ela é fantasia mesmo que em alguns pontos isso faça mais ou menos sentido (monstros e mundo invertido? Fantasia. Família se mudando para a Califórnia ou valentões do time de basquete perseguindo jogadores de RPG - que não vai ter qualquer conclusão narrativa satisfatória...? Um pouco exagerado...?).

Tá, eu sei que o material é para jovens adultos e, como praticamente tudo nesse gênero ele sequer tenta alguma abordagem mais complexa (sim, existe uma escola de magia nos arredores de Londres, e Dorothy não está mais no Kansas, Totó), mas o gênero de horror no qual a série tem raízes mais profundas tem em seu DNA um comentário social mais complexo e desafiador... Só que nem é só isso.

Quer dizer, o final da série tenta te oferecer uma noção que essa molecada que viu monstros pandimensionais e transitou por buracos de minhoca voltaria para uma vida normal para se formar do colegial e operar como peças produtivas e eficientes do complexo industrial capitalista. Todo mundo rumo a faculdade e formas de atuarem como membros produtivos da sociedade, ninguém questionando a ação do exército em uma cidadezinha ou todo o caos e destruição... Apenas uma devoção inalianável a uma promessa da vida idealizada e perfeita que os espera.

E isso é o que torna o final ainda mais patético quando a gente considera que ele quer fazer um paralelo direto ao Retorno do Rei, e mesmo nele os personagens não voltam para suas vidinhas idílicas e perfeitas numa devoção inalianável de suas vidas idealizadas e perfeitas. Frodo mesmo não consegue se adaptar ao retorno ao condado (e por isso parte com os elfos e abandona a Terra-Média), e mesmo os demais personagens estão mudados e tem reações diferentes a voltar para suas vidinhas comuns. 

18 de dezembro de 2025

{Resenhas despertas} Quinta ou Morto: Um mistério knives out! (sem spoilers)

O primeiro é melhor e enquanto o segundo é mais divisivo que eu também o acho melhor por tentar algo diferente (e mais interessante), mas, verdade seja dita, Vivo ou Morto (um mistério knives out) é um deleite pela atuação brilhante de praticamente todo o elenco principal.

Confesso que os títulos dos filmes vão fazendo menos sentido conforme a série avança, e, aqui particularmente existe o problema de que ele acaba meio que com um spoiler do que acontece na reta final da película (o que talvez se mostrassem nos minutos iniciais e retroagisse a isso talvez faria mais sentido com o título e assim criando mais suspense), mas, francamente só vejo que algum outro título funcionaria melhor. Se eu posso fazer uma sugestão (ainda que não mude com um filme já lançado) eu acho que Entre Padres e Segredos (ou Priests Out no original - ambos como alusão ao primeiro filme, Knives Out, Entre Facas e Segredos) funcionaria bem, mas, ei, agora já foi.

No entanto, existe algo que torna esse filme mais para um 'filme para tv' ou um 'episódio especial de um seriado' que propriamente algo para se ver nos cinemas e, mais especificamente, para servir de continuação para os dois que o precederam. Tudo parece menor e mais contido (uma cidadezinha de interior, um mistério pequeno envolvendo um séquito de personagens e principais suspeitos - e que fica na cara quem é o culpado bem antes da metade do filme), e nisso talvez até seja um problema dos projetos mais recentes de Rian Jhonson como Poker Face ou da própria Netflix de fazer deste material a terceira parte de uma série, quando podia facilmente ser um especial de Natal com alguns atores menores (eu acharia muito legal se trouxessem pro proejto gente como o Tony Shalhoub no papel do padre ou James Roday como o autor decadente ou Sherilyn Fenn como a carola devota pra um especial de natal de um serviço de streaming).

Mesmo que a atuação da Glenn Close seja espetacular e o Daniel Craig não desaponte como Benoit Blanc, eu genuinamente duvido que o filme seja lembrado na temporada de prêmios, e, o roteiro precisava de uma ou duas revisões (até porque acaba meio que mesclando elementos demais - na minha opinião - dos filmes anteriores sem criar algo novo e interessante por si só). Diria até mais que se fosse um especial dividido em duas partes com algum espaço para respirar entre os intervalos as revelações funcionariam melhor. 

Talvez o filme tenha no seu conflito principal (do dilema da fé) o tema mais espinhoso dos filmes até então, e, justamente na forma como conta a história e apresenta os personagens, talvez o filme não será bem recebido e visto com bons olhos pelo público - principalmente o público que gostou dos outros filmes. Religião é sempre controverso e os fanáticos que batem palminha pra desejas parabéns pra Jesus raramente aceitam críticas ou visões diferentes da deles, então quando um filme que tem como mote a mudança na perspectiva da religião que deixa de ser acolhedora para servir uma agenda fanática (e facilmente vista em tantas vertentes religiosas por aí), é fácil que pra essa galera pra quem a carapuça vai servir que essa galera xingue e fale que é a esquerda lacradora e canceladora e mais um monte de mimimi... 

Vale a pena, sem sombra de dúvidas, e, fazer uma maratona para ver os três na sequência é um ótimo plano para o fim de ano (muito mais que passar tempo com parente bêbado com brilhantes ideias de investimentos para seus negócios que ano que vem vão bombar com toda a certeza!). 

16 de dezembro de 2025

{Especial de Natal} Evangelho da Prosperidade de cu é rola!

Fim de ano, época de reflexão, falsidade e hipocrisia (acompanhada de um aumento de gastos) e o que melhor para contemplar todos esses assuntos num só que o Evangelho da Prosperidade?

(E, psst, que na verdade é uma forma para capitalizar tanto no coach como figura religiosa como para surfar na onda de O Segredo de 2006 - e que se tornou um dos maiores fenômenos coach da história - mas que, e isso é verdade, já vem da galera yuppie dos anos 1980, que a gente pode lembra da Xuxa falando que tudo que ela quisesse "o cara lá de cima iria dar" mas mesmo de visões distorcidas ao longo da história que seguiam exatamente essa mesma visão de opulência aos escolhidos e favorecidos de Deus como uma recompensa por sua devoção). 

Isso tudo faz sentido numa análise do Velho Testamento que traz várias passagens compatíveis com o Evangelho da Prosperidade (e que é o motivo pelo qual essa galera gosta tanto de citar as histórias do Velho Testamento) sempre catando milhinho para formar algo que compactue com a visão e a necessidade de mostrar que Deus recompensa (com bens materiais) os seus. É claro que também é um livro cheio de animais falantes, plantas falantes, anjos e criaturas fantásticas (além de milagres gigantescos como a abertura do mar ao meio para citar apenas um) mas curiosamente quem lê o material não consegue entender que ele não é literal e suas histórias são metáforas e aforismos para eventos reais ou não (mesmo quando ele se contradiz consigo mesmo).

Quer dizer, se você extrai moralidade da história de um homem que cafetina a própria esposa, bom pra você eu acho... Ou se conseguir me explicar de onde saiu a esposa de Caim (quando ele e Abel eram os únicos filhos de Adão e Eva), mas não vamos fingir que esse é um material inquestionável e (com uma mensagem) consistente de começo ao fim.

E enquanto isso é bastante curioso quando levamos em conta que Cristo (que é a figura central de algumas religiões que, talvez você tenha ouvido falar, além de figura central do Novo Testamento) desmonta quase que a totalidade do Evangelho da Prosperidade com uma única linha (e sim, que é aquela sobre como é mais fácil passar um camelo por uma agulha que um rico entrar no reino dos céus - e, ela nem é a única, porque o próprio Cristo diz em outra passagem que dinheiro não é coisa de Deus ao dizer 'A César o que é de César' e em outros exemplos como o sermão da montanha e a lição sobre dividir e compartilhar, mas, né, eu disse que é só um exemplo), mas vale lembrar que Cristo também joga o próprio Velho Testamento ribanceira abaixo com vários dos exemplos em que ele abre mão de conceitos e preceitos nele defendidos (como quando ele abandona o "olho por olho, dente por dente" do Êxodo e Levítico ao oferecer a outra face ou quando em pelo menos duas situações defende pessoas que violaram os 10 mandamentos - inclusive na própria crucificação ao acolher o 'bom' ladrão).

Claro, claro que a Bíblia foi editada e alterada dezenas de vezes desde sua escrita (que, vale lembrar nós nem sabemos quando foi e por quem), e no telefone sem fio dos séculos desde o Novo Testamento até os dias de hoje, muita coisa foi alterada para acomodar uma visão mais pacificadora de Cristo com relação ao Velho Testamento... Mas ele tem visões completamente diferentes do que é defendido naqueles livros, e não é pouco, ao ponto que alguém que se diz cristão mas ignora os conselhos do nome central de sua religião para buscar conselhos mais antigos, bem, eu diria que não é particularmente um bom cristão, ou só é hipócrita pra caralho defendendo seu próprio hedonismo com um verniz religioso, né?

Ainda mais quando a gente tem que lembrar que o Velho Testamento já era velho pra caralho no tempo de Cristo quando o próprio trazia sua revisão e reinterpretação da coisa toda. O Velho Testamento é algo de quase 6000 anos atrás, mais próximo da pré-história e do início da agricultura que da queda do Império Romano (e que pra nós, hoje, é algo incrivelmente distante com duas eras histórias nos separando disso), e se você acha que as histórias do Novo Testamento foram alteradas ao longo dos séculos num interminável telefone sem fio, o que dirá de livros que surgiram antes mesmo da palavra escrita e contemporâneos de um mundo permeado de religiões politeístas?

Só que isso nem é o pior quando a gente analisa a coisa toda, né?

Porque o próprio Velho Testamento tem muito mais exemplos que vão contra o Evangelho da Prosperidade que exemplos a favor. Sim, Davi é escolhido por Deus pra enfrentar um gigante e recebe a dádiva de acertar um sujeito com uma pedra no meio das têmporas... Sansão é picado por uma peruca radioativa e Abraão recebe fortunas e bençãos por se mostrar disposto a matar o próprio filho, mas, e a galera contrária?

Como Abel que era só um sujeito cuidando da própria vida (e, vale lembrar, que sacrificava animais a Deus, assim como Abraão mais tarde sacrificaria o próprio filho), quando foi assassinado pelo irmão por inveja. Jonas que ficou no ventre da baleia (por vontade própria até subir por céu - ou, ou!) ou Jó que perde tudo devido a uma aposta entre Deus e o Diabo (e fala pra mim que isso não parece algo diretamente saído do Olímpo em que os muitos deuses faziam seus joguetes com a vida das pessoas...?), e mais vários outros exemplos que reforçam que enquanto alguns escolhidos receberam dádivas e bençãos, outros tantos se foderam sem motivo algum (ou por motivos que nada tinham com suas ações como o caso de Jó ou Abel).

Droga, eu poderia facilmente mostrar outros exemplos que vão do Gênesis com Eva - e toda mulher depois dela - sendo condenada a dores menstruais ou mesmo as cobras a perderem os membros e ter de rastejar (é isso mesmo, o papo de que a cobra era o diabo é coisa bem mais moderna e secular, de Paraíso Perdido) e não obstante de toda uma galera que mesmo com suas dádivas e bençãos só sofreu e se fodeu também (como o já citado Sansão que perde a cabeleira, perde a força e morre traído pela única mulher que amou - de novo, muito parecido com tragédias gregas), e, sinceramente, eu ainda assim poderia facilmente apontar para a picaretagem e a pilantragem de quem vende esse tipo de coisa (e mesmo assim não se deu bem), mas obviamente isso não ajuda porque é o viés de confirmação que vale (a pessoa que vende o Evangelho da Prosperidade e consegue sucesso e nisso reporta que conseguiu sucesso porque vendeu o Evangelho da Prosperidade - enquanto quem se deu mal ou não acreditava de verdade ou não fez alguma coisa direito), e nesse aspecto nunca fará diferença apontar milhões de exemplos.

Mas ei, quem sabe se você pedir uma Mercedes Benz e for bem bonzinho, Deus não dá um jeito pra você? 

15 de dezembro de 2025

{Resenha Lixo} O Sobrevivente (2025)

Me dói falar que um filme de Edgar Wright é ruim, mas, se eu preciso ser extremamente franco e honesto... Dá pra dizer que O Sobrevivente é um filme de Edgar Wright?

Quer dizer, é tão no automático com escolhas tão clichês que facilmente se diria que ele só assinou a direção por imposição contratual (o que eu não duvido ainda mais desde os últimos filmes do diretor que não foram nem de longe um sucesso nas bilheterias).

E honestamente nem é que o filme seja ruim particularmente. Nada inspirado, clichê e algo que seria muito mais interessante uns trinta ou quarenta anos atrás? Sem sombra de dúvidas, mas, ruim...? Nem isso o filme consegue de fato almejar porque é um constante platô de mediocridade.

Agora, se é necessário dizer qual o grande problema do filme, não tem como fugir de uma crítica social que não se sustenta, que não carrega nenhum peso, e, que outros filmes (inclusive bem ruins) fizeram bem melhor como Gamer de 2009 ou mesmo que o roteiro não se esforça minimamente para tecer qualquer comentário que poderia incomodar alguém ou no mínimo provocar alguma reflexão...

Quer dizer, a polícia se torna privatizada e controlada por grandes monopólios corporativos (de mídia) e um filme produzido por um grande monopólio corporativo (de mídia que vive bajulando o presidente dos Estados Unidos) nos diz que isso não é exatamente ruim, são pessoas ruins que estão administrado a coisa toda...?

É tudo tão vazio e incapaz de tentar um mero e mínimo comentário social - além de uma menção ou verniz (raso) de um pensamento de algo mais complexo. Tudo feito para funcionar da forma mais genérica possível e para ser consumido e esquecido antes mesmo que você deixe a sala do cinema.

Nem vou fingir que o filme dos anos 1980 seja (minimamente) melhor, mas não parece tão vazio sem propósito.

Isso é como o Robocop do Padilha, uma pálida imitação sem a capacidade de reflexão.

E o pior é que nem chega perto dos piores filmes do ano... 

11 de dezembro de 2025

{Resenhas de Quinta} Vodka Superman

Eu falei do selo Absolute há pouco mais de um ano atrás, e, a verdade é que não me supreendeu, mas, verdade seja dita, era Scott Snyder de quem eu não tenho grande apreço ainda que me pareça que o público em geral gosta bastante (e o fato que ele continua de maneira bem consistente a produzir quadrinhos do Batman mesmo que eu não entenda como ou porque - deveria pelo menos indicar alguma coisa).
 
Pra mim essa eterna tentativa de atualizar personagens de mais de 80 anos para os tempos atuais é uma luta que as editoras não tem como vencer, e, honestamente, com as repetições só mostra e fede a desespero - e considerando que a empresa da qual a DC faz parte vem sendo negociada na cifra de bilhões entre diversas propostas, me parece bastante que desespero é a palavra do dia na editora.

Quando saiu, eu tinha lido a primeira edição de Absolute Superman e Absolute Wonder Woman todas juntas em 2024, e, nada disso chamou minha atenção até Absolute Martian Manhunter, cuja arte é espetacular e embasbacante (e o roteiro é bem interessante mesclando elementos de um noir psicológico com a origem de um super herói), mas de toda essa leva, a dupla criativa mais interessante sem sombra de dúvidas é a de Superman.

Jason Aaron foi meu escritor favorito nos anos 2000-2010 com Scalped e ele continuou produzindo material muito bom com Southern Bastards e mesmo seus trabalhos mais do mainstream da Marvel com o Thor e os X-men, e Rafa Sandoval é um artista extraordinário que consegue produzir páginas fascinantes cheias de detalhes nos quais é fácil se perder por horas procurando.

Certo, então qual é o problema, você pode se perguntar? E, bem, enquanto eu particularmente acho que tem muita coisa interessante aqui na reinvenção do conceito do personagem, de Krypton (como um paralelo mais claro de um mundo diante de destruição em que as Elites se mantém inertes, deixando o planeta morrer por lucro), existe tanto o aspecto cínico de que essa é apenas mais uma revisão da origem do Superman nas últimas décadas (e que como todas as outras, em breve ninguém vá nem se lembrar de uma vírgula disso), quanto, bem, o aspecto prático em que tudo isso se parece tão falso e pronto para desaparecer com um estalo de dedos como os Heróis Renascem ou seja qual outra mudança descartável que ocorreu numa tentativa de chamar atenção numa indústria moribunda que não sabe mais como se comunicar com o público.

Nisso, a história em si não importa tanto se é boa, porque fica uma pulguinha atrás da orelha o tempo todo de que isso é um mero exercício de futilidade do escritor, uma mera ficção de fã que em breve desaparece tal qual uma onda ao colidir com a praia.

Só que não é só isso, não é mesmo?

Quer dizer, a história se perde numa confusão entre tentar escrever uma história do Superman herói operário lutando pelos direitos do povo comum contra o complexo industrial militar capitalista em sua mais pura forma enquanto tenta de maneira similar definir quem é esse verdadeiro povo comum - e como a ciência é de alguma maneira parte das Elites ou uma estratégia de alienação usada por essas Elites para controlar o povo... Isso parece, ao menos em partes, agradar a um público mais amplo, com uma demonstração do herói de colarinho azul lutando contra os grandes capitalistas, mas quanto mais eu avanço, menos isso faz de fato sentido.

Só que, e aí começo a analisar que esse ponto faz sentido para um grupelho específico, um grupelho que quer fazer a 'Murica grande de novo e que acha que eles - gente trabalhadora de colarinho azul do povo comum são oprimidos pelas Elites, ou seja, as universidades e a comunidade científica - que são paralelos claros que vemos na série.

As Elites científicas de Krypton negam as evidências da potencial destruição do planeta enquanto na Terra o grande vilão (Braniac e depois outro mais secreto, sem spoilers - que controlam uma grande corporação farmaceutica, sabe, vendendo terríveis vacinas contra os heróis MAGA?), e isso move nosso herói a se rebelar contra o sistema e mobilizar a população.

Mas isso é parte do ponto também uma vez que o universo Absolute compartilha numa perspectiva mais pessimista e terrível do mundo recriando os personagens do universo DC...? Sinceramente, acho uma forma de apelar a um público claramente estúpido em oferecer exatamente o que eles gostam (e querem) com uma desculpa para ajustar posteriormente (caso isso tenha uma repercussão negativa), ou simplesmente de dizer que é a ideia desde o começo (ainda agora com a Paramount pelassaco do Trump e do MAGA talvez a futura dona da DC).

E nem é de dizer que é ruim porque eu não concordo com a visão política, é porque a visão política é ruim ao colocar cientistas como ruins enquanto o sujeito que mata toda uma população é só um lacaio contratado cumprindo ordens... 

Vale pela arte e o roteiro de Aaron é interessante em sua reivenção do personagem mas a perspectiva da história segue um rumo que não vale a pena, nem por curiosidade.

9 de dezembro de 2025

{Explicando? os roqueiros reaças}

Enquanto eu tinha bastante coisa pra falar sobre a Netflix comprando a Warner - e um bando de otário fã de games reclamando porque agora a Sonia Blade vai ter cabelo azul - a Paramount jogou água no bolo e talvez agora seja a vez de Brett Ratner escalar Melania Trump em todos os papéis (para mostrar toda a sua versatilidade artística), até porque não é como se a Paramount tivesse estragado alguma franquia baseada em jogos, não é mesmo...

Até porque, na visão desses caras, a WB (que vem enfrentando problemas financeiros há um bom tempo e justamente por isso foi vendida para a Discovery e justamente por isso agora está à venda de novo) parando nas mãos da Netflix ou qualquer outro estúdio, o problema não é para as centenas ou mesmo milhares de profissionais que estão sem saber o que vai acontecer num futuro próximo ou conseguem sequer imaginar próximos projetos (ou mesmo saber se estarão empregados até o próximo Natal).

O problema pra esses gamers mimizentos é que não sabemos do futuro de Mortal Kombat ou qualquer outra franquia de games que a WB produza caso a empresa pare nas mãos de outra companhia... Quer dizer, desde que a SNK e a EA foram vendidas para um conglomerado árabe e continuaram a produzir jogos (sem que os personagens pintassem o cabelo de azul), tudo certo, não é como se a família real matasse jornalistas por lá ou qualquer coisa.

E o fênomeno do gamer reaça não é particularmente pior que o roqueiro reaça então deixa o Felipe Boni explicar o roqueiro reaça e semana que vem eu volto com algo mais concreto (eu acho):