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15 de junho de 2025

{Editorial} Sobre o caso Leo Lins (e não, ele não tem nada de defesa de liberdade de expressão - é só hipocrisia mesmo)

Enquanto, honestamente, eu tenho que admitir que não sei quem é Leo Lins além de que é uma versão piorada de Danilo Gentile, e isso já me é suficiente para não querer saber um atmo a mais, o caso de sua condenação ganhou bastante repercussão e discussão ultimamente, e, bem, se é discussão porque não opinar também?

No entanto o caso tem uma série de problemas e hipocrisias e eu tentarei na medida do possível cobrir o assunto da maneira mais abrangente possível. Não assisti ao conteúdo (e nem me interesso) e não vejo o menor motivo para discutir sobre o teor do que ele tenha ou não dito (a juíza do caso já fez isso), então vamos aos pontos:

A condenação é justa?

Bem, sim, afinal segue o que está previsto pela lei. Foi analisada por uma juíza, Lins teve pleno tempo de preparar uma defesa e argumentar (o Pirula fez um video sobre o assunto há um ano e meio sobre o caso, o que aponta que não tem nada de novo sob o sol).

{Editado 17/06} Não é função do judiciário analisar se a piada é boa ou não (e se você quiser alguém analisando se a piada é boa ou não, o Tiago Santineli - com divido além das iniciais, também uma série de opiniões - já fez a análise do "material"), mas sim se existe alguma violação dos termos da lei em qualquer sentido, até porque se fosse analisar por piada ruim, o Leandro Hassum já tava com prisão perpétua.

Foram analisados os crimes de discurso de ódio perpretados pelo cidadão, e, o judiciário analisou e julgou que, sim, foram cometidos crimes nesse sentido.

Agora começa o mimimi dessa corja mesmo. {/fim da edição} 

O que acontece é que, como Carla Zambelli e boa parte dessa canalhada de direita, sabe essa galera adora criticar que a justiça é muito branda e ineficaz (e solta rojão quando um jovem negro é espancado, torturado e mesmo assassinado pela polícia), mas quando sai a primeira busca e apreensão corre para a UTI para dizer que sua saúde é pior que da Tia May (ou no caso da Zambelli é tão burro a ponto de fugir do país e fazer uma coletiva de imprensa para dizer que está fugindo do país).

E enquanto eu não sou formado em direito ou tenha vasto conhecimento na área, bem, não é exatamente como se um advogado precisasse de muito para conseguir um acordo de leniência. Droga, 300 horas de serviço comunitário, tornozeleira eletrônica por um ano e meio e suspensão das redes sociais... Você acha mesmo que qualquer juiz rejeitaria um acordo desse em qualquer destes dois casos...?

A Mônica Iozzi foi condenada em um caso com o Gilmar Mendes, e podia brigar ad infinitum na justiça e optou por pagar multa e seguir com a vida... 

Mas aí os idiotas (Zambelli ou Lins - mas vale pra muito mais gente) resolvem demonstrar suas bravatas nas redes sociais e desafiar publicamente juízes e suas decisões porque são vítimas injustiçadas, apesar de amplo direito de defesa e tempo para preparação, ainda que seus argumentos sejam pífios e patéticos, porque, afinal de contas, são burros para caralho.

E a liberdade de expressão, onde fica?

No mesmo lugar que estava antes desse caso. Curiosamente, gente como Hassum, a galera do MBL ou mesmo Nikolas Ferreira que sairam todos criticando essa terrível decisão da justiça figindo que o """humorista""" é praticamente o Lenny Bruce do século XXI, não se manifestaram no caso da PhD Ana Bonassa que foi condenada por dizer que um picareta tava vendendo produtos que claramente não funcionam como medicamento...

Porque não é uma luta por 'liberdade de expressão' propriamente dita (não mais que algumas semanas atrás essa mesma galera queria linchamento público de um cantor carioca - que curiosamente não tem olhos azuis ou tom de pele mais clarinho na escala pantene, mas isso com certeza é mera coincidência), né? É mais para garantir o direito de expressar preconceitos e discurso de ódio (ou vender produtos que comprovadamente não funcionam - e podem levar a óbito), né?

Mas, voltando ao Lenny Bruce que eu citei agora a pouco, para quem não conhece, o humorista norte-americano que é considerado o pai do stand-up moderno justamente por mudar a forma de como contava suas piadas ao inserir histórias pessoais em sua rotina (deixando de lado números bobos e piadas de sogra - sabe, o que o Faustão faz ainda hoje) costumeiramente era preso, muitas vezes antes de subir no palco (e só recentemente perdoado, o que é um escândalo em si próprio). Bruce foi preso várias vezes por violar a lei de obcenidade, ao dizer palavras terríveis, que, bem, eu já devo ter usado uma ou dez nesse texto mesmo que feririam as sensibilidades carolas destas leis.

No entanto, o ponto e argumento que Lenny Bruce criticava com seu material era justamente seu direito de poder dizer as 'obcenidades', e, justamente por isso ele continuava desafiante e fazendo seu material. Ele poderia clara e facilmente mudar seu texto e aplacar a ira conservadora que achava ofensivo dizer 'puta' ou 'foda' ou fazer algum movimento imitando o ato masturbatório num clube de comédia no sábado à noite mas acharia perfeitamente normal sair da missa no domingo para colocar uma cruz invertida pegando fogo no quintal de uma "pessoa de cor" (e depois assistir a um show do Leo Lins).

Lenny Bruce lutava pelo direito de desafiar convenções estúpidas e carolas, e por isso continuou anos e anos sendo preso e desafiante. Leo Lins quer se dizer um bastião da liberdade de expressão mas vem com alguma conversinha de que no palco é "um personagem" (o que viola toda a lógica do stand-up, mas mais sobre isso a seguir), fazendo algo muito parecido com o outro rapaz citado alguns parágrafos atrás que também foi condenado, por colocar uma peruca em tribuna e fazer discurso transfóbico, porque a questão é diametralmente oposta.

Bruce queria mudar as coisas e oferecer um prisma para que a sociedade pudesse aceitar o que é visto como diferente, e, refletisse no processo enquanto Lins quer manter o direito de regurgitar o status quo e se aplaudido como um bravo e corajoso papagaio do Danilo Gentile nessa centopeia desumana em que o próximo elo digere e passa adiante a mesma merda que consumiu como se fosse um grande poço de inspiração.

Mas uma pessoa pode ser condenada pelo que o personagem diz... Não é tudo ficção?

Depois do 'foi mal, tava doidão' agora temos 'é só um personagem'.

Curiosamente, o foi mal, tava doidão pelo menos tem alguma base jurídica, afinal uma pessoa sob efeito medicamentoso pode ter seu julgamento afetado, mas, "não fui em quem disse foi um personagem" realmente merece um prêmio pela canalhice e burrice do argumento. 

Vamos lá, tentando resumir para demonstrar o quão estúpido esse argumento de fato é.

Um personagem existe como parte de uma obra de ficção, e, por conseguinte, não é real.

É, eu acho que é isso.



Tá, tá, a situação é um pouco mais complexa que isso (afinal, nos ataques de Nikolas Ferreira e do próprio Lins, curiosamente usando os mesmos termos, persegue-se dessa forma o autor do texto caso o personagem diga algo ofensivo - o que, curiosamente a turma deles faz ao querer banir livros a torto e direito), mas em linhas gerais, um personagem pode simular eventos do mundo real, e inclusive representar inúmeras similaridades com o próprio autor, sem tentar enveredar por um caminho meta demais, e talvez não exista um exemplo mais fácil que de Larry David com seu Segura a Onda.

No seriado, David, co-criador de Seinfeld e figurão em Hollywood com vários amigos atores vive Larry David, co-criador de Seinfeld e figurão em Hollywood com vários amigos atores (como Ted Danson, Richard Lewis e mais uma dezena de outros tantos). No entanto, David do seriado é um personagem, uma representação exagerada e potencializada de David na vida real.

David do seriado se mete em confusões e absurdos, que, se acontecessem com o David da vida real ele dificilmente seria um figurão em Hollywood (como com uma briga boba com Ben Stiler por uma festa de aniversário semanas depois do fato ou uma rivalidade com Michael J Fox que escalona em níveis estratosféricos). Sabemos que os eventos do seriado são ficcionais e representação das pessoas reais em cenários absurdos.

No entanto, num programa de entrevistas ou num palco fazendo um stand-up, é a pessoa física Larry David, e não mais o personagem de Segura a Onda. Seus comentários pessoais são suas opiniões e não mais o que o personagem numa obra de ficção pensa ou diz.

Se as opiniões do personagem ou da pessoa coincidem, são irrelevantes quando ditos pelo personagem - pois são uma obra de ficção, por mais que se assemelhem ou existam no mesmo contexto do mundo real - mas preocupantes quando ditos pela pessoa - pois EXISTEM no mundo real e por isso tem consequências e ramificações.

Nada disso é importante para o stand-up, principalmente na estrutura após Lenny Bruce (do ponto anterior), considerando que esse número de comédia reside no fato do humorista subir ao palco de cara-limpa (ou seja, sem personagens) para expor seus comentários, falar suas opiniões, sentimentos e pontos de vista. Ele nem precisa fazer uma piada tradicional como Bill Hicks falando por quarenta minutos sobre o assassinato de JFK...

Claro que existem outros comediantes que usam personagens em seus trabalhos (como Tom Cavalcante e antes dele Chico Anísio), mas evidentemente esse trabalho segue num rumo diferente em que os personagens vivenciam situações e cenários previamente planejados e estabelecidos (sabe, como numa peça), enquanto, o stand-up falando de cara limpa, existe maior liberdade para improvisação e, de novo, para opiniões que não compõem necessariamente uma piada no sentido tradicional (Bill Hicks de novo).

Agora, e talvez essa seja a questão mais importante, se você enquanto comediante e autor do texto que será executado, não concorda com ele, porque o diria?

Provavelmente porque foi pego e processado (e condenado) por isso e precisa de alguma desculpa (mesmo que estúpida) para ver se cola, né? "Esse batom na cueca é culpa do multiverso!"

 

{Edição bônus em 17/06} Bônus: Mas ele não confundiu só 'personagem com persona'?

Se fosse o caso, claro que seria muita burrice.

Personagem é uma representação ficcional, persona é um bocado mais complicado que isso, mas em linhas gerais é uma parcela de sua personalidade que se adequa em cenários situacionais - como quando você está em um churrasco com seus amigos ou quando está num churrasco da empresa no que você se comporta de maneira diferente. Mas nas duas situações, continua sendo você.

Persona pode mudar de acordo com contexto social, mas continua sendo a própria pessoa... Qual o argumento de defesa de que sob um aspecto social você fez um comentário racista ou homofóbico... (que é um crime)? 

{/fim da edição}

27 de abril de 2025

{Mentira não é liberdade de expressão} É possível mentir muito dizendo apenas a verdade

Se você não sabe de onde vem a frase do título dessa postagem, é de uma propaganda antiga da Folha de São Paulo (sabe, o jornal que apoiou a ditadura militar) dos anos 1990 em que eles falam basicamente a biografia de Hitler sem mencionar nenhum dos muitos crimes contra a humanidade.

 Essa semana de maneira bem clara e inequívoca, a Folha e o Estadão demonstraram isso com a primeira página de seus noticiários como você poderá verificar claramente abaixo:


 

Qual o problema destas duas manchetes? Bem... Apesar das duas mencionarem a fraude no INSS, uma traz o período das investigações enquanto a outra traz a foto do presidente Lula logo ao lado da matéria (sabe, para vinculá-lo diretamente com o escândalo - que começou, pelo menos, em 2019, quando ele não era presidente).

O escândalo do INSS inicia em 2019 (com Bolsonaro no poder) com uma série de alterações ocorridas que permitiram que empresas pilantras fizessem descontos ilegais nos benefícios dos aposentados, e, uma vez que isso se deu durante a pandemia de COVID-19, muita gente mal viu ou percebeu o que estava acontecendo... Ou conseguiria conversar com o INSS (que estava com uma defasagem gigantesca nos processos e Bolsonaro queria empregrar militares para o órgão).

E enquanto eu não quero fingir que não tenha qualquer ligação com o PT ou mesmo Lula (uma vez que já são dois anos de sua gestão e os problemas continuaram, não é mesmo? E existe a alegação de que o irmão do presidente está envolvido em uma das empresas que fazia estes descontos ilegais), é bastante ingênuo para dizer o mínimo levar a questão por esse caminho, pois ignora todo o caminho que fez para chegar até aqui, e nisso todos os problemas.

E os problemas começaram, com toda a certeza, antes de 2019 quando foi facilitado que isso acontecesse e tomasse forma. Mas é importante destacar quando o problema começou e o que ele é (descontos ilegais nos benefícios do INSS) e porque eles ocorreram.

6 de abril de 2025

{Mentira não é liberdade de expressão} Porque a obsessão com Branca de Neve?

Enquanto a Casa Branca bombardeia o Oriente Médio em uma discussão de chat de aplicativo por nenhum motivo além de justificar a baixa popularidade (de um presidente recém eleito), é curioso que tanta, mas tanta gente se veja incomodado e ofendido pela Branca de Neve.

O filme original de 1937 é um clássico pelo fato de ser uma das primeiras animações coloridas e efetivamente elevar a Disney para um estúdio - que faz mais que curtas e tirinhas de jornal - e história original foi publicada uns bons 80 anos antes em 1857 na narrativa dos Irmãos Grimm, e, com pouco mais de 20 páginas (incluindo ilustrações) o material começa já em quinta marcha e liga o nitro antes do primeiro parágrafo (em três páginas a mãe da Branca de Neve morre, seu pai casa de novo e a madrasta manda matar a garota), e, dizer que o conteúdo é atemporal e relevante, bem, é ser incapaz de entender o que significam dessas palavras pra dizer o mínimo.

A história traz a madrasta má enciumada com a ideia de que alguém possa ser mais bela que ela - mesmo que, sendo bem generoso, seja uma adolescente com uns 13 anos que mal teve sua primeira menstruação mas que todo mundo parece achar natural dizer que é "a mais bela".

A madrasta contrata um assassino (e come as entranhas que o sujeito leva pra ela dizendo que eram da garota), enquanto a menina se embrenha na floresta por um dia inteiro até achar uma cabana que pertence a um grupo de pessoas com nanismo. Porque "anões"? Porque sete? Porque eles são mineradores? Não sei e a história não se importa em esclarecer além disso e deixar claro que eles acolhem a garota desde que ela faça todas as tarefas da casa (e a sua cabeça na sarjeta vai definir o limite para "todas").

No entanto a menina é burra feito uma porta e é enganada três vezes pela mesma pessoa (que sim, é a madrasta com "disfarces" que fazem o Roberto Gómez Bolaños  parecer um ninja) com truques cada vez mais idiotas, até que a menina engasga com uma maçã e é dada por morta (com um caixão de vidro e tudo mais), somente para ser vendida para um princípe que conveniente passava por lá e a marca das vinte páginas já estava próxima.

Sem beijo, sem reviravolta mágica, a menina acorda porque um dos servos do príncipe é destrambelhado e tropeça forçando uma manobra Heimlich involuntária, e com isso ela cospe a maçã (depois de dias entalada na garganta e presumida morta pelo espelho mágico), acorda e se casa com o príncipe. Fim? Não, ainda tem a madrasta sendo torturada com sapatos de ferro quente que ela tem de usar para dançar até morrer no casamento da Branca de Neve, mas, sabe, final feliz.

No filme de 1937 da Disney, a história segue as mesmas batidas (rainha mádrasta obcecada com beleza tenta matar a afilhada que foge para a floresta onde passa a morar com os anões), e além de um número assustador de músicas (nos primeiros 15 minutos, Branca de Neve canta 3 canções diferentes e eu genuinamente não acredito que ela tenha um único diálogo que não seja em verso - e isso quando não são  apenas com animais), existe um bocado de mudanças. A principal diferença pro conto é que enquanto lá ele já começa na quinta e engata o nitro, na animação, bem, ela vai na banguela por uma loooooooonga descida e sem a menor pressa de chegar em qualquer lugar. Cenas e mais cenas que pouco ou nada agregam para a narrativa (como os anões lavando as mãos antes da refeição), e canções e mais canções para que o filme tenha o mínimo de tempo para ser exibido nos cinemas como longa-metragem.

O príncipe é apresentado logo no começo tentando um dueto com a Branca de Neve (que curiosamente aparece lavando os degraus do palácio como se fosse uma gata borralheira), e são os animais que a conduzem à casa dos "anões" (onde ela proativamente se propõe a limpar tudo - com a ajuda dos animais, é claro).

Os "anões" são introduzidos por volta dos vinte minutos (também com uma canção) e aqui temos a maior diferença de que eles tem personalidades e nomes individualizados (no conto, honestamente, ninguém tem um nome, incluindo a Branca de Neve que pode se chamar Danuza pelo que me consta e seu apelido ser Branca de Neve), e, após um bom tempo com o grupo, a ação volta ao palácio onde a Rainha usa de alquimia para se transformar numa idosa (e não um mero disfarce) e produzir os feitiços partindo imediatamente para a maçã envenenada, que, ao contrário do conto dos Grimm, já diz de cara que conduz ao sono da morte (você já deve ter percebido um padrão meio MCU aqui de quantas histórias de fadas a Disney parecia querer abraçar em uma única história, né?).

O filme faz uma pausa brusca para deixar a ideia de que a Branca de Neve morreu no ar por uns minutos pra ficar aquele ar triste até que a narração avançar alguns meses para que o príncipe (do começo) apareça cantando e a encontre e desperte com um beijo e uma canção, e, bem, felizes para sempre sem tortura da rainha má que, bem, não tem nenhum desfecho para sua situação, ainda que, honestamente eu tenha minhas dúvidas se o Príncipe Encantado não é irmão ou meio irmão da Branca de Neve (afinal no começo pelo menos fica a impressão que eles moram no mesmo castelo - e eles tem uma série de feições parecidas como os cabelos e olhos, além de, e eu não posso destacar isso o suficiente, nós não sabermos os nomes deles, ao que tudo indica poderia ser Lannister) o que torna a coisa ainda mais ferrada do que a versão dos Grimm.

Se não ficou bem claro até aqui, não existe muita carne nesse osso... E eu nem sei se existe muito osso nesse osso... É tão simples como você pode imaginar, tudo se concluí com uma velocidade enorme e sem muitas explicações.

Onde está o rei (pai da Branca de Neve) durante tudo isso? Ele ainda está vivo ou o que...? E, eu detecto alguma insinuação de incesto nas motivações da antagonista uma vez que a Rainha Má precisa ser a mais bela porque ela tem medo que o rei olhe pra própria filha e pense "Hm, rolou um clima" e nisso vá abandonar a rainha...?

Nisso volta nos problemas de porque existem as pessoas com nanismo moram numa floresta e porque diabos eles são mineradores (e sete, quer dizer, oito pessoas seria demais para manter uma operação de mineração mas seis seria muito pouco...?), ou de como a protagonista não tem absolutamente nenhuma motivação (sim, ela quer sobreviver, o que é uma baita motivação, mas não é como se ela faça algo muito elaborado para isso, e, mais importante, sendo burra como uma porta ela é enganada três vezes pela mesma pessoa que tentou matá-la anteriormente) e eu poderia continuar além e além sobre isso.

E eu vou.

Veja, se eu quiser buscar uma lição para a fábula, e uma lição bem inocente, a lição da história é a de que o carma resolve as coisas. Se você faz boas ações, boas coisas acontecem, se você faz coisas ruins, isso acaba te alcançando, afinal isso é o que acontece com a protagonista e a antagonista da história (Branca de Neve faz coisas boas e é recompensada enquanto a Rainha Má termina torturada até a morte).

Ok, ainda que isso seja bastante ingênuo e, honestamente, não faça muito sentido mesmo no contexto da própria história quando consideramos os demais personagens. Os mineradores com nanismo oferecem um lar e proteção para a Branca de Neve e acabam na mesma merda que estavam quando tudo começou - não é como se o príncipe oferecesse uma gigantesca recompensa e os levasse para ingressar à corte como cavaleiros ou algo do tipo. Ou mesmo o próprio príncipe, que, nós não sabemos nada sobre ele (além de que é um cara esquisito que quer comprar uma garota em coma - é nada de pervertido nisso).

Podemos ser honestos e partir de que a lição é que a beleza é a coisa mais importante (e que as pessoas vão te ajudar se você for belo e ligar o foda-se se você for velho, tiver nanismo ou, bem, qualquer outra coisa além do padrão normativo da época)... E além do fato de que eu honestamente não vejo isso como uma lição universal ou válida mesmo para 1857, que dirá nos dias de hoje, eu acredito que existe ao menos um aspecto de bondade que está ali nesse argumento da beleza, estabelecendo que a bondade/caridade é bela e que isso é o que de fato faz a Branca de Neve a mais bela (e, que o desenho de 1937 parece se debruçar um bocado nesse aspecto).

Falando do filme de Disney segue as batidas principais da história, ainda que com uma hora e meia tenha um pouco mais de tempo para trabalhar os elementos da história (e, no estilo Disney amenizar as partes mais problemáticas como a madrasta comendo vísceras ou morrendo de maneira brutal no fim), mas no geral não foge dos mesmos problemas ou das falhas na estrutura narrativa.

Porque sete? Porque pessoas com nanismo e mineiradores (seria alguma ideia racista enraigada na Europa nórdica que vem da mitologia Viking...)? Porque a Madrasta é tão obsessiva com a visão de ser a mais bela...? E por aí vai. Sim, é um conto de fadas curtíssimo e sem tempo ou preocupação para desenvolvimento adequado, mas é extremamente curioso como é uma história boba e fraca.

Quer dizer, existe alguma moral ou lição para essa história? Ou algum ponto?

Como eu disse, porque a história traz os anões e não gatos gigantes que viram ônibus e vivem na floresta ou pombos alienígenas que lutam kung-fu ou qualquer outra coisa...? Branca de Neve não aprende nada nessa história (ela não precisa aprender a se cuidar ou a pensar por si própria ou a ficar mais inteligente), os anões não fazem nada além de oferecer moradia e zelar pelo cadáver da Branca de Neve...

E, desculpa pelo cinismo, mas o motivo pela Disney fazer esse remake live action em 2025 é apenas para manter o material registrado (como os nomes dos anões e as canções) antes que caiam em domínio público em 2037 de acordo com as leis sobre o assunto nos Estados Unidos. O estúdio não está preocupado se o material fracasse retumbantemente nas bilheterias, se vai oferecer uma nova perspectiva sobre uma história antiga (e que não agrega muita coisa sobre a sociedade moderna - ou mesmo a sociedade de 1937 que estava bem mais preocupada com uma guerra na Europa).

E com as perspectivas cada vez mais sinistras de uma nova guerra na Europa, realmente parece pouco provável que alguém se importe com uma história dessas, não? E é aí que você se engana, meu caro leitor porque parece que todo conservador e sua mãe parece incrivelmente preocupado com o quanto a filme da Disney está destruindo nossa sociedade (e não, sabe, as bombas e a inversão de valores em ignorar o efeito destes bombardeios consecutivos e sucessivos enquanto se preocupa com uma bosta de um filme produzido pelo único motivo de manutenção de marca registrada).

Quer dizer, quando a atriz que faz a Branca de Neve tem um tom de pele diferente da escala Pantene de Branco Gelo e ela teve a audácia de dizer que uma história de 1857 (escrita em 20 páginas) precisaria de alguma adaptação e atualização para continuar relevante e atual! Que audácia!

Ou Peter Dinklage que disse que não é bacana usar sete "anões" para uma história em que eles são irrelevantes e pouco agregam além de uma atração circense para fazer algum numerozinho bobo... Quer dizer, o que ele entende sobre pessoas com nanismo?

A questão devoluiu em briga de idiotas conservadores que querem procurar mamadeiras de piroca em tudo e fingir que estes são os problemas reais que afligem a nossa sociedade (enquanto Israel promove um genocídio em Gaza ou o governo estadunidense bombardeia o Iemen para tentar justificar sua estupidez na política econômica no cenário global), mas uma vez que o texto já está longo demais os comentários sobre o filme de 2025 estão no próximo post. Até lá!

23 de fevereiro de 2025

{Mentira não é liberdade de expressão} Não, Star Wars não são um fracasso da agenda woke (ou da presidente da Lucas Filmes, Kathleen Kennedy)

Enquanto teóricos da Internet, tais quais torcedores que todos entendem mais de futebol que os técnicos de seus times, sabem mais sobre a gestão de estúdios de filmes que diretores altamente remunerados de empresas multimilionárias, eu me reservo a explicar o que aconteceu, com base em dados e fatos tentando me isentar de juízo de valores.

Não, Star Wars na Disney não fracassou porque a presidente responsável pela franquia era mulher ou porque os filmes são 'woke'.

Na verdade, se o idiota que faz tais comentários não fosse desonesto intelectualmente, sua tese levaria em consideração a trilogia de George Lucas entre 1999 e 2005 (também conhecida como as prequelas), que são criticadas constantemente por fãs do material (e se eu precisasse de apenas dois argumentos eles seriam 'midclorians' e Jar Jar Binks, mas toda a longa discussão vazia sobre política não ajuda nem um pouco, assim como a repetição da trama da estrela da morte - que Anakin Skywalker com oito anos destroi acidentalmente no primeiro episódio).

Inclusive porque esses filmes foram escritos e dirigidos por George Lucas (o criador original da saga), e lançados quase 30 anos desde O Retorno de Jedi (em 1983), o que daria a Lucas tempo mais que suficiente não apenas para aprimorar efeitos especiais mas para efetivamente produzir histórias melhores - e não destruir as carreiras dos dois jovens atores que viveram Anakin Skywalker no processo. Lucas, diga-se de passagem, que disse originalmente ter uma visão para 12 filmes da saga, tinha nesse ponto um vasto catálogo de material produzido nesse intervalo para escolher e produzir baseado em, considerando que a Dark Horse lançou quadrinhos da saga de 1991 a 2012 com um considerável número de histórias para se basear e desenvolver.

Além disso, o filme original de 1977 tinha na visão conceitual a ideia da protagonista ser uma mulher (o que considerando que Jane Fonda já tinha feito em 1968, não era exatamente um conceito tão inovador - e nos anos seguintes com Alien e Exterminador do Futuro).

Mas, sabe, uma mulher protagonista nos anos 2000, e corra para as montanhas, né? Quer dizer, como você pode aceitar a ideia de uma mulher lutando com um monstro com o dobro do tamanho dela de maneira realista... em uma obra de ficção...? Ei, vamos ser honestos só vale pra personagens masculinos enfrentar monstros com o dobro (ou bem mais que isso) de seus tamanhos de maneira 'realista', tá?

Quer dizer 'Ai, mas ela pilota uma nave com enorme capacidade na primeira tentativa'. Ao contrário dos filmes escritos - e dirigidos por Lucas - em que Anakin Skywalker COM OITO ANOS constrói um dos droides mais avançados do mundo com sucata, uma nave capaz de vencer - pilotando COM OITO ANOS - a corrida mais arriscada que um desenho do Speed Racer e a Corrida Maluca combinadas e ainda de lambuja destruir uma Estrela da Morte de maneira completamente acidental. Ou do Luke Skywalker que vivia num planeta nos recônditos mais escondidos da galáxia mas logo é capaz de pilotar uma nave em uma zona de guerra e conseguir disparar o tiro mais impossível da história dos tiros impossíveis... 

E eu não vou rebater ponto por ponto da visão de algum golpista que quer e precisa de visualizações em seus vídeos e pra isso produz esse tipo de conteúdo claramente apelando para a visão MAGA do mundo, seja ela a mesma visão do autor ou algo do qual ele claramente está se aproveitando para ampliar a divulgação do material.

Então vamos aos fatos:

A Disney comprou as propriedades intelectuais de George Lucas por 4 bilhões em  2012, e não foi por caridade. A ideia era lucrar estripando as franquias (afinal Indiana Jones faz parte do acordo) por todo e qualquer centavo que eles consigam no processo - e 14 bilhões de lucro em pouco mais de 10 anos não me parecem um péssimo investimento indiferente do resultado final dos produtos.

Mais que isso, a decisão da compra de 4 bilhões não foi realizada por nenhum sonho juvenil, para aplacar o ego de algum executivo ou qualquer outra coisa além de lucro (ao contrário de Musk comprando o Twitter), e, nada nesse processo é obra de uma única pessoa. Tudo isso por motivo de lucro, ponto.

Toda uma leva de diretores precisou votar pra aprovar a aquisição considerando a viabilidade do negócio (e, considerando os 14 bilhões de lucro em pouco mais de 10 anos, eu acredito que mais do que se pagou já a esse ponto). Se a visão de Kathleen Kennedy é diferente da visão de George Lucas em algum ou muitos pontos, no final do dia tudo isso é irrelevante porque o objetivo continua sendo dinheiro, e a menos que a Disney encontre alguém com uma visão que vá entupi-los mais de dinheiro, a empresa honestamente pouco se importa.

E enquanto eu consigo entender as críticas aos projetos da Disney com $tar War$ (até porque eu próprio critiquei esse material e apontei a falta de qualidade neles). Agora, é tão difícil entender porque isso aconteceu?

Quer dizer, quando Lucas lançou os primeiros filmes entre 1977 e 1983 ou as prequelas entre 1999 e 2005, todos os filmes tiveram um intervalo de 3 anos entre cada um deles (tempo suficiente para pré-produção, ajustes no roteiro e se adaptar à reação do público e crítica se necessário).

Com os filmes da Disney a coisa toda seguiu quase uma escala Marvel de produção com a ideia inclusive de lançar filmes todos os anos a partir de 2015, com o lançamento dos novos episódios (7, 8 e 9) com intervalos de 2 anos entre cada filme e a ideia de lançar outros filmes relacionados nos anos intercalados (como Solo e Rogue One).

Além do relançamento dos quadrinhos, séries para a televisão (tá, streaming), jogos de videogames e atrações em parques de diversões...

A partir de 2015 a Disney queria fazer muito mais com Star Wars que a franquia fez em quase 40 anos de existência da franquia, e a ideia para sobrecarregar o mercado com todo tipo de material nem é exatamente nova (porque George Lucas tentou a mesma coisa em 1999, só que com menos capital para bancar a coisa toda).

Só que essa saturação do mercado acaba resultando exatamente em estafa do público - que talvez estivesse animado no começo do projeto e foi se desgastando conforme a coisa toda avançou (não muito diferente do MCU dez anos depois).

Enquanto Lucas tratava cada novo projeto de Star Wars como um evento - a Disney encarou a coisa toda de maneira bem mais metódica, e simplesmente tratou os lançamentos como mais um produto a angariar lucros, com resultados variados e questionáveis.

Mas que, diga-se de passagem, com a margem absurda de lucro obtido, estão longe de ser um fracasso.

12 de janeiro de 2025

{Mentira não é liberdade de expressão} Não, Sonic 3 não foi excluído do Oscar por não incluir minorias

Menos de uma semana após o anúncio de que o Facebook eliminaria a moderação em suas plataformas (algo já feito por Elon Musk em seu Twitter), vemos uma história nojenta como a do Brasil Paralelo e amplamente difundida, inclusive pelo Estadão e vários canais do youtube de nerdolas otários de que Sonic 3 não estaria na listagem para o Oscar por não incluir minorias e mais uma outra grande dose de teorias conspiratórias depois de um evento em 2016 ou alguma bobagem do tipo.

A verdade, obviamente, é bem mais simples, obviamente. Para um filme ser considerado para o Oscar, ele precisaria ser exibido por pelo menos 7 dias consecutivos em cinemas em uma das seis maiores áreas metropolitanas dos EUA durante o ano anterior (2024), e ter pelo menos uma hora e quarenta minutos (para as categorias longa-metragem). Sonic foi lançado em 26 de dezembro (com algumas pré-estreias que anteciparam o filme justamente pelo feriado do Natal), o que significa que para conseguir 7 dias consecutivos, dezembro teria que terminar no dia 32 (pelo menos).

Então porque o Brasil Paralelo lançou essa balela obviamente ridícula? Bem, em partes porque é o que eles já fazem mesmo, e é impressionante que não tentam nem ser um relógio quebrado para pelo menos acertar de vez em quando, mas o objetivo é sempre causar indignação seletiva e direcionar o ódio a algum grupo específico (as instituições de ensino com o terraplanismo, a indústria do entretenimento com argumentos de políticas inclusivas e por aí vai).

Curiosamente, porque é bem óbvio que quem lê esse tipo de mentira só vai espumar as conspirações e não vai sequer tentar raciocinar minimamente, é muito fácil apontar o quanto o argumento é ridículo. Considerando que Sonic não fosse excluído automaticamente da lista do Oscar por uma 'tecnicalidade', lembremos que só em 2024 foram lançados 569 filmes (número que caiu significativamente com a pandemia, quando em 2019 eram 792 filmes), ou seja, mais de 10 filmes por semana do ano.

Obviamente, esse número de filmes tem de diminuir drasticamente para que os jurados possam apurar de acordo com os critérios subjetivos do que consideram melhor, e, dessa feita quantos mais filmes sejam eliminados previamente (por tecnicalidades ou não), melhor para os juízes.

Mesmo assim, uma série de filmes são meio que ignorados automaticamente. Com mais de vinte filmes, a franquia de James Bond historicamente só foi indicada a prêmios como melhor canção (que no caso dos grandes compositores para a franquia, quase nada tem a ver com a direção, os atores ou os filmes em si), melhores efeitos especiais, melhores mixagem e edição de som, com apenas uma única indicação por melhor CINEMATOGRAFIA. Mais de vinte filmes de uma das franquias mais reconhecidas do mundo, com um elenco extraordinário e alguns diretores que viriam a ganhar premiações pro outros filmes, e Bond não teve um único filme indicado com melhor filme, melhor ator, atriz ou ator coadjuvante. (Diga-se de passagem, outros prêmios pelo menos indicaram melhores coadjuvantes dos filmes da franquia).

Não é muito diferente com Jurassic Park, os filmes do MCU ou droga, gêneros todos como horror ou comédia! E com filmes para o público infantil (onde Sonic se enquadra) só se estivermos falando da categoria específica para animação ou algum prêmio técnico de efeitos especiais, mixagem de som ou o que for. Roger Rabbit apresentou toda uma revolução para a indústria da animação e, bem, reforçando o que foi dito até agora, nada além de prêmios técnicos (no ano de Uma Secretária de Futuro e O Turista Acidental - filmes que eu tenho certeza que você se lembra).

Então porque seria diferente com o terceiro filme de uma franquia que mal é um sucesso no Kid's choice awards nos primeiros dois filmes?

Mas e as animações alguém pode perguntar? Porque não seria indicado como melhor animação?

Bem, as regras aqui são um pouco diferentes com a condição de pelo menos 75% do filme tem que ser animação (o que já exclui os filmes da franquia - assim como os Transformers e outros similares) e um número significativo dos persoangens principais tem de ser animados (de novo, temos James Marsden, Jim Carrey e toda uma quantidade significativa de personagens humanos interagindo com Sonic e companhia).

É tão absurdo sequer considerar esse tipo de narrativa que é assustador ver isso funcionar. Mas aí que tá, o meu sobrinho de nove anos (que foi quem me contou que ouviu essa história) não tem o menor motivo para entender como funciona o Oscar, e, para ele soa perfeitamente aceitável o argumento, já o colocando na rota terrível de odiar minorias por excluir seu filme favorito de uma indicação (QUE ELE JAMAIS RECEBERIA DE QUALQUER JEITO!)

Mas porque disseminar essa mentira específica?

Bem, olhando os resultados do Globo de Ouro que são um forte indicativo para os rumos da temporada de premiação do ano e onde vemos um forte favorito ao Oscar num filme cuja história é de um sujeito violento que faz transição de sexo e se torna uma pessoa melhor (inclusive advogando contra a violência), um outro sobre um sobrevivente do Holocausto se deparando com a ganância e corrupção nos Estados Unidos mas mais importante, o Brasil ganha destaque com um filme que retrata os horrores da ditadura militar (com fortes chances não apenas de indicações como de vitória para Fernanda Torres e até para o filme na categoria de Melhor Filme Estrangeiro), esses caras precisam imediatamente criar um factóide para justificar que existe toda uma cabala conspiratória em Hollywood para desligitimizar as conquistas.

Porque eles precisam usar a mentira como uma ferramenta.

Isso acompanha todo um precedente que tenta desviar o foco do problema enquanto permite aos verdadeiros culpados capitalizarem em cima disso.

E eu nem precisaria de muito mais para falar de Mark Zuckerberg (que anunciou no começo da semana que vai demandar da checagem de fatos), quando seu facebook está sob investigação do congresso americano desde pelo menos 2021, além do caso da Cambridge Analytica (de 2014), o site vem perdendo usuários há um bom tempo e honestamente virou um paraíso para golpes e fraudes há um bom tempo, e não é citado como referência para nada além de alguma piada de mal gosto.

Claro que ele tentaria surfar na onda dos tech-bros para seguir nas boas graças do governo republicano (talvez diminuindo o impacto de investigações, talvez permitindo maior restrição aos principais competidores globais (como o Tik Tok).

Esse (infelizmente) é só a primeira instância desta nova coluna periódica abordando o uso da mentira como ferramenta para disseminar ódio e desinformação, e, espero cobrir uma variedade de assuntos, ainda que a cultura popular seja o foco sempre que possível (já estou trabalhando no próximo rebatendo os argumentos de um "fã" de Star Wars).