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11 de dezembro de 2025

{Resenhas de Quinta} Vodka Superman

Eu falei do selo Absolute há pouco mais de um ano atrás, e, a verdade é que não me supreendeu, mas, verdade seja dita, era Scott Snyder de quem eu não tenho grande apreço ainda que me pareça que o público em geral gosta bastante (e o fato que ele continua de maneira bem consistente a produzir quadrinhos do Batman mesmo que eu não entenda como ou porque - deveria pelo menos indicar alguma coisa).
 
Pra mim essa eterna tentativa de atualizar personagens de mais de 80 anos para os tempos atuais é uma luta que as editoras não tem como vencer, e, honestamente, com as repetições só mostra e fede a desespero - e considerando que a empresa da qual a DC faz parte vem sendo negociada na cifra de bilhões entre diversas propostas, me parece bastante que desespero é a palavra do dia na editora.

Quando saiu, eu tinha lido a primeira edição de Absolute Superman e Absolute Wonder Woman todas juntas em 2024, e, nada disso chamou minha atenção até Absolute Martian Manhunter, cuja arte é espetacular e embasbacante (e o roteiro é bem interessante mesclando elementos de um noir psicológico com a origem de um super herói), mas de toda essa leva, a dupla criativa mais interessante sem sombra de dúvidas é a de Superman.

Jason Aaron foi meu escritor favorito nos anos 2000-2010 com Scalped e ele continuou produzindo material muito bom com Southern Bastards e mesmo seus trabalhos mais do mainstream da Marvel com o Thor e os X-men, e Rafa Sandoval é um artista extraordinário que consegue produzir páginas fascinantes cheias de detalhes nos quais é fácil se perder por horas procurando.

Certo, então qual é o problema, você pode se perguntar? E, bem, enquanto eu particularmente acho que tem muita coisa interessante aqui na reinvenção do conceito do personagem, de Krypton (como um paralelo mais claro de um mundo diante de destruição em que as Elites se mantém inertes, deixando o planeta morrer por lucro), existe tanto o aspecto cínico de que essa é apenas mais uma revisão da origem do Superman nas últimas décadas (e que como todas as outras, em breve ninguém vá nem se lembrar de uma vírgula disso), quanto, bem, o aspecto prático em que tudo isso se parece tão falso e pronto para desaparecer com um estalo de dedos como os Heróis Renascem ou seja qual outra mudança descartável que ocorreu numa tentativa de chamar atenção numa indústria moribunda que não sabe mais como se comunicar com o público.

Nisso, a história em si não importa tanto se é boa, porque fica uma pulguinha atrás da orelha o tempo todo de que isso é um mero exercício de futilidade do escritor, uma mera ficção de fã que em breve desaparece tal qual uma onda ao colidir com a praia.

Só que não é só isso, não é mesmo?

Quer dizer, a história se perde numa confusão entre tentar escrever uma história do Superman herói operário lutando pelos direitos do povo comum contra o complexo industrial militar capitalista em sua mais pura forma enquanto tenta de maneira similar definir quem é esse verdadeiro povo comum - e como a ciência é de alguma maneira parte das Elites ou uma estratégia de alienação usada por essas Elites para controlar o povo... Isso parece, ao menos em partes, agradar a um público mais amplo, com uma demonstração do herói de colarinho azul lutando contra os grandes capitalistas, mas quanto mais eu avanço, menos isso faz de fato sentido.

Só que, e aí começo a analisar que esse ponto faz sentido para um grupelho específico, um grupelho que quer fazer a 'Murica grande de novo e que acha que eles - gente trabalhadora de colarinho azul do povo comum são oprimidos pelas Elites, ou seja, as universidades e a comunidade científica - que são paralelos claros que vemos na série.

As Elites científicas de Krypton negam as evidências da potencial destruição do planeta enquanto na Terra o grande vilão (Braniac e depois outro mais secreto, sem spoilers - que controlam uma grande corporação farmaceutica, sabe, vendendo terríveis vacinas contra os heróis MAGA?), e isso move nosso herói a se rebelar contra o sistema e mobilizar a população.

Mas isso é parte do ponto também uma vez que o universo Absolute compartilha numa perspectiva mais pessimista e terrível do mundo recriando os personagens do universo DC...? Sinceramente, acho uma forma de apelar a um público claramente estúpido em oferecer exatamente o que eles gostam (e querem) com uma desculpa para ajustar posteriormente (caso isso tenha uma repercussão negativa), ou simplesmente de dizer que é a ideia desde o começo (ainda agora com a Paramount pelassaco do Trump e do MAGA talvez a futura dona da DC).

E nem é de dizer que é ruim porque eu não concordo com a visão política, é porque a visão política é ruim ao colocar cientistas como ruins enquanto o sujeito que mata toda uma população é só um lacaio contratado cumprindo ordens... 

Vale pela arte e o roteiro de Aaron é interessante em sua reivenção do personagem mas a perspectiva da história segue um rumo que não vale a pena, nem por curiosidade.

17 de outubro de 2024

{Reboots de Quinta} Ultimate Batman e Absolute Spider-man

No agora longínquo ano 2000, a Marvel lançou Ultimate Spider-man 1, dando início ao selo Ultimate com a proposta de atualizar os personagens para o século XXI, tanto em termos dos personagens (Peter Parker era um adolescente emo dos anos 2000 não mais um moleque que acha a os Beatles muito brasa e curtia uns brotinhos) quanto de estrutura narrativa (com Bendis tomando todo o tempo necessário para construir personagens e universos enquanto produzindo arcos que se encaixariam perfeitamente em encadernados).

Isso não é exatamente diferente do que a Marvel tentou alguns anos antes (em 1997), com os Heróis Renascem numa ideia de lançar novos números 1 e relançarem os seus muitos títulos para uma nova audiência. Também não é muito diferente do que a DC fez em 1985 com a Crise nas Infinitas Terras, relançando boa parte de seus títulos com uma nova estrutura e cronologia mais enxuta...

Nem do que viria no século XXI com os Novos 52, Convergência, Marvel Now e mais uma série de outros relançamentos e novas visões, times criativos e novos inícios.  

Alguns com pequenas mudanças, outros com mudanças maiores, todos com basicamente a mesma premissa sem tentar de maneira alguma reinventar a roda (heróis com roupas coloridas de um lado, vilões com roupas coloridas do outro, lutem desgraçados!).

Eu não vou fingir que eu me importo com o contexto destas versões Ultimate ou Absolute (ainda que eu saiba que tem algo com um grande evento maior envolvendo um vilão unificador que contextualiza a reimaginação dos múltiplos títulos), mas em linhas gerais são oportunidades para trazer novos números 1 com equipes criativas sólidas e perspectiva de quebrar alguns paradigmas da linha tradicional para tecer histórias sem o peso de décadas de cronologia - e, assim esperam as equipes de vendas, trazer velhos leitores ou até conquistar leitores novos.

No entanto eu não consigo imaginar que a perspectiva terá qualquer sucesso em nenhuma das duas editoras além da curiosidade e curto prazo de gente que vai ler uma ou duas edições e depois seguir com suas vidas.

Com Homem Aranha, por exemplo, Hickman traz o personagem ganhando seus poderes não como um adolescente bobalhão mas como o pai de família bobalhão, e, para muitos fãs é quase como se atendesse a seus desejos de apagar as últimas décadas de escolhas estúpidas tomadas pela Marvel (lembra quando eu falei que o Homem Aranha fez um pacto com o diabo para apagar seu casamento?) e seguir a partir dali.

Hickman é talentoso e o título começa com uma premissa interessante, mas se isso se mantém ou sustenta (até porque o excelente artista Marco Checchetto não vem conseguindo acompanhar os prazos e de 10 edições entre março e dezembro de 2024, produziu a arte para apenas 7 delas) é difícil dizer inclusive considerando que desde o começo isso faz parte de algum evento mega-crossover maior que pode tanto concluir a história toda como expandir para mais títulos dependendo do sucesso do projeto. Se vale a pena, no entanto? Honestamente é uma leitura leve e descompromissada e o melhor produzido com o Homem Aranha em quadrinhos desde a virada do século, e, às vezes isso já deveria ser o suficiente.

Do outro lado, o Batman do Scott Snyder é embaraçoso. Droga, eu realmente não consigo entender como esse cara continua trabalhando e produzindo quadrinhos quando ele tem tão poucas ideias ou talento! Ou será que ele é o idiota útil que faz tudo o que lhe é mandado por algum executivo (ainda mais idiota) que joga algum jargão ou conceito estúpido e diz 'Nós precisamos disso!' mais ou menos como Joe Quesada fazia na Marvel durante seu período...

Quer dizer, de novo a ideia de um Batman sem sua montanha financeira de recursos, sem a extensão da bat-família, sem o apoio do Alfred - que eu acho que só desde os anos 2000 a editora já tentou umas cinco vezes pelo menos - ao passo que tenta buscar ao máximo aquela atitude incel/edgelord é algo que o Frank Miller e outros autores já faziam pelo menos desde os anos 1980... Então qual o ângulo diferente?

Sim, ele não é um multibilionário e cresceu amigo da Mulher Gato e do Charada além de treinar na academia do Crocodilo... ah e agora tem um símbolo gigantesco que também é usado como um machado (eu não estou brincando) abraçando ainda mais a noção de que ele é fascista e machuca mas não mata?

Pode melhorar? Duvido muito (até porque com Snyder a tendência é um começo ótimo e depois só ladeira abaixo - e aqui já começou terrível), mas honestamente coisas mais estranhas já aconteceram.

4 de janeiro de 2016

{PROMETHEA DE SEGUNDA}


Perdão pela falta de qualidade (tirei a foto de meu celular de meu encadernado de Absolute Promethea da Panini), mas o conteúdo é incrível. O que é a vida senão linguagem?