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22 de janeiro de 2026

{Resenhas de Tronos} O Cavaleiro das Sete Quintas

Eu não quero chover no molhado e ficar repetindo o que é óbvio, então vamos gastar o mínimo de tempo dizendo que, sim, faz muito sentido que a Warner (da qual a HBO faz parte) esteja passando pela segunda grande compra (depois da Discovery em 2022 e agora em 2026 pela Netflix ainda em andamento).

Os erros são constantes e repetidos e as estratégias são ruins não importa como você tente justificar e contextualizar, e, desculpa, não é uma questão de olhar pra isso com a vantagem do retrospecto de que você já tem a conclusão disponível.

O Cavaleiro dos Sete Reinos e mesmo A Casa do Dragão são séries que a HBO tinha que ter lançado entre 2015 a 2019 (no auge da popularidade de Game of Thrones e quando estava mais difícil manter episódios novos devido aos atrasos na conclusão dos livros de George R R Martin - que, diga-se de passagem ainda não foram concluídos).

Facilmente intercalando o lançamento das séries para dar mais tempo para produzir a série principal ao mesmo tempo que trabalhando em algo mais barato - que é o caso claro e evidente com O Cavaleiro dos Sete Reinos que não tem nenhum motivo para grandes gastos com efeitos especiais (afinal não é uma história sobre dragões, zumbis de gelo ou qualquer coisa que precise de muito mais que, bem, usar alguns figurinos sobressalentes e cenários sub aproveitados).

Permitiria melhor contextualização do mundo das histórias e aos fãs algo para aproveitarem no hiato entre temporadas enquanto gerando receita para a HBO (com um custo mais baixo e muito menor risco), e, me parece inclusive com o tipo de série que funcionaria muito melhor em 2015 ou 2017 que hoje... Até porque, e isso é importante também, os Estados Unidos vem enfrentando uma dificuldade gigantesca de produzir sucessos televisivos nos últimos anos que sejam relevantes.

E eu sei que os fãs da série original são chatos e pedantes pra cacete (droga, em 2026 cobrando os atores e a equipe do material por um remake 'competente' da última temporada), e talvez a ideia geral de que spin-offs para se aproveitar do sucesso do material original não seriam recebidos com bons olhos... Sabe, ao contrário de hoje em dia, em que todo novo projeto da franquia é recebido com pompa e circunstância e são aclamados por público e crítica, certo (*pisca, pisca)?

O Reino Unido continua com material como Adolescência ou Os Traidores (ou Taskmaster, eu já falei de Taskmaster, certo? Quer dizer, não é como se eu falasse de Taskmaster em qualquer oportunidade repetida e obsessivamente...) produzindo material que gera discussão e comentários entre o público, enquanto cada dia mais uma inundação de produções sul-coreanas e indianas chegam pelos mais diversos serviços de streaming, e isso sem contar nas novelas turcas, nos seriados espanhóis, alemães e de toda outra nacionalidade que dificilmente seria relevante no resto do mundo.

Enquanto As Guerreiras do K-Pop se torna uma sensação do dia para a noite, a HBO tem que tentar resgatar a boa vontade de fãs que já se cansaram de Game of Thrones quase uma década atrás... E te surpreende de fato que tantos remakes, reboots e adaptações sejam o que vemos na tv da 'Murica?

Mas, sendo justo com a série - da qual eu sequer falei um único parágrafo até agora - ela é boa ou tem alguma chance?

E a reposta é: Talvez.

Existem boas ideias, existe um potencial para lidar com o personagem de maneiras interessantes e contar histórias interessantes nesse mundo cínico que é Westeros e onde um jovem simplesmente quer ter uma vida melhor e anseia encontrar isso através do combate como um cavaleiro, o que igualmente abre ramos narrativos para colocá-lo para explorar o mundo e desfrutar de diversos desafios e situações das mais variadas de acordo com a situação e história (afinal se trata de um protagonista único vagando o mundo o que permite histórias cômicas, trágicas, assustadoras ou o que ele se deparar num episódio isolado).

Da mesma forma, como inclusive a série faz, é possível explorar de maneira mais cínica a visão glorificada que se tem do passado, destacando elementos sobre a estrutura social que não ganhavam espaço na série de livros ou da HBO (afinal acompanhávamos as famílias nobres e suas disputas por poder).

Aqui logo no primeiro episódio o rapaz Dunk se depara com dilemas para tentar participar de um torneio, onde como plebeu e sem uma moeda em seu nome percebe que suas aspirações se chocam violentamente com a realidade (da cobrança de subornos ou de descobrir que torneios não serão necessariamente vencidos pelos mais habilidosos), e ainda na nítida condição para demonstrar de maneira cínica e sem qualquer glamour a realidade sórdida do passado, antes mesmo dos créditos de abertura a série apresenta o protagonista lidando com diarreia (por um tempo muito maior que o necessário na minha opinião).

Sinceramente não prendeu minha atenção e, como eu disse teve não apenas uma cena que durou muito mais tempo que o necessário, e mesmo a trama principal é alongaaaaaaaaaaaaada - e continuará por mais alguns episódios se bobear - mas existe potencial e, quem sabe quando estiver na Netflix eu assista a temporada toda de uma tacada.

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