Pesquisar este blog

Mostrando postagens com marcador Analisando Arkham. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador Analisando Arkham. Mostrar todas as postagens

12 de outubro de 2024

{Explicando o fim (ou Analisando o Arkham)} Coringa

Como eu disse na minha resenha do segundo filme do Coringa, eu vi que muita gente vem reclamando e criticando bastante severamente o filme (algumas pessoas de maneira mais razoável que outras), mas no geral me parece coisas que, bem, elas não entenderam sobre o filme ou o personagem.

Sobre o filme de maneira bem geral, você precisa entender dois pontos: Encare o filme menos como uma narrativa linear e mais como uma sessão de terapia do personagem título relatando os eventos (o que permitirá muito melhor compreensão entre os buracos e absurdos narrativos) e segundo, de maneira complementar a esse primeiro, lembre que o personagaem título é um narrador (extremamente) pouco confiável.

Para que isso faça mais sentido é importante falar mais sobre o personagem de maneira geral (não somente nos quadrinhos) e como ele funciona (essa é a parte do analisando Arkham).

No geral, o Coringa é um personagem extremamente inconsistente e que segue o que o roteirista da vez quer que ele faça ou como ele funcione (ou o que ele saiba ou o que ele é capaz de fazer), e francamente isso torna pra mim o personagem bastante estúpido e sem graça. Eu francamente não gosto dessas histórias em que ele sozinho consegue derrotar todo um super grupo (de novo e de novo) sem mover um dedo (que em se tratando da DC é mais uma coisa do Exterminador, Slade Wilson), ou mesmo quando ele tem planos altamente elaborados como o de Injustiça. Além disso o personagem é extremamente inconsistente em sua estrutura também e pode ser um serial killer, um terrorista, um mafioso, uma piada (que adora surfar) ou o que a história precisar.

Dito isso (além do fato do personagem ser usado demais), é possível apontar alguns pontos chave sobre o personagem e sua estrutura que são bastante importantes. Um, além de um psicopata (o que é óbvio mesmo nas versões mais cômicas) ele é um gigantesco ególatra (e/ou narcisista), do tipo que faria peixes se parecerem com ele ou que ao descobrir que está para morrer faz de tudo para que o mundo fique repleto de outras versões suas. E, vai por mim, os exemplos vão além - com a Piada Mortal ao tentar corromper o comissário de polícia para se tornar uma outra versão de si mesmo, ou com a origem da Arlequina (em que ele tenta fazer uma versão feminina de si mesmo), ou com várias outras histórias que bebem do mesmo tipo de material e eu passaria horas listando elas sem mudar o fato que ele acha que é perfeito e que o mundo deveria existir à sua imagem (e existe uma história exatamente nesses moldes chamada 'Imperador Coringa').

Isso inclusive explica bastante das estruturas contraditórias dos relatos do personagem sobre seu passado e origem, que, ele tende a ignorar (em partes porque o seu passado o envergonha por não ser seu eu idealizado de agora e em partes por não representar seu eu idealizado de agora) e mesmo porque no geral ele sequer tem um passado anterior a se tornar um sujeito com terno roxo e maquiagem de palhaço. No geral o passado não lhe importa porque o que vale é o ponto em que ele se tornou 'perfeito' e vê como sua missão fazer o mundo à sua semelhança (o que ao seu ver torna justificável matar qualquer quantia de pessoas em seu caminho para conseguir seus objetivos).

Mas o fato dele fugir ou tentar revisar seu passado também tem a ver com um complexo de inferioridade que podemos ver quando analisando outros dos detentos do Asilo Akrham. Ele está ao lado de professores, doutores, médicos e advogados notórios, e, quando olhamos para os relances de seu passado, estamos falando quase sempre de um gigantesco fracassado (um comediante fracassado, um mafioso fracassado, um homem de família fracassado).

O morcego entra nessa equação tanto pelo aspecto de que ele obviamente se compara com o Batman que é capaz de derrotar todos esses professores, doutores, médicos e advogados notórios e, mais importante, fazer com que mesmo nessa visão idealizada e narcisista, ele se sinta novamente um fracassado. Mais que isso se ele, Coringa, que é perfeito, é impedido e derrotado por um alguém, então essa pessoa é também perfeita e digna de sua admiração e respeito, correto? Ou seria mais adequado querer destruí-lo por ousar ser tão bom quanto ele?

Inclusive, criar essa aura de mistério sobre seu passado (como na história Estudo de Caso de Paul Dini) e faz parte da mitomania que o personagem usa para manipular as pessoas como bem entender. Se ele deixa de ser um mistério - se suas motivações e ações são claramente explicáveis, ele perde seu efeito. De um ponto de vista narrativo, é importante manter essa aura de mistério sobre o passado do personagem para fomentar a estrutura de bicho-papão aterrorizador (e que pode atacar de qualquer forma e a qualquer momento), mas do ponto do personagem é importante pelos mesmos motivos... Para a DC, a 'origem' do personagem efetivamente se dá quando ele cai num tanque de ácido (essa também é a origem da Arlequina que eu já comentei antes e do Rastejante na versão animada).

Por isso a gente volta ao ponto de que os filmes de Todd Phillips não retratam a origem do personagem mas o relato do mesmo sobre seu passado ANTES de sua origem - e justamente por isso eles seguem uma estrutura fluída que pode mudar de acordo com sua necessidade no momento, ao mesmo tempo que acaba revelando pontos importantes sobre si mesmo sem que ele perceba, e é justamente por isso que eles são bem mais um quebra-cabeças do que a narrativa linear do passado do personagem.

Quer dizer, nos filmes ele é retratado por Joaquin Phoenix que fez 50 anos agora em 2024, mas, pelos fatos que são demonstrados, não parece que o personagem tenha a mesma idade que o ator retratando ele. Na verdade, eu tenho uma larga impressão que no primeiro filme, "Arthur Fleck" (que, sim, pode ser só mais um dos muitos pseudônimos do personagem para mascarar seu real passado) está na faixa dos 15-20 anos, alguém que abandonou o colegial lidando com problemas mentais (o que até bem pouco tempo atrás o estigmatizaria pela dificuldade de aprendizado para dizer o mínimo), buscando um emprego fixo para arcar com despesas pessoais enquanto cuidando de algum parente ou guardião legal doente.

No entanto devido a seu narcisismo ele não consegue imaginar a si mesmo como diferente do que é hoje, portanto mesmo em seu passado com aproximadamente 15 anos ele se enxerga como é hoje (e por isso o papel é vivido por um ator com 50 anos e não com quinze). E por isso que ele se insere na narrativa de seu passado antes de existir o palhaço do crime e mesmo embeleza ou tenta tornar a narrativa mais interessante (sabe, com cortes musicais, com explosões do fórum e mesmo de matar um apresentador de talk-show).

Por isso ele se vê fantasiado de palhaço aqui e acolá (mesmo que isso não fizesse sentido para si mesmo naquele momento da vida), por isso que ele se vê com sua idade atual vivendo com os problemas que tinha com 15 ou 20 anos, e, como eu disse, são peças de um quebra-cabeças maior.

Então no primeiro filme o que estabelecemos é que ele fora diagnosticado como problemas mentais e tentava levar uma vida ordinária apesar de suas limitações (o que, com problemas mentais e sem uma formação acadêmica fica ainda mais difícil). Eu insisto na faixa de 15 a 20 anos que o coloca essencialmente como um menor porque o evento mais importante desse primeiro filme é a morte de sua mãe/responsável legal, o que o colocaria numa situação de ficar sob a tutela do estado, e, sofrendo de uma doença mental acabar em um sanatório (ou inclusive seja responsável por uma morte natural pelo simples estigma de sua doença).

O segundo filme faz parecer que ele está em julgamento pelo assassinato do apresentador de talk show enquanto eu efetivamente duvido que esse é o caso, e ele esteja lidando com um caso sobre sua interdição e custódia pelo estado, e, seja parte justificativa de sua vergonha (por isso até o filme seja tão deprimente e mostre um protagonista que não tem urgência ou age em seu favor).

Ele se vê desesperado e desprezado, inclusive vendo que mesmo a afeição que acaba recebendo tem segundas intenções e o deixa ainda mais isolado, com toda sucessão de eventos que coincide com a primeira paixão (ao meu ver não correspondida e mal interpretada - e, o que eu acho mais fascinante e que efetivamente reveladora, que ele identifica a Arlequina mesmo que a personagem só surgiria mais tarde) do personagem durante seu período num hospício e que acaba o levando para a cadeia onde esse lado de si próprio acaba 'morrendo' ou é assassinado se você preferir para ressurgir como o mafioso Jack Napier ou criminoso Capuz Vermelho que anos mais tarde cairia em um tanque de ácido e blá, blá, blá.

Existem inúmeros aspectos sobre o narcisismo (com o personagem querendo assumir indiretamente a responsabilidade pela morte dos pais de Bruce Wayne) e complexo de inferioridade (com o fato que ele se vê julgado por Harvey Dent - o Duas Caras - que provavelmente nem teria como nota de rodapé em seu currículo de ser o responsável por essa condenação), mas eu vejo que é a mitomania que toma o lugar constantemente, construindo um mundo que simplesmente não faria sentido e não teria como funcionar.

Mas no geral é um retrato sobre um homem que se envergonha de seu passado e não acha que os eventos estão à altura da pessoa que ele é (de novo, por isso explosões, por isso ele se vê responsável pelo mais importante assassinato da história de Gotham - inclusive sabendo o que esse assassinato signifique), e por isso existe toda uma gama de caos que, efetivamente não faz sentido com a estrutura que narrativa propõe.

Insisto que não acredito que isso faça dos filmes melhores do que são (ou que quem não gostou deles é idiota), mas eles são bastante coerentes com o personagem e sua estrutura e, sem querer cansar demais o leitor, eu acredito que facilmente existam bem mais exemplos a se destrinchar e correlacionar com os quadrinhos e filmes/animações (eu nem comentei sobre A Máscara do Fantasma, por exemplo), mas, honestamente, acredito que as bases estejam aqui e seja mais do que o suficiente para justificar o caso (fique a vontade para discordar nos comentários).

12 de dezembro de 2015

{ANALISANDO ARKHAM} O gato no berço e a colher prateada...


Arte: Spicy Donut
Nome: Selina Kyle (e uma dezena de outros pseudônimos)
Formação: As ruas de Gotham...?;
Primeira Aparição: Batman #1 (1940); Criada por Bill Finger (crédito a Bob Kane);

Ahn... É... Tá, vamos ao ponto primordial que alguém destacaria cedo ou tarde: A Mulher Gato nunca ficou efetivamente no Asilo Arkham (com exceção dos jogos de videogame).
Ela não enquadra no perfil de insana criminosa (apesar de ser, com toda a certeza, cleptomaníaca), e com a existência do presídio Blackgate e outras tantas prisões para super-criminosos no universo DC (como o Iron Heights para os vilões do Flash) ela provavelmente não estaria no Arkham de mesmo modo. 

E tem também o fato que, como a saga 'A queda do Morcego' de 1992 destaca, a Mulher Gato nunca chegou a ser presa (tá, isso é um retcon e posteriormente ela acaba na cadeia algumas vezes em sua séria mensal e tem passagens em seu histórico, mas é pela condição do argumento).

Agora, o ponto focal desta 'análise' é que de vários vilões do universo de quadrinhos, se existe alguém que poderia se beneficiar de tratamento psiquiátrico É a Mulher Gato.
A maioria das encarnações da personagem desde 1940 traz uma socialite entediada (servindo de espelho para o playboy Bruce Wayne), que veste um uniforme colorido e sai para as ruas de Gotham para cometer crimes, normalmente que requerem uma certa gama de habilidade e perícia (ao que escalonando o desafio lhe oferecem maior incentivo e mantém sua condição de busca por adrenalina). MAAAAAS, e esse é o ponto importante e que merece destaque: Mesmo nas condições em que ela é uma mestra criminal e assaltante de altíssimo nível POR NECESSIDADE, ela continua a roubar coisas que ela não precisa.
Ela não para de cometer crimes, ou simplesmente rouba o que ela precisa e se aposenta.
Ela rouba e continua roubando por compulsão.

Outras versões mostram uma mulher que, por algum período ou motivo PRECISOU aprender a roubar (na versão de Frank Miller de Batman Ano Um, Selina é uma prostituta e outras versões, como do filme de Tim Burton trazem uma mulher comum que tem acaba numa situação impossível...) 
Como esse artigo da Revista Brasileira de Psiquiatria de 2007 destaca sobre o assunto (ao que cito: "A cleptomania geralmente tem seu início no final da adolescência ou no início da vida adulta, e parece ser mais comum em mulheres. A comorbidade psiquiátrica ao longo da vida com outros transtornos de controle de impulsos (20-46%), de uso de substâncias (23-50%) e de humor (45-100%) é freqüente. Indivíduos com cleptomania sofrem de prejuízo significativo em sua capacidade de funcionamento social e ocupacional. A cleptomania pode responder ao tratamento com terapia cognitivo-comportamental e com várias farmacoterapias (lítio, antiepilépticos e antagonistas de opióides"). 

21 de novembro de 2015

{Analisando Arkham} Com doutores assim, pt2 - Arlequina!


Arte Terry Dodson
Nome: Harleen Frances Quinzel (sério)
Formação: Doutora em Medicina e Psicologia;
Primeira Aparição: Batman The Animated Series (1992); Criada por Paul Dini e Bruce Timm;

Em comparação com outros personagens da looooooooooooooooooonga lista de antagonistas do homem morcego, ela até parece bastante racional, lógica e coerente.

E a verdade é que ela É bastante racional e coerente.
Iludida, claro, com uma visão bastante peculiar do mundo - em suas encarnações mais famosas, do modelo clássico ao lado não o modelo de 'enfermeira tarada', ela vê na figura do assassino Coringa um parceiro romântico ideal.

Hoje a personagem mudou um pouco, e se tornou uma das facetas clássicas do Coringa: Ainda que PAREÇA e AJA como louca, fica bastante claro que ela sabe muito bem o que está fazendo.
Suas motivações são nítidas e claras. Ela chegou ao Arkham com a intenção de ficar famosa, e mesmo ao colocar um uniforme colorido e resolver enfrentar o Batman, essa intenção de ficar famosa e construir um nome para si própria parece corrente. Inclusive com o fato que a alegação de insanidade no sistema jurídico americano concede benefícios de tratamentos psiquiátricos no lugar de encarceramento.

Isso inclusive é o grande ponto da personagem, e o fator mais fascinante de sua caracterização.
Sua insanidade é tão fora da curva que a torna racional ou ela é tão racional e brilhante que chega a ser insana? Sua insanidade é mera fachada para justificar uma libertação das regras da sociedade para que ela faça o que lhe bem dê na telha ou essa mulher é realmente maluca?
Perguntas, perguntas e mais perguntas.
Respostas são muito poucas (mais especulações), mas na minha opinião ela não tem nada de maluca não. Diria até que na escala das coisas, ela é uma das personagens mais racionais do universo do Batman.

Ela usa a máscara e uniforme colorido como uma forma de libertação, como se faz no Carnaval, por exemplo. Sem que seja reconhecida, não existem regras ou limites que ela precise seguir.
Ela não é mais a psicóloga que estudou décadas para entender um mínimo da psique humana, ela é alguém capaz de extravasar todo desejo (e delírio) contido em seu organismo e fazer o que bem entender, o que bem lhe der na telha.
Algo como aquela estrutura Freudiana da estruturação da personalidade (id, Ego e Superego - o desejo, a razão e o mediador, de maneira simplória), em que para ela, com a máscara no rosto só há o id, só há desejo, e ela faz o que bem quer.
Enquanto isso não compreende alguém efetivamente racional (pois falta a estrutura do ego e principalmente do superego para suprimir os desejos e compreender o ponto entre ele), Harley não se demonstra preocupada ou incapaz de agir e reagir com relação a tudo isso.
Na verdade ela só não se importa.

5 de setembro de 2015

{Analisando Arkham} Com terapeutas assim... Hugo Strange


Arte de Paul Gulacy
Nome: Hugo Strange
Formação: Doutor em Psicologia e Bioquímica.
Primeira Aparição: Detective Comics 36 (1940); Criado por Bill Finger (crédito a Bob Kane);

Uma vez um brilhante psicólogo e, por algum tempo, o mais renomado nome do Asilo Arkham, Hugo Strange se torna obcecado com o cavaleiro das trevas, ao ponto de descobrir a identidade do mesmo.
Numa reviravolta bizarra, ele acredita que ele, Hugo Strange, é o Batman.

E é mais ou menos isso...

Ele é um homem brilhante e obcecado, com um gênio incomparável, mas ele não é muito interessante.
Ele é mais ou menos o maior cosplayer do mundo, com a diferença que ele tem a chance de se fantasiar do objeto de sua adoração e confrontar essa pessoa, e, é mais ou menos o que ele faz.

Ele é maluco de fato? Bem, eu acho que não, ao menos não no sentido tradicional.
Ele não é normal, e, com certeza precisaria tomar umas doses até que cavalares de remédios para ser um membro produtivo da sociedade (talvez só terapia convencional mas ele É um sociopata, então não consideraria uma boa alternativa), mas, ele é um gênio (com doutorado em psicologia e graduação em bioquímica). Seus conhecimentos técnicos possibilitaram manipular geneticamente pessoas para criar os seus 'Homens Monstro', e, seus planos já envolveram diversos sequestros, tortura e manipulação de figuras importantes de Gotham... Mas, ele é um homem obcecado que resolve voltar seu talento para o crime, e não um extra do filme "Um Estranho no Ninho", sem sombra de dúvidas.

Strange é um mestre criminal, disposto a usar todo tipo de técnica que estiver a sua disposição (eu disse que ele sabe a identidade do Batman, não? E porque você imagina isso? PRA SUBORNÁ-LO!), mas seus planos falham em ser de fato brilhantes na execução.
Sim, sim, ele tem alguns planos inteligente e até brilhantes para usar seus conhecimentos como psiquiatra para subornar nos pacientes, mas a execução cai por terra quando ele resolve que tem de dominar o mundo ou algo do tipo.

A forma mais simples de sumarizá-lo: Ele é um mafioso com um diploma de psicologia (e uma obsessão/fetiche pelo Batman).
Além de ameaçar fisicamente, ele pode ameaçar (e intimidar) mentalmente seus pacientes, e conseguir dinheiro com isso... Mas, de novo, não faz dele muito interessante numa galeria de bizarras e grotescas figuras do universo do Batman (ele mesmo nem usa um uniforme além de um jaleco e uma barba estranha - com exceção dos momentos que ele acha que é o Batman).

29 de agosto de 2015

{Analisando Arkham} O pior de todos - Chapeleiro Louco


Gotham Central# 20 arte de Michael Lark
Nome: Jervis Tetch
Formação: Doutor em neurociências
Primeira Aparição: Batman 49 (1948); Criado por Bill Finger (crédito a Bob Kane);

Ainda que alguns possam alegar que ele é meramente um obsessivo compulsivo altamente iludido com uma auto imagem imatura (que se identifica mais com crianças que com adultos) - palavras de Ed Brubaker, inclusve - o personagem é mais que um obcecado com Alice no país das Maravilhas.

Ele é gênio com doutorado em neurociências e vastos conhecimentos sobre controle e manipulação cerebral através de equipamentos eletrônicos (normalmente pequenos aparelhos colocados em chapéus que alteram e manipulam padrões mentais de acordo com a vontade de Tetch) e drogas (também usadas para altera a percepção da vítima e facilitar o controle mental) E obcecado com meninas de 6 anos (sete e meio se considerar o livro 'Através do Espelho').

Focando na primeira parte, ele é um sujeito que foi capaz de criar um equipamento capaz de controlar mentalmente qualquer pessoa a fazer o que ele quiser, facilitando a suscetibilidade da vítima ao controle mental com o uso de drogas, e, esse é o modo de seus crimes principalmente realizados. Ele consegue evitar ligação ao crime (pois é outra pessoa que os realiza) e, fazer com que a vítima não se lembre de cometer o supracitado crime durante o controle de sua mente.
É o crime perfeito, se, não fosse um universo de quadrinhos e seus métodos não remetessem a justificativas tolas como roubar coleções de chapéus e edições raras de livros de Lewis Carrol...
Sim, ele é obcecado com Alice. Esse é o negócio dele e isso se repete e se mostra vez após vez após vez (foque a partir de 11:25, se quiser) após vez quando o personagem aparece.

Acho que está bem claro o que eu quero dizer, né? O filho da mãe é um desgraçado dum pedófilo e/ou estuprador.
E sabe o que é o pior? O desgraçado escapa impune porque, veja só, ELE PODE MANIPULAR AS MEMÓRIAS DAS VÍTIMAS com drogas e seus aparelhos de controle mental.

Mas aqui é que vai a cereja do bolo: Ele comete crimes absurdos e ridículos vestido de maneira espalhafatosa e se portando como um idiota para que ninguém suspeite de seus crimes como um maldito estuprador e/ou pedófilo!

Sim, sim, ele diz claramente em Gotham Central escrita por Ed Brubaker que ele não quer saber de tocar criancinhas e tudo mais, mas... Quem PRECISA dizer isso com todas as letras além de pessoas que TOCAM CRIANCINHAS?
Sério, o Michael Jackson passava todo seu tempo alegando que só queria amizade das crianças na maior inocência... Alguém acreditou?
Até porque, e isso é importante, um pedófilo não precisa necessariamente fazer sexo com uma criança... Pro caso de Tetch pode ser apenas para recriar o cenário de Alice (colocar a criança com os vestidos e cortes de cabelo para lhe oferecer estímulos visuais), ou apenas para tocar sem contato genital/genital - o que torna o crime perfeito, pois, além da vítima NÃO se lembrar do abuso, o crime não gera evidências físicas!
SE Tetch for um estuprador também, o caso é igualmente complexo, pois sem as memórias e relatos das vítimas (ainda que existam estudos para recuperar memórias traumáticas, isso é um campo arenoso e complexo que permite a indução de novas memórias falsas, e em se tratando de crianças é ainda mais complexo), tudo se resume a evidências e provas.
E, isso também é uma droga... Os métodos de extração de DNA vão garantir a qualidade da amostra, e, tudo isso depende de tempo hábil. Se a vítima não lembra ou percebe que foi vítima de um crime, quantos dias poderiam levar para a obtenção desse DNA?
Quantas vítimas jamais perceberiam qualquer coisa, e, no máximo tratariam ferimentos eventuais como algo inócuo?

Agora aquele sorriso pervertido parece ainda mais perturbador agora, não?

22 de agosto de 2015

{Analisando Arkham} O Asilo


Depois do post sobre o Charada e Coringa na quinta passada eu comecei a remexer no baú de histórias do Batman e várias e várias leituras depois e vi o quanto mistério e fascínio há no universo dos bizarros personagens do Cavaleiro das Trevas, e disso surge minha nova coluna: Analisando Arkham.

Qual o objetivo? Ver e rever os fundamentos dos personagens do universo do Homem Morcego, expondo seus problemas mentais, suas motivações, quem e o que são e um pouco mais do que sobrar de espaço para dispor.
Serão análises completas, únicas e que nenhum outro ser vivente seria capaz de fazer? Duvido muito.
Terá um bocado de minhas análises pessoais e pontos de vista únicos, mas estou longe de ser uma autoridade no assunto (não sou formado em psicologia/psiquiatria nem escrevi uma única história publicada do universo personagem).

Ei, deem uma chance, porque não?

Comecemos pelo próprio Asilo Arkham.
Com primeira aparição em 1974 na edição 258 de Batman, ideia de Denny O'Neil com a concepção de abrigar em um único lugar os perigosos criminosos de Gotham. Porque em um único lugar, você pergunta?
Bem, porque é uma obra de ficção onde extraordinários e absurdos criminosos surgem a cada semana e são necessários argumentos para não matá-los através de pena de morte ou algo do tipo (o que aconteceria com o Coringa considerando o número absurdamente alto de vítimas).
Com uma tola justificativa de que como insanos eles não poderiam ser executados - e, como não se trata de uma prisão para todos os efeitos, também justifica o quão mais fácil os criminosos fogem de lá... Repetidas e repetidas vezes. De novo, um universo onde vilões perigosos atacam e destroem a cidade quase uma vez por semana.


O nome vem da obra de H P Lovecraft, onde aparece repetidas vezes para anunciar o perigo e insanidade que ronda (Arkham é citado várias vezes em diversos textos de Lovecraft, às vezes como cidade, às vezes como um navio e outras de maneira mais sútil).
Aqui também há bastante disso, principalmente a partir da detalhada história pregressa da mansão da família Arkham, principalmente detalhada na graphic novel de Grant Morrison e Dave Mckean: Asilo Arkham (1989, 216 páginas), contando o passado de Amadeus Arkham, que desde cedo lidou com os problemas mentais de sua mãe, que é o motivo e motivação para a construção do sanatório.
Amadeus, inclusive seria posteriormente um paciente de sua própria instituição, e não seria o único médico da instituição a se tornar paciente (Hugo Strange e a vilã Arlequina são dois exemplos).

Mas, o que inicialmente é apenas mais um sanatório passa a abrigar os criminalmente insanos e posteriormente a atender as peculiares necessidades de uma cidade bastante peculiar, suprindo celas especiais para super criminosos (ainda que tecnicamente sãos), como o caso do Senhor Frio (não só tecnicamente são, como um gênio e pHD em física - mas cujo corpo precisa constantemente estar em temperaturas abaixo dos zero graus Celsius).
E há uma aura bizarra sobre o lugar que parece clamar e emanar todo tipo de loucura, como o Hotel Overlook de "O iluminado", ao que talvez seja apenas coincidência e mal planejamento de colocar tantos criminosos insanos em um mesmo lugar, ou má sorte desde o começo (com o assassinato do criminoso Cachorro Louco e a posterior internação de Amadeus).

O local se torna um caldeirão com o que há de pior de criminosos (e super-criminosos) e nas próximas semanas trarei alguns dos piores deles, começando pelo efetivamente pior (pior que Coringa, Bane e muitos outros, inclusive). Quem? Esteja aqui semana que vem!