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5 de novembro de 2026

{Resenhas do Pica-pau no oftamologista de Quinta} Não estou vendo nada

A história de Elizabeth Holmes e do escandaloso projeto Theranos (que prometia diagnósticos extremamente precisos com uma mera gota de sangue) é de um absurdo, que, bem talvez só mesmo Nathan Fielder pudesse explicar na forma de um documentário abrangente e maluco sobre a pessoa privada por trás da figura pública.

E, francamente, logo nas primeiras interações de Holmes no documentário (com aqueles olhos constante e bizarramente abertos e uma expressão facial que se parece de uma inteligência artificial se esforçando ao máximo para recriar comportamento humano), já que fica bastante evidente que Você pode ver tudo não vai te explicar nada.

Fielder já é, de sobremaneira, alguém que produz material extremamente pouco confiável. Eu não consigo assistir a algum de seus projetos sem me perguntar o que diabos eu assisti e quanto disso foi real, e, quando vemos uma CEO prestes a uma sentença na cadeia que acha uma ótima ideia fazer um documentário de sua vida mostrando sua versão dos fatos... através das lentes de Nathan Fielder, isso vai formando camadas de mais camadas de loucura.

Nada parece coerente ou real em um documentário, e, o que é mais absurdo, essa parece a exata proposta e ideia. Fielder coloca o marido de Holmes perguntando qual a participação dele nos lucros do filme ou algo extremamente meta em que Fielder entrevista a atriz Amanda Seyfried que interpretou Holmes em uma série - e a coloca para assistir a verdadeira Holmes assistindo a série protagonizada por Seyfried (e isso coloca o filme em uma espiral que faz O Ensaio parecer desenho animado da Hanna Barbera).

Esse filme é insano e eu realmente entendo porque tanta gente está obcecada com ele - de novo, é o Ensaio elevado ao cubo e a coisa mais certa desse documentário é que você não consegue levar nada a sério nesse documentário, e os limites do que é encenado e do que é real vão se misturando cena após cena.

Sinceramente eu acho que é um dos melhores filmes que eu vi o ano todo (o que não quer dizer muita coisa, diga-se de passagem pois você pode ver minhas outras resenhas de filmes e confirmar que eu não vi tantos filmes bons esse ano), mas não sei se é algo que eu consigo recomendar. Talvez quando esteja no streaming seja uma experiência mais agradável ou mais palatável, saca?

Como está, é um material estranho, confuso e que te deixa com muito mais perguntas que respostas ao final do material - além de ser um documentário de 3 horas que, francamente, funcionaria melhor como um seriado de múltiplos episódios para se ver no conforto do lar...

Eu fiquei cansado e acho que perdi alguns pontos ou detalhes, ainda que duvide que me ajudaria a compreender melhor algo que é feito propositadamente para ser obtuso - ainda que rever com algumas pausas para digerir melhor o filme, talvez (e só talvez) permita uma experiência mais clara. 

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