Resumo dinâmico: Verborrágico (e masturbatório).
Eu poderia fazer como o livro e ficar dias te explicando porque isso é intragável, mas vamos para uma comparação simples?
Esse livro tem 784 páginas - pouco mais que o primeiro livro de Mistborn, sobre o qual eu falarei na próxima semana, com 864, enquanto o primeiro livro de O Senhor dos Anéis tem 576, e, quase o dobro de alguns dos meus livros favoritos de José Saramago como O Ano da Morte de Ricardo Reis, Levantando do Chão e Memorial do Convento, quase todos na faixa das 400 páginas.
(Só um parênteses aqui uma vez que épicos de fantasia tendem a um número maior de páginas justamente porque precisam apresentar uma grande quantidade de conceitos, muitas vezes suas histórias se passam em mundos diferentes do nosso e com raças, dinastias nobres e estruturas sociais completemante alienígenas aos nossos conceitos - e desenvolver estes aspectos leva naturalmente tempo e páginas - o que não é o caso do livro em questão).
Ainda mais quando o livro é basicamente Friends mas para a HBO (sabe, com aquela ousadia de Euphoria com sexo, drogas, violência e pretensão).
Basicamente um grupo de amigos que se conhece na época da faculdade (ou seja, início da idade adulta) e tem de lidar com os perrengues de empregos, namoros, responsabilidades e amadurecimento (clap, clap, clap), só que, sabe, com personagens mais desagradáveis e desinteressantes. Eu não quero fingir que o material não possa funcionar para algumas pessoas, e, sinceramente não vou insultar qualquer uma das pessoas que gostaram ou gostam do material - mas eu vou sugerir a vocês que busquem outros autores como Kazuo Ishiguro com seu Uma Visão Pálida das Colinas ou Min Jin Lee com Pachinko e, droga, tem três livros fantásticos do Saramago no parágrafo anterior, para que vocês vejam o que é um material bem escrito e executado em comparação.
O livro perde muito tempo com os personagens secundários - uma vez que a 'vida pequena' da qual ele quer cobrir é do rapaz chamado Jude que passa por todo tipo de experiência desagradável durante sua infância/adolescência, que leva a um tipo de comportamento auto-destrutivo, e, uma incapacidade de aceitar coisas e pessoas boas ao seu redor - perdendo esses elementos para um personagem de família rica que se sente perdendo o contato com suas origens raciais, um outro personagem que cresceu em uma fazenda e teve pais pouco carinhosos e um terceiro que, bem, é só um babaca, enquanto navega pelos grupos crescentes de amigos, conhecidos, colegas de trabalho e outros tantos que vão cruzando pela vida de cada um destes personagens e aumentando exponenciamente a duração dos eventos, muitas vezes chegando em lugar nenhum, ao mesmo tempo que travando o progresso da trama principal.
Na trama principal, inclusive, tem um certo sadismo em que a autora vai levantando dúvidas sobre o evento que descrever ser o estopim e ponto mais desagradável da vida do protagonista (quando trará algo mais assombroso e terrível em seguida), e eu não quero relativizar ou diminuir o impacto das situações - e cenas - mais chocantes e perturbadoras que o protagonista passa, longe disso.
O que eu quero enfatizar é que acho desnecessário toda a fanfarra e talvez os requintes de crueldade que a autora usa para executar esses traumas ao personagem, algo que, com menos traumas e menos páginas funcionaria igualmente, diria até que muito melhor pois seria mais incisivo.
Talvez não tenha funcionado pra mim, talvez nunca vá funcionar pra mim... Mas eu simplesmente não consegui entrar na proposta do livro e conforme avançada a passos glaciais ficava cada vez mais distraído e pensando em outros livros melhores que eu podia ler no lugar dele (e até por isso tantas comparações no texto).
Só posso dizer que, honestamente, me parece muito pretensioso no quanto o livro gasta de tempo para contar uma história, que, talvez funcionasse melhor num conto curto, ou mesmo num livro beeeeem mais curto com umas 250-300 páginas indo direto ao ponto e focando no que realmente importa da tese central da história (que eu não sei dizer se é sobre trauma unicamente, ainda que pareça ao menos o cerne da questão, até porque me parece que existe bem mais elementos que a autora tenta trabalhar mas, honestamente me escapam).
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