Olha, talvez eu esteja incrivelmente errado em muitas coisas na vida, e, eu não duvido que eu esteja, mas eu genuinamente acho que Natasha Lyonne é uma atriz extremamente carismática (mesmo se isso não significar necessariamente que seja uma boa atriz sob algum critério mais específico) e por essa métrica eu gosto ver projetos com ela.
Por um bom tempo eu quis assistir a Poker Face - vendo as propagandas, inclusive os anúncios que mostravam Lyonne trabalhando com John Mulaney (e ele aparece em apenas um episódio) - e, honestamente o primeiro episódio me mostrou enorme potencial com um elenco extraordinário e uma premissa muito boa (muito boa mesmo), em que Lyonne é basicamente um detector de mentiras (sarcástico) humano que trabalha em um cassino com sua melhor amiga, e, uma tempestade de merda atinge suas vidas.
O primeiro episódio tem direção de Rian Johnson (de alguns de meus filmes favoritos de mistério como Entre Facas e Segredos) e conta com um elenco bastante estrelado que inclui mas não se limita a Adrien Brody, Rhea e Ron Pearlman, Steve Buscemi e mais meio mundo em apenas duas temporadas/22 episódios e eu não ficaria surpreso se eles tirarem o Rick Moranis de aposentadoria para a terceira temporada...
Mas o final do primeiro episódio me desanimou de tal maneira que eu acabei pulando quase toda a primeira temporada para ver se melhorava, e para não entrar em spoilers (que eu já evitei até agora) eu vou concluir a resenha primeiro para depois falar do grande problema para mim com esse primeiro episódio.
Os episódios são construídos de maneira que seja/pareça mais com filmes curtos (de uma hora/quarenta e tantos minutos) do que com uma série de fato, tanto que poucos são atores recorrentes, a estrutura das câmeras e enquadramentos, e os roteiros trabalham nessa estrutura também, com narrativas curtas para funcionar com começo, meio e fim ainda que mantendo a mesma protagonista lidando com uma ameaça constante que a mantém fugindo.
Até aqui, nada muito novo (o seriado do Incrível Hulk ou Kung-Fu com o David Caradine só pra citar dois nessa estrutura), o material se destaca pelo excelente número de astros e pela qualidade da direação e câmeras, além, claro do carisma incrível da protagonista.
O problema reside no roteiro e ele retorna ao roteiro quando ele precisa funcionar, e, puta que pariu, de novo e de novo eu me vi desapontado com o material nesse quesito, e, para entrar em detalhes precisarei de alguns spoilers então se ainda te interessa ver a série sem os spoilers aqui termina a resenha.
Bons atores, boa direção, roteiro fraco, mas vale a pena se você não quiser nada particularmente desafiador ou, sabe, interessante. Se você preferir o exato mesmo mas com bom roteiro particularmente desafiador, tem The Cleaner do Greg Davies, e, esse eu realmente recomendo.
Ok: Spoiler a partir daqui, não diga que não foi avisado.
Vamos lá:
Eu falhei em explicar a premissa do primeiro episódio pois isso traria alguns spoilers sobre o episódio que estragam o material, então talvez não seria bom falar sobre eles, mas honestamente o fim estraga o episódio da mesma medida, então...
Vamos lá: O primeiro episódio nos mostra a amiga da protagonista sendo assassinada em sua casa depois que ela descobre algo terrível no seu lugar de trabalho, mas, o assassinato foi uma armação para parecer que foi o marido dela (um bêbado abusador).
Natasha Lyone percebe que existem vários sinais errados, e, acaba descobrindo a identidade do assassino - enquanto ela inadivertidamente trabalha com ele em um esquema/negócio. Ok, então chegamos a praticamente Frasier com suspense enquanto os personagens tentam enganar uns aos outros e esconder seus segredos enquanto arrancando informação uns dos outros.
O problema é que, quando Natasha descobre toda a verdade - sobre quem matou sua amiga e que tem armas e sangue frio para operar uma execução e fraudar a cena do crime, além de controlar a polícia local na investigação - bem, o que ela faz?
Busca ajuda de alguma agência federal de investigação e entrega as informações? Confronta o criminoso a uma distância segura após confirmar o sucesso de seu plano (talvez até por telefone)? Confronta o bandido conforme a polícia aguarda para confirmar a confissão do criminoso e prendê-lo...? Confronta o bandido com a ajuda de algum outro bandido maior (inclusive algo que faria mais sentido no contexto do episódio e da série)...? Foge o mais longe possível sem olhar para trás...?
Não... Nenhuma das anteriores, ela só vai confrontar o criminoso, completamente desarmada e sem qualquer trunfo ou plano, para tripudiar e dizer que ela descobriu o que de fato ocorreu... E aí ela foge da máfia e de gente armada que quer matá-la pelo restante da série sem o menor propósito ou motivo (inclusive com cenas em que ela aleatoriamente escolhe o próximo lugar para ir).
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