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7 de outubro de 2024

{Resenha lixo} Minions 3

Meu Malvado Favorito é uma franquia que eu confesso que não entendo o fascínio além do charme dos personagens amarelados que falam num italiano embromado e são obcecados por banana.

Nenhum dos filmes é particularmente bom (exceto esse último que é genuinamente terrível, mas mais sobre isso depois) e efetivamente o material mira confortavelmente pelo medíocre desde o primeiro filme da franquia. Atuações medíocres, roteiros medíocres, animação medíocre e por aí vai.

Se eu tivesse que apostar, eu diria que o maior custo de produção da franquia até o momento se dá no departamento musical com os gastos para conseguir os direitos para usar músicas como Bad de Michael Jackson ou basicamente todas as músicas de Pharell Williams (que era relativamente desconhecido quando saiu o primeiro filme em 2010 e continuou produzindo para os filmes seguintes). Ainda mais considerando que a animação não evoluiu ou mudou substancialmente desde o primeiro filme de 2010 (ao contrário de franquias como, sabe, O Gato de Botas com relação a seus antecessores ou, bem, é só conferir o que aconteceu com a Pixar e Toy Story).

E considerando ainda que os filmes da franquia existem porque eles são uma mina de ouro para vender produtos licenciados dos Minions (sejam novos bonequinhos amarelos, seja sorvete sabor banana, seja... Onde conseguirem colocar estes personagens, pode ter certeza que eles estarão lá), é fácil entender porque o filme de 2024 existe e porque é tão ruim.

A diferença dessa franquia com seu spin-off focando somente nos monstrinhos amarelos é que aqui existe o narigudo Gru para motivar e conduzir a trama dos monstrinhos amarelos. Gru não tem um arco narrativo, história ou mesmo uma razão de existência que não seja motivar os monstrinhos amarelos para suas desventuras tresloucadas (sendo submetidos a experimentos para produzir mais produtos licenciados, seja indo para a prisão para ter uniformes diferentes para produzir mais produtos licenciados, seja virando super heróis para produzir mais produtos licenciados).

Gru, sua família e sua narrativa é só tangente para a produção de brinquedos. Mais ou menos como o lanche do McLanche Feliz...

E em nenhum momento isso fica mais claro com um filme que simplesmente não tem o menor argumento ou lógica...

Gru acaba com medo de um vilão com o qual estudou e agora ele encara sua mortalidade (numa franquia que inicia com o vilão tentando literalmente encolher e roubar a lua - e, vale lembrar que o vilão que faz Gru encarar sua mortalidade literalmente se transforma em uma barata) numa crise de meia-idade que é meio clichê de quartos filmes de franquias, não?

Ah, mas ESSE vilão é diferente e pior que os outros dos cinco filmes anteriores! Ele é vivido por Will Ferrell (e vira uma barata!)! Por isso eles precisam se mudar para o serviço de proteção a testemunhas e assumir novas identidades para que essa turminha da pesada arrume altas confusões...

Droga... Porque os filmes da Laika não conseguem ressoar com o público dessa forma? Mesmo os piores deles como O Elo Perdido tem mais trabalho na animação de uma gravata borboleta que em praticamente um filme inteiro da Ilumination! Os Boxtrolls poderiam facilmente substituir os Minions, não?

Infelizmente o mundo em que a Laika produz uma mina de dinheiro a cada filme não é o mundo em que vivemos e temos que esperar o próximo Meu Malvado Favorito (ou talvez um reboot da franquia agora com Bill Skarsgard).



Mas não é nada disso que está me incomodando realmente, né?

Não... Não...

É o fato que eu me lembro de ver nos cinemas esse filme e ter um grupo de adolescentes idiotas na fileira atrás que ao final do filme resolveram bater palmas, porque (nas palavras deles) esse é o último filme da franquia.

Mesmo que o filme fosse de fato bom, será realmente que falhamos tanto assim com nossa juventudade que eles não tem a capacidade de entender que um estúdio não abriria mão dessa mina de ouro até que ela esteja completamente esgotada e arrasada? E mesmo assim, considerando a Hollywood atual, o que impede de um reboot ou uma versão live action daqui alguns anos?

Pra quem acha que essa foi a última vez que um monstrinho amarelo ajudou uma rede multibilionária a vender algum produto com aromatizantes terrivelmente artificiais de banana, bem, eu tenho um amigo príncipe nigeriano que está precisando de uma grana...

13 de dezembro de 2013

O que eu assisti em 2013 (e porque não foi um bom ano pro cinema)

É verdade que não me lembro de dez grandes filmes dos últimos dez anos sem um grande esforço mental (mesmo estendendo até 2000 do primeiro X-men, ou 1999 com o primeiro Matrix)...

2013 foi um ano que eu pouco fui ao cinema, e quando fui sai frustrado.

Do que não gostei:
Homem de Ferro 3 (salci fufu que merda), Homem de Aço (filme frio que nada transparece do ideal de esperança que o personagem representa) e confesso que desisti de assistir o tão comentado 'O Mordomo da Casa Branca' (The Butler) e acabei revisitando Peter Sellers em seu "Muito além do Jardim" (Being There, filmaço).

Ouvi tanta gente dizendo que chorou ao final de Gravidade, vi tantas críticas positivas (como a excepcional crítica do IGN) que eu acho que me fez esperar muito mais do que eu vi...
Com tantos seriados em bons momentos (o final intenso de Breaking Bad, o interessante gancho final de Mad Men, o final de Futurama e como não podia deixar de ser o enorme potencial de Arrow desde o final da primeira temporada, que foi de dar nó na garganta...), eu particularmente acho difícil assistir a algo como Gravidade (que não tem desenvolvimento nenhum da protagonista, tentando copiar algo que Stanley Kubrick fez muito melhor em 2001 - Uma odisseia no espaço em uma cena fez enquanto o filme tenta durante uma hora e meia).
O filme me faz lembrar um livro de auto-ajuda, inclusive, uma vez que ele elege um assunto no qual foca até o fim do mundo, sendo superficial, ignorando a contextualização, desenvolvimento e conseqüências, e buscando resultados porcos e rápidos (o filme só tem 1:30, que consegue ser menos tempo que a animação Meu Malvado Favorito - 1 ou 2). É esteticamente bonito, e facilmente uma das melhores experiências de 3D que eu já vi (realmente imersivo), só que ao mesmo tempo artificial até dizer chega (alguém teve que me confirmar várias vezes que era de fato a Sandra Bullock no filme... Eu jurava que era CGI, não sei se isso devido a qualidade da sala onde assisti o filme ou o que mais). Eu até diria mais dos pontos negativos, mas acho que estaria contando spoilers, mas acho que posso destacar um detalhe, que tenho certeza que será aproveitado pra muita falcatrua constituída por empresas com fins religiosos ou pretensamente psicológicos (que tá cheio de 'trainers', 'coaches' e outros picaretas mil por aí vendendo conceito de auto-ajuda como fundamento da psicologia): O filme tem uma ênfase numa noção de espiritualidade e religiosidade em alguns pontos, e nisso não duvido que vai ter gente vendendo o filme como dogma...

Do que tive vergonha de assistir:
Até assisti a Wolverine - Imortal em dvd, e achei horrível - não consegui entender como destruíram uma história tão bem escrita por Frank Miller pra fazer um negócio tão bobo que chega a ser revoltante (sério, se não assistiu e está na dúvida, procure por "Eu, Wolverine" ou "Dívida de Honra", que por mais caro que você ache, vale muuuuuuuuuuito mais que qualquer cena desse filme, principalmente com aquele Power Ranger ridículo ao final). O mesmo vale para Guerra Mundial Z, obviamente trocando o nome de Frank Miller pelo autor do livro, Max Brooks (que obviamente não é nenhum Frank Miller, mesmo em seu momento mais inspirado... É um autor competente, e só).
O conselheiro do crime é aquele filme que será lembrado pelas cenas de sexo (afinal a história é uma merda, tal qual a direção). E Pacific Rim entra na coluna por vários motivos... O nome nacional me envergonha de dizer, o filme parece aquelas animações japonesas que nem quando eu era adolescente eu tinha orgulho de dizer que assistia... E bem... Precisa dizer que o roteiro é ruim?

Do que de fato gostei:
Gostei de poucas coisas, como "O fim do mundo", a única boa comédia que vi - mas nem tão bom quanto o brilhante primeiro filme do trio Pegg/Frost/Wright. Não sei se conto a animação "Meu Malvado Favorito 2" que achei brilhante - e talvez o melhor filme do ano, mas por ser animação acaba sendo um pouco 'menor'...
O melhor filme mesmo foi "Blue Jasmine" de Woody Allen que raramente decepciona... Só que podia ter bem menos Alec Baldwin (como 0%, escalar um desconhecido qualquer) e seria um filme imperdível.
E pela primeira vez em muito tempo, um filme nacional figura entre os que mais gostei do ano. Cine Holliúdy não é perfeito, não é genial, mas num ano como esse, até ganha destaque, e o filme é bem feitinho e diverte.

Eu consegui achar também muitas pérolas que procurei por muito tempo e só agora consegui assistir. O belíssimo "Fanny e Alexander", o fantástico canto de Cisne de Ingmar Bergman, a duologia "Yojimbo & Sanjuro" (com a atuação soberba de Toshiro Mifune), e como citado antes, a maior atuação de Peter Sellers: Muito além do Jardim, filmaço.

25 de maio de 2024

Dragon Ball - Uma longa análise

(Esse post é uma homenagem atrasada ao brilhante Akira Toriyama e demorou um pouco para tomar forma e chegar a versão atual).

Dragon Ball foi publicado entre 1984 e 1995 em 519 capítulos (divididos em 42 edições originalmente), mas que também ficaram conhecidas com duas fases, a primeira de Goku criança (até o confronto com o vilão Picollo, o que dá 194 dos capítulos) e a segunda, chamada Z (a partir do nascimento de Gohan até a batalha com Majin Boo, o que dá 325 capítulos, ou seja, quase o dobro da primeira fase). Existem vários filmes (com histórias originais) além de séries derivadas (como GT, Super e a ainda em produção, Dragon Ball Daima), mas nada além da série original escrita e criada por Toriyama será analisado nesse texto (que já será longo o suficiente como está). 

A série começa com tons bem mais humorísticos enquanto se inspira em Jornada ao Oeste (que é um romance/folclore chinês datado do século XIV), com Goku com seu rabinho claramente inspirado no Rei Macaco da história, e, flui bastante rápida com 22 capítulos (das duas primeiras edições) compilando a apresentação de vários das principais figuras da fase de Goku criança (Bulma, Mestre Kami, Yamcha e companhia) assim como os principais elementos (da busca pelas esferas do Dragão, de sua função na realização de desejos - e, não muito depois, que haveria um torneio entre as buscas pelas esferas, elemento que acaba se intercambiando até o final dessa fase). Resumindo de maneira bem geral, a ideia é a de que existem 7 esferas mágicas espalhadas pelo mundo que quando reunidas podem realizar qualquer desejo (ainda que, mais para frente seja revelado que existem algumas regras como de que uma pessoa só pode ser ressuscitada uma vez, por exemplo) e depois de realizado esse desejo as esferas se espalham novamente pelo mundo perdendo sua magia por pelo menos um ano.

Há bastante inocência, e, francamente os riscos são bem baixos nos primeiros arcos. A inocência se vê claramente no protagonista que mal entende qualquer coisa sobre o mundo externo (ainda que não melhore muito depois de adulto várias sagas depois) além das artes marciais e lutas, mas mesmo outros personagens que ao menos se mostram mais inteligentes como a garota Bulma, no início da história pretende singrar o mundo e correr inúmeros perigos para desejar encontrar um namorado...

No quesito ameaças, o "imperador" Pilaf é apenas uma piada, e os dois primeiros torneios não trazem riscos significativos (além da honra de Goku, ele não corre risco de perder absolutamente nada). Mesmo a Red Ribbon que deveria ser uma força terrível que pretende dominar o mundo (e traz um exército análogo ao nazismo), não existe risco real quando Goku facilmente derrota fileiras e mais fileiras de vilões sem qualquer ajuda, e as esferas do dragão corrigem todo mal ou consequência negativa.

O tom é mais leve, a violência mais cartunesca e infantil - assim como alguns elementos na história - o que talvez torne mais curioso que também é um dos pontos em que existe maior conteúdo, digamos, picante da série. Com elementos da garota Bulma se exibindo (e até oferecendo favores sexuais - tá, tá, é tudo um subterfúgio e acaba que o porquinho que muda de forma Oolong assume o lugar de Bulma, mas...) em troca das esferas do dragão, assim como alguns momentos de nudez (julgue como quiser se gratuita ou não).

Honestamente é algo que me incomoda um pouco no geral, em partes porque a inocência do Goku diante de alguns personagens claramente tarados como o Mestre Kami cria tanto o humor (que o autor pretendia) como alguns cenários bastante desconfortáveis, mas é mais algo que eu acho importante destacar e ressaltar do que um ponto negativo, até porque vai sumindo e acaba desaparecendo por completo da série (acredito que por parte do segundo torneio o máximo que existe são algumas indiretas aqui e ali - como o pai da Bulma tendo/vendo revistas adultas). No mais, a quilometragem pode variar de acordo com o leitor.

Apesar disso, o real problema dessa fase é o quanto ela descarta personagens e conceitos sem pestanejar. Eis um grande grupo de terríveis vilões no exérctio Red Ribbon, cheio de generais e subalternos com planos nefastos... Pronto, Goku derrotou todos eles antes do café da manhã. Eis um potencial rival que pode ser mais forte que Goku e... (é, mal dá tempo de terminar a frase e já surge alguém muito mais forte que invalida completamente a existência do rival anterior - seja Tenshinhan, Yamcha ou Picollo, ainda que esse último por ser favorito do autor se manteve por bem mais tempo na série).

O aspecto aventura vai perdendo espaço conforme os arcos avançam, e são os duelos e lutas que tem cada vez mais espaço (talvez até pelo tanto de personagens e conceitos descartados, quando Toriyama percebeu que poderia prolongar uma luta por vários capítulos sem precisar de muita trama ou história - mas verdade seja dita, Toriyama consegue produzir lutas extremamente empolgantes e cinéticas que parece difícil largar o material antes de chegar ao final).

As coisas começam a mudar quando Picollo surge e logo de cara sua ameaça se faz notável ao matar participantes do torneio de artes marciais, e, dentre suas vítimas está justamente Kuririn, o melhor amigo de Goku, tornando a ameaça mais real e próxima, e, posteriormente tornando os riscos maiores ao impedir o uso das esferas do dragão por sequestrar o guardião das mesmas, Kami Sama.

A fase Goku criança termina com a derrota de Picollo (que consolida Goku como o mais forte da Terra e finalmente vencendo o torneio de artes marciais), e o casamento com Chi Chi, e, poderia facilmente ser o final da série sem grandes complicações. É um final feliz o suficiente e ainda que não explique todas as coisas sobre as esferas do dragão e vários dos personagens estranhos (como tanto Kami Sama e Picollo que são verdes ou o rabo de macaco de Goku), funcionaria perfeitamente para encerrar o material e, bem, funciona melhor como final que o que acabamos vendo anos mais tarde (e de novo com as séries derivadas GT e Super).

Nisso há um salto de alguns anos de idílica paz em que Goku tem um filho (Gohan) e a vida segue para os demais personagens sem muitas alterações até a chegada de um alienígena terrivelmente forte que afirma ser irmão de Goku. Aqui começa a fase Z e uma das sagas mais memoráveis da série, a saga dos Sayiajins.

Goku e Picollo precisam se unir para derrotar o vilão Raditz, e, após isso se preparar para a invasão dos outros guerreiros Nappa e Vegeta (que aconteceria um ano após a derrota de Raditz, e, que se mostrou muito superior a tudo que eles enfrentaram até o momento). Goku acaba morrendo, e, passa esse um ano treinando no mundo sobrenatural enquanto Picollo treina com Gohan para ajudá-lo a se tornar um grande guerreiro, e, claro, os demais personagens das sagas anteriores estão lá (para serem aniquilados sem piedade por Nappa e Vegeta).

O começo é bem interessante justamente ao eliminar boa parte dos personagens secundários e mover a série em um rumo diferente (eliminando também as esferas do dragão da Terra e forçando os personagens a uma nova busca diferente - por esferas do dragão em outro planeta para restaurarem as esferas do dragão da Terra). Os riscos são maiores que nunca e ninguém está a salvo - sem a rede de segurança de desejos permitindo que tudo voltasse como era antes.

Ao mesmo tempo a saga dos Sayiajins e posteriormente o arco de Freeza explicam vários dos pontos misteriosos e de contingência da série até agora (a origem de Goku e Picollo - assim como as esferas do dragão - como alienígenas), enquanto apresentando menos personagens secundários que vilões nos arcos que se seguem (Freeza tem um exército gigantesco, e nele estão alguns dos personagens mais fortes apresentados até o momento, como as forças especiais Ginyu, e posteriormente com a saga de Cell, além do personagem que dá nome à saga, são pelo menos mais 4 andróides numerados e seu criador). As ameaças e os riscos aumentam exponenciamente, e isso força os personagens a buscarem aliados inesperados como Vegeta (que até pouco tempo era o grande vilão e ceifara a vida de vários dos amigos de Goku) para chegarem ao objetivo em comum.

Cada grupo tem suas motivações próprias (os heróis buscam fins altruístas e querem salvar seus amigos e restaurar as esferas do dragão da Terra, ou prevenir o fim do mundo enquanto os vilões buscam fins egoístas e querem derrotar seus inimigos e consolidar seu poder) ao passo que essas motivações são trabalhadas e desenvolvidas, de forma que ao final do arco conhecemos melhor Vegeta e empatizamos mais com o antigo vilão, assim como os andróides no arco de Cell.

Da mesma forma os vilões são construídos cada vez mais como pessoas terríveis e cruéis. Sádicos que sentem prazer em destruir o que há de bom e puro e que vivem para esmagar os mais fracos (o que vão fazendo de maneira gradual até que encontram seu fim diante de um dos protagonistas da série).

Goku deixa o papel principal para o filho Gohan, ainda que ele continue decisivo para as grandes batalhas - mas ficando no banco treinando, se recuperando ou viajando durante o desenvolvimento das tramas, até o momento em que literalmente passa a tocha para ele na derrota de Cell e que efetivamente deveria ser o final da história (seria satisfatório e uma conclusão digna e legítima).

No entanto após a derrota de Cell há um novo salto de alguns anos quando surge o novo vilão Majin Boo que ao contrário dos sádicos monstros de arcos anteriores é só uma figura de cara tola que é literalmente manipulado por seu mestre até que resolve agir por conta própria (e continuar sendo um personagem sem graça).

Me parece que o material existe mais para ser um epílogo (pois é bem nisso que ele começa, com os tempos de paz, Gohan no colégio e tudo mais e a revanche entre Goku e Vegeta) visando alguns marcos como o aniversário de 10 anos da publicação e o capítulo 500 mais do que, bem, uma conclusão interessante para a série (o que, como eu disse várias vezes durante o texto, poderia funcionar muito bem em vários outros pontos anteriores).

A saga final falha ao oferecer um vilão que é indestrutível ao mesmo ponto que não tem motivação ou é interessante, o que só prolonga a história enquanto os heróis gastam ideias e técnicas para tentar vencê-lo... De forma geral ele é um marshmallow rosa idiota e nada ameaçador, mas que, como o lacaio Dibura resume perfeitamente:

Isso fica ruim porque, bem, capítulo após capítulo o personagem não evolui, cresce ou se torna mais interessante. Ele começa um marshmallow rosa idiota e nada ameaçador e ele termina um marshmallow rosa idiota e nada ameaçador. Tá, ele é super forte e indestrutível - e causa enorme caos e destruição, além de matar gente a torto e a direito transformando essas pessoas em doces - mas falta alguma personalidade para torná-lo interessante e ameaçador. Ele é só idiota.

Mesmo depois quando o lado maligno de Majin Boo (que é roxo e não mais rosa) aparece, não existe grande mudança. Sim, ele é "maligno", mas continua idiota e sem personalidade (a menos que ser menos malvado que o primeiro vilão da série, o Imperador Pilaf conte como uma personalidade).

No geral, o arco final fica patinando sem ter uma direção clara para a história ou uma conclusão lógica em vista e a história só vai se alongando. Vegeta se sacrifica - que não serve de nada, Gohan passa por toda uma série de procedimentos com o Supremo Senhor Kaioh - que não serve de nada, Goten e Trunks aprendem a técnica da fusão - que não serve de nada, Goku se transforma no super saiyajin 3 - que não serve de nada, e por aí vai... Mesmo quando Majin Boo finalmente é derrotado, ainda surge um novo epílogo que acaba parecendo vazio, e, pouco conclusivo (e justamente por isso que tantas séries com GT e Super - além de filmes) continuem a história depois disso.