Fazer uma resenha lixo de um único episódio de uma animação, que, é bem feita (e eu diria até que melhor que o original de alguns anos atrás) parece no mínimo bizarro, certo?
E, honestamente, eu não vejo nada para dizer de efetivamente negativo da animação, sinceramente. Ela é melhor que a original, ela é mais fluída que a original, e, nesse primeiro episódio oferece mais contexto que o material original.
Então qual é o problema?
Bem... É que a gente já viu essa história, né? E não só uma vez (no filme de 2013, sua continuação de 2015 - ambos que foram adaptados na série de mangá e animê a partir de 2015), e essa franquia conseguiu reacender a popularidade de Dragon Ball trazendo mais filmes, jogos de videogame (álbuns de figurinhas, capas de caderno, bonequinhos e todo tipo possível e imaginável de licenciamento), então eu pergunto: O que essa nova versão vai oferecer de novo?
Ainda que a animação de 2015 não tenha concluído toda a história que foi publicada no mangá, vale lembrar que o próprio mangá não concluiu - uma vez que o criador da série faleceu em 2024 - e o primeiro projeto (Daima) após o falecimento do criador da série foi, bem, pra dizer o mínimo um gigantesco desastre e sem o mínimo propósito, essa também não parece mostrar muito a que veio além de, bem, kashing, né?
Quer dizer, Dragon Ball Super já foi criado com o único e categórico propósito de servir e agradar os fãs, e, na boa, nada contra.
Tinha a questão do aniversário de 30 anos da franquia (iniciada em novembro de 1984) e o Toriyama lutando com um câncer (e usando a série como forma para financiar seu tratamento), e, o projeto tem um excesso de material para agradar os fãs algo que, verdade seja dita, os mangakás costumam fazer bem mais que os quadrinistas estadunidenses e europeus, enchendo as páginas com boazudas em roupas sumárias entre batalhas grandiloquentes além de atender a demandas e desejos dos fãs (como mais espaço - ou até mesmo o retorno - de um personagem favorito).
O Toriyama aproveitou a chance para trazer e atender pedidos que a galera sempre teve, e trazer revanches entre Goku e Vegeta, trazer Freeza de volta para mais lutas (e agora ainda mais forte) e seguir uma toada mais leve sem muito compromisso.
Na verdade se você vê o filme de 2013, Beerus é o antagonista menos ameaçador de toda a história de Dragon Ball (incluindo aqui o poderoso Pilaf do primeiro arco), e no mangá é ainda pior com o arco se resolvendo em quinta marcha para partir para uma outra história, do torneio entre universos (e esferas do dragão ainda mais poderosas que aquelas da série original).
Toriyama inclusive atende uma grande questão dos fãs ao colocar um substituto do Superman na forma de Jiren para enfrentar o Goku em uma longa batalha (que, inclusive, é mais longa que toda a batalha contra Beerus).
E francamente, nada contra o material, diga-se de passagem, mas nada disso tenta apresentar algo novo ou agregar efetivamente algo diferente para a fórmula. Vemos e revemos Goku, Vegeta e companhia se enfrentando para provar quem é o mais forte e poderoso (esse parece o mote de toda a série, de novo, para agradar os fãs) enquanto surgem revanches com Freeza e uma versão ainda mais poderosa de Cell (para uma revanche com Gohan que precisa mostrar que se tornou mais forte que Goku - para agradar os fãs).
E, é verdade que a série apresenta inclusive alguns personagens novos interessantes - como Hit, as primeiras sayajins mulheres, o personagem Granola (que não está no animê) e o vilão Goku Black - e mesmo que não funcione particularmente para mim, a ideia do super sayajin blue e do Picolo laranja.
É óbvio que fizeram para capitalizar na popularidade da franquia, é óbvio que vão tentar ordenhar essa vaca até que ela dê leite em pó e é óbvio que vão tentar manter o material relevante enquanto ele for rentável - e que esse é o propósito desse relançamento de vender mais álbum de figurinha, capa de caderno, jogo de videogame e bonequinhos - mas não é o cinismo do motivo por trás da série que me faz ter uma reação bem 'meh' com seu conteúdo.
Bem, é que essa nova animação simplesmente não empolga, saca?
Essa história não só já é conhecida como bastante manjada hoje em dia (todo mundo que tinha interesse já leu, assistiu e jogou esses arcos).
Os caras podem até preparar uma baita reviravolta para mudar a adaptação para algo bem diferente - com um tom mais sério e, uma vez que o subtítulo traz o nome do deus da destruição Beerus proeminente, dar a esse personagem um tom mais sinistro e relevante para a história - mas não parece a direção do material nem por um segundo... Se eu tivesse que apostar que eles colocaram o subtítulo 'Beerus' para a produção dos primeiros arcos da série (nos quais ele, de fato, é proeminente), e, caso a audiência se mantenha e confirme, eles lançam as continuações - alterando o nome ou não (de novo, vai depender mais do sucesso do material, e a julgar pelo primeiro capítulo derrubando servidores de streaming, só se mudar muita coisa para isso não continuar).
Me lembre desse post daqui uns anos quando (ou se) eu estiver certo (ou não)...
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