Taí um filme que é difícil de falar sem spoilers, mas, eu digo que, sem dúvidas é o melhor do ano até agora - e acho que como em 2025 com Pecadores (ou a Substância no ano anterior), vai acabar sendo o melhor efetivamente. Curiosamente, existe um aspecto também que faz a comparação com Pecadores ser mais contundente, mas mais sobre isso depois.
E eu acredito que o terror se tornou, nesse cenário decadente da indústria de Hollywood, como a única forma sincera de produzir crítica e comentário social pertinente e não apenas entretenimento barato e esquecível - que como nos casos de He-man ou o novo Minions, você esquece inclusive enquanto está assistindo ao material (e enquanto eu não quero nem falar dos Minions ou de Toy Story, pelo menos Toy Story me parece que merece uma resenha lixo).
Obsessão é um filme pesado, não obstante tem censura 18 anos, e é um terror bem mais psicológico (eu acho que, sem querer dar muito spoiler mas tem pouco mais de morte que em todo o Iluminado) mas não é na violência que reside o grande terror da história.
A história tem seus elementos de clichê, da mesma forma que Pecadores é basicamente Um Drink no Inferno mas na depressão americana e com protagonistas negros, Obsessão é a pata do macaco ou, se você preferir uma referência mais recente, Os Padrinhos Mágicos, mas, sabe, com mais enfoque no desenvolvimento dos personagens e sem soluções fáceis (ou efetivamente qualquer condição de magia efetiva e pertinente).
Sim, o protagonista consegue o seu desejo mais profundo de maneira além de qualquer compreensão e isso dá incrivelmente errado, mas isso é só a premissa da coisa e é na forma como isso é trabalhado e desenvolvido que você vê o real brilhantismo da obra trabalhar com os personagens de forma gradual e não oferecer nada além de vazio existencial e caos para cada um dos envolvidos.
Até porque é fácil perceber as camadas que existem narrativamente que permitem reexaminar o material e inclusive recontextualizá-lo numa segunda, terceira ou quantas mais vezes você for rever o material (o que, pra mim sempre foi a marca de uma obra superior, da habilidade de deixar uma impressão que permite reexaminá-la ou enxergá-la sob outra perspectiva numa nova leitura).
Nisso eu acho que se parece mais com a Substância que com Pecadores - o filme vai até as últimas consequências e vai dando as pistas ao pouco sobre o que de fato está acontecendo (e mais que isso, o que pode de fato acontecer) - e ele produz de fato um bom drama na abordagem pesada sobre o tema. O difícil é falar sobre tudo isso sem spoilers, ainda que, honestamente é um caso que quanto menos você sabe melhor o filme funciona e, por mais que pareça remota a possibilidade eu genuinamente adoraria ver uma continuação deste filme partindo do exato momento em que este terminou (meio que como fizeram com Halloween - mas não tente imaginar que existe qualquer semelhança entre as duas obras).
Vale muito a pena, mas saiba que é bem pesado e algumas cenas mais desagradáveis provavelmente vão te acompanhar por algum tempo, assim como alguma reflexão e discussão.
Talvez eu faça alguma outra resenha com spoilers daqui um tempo - para dar mais tempo pro pessoal ver e debater sobre o filme - mas eu com certeza recomendo e insisto que é um dos melhores filmes do ano, e, na safra de terror, é um dos melhores, ponto.
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