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18 de junho de 2026

{Resenhas Six} O Jogo das lulas mentirosas

Liar Game é basicamente Round Six/Squid Game, só que, e isso é importante, antes e com uma estrutura coerente narrativa que serve a um propósito lógico. O quadrinho japonês de 2005 (até 2015 - terminando quase seis anos antes da série da Netflix) através de uma competição onde os participantes tentam conseguir prêmios cada vez maiores, com o revés de ruína financeira no caso de derrota, a série conta e fundamenta teoria dos jogos para o grande público.

Cada jogo serve para explicar alguma das teorias, fundamentando justamente nestes jogos as formas complexas da teoria e, de maneira subsequente contextualizar mesmo para alguém alheio à teoria e fundamentos matemáticos de maneira simples e clara (ainda que, em alguns jogos seja necessária cada vez mais contextualização e texto para fundamentar o básico).

A história inclusive funciona melhor que no contexto de Round Six (e eu farei mais comparações com a série da Netflix porque ela é mais conhecida e é um paralelo mais fácil para o grande público), na ideia da organização secreta terrível que promove os jogos, e como essa organização se vê rivalizada pela protagonista aqui.

Nao Kanzaki é alguém tão honesta que chega a dar dó e ela é colocada num jogo onde é necessário mentir e enganar para prosperar - as limitações da protagonista diante do obstáculo enfrentado oferecem efetivo crescimento e desenvolvimento narrativo, ao passo que permitem maior acessibilidade para o público leitor de se ver diante dos princípios de teoria dos jogos. Mesmo que você não concorde com a protagonista, consegue entender sua jornada e condição.

No lado da série da Netflix, ainda que o protagonista seja mais empático e relacionável (ao menos na primeira temporada), fica mais difícil de aceitar as ramificações do jogo e das brincadeiras infantis como mote para a sangrenta disputa, e fica ainda mais difícil nas temporadas seguintes quando ele volta aos jogos... Nao poderia abandonar as disputas do Liar Game em praticamente qualquer uma das rodadas, mas é justamente sua honestidade que chega a dar dó que a compele em seguir em frente para entender mais sobre si mesma, e, ajudar a mais pessoas a se livrarem das consequências negativas do jogo.

Dito tudo isso que é basicamente elogioso, eu acho que existem alguns problemas contextuais que tornam o material menos palatável ao grande público e mesmo do público mais seleto e específico.

Ainda que você talvez já tenha percebido pela minha descrição da série, ela não é exatamente recheada de ação - e nem estou falando de forma comparativa com um filme do Michael Bay cheio de explosões, cenas frenéticas e o escambau - eu digo de ação dum ponto de vista geral mesmo.

Isso se resume a intermináveis rodadas de pôquer em que um ou o outro lado tenta blefar ou descobrir o blefe do outro lado e as ações e consequências disso. Sim é bastante intenso em alguns momentos pelos riscos envolvidos pelos personagens e pela ênfase que a série oferece a dadas cenas, mas dificilmente vai trazer alguém em uma sala sentado/conversando e discutindo seu plano com outra pessoa.

Como bônus ainda existe toda a questão de teoria dos jogos (e bota teoria nisso) que com exceção de quem gosta de matemática, teoria dos jogos ou basicamente é um nerd invetarado vá achar graça.

(E, vamos destacar que outras séries tentam disfarçar temas mais complexos e com menos ação com ideias mais espalhafatosas como mechs gigantescos combatendo monstros como Evangelion ou como Gantz pura e simplesmente nudez e violência gratuita).

Ok, mas nada disso ao meu ver é o problema da série (ainda que eu saiba que torne difícil de convencer alguém a sequer dar uma chance). O problema, pelo menos do que eu vi da série até agora, está mais numa forma de naturalizar comportamento aberrante.

Quer dizer, o primeiro adversário de Nao é um antigo professor, e, num jogo bastante simples para garantir quem ficaria com um montante de dinheiro (e quem contrairia uma gigantesca dívida), esse professor diz se a menor empatia de forma literal e explicita para a garota (que, de novo, foi sua aluna) que ela pode entrar numa vida de prostituição para pagar sua dívida.

Isso é bem no começo da série e mais pra frente esse mesmo tipo de sugestão é feito novamente - sendo que em momento algum até o presente capítulo em que eu cheguei da série seja apresentada qualquer justificativa ou lógica de que a dívida contraída pelo participante tenha qualquer peso além de argumento narrativo (para fundamentar a série).

Francamente eu ainda acho que vale a pena dar uma conferida pensando numa animação mais calma e introspectiva (se você quer algo mais bobo, expansivo e cheio de explosões, Chainsaw man já existe). 

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