Ah, maldito 2026!!!!
Eu sei que tem uma galera que gosta da Cazé Tv e gosta do Casemiro e tudo mais. Não vou criticar a pessoa específica do Casemiro e nem mesmo o amadorismo da estrutura das transmissões (que muita galera defende como o charme da coisa toda), porque isso está muito além ou até mesmo aquém do ponto.
É aquela visão redutivista de que Davi x Golias, do azarão vencendo o grande campeão numa escala global... Só que quem olha por essa perspectiva não está enxergando nem o palmo diante de seus olhos.
Não é Davi x Golias, é Godzilla versus Mecha Godzilla e nós vamos pagar por todo o caos e destruição causados.
Porque a questão não é a Cazé TV versus a Globo. É a Fifa versus a Globo, a Cazé TV é só o proxy utilizado pela Fifa, e a "vitória" da Cazé TV não é boa pra ninguém.
(Até porque pra Fifa colocar um outro grupo pra fazer a mesma coisa é bem mais fácil e rápido que trocar um presidente da CBF por algum escândalo)
E é (só mais um)a desculpa pra justificar aumentos astronômicos de ingressos com a necessidade de equipamentos caríssimos (e desnecessários) para que um jogo seja sancionado pela organização mais corrupta do planeta, para que algum sheik árabe possa comprar outro jogador caro para aparecer na festinha do filho ou da concubina dele...
Porque SE num evento patrocinado por empresas gigantes, com intervalos patrocinados e essa estrutura horrorosa da própria Fifa para a transmissão que permite ainda mais propaganda constante e recorrente, o ingresso já subiu astronomicamente (com a própria Fifa fazendo cambismo de ingresso cobrando taxas enormes para isso), chegando a dois mil dólares para um jogo merda e a final já passou dos dez mil dólares (sem qualquer definição da qualidade das seleções que lá estarão) imagine sem qualquer patrocínio para um jogo minúsculo de algum campeonato esquecido (tipo o campeonato catarinense ou do Espírito Santo), como vai ficar?
Nem vou falar de camisa de time que é um absurdo (afinal uma camiseta - horrorosa diga-se de passagem dessa nova versão da seleção - custar o mesmo que uma parcela do Bolsa Família e ainda com a pachorra de colocar o Michael Jordan NA BOSTA DA CAMISETA DA SELEÇÃO DE FUTEBOL), eu nem vou falar que existem mais e mais custos para o torcedor que só quer ir no estádio e ver o seu time jogar ou que acredita e se esforça pelo seu time com seu dinheiro suado... Isso eu nem vou cobrir pra não fugir demais do tema.
Para adequar seus estádios para tecnologia de VAR e impedimentos semiautomáticos (com equipamentos que por óbvio só podem ser fornecidos [superfaturados] pelas empresas oficiais da Fifa e por óbvio tem algum dedinho e participação do sheik árabe que compra jogador caríssimo - mas, há, Cazé tá vencendo a Globo!) clubes pequenos ou mesmo amadores vão se ver incapazes de se manter, e categoria de base (que já é uma lástima) vai se canibalizar até o osso. Aí ou eles vão ser comprados por (pseudo)celebridades norteamericanas que querem expandir seus portfólios, por trust fundos (lavando dinheiro para sheiks sauditas ou oligarcas russos) ou simplesmente cortar o intermediário e ser financiado diretamente pelo crime organizado brasileiro.
Se alguma coisa sobressair do meu primeiro texto ou desse, eu espero que seja o argumento que eu vou repetir agora: O futebol é um esporte democrático e do povo, e não tem coisa que gente rica odeie mais que povo.
Saca? Em esporte de gente rica o 'atleta' sequer sua.
O """"atleta""" no hipismo fica confortável e sentadinho em cima do cavalo (que é quem está trabalhando efetivamente, e quase parece uma metáfora perfeita para o sistema econômico em que o rico ganha a glória enquanto o cavalo - vide povo - trabalha de fato e não recebe nada). No automobilismo os engenheiros e mecânicos ralam que nem uns filhos da puta para produzir o carro, e quem ganha é o """"atleta"""" no cockpit e a esquadria que financia isso tudo.
Agora no futebol que qualquer moleque com dois chinelos faz uma trave e com uma meia furada e jornal velho faz uma bola, a pessoa sua o tempo todo correndo de um lado pro outro do campo e tem contato, tromba, se machuca e contunde... e fica mais feliz que por qualquer coisa na vida quando consegue passar essa meia furada com jornal velho pelos dois chinelos celebrando um gol como se fosse final de campeonato...
Mas rico tem nojinho de suor... Tem nojinho de contato com outra pessoa de classe inferior que ela e principalmente tem asco de pobre se divertindo.
Então esse movimento de ingresso (mais) caro, de jogo menos acessível para o grande público, não é acidental, pelo contrário é muito incentivada, e faz parte do que a Fifa faz com a concessão dos jogos para a Cazé TV. Inclusive para que mesmo a transmissão de jogos seja mais difícil e mais insuportável.
E aí o rico quer tirar a diversão do pobre com o futebol com apostas... Quer dizer, bets.
As bets são uma consequência de uma piora constante e recorrente no já patético jornalismo esportivo brasileiro, se é que dá pra chamar de jornalismo.
Jornalista não é torcedor. Papel de jornalismo é relatar os fatos e eventos, e, quando emitir opinião, se embasar em fatos - não em expectativas, não em desejo de patrocinadores, ou nas odds do site da empresa de fachada que banca o site de apostas - e que é necessária para bancar a estrutura mínima que essa galera precisa para ter o mínimo de um estúdio e bancar os salários da galera que vai trabalhar nessa empreitada.
Jornalista sério que olha pra essa seleção e vê CHANCES de hexa ou está falando na hexa eliminação seguida (2006, 2010, 2014, 2018, 2022 e agora 2026) ou, bem, é pilantra mesmo e mais preocupado com o like, o jabá e não se esqueça de comprar hoje a nova camiseta da Zeca TV e apostar na partida Uganda e Peru com odds de 3,9 de gol nos primeiros quinze minutos (mas se você jogar nos próximos quinze minutos ganha trezentos giros de graça no jogo do zebrinho com o cupom ZecaTVevocê!).
E a galera do jornalismo esportivo brasileiro foi descambando ano após anos para cada vez uma galera de sicofantas e idiotas que fazem até o Tiago Leifert parecer que ele gosta de futebol (e não, ele não queria ser apresentador do BBB, não, ele tá super feliz no SBT, é um sonho realizado).
A Cazé vai lá e vende camiseta, interrompe a propaganda de bet para passar alguns minutos de jogo antes de falar as odds e o cupom para outro patrocinador de aposta e corta o lance para colocar um segmento de repórter idiota imitando aquele cara sem graça da Globo (Canuto?)... Nada disso forma algo mais interessante ou melhor de se assistir, pelo contrário só força os demais a copiarem esse estilo de transmissão que busca mais engajamento do que de fato propiciar uma transmissão de maior qualidade para o público.
Porque para o público que de fato gosta de futebol, o torcedor raiz de fato, a transmissão esportiva na tv sempre foi uma bosta e, não obstante muita gente que de fato gosta de futebol, sempre preferiu o rádio para acompanhar uma partida (e não é raro verificar em partidas que a galera está ali com o radinho acompanhando o jogo enquanto assiste no estádio).
O rádio permite menos espaço para bate-papo desnecessário e idiota, para propaganda de bet ou de autopromoção. Não dá para cortar para o repórter idiota vestido de batata frita (até porque no rádio você não vê isso de toda maneira) e nem dá para usar os cantos da tela numa constante barragem de propaganda contínua e perpétua. O narrador tem que constantemente descrever os lances para que o público ouvindo consiga acompanhar o que está ocorrendo em campo, e interromper - mesmo num momento mais calmo da partida - pode quebrar o fluxo do que está acontecendo.
E aí é onde a Globo (que, sim, tem emissora de rádio - e as transmissões de futebol no rádio da Globo sempre foram muito boas), com seus múltiplos pacotes de assinatura e canais, com câmeras exclusivas nos estádios e coberturas para múltiplos jogos, não apenas retransmitindo o que a federação de esporte produz... Nem é só pela estrutura toda que isso é importante, mas pela chance de ascensão profissional (do reporter pequeno na rádio que pode chegar a narrador, subindo para o pay-per-view ou SportTV e depois pegar um jogo grande na emissora aberta), ou mesmo pelos clubes pequenos que ganham visibilidade e chance com essa estrutura...
E é maior que isso, porque os campeonatos grandes (a Copa do Mundo ou o Mundial de Clubes) são só a culminação de anos de esforços que dependem de anos de trabalho e talento - coisa que a Fifa nem entende ou tem, respectivamente.
Quer dizer, o clube de base que compete numa categoria menor (e esse jogo não passa na tv aberta na cidade onde ele acontece para incentivar o pessoal a ir ao estádio) é algo incrivelmente importante, assim como os jogos da Copa da Favela ou do campeonato feminino ou de qualquer cobertura mais compreensiva do esporte - e, por conseguinte, de outros esportes.
A Cazé TV não tem estrutura ou capacidade pra fazer tudo isso. É um cara fazendo react na internet que recebeu (de mão beijada) a maior oportunidade que, puta merda, qualquer pessoa poderia querer... Não da pra esperar dele essa estrutura ou capacidade, até porque, de novo, pra Fifa puxar o tapete dele e passar a concessão para outro alguém que babe mais o ovo do Infantino e que aceite as regras (de fazer propaganda de bet, bajular e defender com unhas e dentes os anunciantes e se sobrar tempo, transmitir a partida) é só uma questão de tempo (eu nem ficaria surpreso com a Virgínia ou outra influencer de maquiagem que espreme cravos no onlyfans cuidando da copa 2030 ou 2034).

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