Eu confesso que me interessei pela premissa da série da Netflix O Monstro dentro de mim com Claire Danes e Matthew Rhys, e, com o primeiro episódio estava razoavelmente captivado. Claire Danes é uma atriz extraordinária e consegue produzir algo fantástico mesmo com o roteiro mais pedestre do mundo, e, bem, esse é potencialmente um dos roteiros mais pedestres do mundo.
Quer dizer, é aquele suspense/thriller que você já viu umas vinte e cinco mil vezes mas que no lugar de recombinar elementos e oferecer alguma reviravolta nova ou ideia original ou, sabe, qualquer coisa diferente (como mesclar elementos de outros gêneros como humor, horror ou dadaísmo pelo que importe) parece contente pura e simplesmente em produzir algo mais rocambolesco e achar que conveniência e personagens com listas (já elaboro mais nisso) é o suficiente.
Veja, eu não acho que um personagem precise de complexidade para ser interessante, e, muitas vezes os personagens mais interessantes são tão básicos e simples como pires. Batman funciona quase noventa anos depois (e gerou toda uma enormidade de derivados que viram seus pais ou entes queridos assassinados e por isso resolveram combater o crime), ao oferecer uma visão simples que permite desenvolvimento e complexidade.
Aghata (a protagonista vivia por Claire Danes) é uma 1) escritora vencedora de prêmios 2) endividada que 3) perdeu o filho num acidente de trânsito (que resultou 4) no seu divórcio e 5) numa complexa batalha judicial com o responsável), e, 6) está lidando com o bloqueio mental na produção de seu mais recente livro seguindo o sucesso do anterior.
Isso não é tudo, mas, honestamente já é demais e sobra ruído no quanto as informações se perdem e escapam - inclusive quando aparece o 1) agente do FBI bêbado que 2) tem um caso com sua ex-parceira e 3) está obcecado com um caso que nunca resolveu enquanto... - ao mesmo tempo que nada disso se refere ao foco da narrativa e da história. Isso tudo são apenas elementos, e, de novo, ruído para a trama principal que é do vizinho novo de Aghata que é um bilionário pomposo e excêntrico que pode ter matado a primeira esposa e essa turminha do barulho vai causar muitas confusões e virar a vida da pacata escritora de cabeça para baixo...
Quer dizer, o material mesmo se perde nessas listas de elementos que definem os personagens enquanto tenta justificar a história ou a narrativa de qualquer forma, ao mesmo passo que vai apresentando coincidências para que exista uma história (o vizinho que pode ter matado a esposa se muda justamente no aniversário da morte do filho de Aghata que percebe que está empacada com seu livro)...
E a história é tão boba e sem graça quando você tira esse ruído extra (ou talvez o diretor seja ruim e o roteiro não ajude, não sei dizer), que fica difícil recomendar. Talvez pela atuação fantástica de Rhys e Danes, mas, mesmo isso é pouco pra justificar qualquer coisa.
Talvez eu só não esteja no clima para esses materiais, talvez 2025 seja um ano ruim de produções (droga, Glen Powel continua não convencendo que consegue fazer qualquer coisa e por algum motivo que me escapa Kim Kardashian """"estrela"""" uma série que nem que me paguem eu assisto, e eu nem quero me repetir do que eu já falei, ou do quão pouco animado estou para o final de Stranger Things...), mas francamente por mais que eu tentasse de novo e de novo, não funcionou.
Só posso dizer que não é pra mim.
Nenhum comentário:
Postar um comentário