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21 de agosto de 2025

{Resenhas Impossíveis} Missão de Quinta Erro nas Contas

Missão Impossível: Acerto Final (ou Missão Impossível 8) é um filme de quase 3 horas que não sabe quando começar ou como começar, até porque, vale lembrar, o começo dele deveria ser o filme anterior (batizado originalmente de Acerto de Contas Parte 1 já com duas horas e quarenta e pouco), e, no quesito história enquanto não é lá muita coisa original nem sequer tenta ser muito interessante.

Uma inteligência artificial altamente sofisticada surgiu e pretende controlar o mundo, mas, ao contrário de Ultron com um corpo físico (para manifestar a motivação e servir de alvo para a agressão) a entidade é amorfa e virtual somente manipulando as coisas nas sombras.

Nada disso é particularmente uma ideia ruim quando consideramos que a ideia é que essa fosse uma franquia de espionagem, e em tese alguém manipulando decisões nas sombras seria o pão com manteiga do gênero... Ainda que a realidade de filmes com espiões tenham bem mais perseguições de carros e demonstrações inequívocas das ações dos agentes que, bem, ação nas sombras manipulando as coisas.

A IMF de Ethan Hunt depreda patrimônio público a cada cinco minutos enquanto cruza o planeta em busca de planos mirabolantes de criminosos terríveis (geralmente com planos ridículos que envolvem máscaras perfeitas que inclusive imitam a voz da pessoa original e mais toda uma sorte de absurdos).

Enquanto, não, Missão Impossível não é escrito por John Le Carre ou preze por qualquer crivo de coerência ou proximidade da realidade a ausência de um vilão claro e carismático numa franquia permeada por vilões carismáticos (como o emblemático papel de Phillip Seymour Hoffman no terceiro que rouba a cena a cada vez que está na tela), o que torna a franquia mais próxima de um filme de super-heróis que de espiões.

Então um bom vilão é chave para a coisa toda. Batman não enfrenta o conceito mais abrangente e filosófico do crime mas sim algum um idiota que se veste de palhaço, e é a personificação do mal nesse personagem que dá dimensão à luta ao crime. Com material sobre espiões, bem, ou a coisa ignora rapidamente a ideia de que espiões são basicamente ladrões operando para roubar informação de um lugar para o outro (geralmente governos ou para governos) e os colocam em cenários com grandes perseguições, lugares exóticos (mas ainda assim bastante públicos - e dos quais esses agentes não apenas teriam zero juridsição como causariam um incidente internacional).

E nisso bons filmes do gênero constroem bons antagonistas que são terríveis e justificam de maneira geral o motivo para esse espião agir em qualquer lugar do mundo deixando um gigantesco rastro de corpos e destruição em seu caminho (mesmo que contrarie tantos conceitos de acordos de soberania e hegemonias nacionais) e está tudo bem.

Não importa muito se Bond ou Ethan Hunt foi para um um país onde matou metade da população só para invadir um servidor e obter alguma minúscula informação que mal representará algo relevante para a trama mais tarde desde que o vilão seja icônico e relevante, e, porque se eu quisesse alguma história coerente sobre espiões eu assistia Slow Horses ou lia John Le Carre!

Quem vê esses filmes espera explosões, mulheres atraentes como interesses amorosos, cenas de ação incríveis (de preferência em locais exóticos) e vilões carismáticos e interessantes.

Missão Impossível funciona muito bem para boa parte desses elementos, e, em alguns dos filmes melhor até que Bond conseguiu em anos recentes, ainda mais com as noções que Tom Cruise usou para criar cenas sem dublês que desafiam os limites de cenas de ação, e, com algumas exceções dos primeiros dois filmes (que são bem ruins na minha modesta opinião - principalmente o segundo, mas o menos que falarmos de um filme com trilha sonora do Limp Bizkit, melhor) a série realmente construiu uma gigantesca reputação com brilhantes cenas de ação, muito bem executadas mesmo se os vilões em momento algum conseguissem o mesmo nível do terceiro filme (mas honestamente competir com Seymour Hoffman seria difícil pros melhores).

Legal, mas o que tudo isso significa para o oitavo filme da franquia...? Muito pouco, é verdade, mas, nem tanto assim uma vez que o filme tenta deseperadamente agarrar os fãs pela nostalgia com cenas e mais cenas reconstituindo eventos dos filmes anteriores para solapar a noção de que essa é uma série que vem correndo por mais de trinta anos nesses oito filmes e, enquanto esse é um ponto tão bom quanto qualquer outro para terminar as coisas (ainda que o sexto filme seja o final perfeito para a série), eu passei mais tempo tentando lembrar os eventos do filme anterior do qual esse é uma continuação direta (afinal ele serria a parte 2 para ele), mas eu simplesmente continuava de novo e de novo não me importando com a ameaça ou a a ameaça da 'Entidade'.

E o filme demoooooooora para engrenar (ainda que não tanto quanto o sétimo filme, mas aquele eu acho que só engrena na última cena depois de mais de duas horas).

Mas quando engrena aí vai, né?

Beeeeeeem... Não muito. O filme ainda gasta muito tempo tentando justificar sua narrativa e a ameaça terrível da 'Entidade' e fazer flashback aos eventos dos outros filmes para... zzzzzz.

E olha, tem algumas cenas bem interessante porque eles são capazes de fazer cenas como ninguém e esses personagens sentados numa mesa para fazer o imposto de renda ainda é muito mais interessante que uma novela da Glória Perez, mas não justifica nem esse filme de 3 horas e nem as quase 6 horas deste oitavo com o sétimo para forma um único grande filme.

De novo, podia fácil terminar no sexto filme que terminaria numa ótima nota, aqui é um negócio bem melancólico e dispensável. 

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