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9 de maio de 2015

Sessão de cinema cabeçudo - A Fortaleza Escondida (1958)

Existe algo sobre a obra de Akira Kurosawa que o torna um diretor mais fascinante que outros contemporâneos, conterrâneos e, de sobremaneira quase qualquer diretor de todos os tempos, uma vez que ele conseguiu produzir obras em que tanto a ação e aventura quanto o desenvolvimento de personagens (e portanto o drama) ficassem lado a lado se complementando sem que um lado eclipsasse o outro de qualquer maneira.

Talvez a prova mais formidável seja A Fortaleza Escondida de 1958, que traz uma série de elementos que viriam a inspirar Star Wars (com belas cenas de ação e duelos) e ao contrário de outras das obras de Kurosawa, consegue ser beeeeem mais curto e dinâmico. Com pouco mais e duas horas (2h e 19min para ser preciso) em comparação às 3,5h de Os Sete Samurais ou as quase três horas de Ran, e bem mais cenas de ação pura e ininterrupta, o filme consegue encapsular o melhor de dois mundos, e a competência de Kurosawa é o que cimenta essa empreitada. 

Ficha técnica:
"Kakushi-toride no san-akunin" (título original)
Lançado em 1958. Japão
Dirigido por Akira Kurosawa
Roteiro de  Ryûzô Kikushima, Hideo Oguni, Shinobu Hashimoto e Akira Kurosawa .
Estrelando:
Toshiro Mifune (General Rokurota Makabe)
Minoru Chiaki Minoru Chiaki  (Tahei)
Kamatari Fujiwara (Matashichi)
Susumu Fujita (General Hyoe Tadokoro)
Takashi Shimura (O general velho)
Misa Uehara (Princesa Yuki)

30 de maio de 2014

Tempos Modernos

É a obra-prima de Chaplin?
Pra muitos sim, pelas cenas icônicas na linha de produção - como o protagonista sendo engolfado pelo maquinário, já demonstrando no início do século a preocupação com a desumanização do individuo em virtude da produção em massa...

Mas é claro que quando se trata de um gênio com obras como "Luzes da Ribalta", "O Menino" e "O Ditador", definir apenas uma chega a ser um desperdício.

E no mais, pra que exacerbar uma em detrimento de outra se são todas tão poderosas e ressonantes nos dias atuais?

Longa vida ao baixinho inglês, Charles Chaplin!






Direção: Charles Chaplin
Roteiro: Charles Chaplin
Estados Unidos, 1936.
Elenco:
Charles Chaplin (A Factory Worker);
Paulette Goddard (A Gamin);
Henry Bergman  (Cafe Proprietor);
Tiny Sandford (Big Bill);
Chester Conklin (Mechanic);
Hank Mann (Burglar);
Stanley Blystone (Gamin's Father);
Al Ernest Garcia (President of the Electro Steel Corp.);
Richard Alexander (Prison Cellmate);

28 de março de 2014

Feitiço do tempo

Se começar o dia com 'I got you, babe' tocando no despertador é motivo de pânico para qualquer um que estiver lendo isso (principalmente se for dia 2 de fevereiro), você já sabe o que é o fantástico filme de Harold Raimis de 1993.

E o filme traz com uma sutileza que é rara uma profunda história e análise sobre si mesmo, a vida e até mesmo o universo.
Afinal, como um dos personagens que Murray se encontra durante o filme enfatiza, não é apenas ele que vive o mesmo dia de novo e de novo (a diferença é que ele voltaria ao mesmo ponto do começo, sem as conseqüências de um crime, mentiras para levar alguém para a cama - e até mesmo no caso de ferimentos graves, até mesmo ao cometer suicídio). Quantos de nós não nos encontramos presos em rotinas inabaláveis e incontestáveis que não nos permite escapar e, efetivamente, começar a viver?

É a grande reflexão, a análise sobre a própria vida e amadurecimento, sobre crescimento individual perante o aprendizado e tato no tratamento de nós mesmos e outros.
E por ser uma comédia dos anos 90, é incrível que tenha tamanha e tanta coisa.

30 de janeiro de 2014

Sessão de cinema cabeçudo: Metrópolis

O expressionismo alemão do início do século XX é marcado por uma forma bem diferente de produzir cinema do que se convencionara nas produções de Hollywood (que continuamos a ver estruturalmente nos dias atuais).

Há sempre uma lacuna entre os pontos para ser preenchida pelo espectador, há sempre uma metáfora e interpretação latente e pungente no transcorrer da história, e algumas muitas coisas carecem de abstração para sequer serem vislumbradas.

Nisso é que surge muito do melhor do filme, que mesmo pra 1927 produz efeitos especiais  realmente fascinantes, e compõe imagens únicas, criativas e belamente concebidas - e em dados momentos perturbadoras, como o Homem Máquina ou as estátuas ganhando vida, como a Morte e os sete pecados capitais.

A crítica social - que seria revisitada por Chaplin em seu "Tempos Modernos", por exemplo - da frieza da mecanização em detrimento do ser humano é clara e nítida desde a primeira cena do filme, e vai se repetindo vez após vez, comparando os trabalhadores a escravos que construiram as pirâmides. Essa crítica também se expõe na claridade vazia da cidade de luz Metrópolis (curiosamente o mesmo nome da cidade de Superman dos Jerry Siegel & Shuster, estreiando em 1938), inclusive através do contraste com a sujeira e escuridão das catacumbas onde se escondem os miseráveis trabalhadores.

Essa questão de contrastes e cores é inclusive fundamental para o estabelecimento de conjecturas sobre e por alguns dos personagens, principalmente ao estabelecer seu caráter. A pureza de Maria e Freder (o filho do 'dono' da cidade) em suas roupas claras, as más intenções de Rotwang (o inventor) e Joh Fredersen (o dono da cidade), com suas olheiras tenebrosas e as roupas escuras - que se notam bem diferentes do escuro padrão do uniforme dos trabalhadores.
São nas nuances que reside a grandiosidade - como a mudança, principalmente nas expressões e trejeitos de Maria e sua contraparte robótica.

Destaco, porém que, apesar de termos como 'robótica' e 'máquinas' e outros similares, o filme usa bem pouco de ficção científica - há certo fascínio, até um certo misticismo sobre a ciência.

O mais marcante, porém, nessa obra de Fritz Lang sem sombra de dúvidas está no volume, na proporção das coisas. A quantidade assombrosa de figurantes, o detalhe dado nas enormes maquetes - tanto da cidade de Metrópolis quanto a cidade subterrânea dos trabalhadores...

Pra finalizar,  é importante destacar uma das peculiaridades históricas das cópias do filme.
Devido a uma série de fatores, partes (substanciais) da versão original de cinema se perderam, sem grandes pistas sobre a existência ou não destas por muito tempo, sendo que por instrumento da mais pura sorte, em 2008 na Argentina foi localizada uma cópia bastante danificada com parte destas cenas faltantes, e desde então foram anexadas em 'novas' versões do filme.

Quem sabe até o centenário do filme ele não esteja finalmente completo novamente?

Sem mais delongas, pegue a pipoca e prepare-se a uma viagem inesquecível:


Ficha técnica:
Diretor: Fritz Lang
Roteiro adaptado por: Thea Von Harbou (de sua própria obra)
Lançamento: Alemanha, 1927.
Elenco:
Alfred Abel (Joh Fredersen);
Gustav Fröhlich Gustav Fröhlich (Freder - Joh Fredersen's Son);
Rudolf Klein-Rogge  (C.A. Rotwang - the Inventor);
Fritz Rasp Fritz Rasp (The Thin Man);
Theodor Loos (Josaphat);
Erwin Biswanger (11811 - Georgy);
Heinrich George (Grot - the Guardian of the Heart Machine);
Brigitte Helm (The Creative Man / The Machine Man / Death / The Seven Deadly Sins / Maria);

23 de dezembro de 2013

Fanny e Alexander - O canto do cisne de Ignmar Bergman

Nada melhor nessa época de Natal que um filme que retrate o Natal...
Lembra que eu falei dele alguns dias atrás? (não? Não importa...)
Bergman superando tudo e a todas as expectativas num filme magnífico, intimista e fascinante.
Não deixe 2013 terminar sem assistir.
SÉRIO!


5 de dezembro de 2013

A trilogia dos sabores de Cornetto - O Chocolate (com a cerejinha em cima)

É verdade que, quando o trio (Frost/Pegg/Wright) começou a pensar em produzir filmes - talvez devido ao sucesso e boa recepção da crítica ao fantástico seriado Spaced (sério que você ainda não viu? Aproveite a temporada natalina: e confira isso pelo seu próprio bem: http://macacosdigitando.blogspot.com.br/2013/07/spaced-ou-faca-um-favor-si-mesmo.html), e, com algum planejamento e roteiro, chegaram ao que, só posso considerar a obra-prima do trio.

Tudo está aqui.

Digo mais: Se você não assistir os outros dois anteriores e SÓ esse filme, vai absorver muito mais conteúdo e ver todo o potencial, toda a genialidade - e bem, todas as críticas sociais e latentes crises existenciais.

O personagem de Pegg se depara, desde o começo com os dilemas morais de praticamente todo ser humano dessa era e momento. Empregos sem futuro, contas a pagar, amigos muy amigos (que mais nos metem em enrascadas que nos ajudam), relacionamentos complexos demais (que, como o fim do filme sugere e demonstra, poderiam ser tãããão mais simples)... Nisso ainda entra o conflito de gerações que motiva uma crise existencial (ser velho demais para um emprego sem perspectivas, enquanto completamente desconexo com as gerações mais novas, que estão adentrando nesse mesmo ciclo vicioso - e sem futuro).

No meio disso tudo surge uma epidemia de zumbis, e, curiosamente o mundo se torna simples.
Não existem mais contas a pagar... O vício em cigarro não é mais um problema... O padrasto do qual nunca gostou não é um monstro - até é um cara legal...

Há mais... Existem algumas camadas que vão se intercalando (como as participações especiais, que incluem Jessica Hynes, a co-estrela de Spaced, ou Martin Freeman, o Watson de Sherlock) que incluem todos os filmes sobre zumbis já feitos (e que servem de inspiração, como A Noite dos Mortos-Vivos de George Romero e suas continuações), e nisso os temas comuns das metáforas dos mortos-vivos (a alienação de massas, o medo do conformismo - e como sempre é comum na produção literária de humor, o medo se reflete nas ações externas às quais pessoas comuns nada ou muito pouco podem fazer a respeito).

E o fato do filme chegar aos dez anos em 2014 - muito mais atual que muito filme que saiu esse ano... - mostra a qualidade e talento do elenco.
Aproveite que o youtube tem algumas cópias - mas dublado ou legendado é mais difícil....

28 de novembro de 2013

A trilogia dos sabores de Cornetto - A baunilha

Como os sabores de um sorvete napolitano (sabe, Morango, Baunilha e Chocolate - e a reflexão dos sabores de Cornetto da trilogia) é preciso saber dosar e balancear o conteúdo para que, mesmo na diferença entre cada um, ainda exista algo de gratificante em experimentá-los...

Mesmo que você não goste de todos os sabores.

Hot Fuzz (ou Chumbo Grosso, mas confesso que acho, para todos os filmes, que o nome original é melhor, mas aí é interpretação pessoal minha) é pra mim esse sabor neutro, bem baunilha mesmo, entre o sem-graça e o facilmente esquecível...
Pra mim, o filme demora demais pra engrenar num ritmo de comédia... Os primeiros atos são sérios demais e vão se alongando nessa narrativa que acaba num pastelão de comédia (que é o ponto forte do trio - Frost/Pegg/Wrigth - e principalmente do filme).

Ainda assim, existem boas cenas de ação, o roteiro é bem arrumadinho e consegue um tom bem interessante, constrói algo que eu ousaria dizer único (ao estabelecer um choque de cultura entre o convencional e estereotipado policial estadunidense truculento com o policial de uma região rural pacata do interior da Inglaterra - e que é o mais comum e real).

E esse roteiro vai caminhando para uma longa (e estúpida, daí o humor) conspiração de cidadezinha, com todo um conflito sobre a ideia de conformidade, a noção de aplacar-se com as regras e condições impostas pela sociedade para nossa segurança, e toda a questão do que isso significa.

Em parte isso até se parece com o tema de O fim do mundo (da semana passada), mas o momento em que isso se passa, é bem diferente, e é essa transição que representa a diferença, e ainda há este mesmo ponto no último filme que comentarei, mas primeiro da série - Todo mundo quase morto (Shaun of the Dead). Isso, inclusive, é grande parte do mote da trilogia - o envelhecimento durante diversos pontos de nossas vidas, e o que ele significa e as coisas que temos de abrir mão em nome dele. Enquanto Todo mundo quase morto se passa no final dos vinte (chegando aos trinta) e o conflito de amadurecimento ali se dá na questão de relacionamentos afetivos (e pessoais e profissionais), aqui em Chumbo Grosso a questão é mais no malabarismo todo que fazemos para conciliar uma vida produtiva nos diferentes âmbitos profissional e pessoal (numa crise dos trinta e poucos anos). --> Para concluir a reflexão, em O fim do mundo essa mesma reflexão se dá com (o início d)a crise de meia idade, chegando ou passando dos quarenta anos e contemplando e pesando toda uma vida pregressa, e as perspectivas do que ainda se pode esperar por vir.

Talvez revisitando o filme algum dia, eu venha a mudar de opinião, talvez até venha a achá-lo melhor do que vejo hoje... E é verdade que ele tem seus momentos, mas hoje pra mim é apenas a baunilha de uma crise intermediária - mal resolvida num primeiro momento da vida, e com toda a certeza intermediária a uma próxima, clara e evidente de meia idade...

Sem dúvida é um bom filme... Como "O Poderoso Chefão III", a continuação de um excelente, e aí fica difícil julgá-lo com menor rigor...

21 de novembro de 2013

A trilogia dos sabores de Cornetto - O morango

Dividindo em três partes - uma para cada filme - começando pelo último . Porque? Foi o último que eu vi, e é mais fácil de achar para alugar ou mesmo em PPV em alguns lugares, e porque apesar de comporem uma 'trilogia', nenhum dos filmes realmente se intercala ou segue uma única e mesma linha narrativa.

O que define a 'continuidade' é basicamente a presença dos mesmos atores e uma sucessão de episódios, temas, cenas e situações que se cruzam entre cada um dos filmes... Mas assistir não existe uma ordem ou necessidade por assistir todos os três "Todo mundo Quase Morto" (Shaun of the Dead), "Chumbo Grosso" (Hot Fuzz) e "O Fim do Mundo" (World's End), ainda que eu recomende assistir a todos - e se possível numa tacada só.

Por último, com o calor infernal que anda fazendo, o que melhor para começar uma longa análise que um happy hour - que se converte num pub crawl (ou maratona de bares, que eu só ouvi uma vez na vida ser chamado assim, mas enfim...) de uma épica noite etílica onde o maior pecado é permanecer sóbrio?

A história de World's End gira em torno de um grupo de amigos - e principalmente o líder do grupo, Gary King (Simon Pegg) - que anos mais tarde resolve voltar para sua cidade natal e completar algo que, anos atrás, quando se graduaram no colégio, deixaram incompleto: A maratona em uma única noite pelos 12 bares locais, consumindo uma cerveja (ao menos) em cada um deles.

O ponto, porém, é que Gary percebe, anos mais tarde que aquela noite foi a melhor de sua vida toda, mas o problema nisso é que ele não foi capaz de seguir em frente - enquanto seus amigos passaram por casamentos, empregos em suas (por momentos até monótonas) vidas adultas. E é buscando reviver isso, que ele arrasta seus (antigos) amigos para a cidade onde cresceram.

É importante notar que a metalinguagem é comum, o material que referencia os bastidores e eventos ("O Fim do Mundo" que é, ao mesmo tempo o nome do último bar da crawl, como também uma menção direta ao 'fim' da falada trilogia - inclusive com as menções de 'o fim está próximo, feitas com menção ao nome do bar). E, a 'trilogia' em si é uma questão da parceria cinematográfica entre o trio Nick Frost, Edgar Wright e Simon Pegg, mas eles trabalharam juntos na série Spaced (qualé, você não lembra? Bora assistir: http://macacosdigitando.blogspot.com.br/2013/07/spaced-ou-faca-um-favor-si-mesmo.html
Além disso o trio tentou a sorte desse lado do Atlântico, e fizeram alguns filmes meio questionáveis em Hollywood (o fraquíssimo Paul da dupla Pegg e Frost, e o bem pouco visto Scott Pilgrim vs o Mundo de Wright). Pegg conseguiu um pouco mais de liberdade e notoriedade, e lançou alguns projetos 'solo' como How to lose friends and alienate people ou A fantastic fear of everything - além de participações em filmes como Missão Impossível e Star Trek)... Porque estou explicando isso? Porque tem uma piada com isso no filme (sobre o fato de Pegg ter abandonado o restante da trupe).

Pela metade do filme, porém, eles descobrem uma grande mudança na cidade - cujas pessoas foram substituídas por alienígenas (ou robôs alienígenas que replicam seres humanos... Mas isso não é muito importante). E essa é a grande sacada, o grande mote do filme.
Esse confronto entre o ideal imutável - e a ideia nostálgica de nossas memórias do passado - com a realidade - o mundo que sofreu alterações, e que facilmente é bem diferente do que enxergávamos, e nos lembramos (do quanto eramos legais, ou de que como nossos feitos foram incríveis e inesquecíveis - e na realidade não significaram nada pra ninguém além de nosso grupo).
O conflito de gerações - Gary se encontra com um guri muito mais novo antes de perceber que a cidade fora dominada por alienígenas (ou robôs alienígenas que replicam seres humanos... Mas isso não é muito importante, a menos que a repetição da piada faça dela melhor) - percebendo a... alienação da geração mais nova com relação a sua própria (ainda mais com o gap existente entre ele na casa dos quarenta e um jovem chegando/permeando os vinte).

Num humor tradicionalmente britânico, questionando convenções e todo tipo de padrões existentes e já estabelecidos, o roteiro vai brincando com a ideia de lidar com o crescimento, expectativas e a vida enquanto adultos... E como perdemos as oportunidades de nos divertir - e fazer coisas idiotas sem precisar de justificativas e explicações, afinal, crescer não significa acabar com a diversão!

E nem o fim do mundo...

14 de novembro de 2013

Sessão de Cinema Cabeçudo - Três Homens em Conflito


É verdade que é um filme mais cult que cabeçudo (sério, não é como se os temas fossem um puta desafio pra inteligência de qualquer um, como "8 1/2" de Felini ou "O Iluminado" de Kubrick), mas existe uma série de coisas que compõe uma boa narrativa e estrutura cinematográfica neste filme, que o elevam a outro patamar - de arte.

A começar pela fenomenal trilha sonora de Ennio Morricone (um cara que tem um currículo invejável, e produção artística ainda mais), que dizer que estava inspirado na produção de cada música, bem... É pouco.
Desde os créditos iniciais com o som que tende a lembrar o ruído de chacais (sim, o próprio Morricone diz isso nos depoimentos de extras do dvd), numa das mais icônicas músicas dos filmes de Western.

Mas, o que vejo ser o ponto alto da produção está justamente no conflito de identidade dos papéis estabelecidos a cada um dos personagens (O bom, o mau e o feio - il buono, il brutto, il cattivo), que apesar de estabelecidos com clareza tanto nos créditos quanto nas apresentações individuais de Clint Eastwood (repetindo o papel do homem sem nome, chamado aqui apenas de blondie - loirinho - que é o bom), Lee Van Cleef (impecável como Sentenza ou Angel Eyes e é o mau) e Eli Wallach (o fantástico Tuco, que é o 'Feio')... Mas no roteiro e nas atuações, essa divisão vai intercalando e se mesclando.

Ao momento final da mais icônica cena de conflito de western - o impasse mexicano com os três armados e apontando suas armas um contra os outros dois - fica mais dúbio que em momento qualquer do filme que a natureza destes personagens pode ser muitas coisas, mas sem dúvida alguma não tem nada de virtuosa...

E nisso há um retrato da alma e natureza humana, que se demonstra nos trabalhos de Sergio Leone pelo fascínio da conquista do Oeste norte-americano, com uma representação através da aridez dos desertos, e das reações e ações dos personagens.
Um tema que se repete em outras obras, abordando facetas diferentes, talvez até numa proximidade com os pecados capitais (aqui a questão da ganância, enquanto em "Por um punhado de dólares a mais", aborda a vingança, e "Era uma vez no Oeste" - com a musa de Felini, Claudia Cardinale - sobre a questão da luxúria).

Uma coisa, porém, é certa: Você caro amigo nunca ficará tão fodão com um poncho quanto o senhor Eastwood (nossa que comentário fashion week...)

5 de novembro de 2013

O Iluminado

Muito se pode falar sobre "O Iluminado" de Stanley Kubrick... Muito mesmo (sério, veja a imagem abaixo do 'documentário' O Código do Iluminado, que apresenta que o filme é a confissão - através de códigos - da forja do pouso lunar em 1969).

E eu posso dizer, sem medo, que é a melhor performance de Jack Nicholson e figura fácil numa lista de melhores filmes de Terror de todos os tempos (que eu colocaria afrente de filmes como Eraserhead de David Lynch e O Bebê de Rosemary de Roman Polanski).

Alguns pontos importantes:
* Após o primeiro ato (da entrevista e a apresentação das instalações do hotel), note com os atores raramente contracenam uns com os outros. Inclusive, o isolamento se dá ainda mais claro pela câmera sempre tangenciando-os (nos diálogos de Duvall com Nicholson, a câmera normalmente fixa em apenas um dos atores), e é fácil notar que nesse ponto (já no hotel, isolados pela neve) que o filme segue três histórias: A de Jack Torrance (Nicholson no limiar da loucura, vendo os ecos de fantasmas dos dias de glória do hotel), a de Danny Torrance (o jovem Danny Lloyd deparando-se com a loucura ressonando através do hotel) e no fogo cruzado a pobre Wendy Torrance (Shelley Duvall - que chega ao final do filme se deparando com as atrocidades do local).

* Como é comum em obras de Kubrick (principalmente naquelas baseadas em livros) a adaptação é brutal ao ponto de desvirtuar descaradamente o conteúdo original... E como leitor de Stephen King (mas não fã boboca que não aceita crítica) é fácil ver que foi apenas para o melhor. Nada de plantas vivas (que de fato são vivas), o limiar do sobrenatural com a insanidade nunca é claro no filme (nos livros de King, isso é mais comum que o uso de vírgulas)... 

* Só ocorre UM assassinato no filme todo (além de todos os outros relatados e que mostram as vítimas, é claro... Mas qualquer western trás beeeeeeem mais que isso). 


Sim... Porque não só é mais coerente acreditar que o homem não pisou na Lua (e desacreditar todos os avanços da tecnologia e engenharia) como que o 'autor' da farsa entregaria uma confissão pelo formato do reflexo de montanhas num lago!!!

27 de outubro de 2013

Sessão de cinema cabeçudo: Woody Allen (Dirigindo no Escuro)

Eu tive uma conversa com uma amiga psicóloga um tempo atrás sobre processos seletivos de RH (principalmente sobre como as perguntas não pareciam coerentes ou seguindo um caminho comum que vá terminar em uma decisão sobre contratar ou não uma pessoa). Inspirado por uma história de James Robinson (autor de Starman), eu sugeri a pergunta que me parece a mais prudente para determinar caráter e capacidade de um possível candidato a uma vaga de emprego: Qual seu filme favorito de Woody Allen?

Parece bobo numa primeira vista, mas a resposta diz muito mais que é possível imaginar sobre o entrevistado, afinal, alguém fazendo filmes semi-anuais desde 1969 sobre as manias nossas de cada dia - refletindo de maneira mais abrangente sobre cada uma em particular em cada filme.
Elas servem como a análise de perspectiva sobre sociedade, e mais que isso, sobre nossa própria visão e conjectura sobre vida, amor, sucesso, felicidade e, porque não a própria sociedade, porque por mais que seja possível ignorar e achar pedantes e chatos muitos dos filmes do diretor (Como Meia noite em Paris, com Owen Wilson fazendo sua melhor imitação de Woody Allen - ainda que seja um filme tecnicamente muito bonito, com uma fotografia impecável), sempre vai ter algum detalhe, algum ponto, alguma vírgula que ressoa mais forte com a particularidade de cada espectador.

"Hannah e suas irmãs", retratando família (com todos os problemas atrelados a essa complexa condição de nossas vidas), "Noivo neurótico, noiva nervosa", retratando relacionamentos, "Interiores" o isolamento e depressão (numa homenagem aos filmes de Ingmar Bergman - que não seria a única ou última) e mais uma dezena de filmes, alguns melhores, outros piores, retratando ego (Desconstruindo Harry), complexo de Édipo (na antologia New York Stories), paranoia (Scoop, o grande furo) entre tantos outros temas (como hipocondria, impotência sexual e psicopatia).

Mesmo com os altos e baixos, me parece muito pouco nítida uma distinção na qualidade dos trabalhos de Allen, uma vez que são todos muito diferentes entre si, com focos diferentes, e propósitos diferentes. Bananas (de 1971) é uma comédia escrachada enquanto Maridos e esposas (de 1992) é um drama.
E ainda que com temas muito diferentes entre si, ainda que mesmo a direção mude o tom (como Match Point de 2005, que mal parece um filme de Allen), é virtualmente impossível não ter um filme favorito do neurótico diretor baixinho, careca e de óculos. A menos que você seja a Mia Farrow (ou da família dela), mas aí é outra conversa...

Pra mim, Hollywood Ending, ou Dirigindo no escuro, é o grande filme de Allen.
Não que seja o melhor produzido, o mais bonito, com roteiro mais elegante ou alguma coisa do tipo...

Mas eu vejo o filme como um divisor de águas na carreira do diretor, como um grande 'foda-se' para a crítica e público depois da reação negativa de alguns filmes anteriores, e até um 'foda-se' para o próprio Woddy Allen pregresso a esse filme (sabe, aquela caricatura de homem agitado, nervoso, hipocondríaco, inseguro e de voz anasalada?), e nos filmes seguintes, Allen faz cada vez menos aparições, e, quando faz, nem de longe é esse pastiche dele mesmo.
Depois desse filme ele não tenta mais imitar Bergman ou Truffaut ou Godard... É possível ver uma segurança maior, e filmes mais ousados, que inclusive pouco se parecem com filmes 'de Woody Allen' (como Vicky Cristina Barcelona ou O Sonho de Cassandra).

E há uma mistura de egocentrismo e crítica como poucas vezes é possível de ver, uma vez que a 'cegueira psicológica' serve para muitos propósitos... Pode ser vista pura e simplesmente como o medo do fracasso mas me parece muito mais como uma certa arrogância ou afronta.
Como um "sim, eu faço isso até de olhos vendados".

E eu vejo como a crítica ao público e críticos.
Com o julgamento 'cegado' por uma ansiedade de ver o maior filme de todos os tempos a cada próximo ingresso que compre, e que acaba incapaz de enxergar o filme que está diante de seus olhos.

É essa a mensagem que eu tiro do filme, que faz pra mim o melhor filme de Woody Allen.

16 de setembro de 2013

2001: Uma odisseia no Espaço

Um filme que é muito mais que um filme.
(E não simplesmente porque é baseado num livro do gênio britânico Arthur C Clarke - co-autor do roteiro - ou porque derivou uma série em quadrinhos por Jack "The King" Kirby)

2001 é uma aula de cinema, como quase todo filme de Stanley Kubrick, e não é preciso procurar muito para ver o quanto o filme citado sempre que alguém precisa de um computador rebelde (ou ganhando consciência).

Uma obra de arte que trabalha como uma ópera em seu primeiro ato (com cenas de um belo balé espacial), e que desenvolvem toda uma noção sobre perspectiva e dimensionamento (veja o quarto branco do final, com uma fascinante simetria de aspectos, ou mesmo a estrutura primorosa da nave espacial que parte para Júpiter - com as cenas do loop, ou em que HAL lê os lábios dos tripulantes).

E não é exagero, tudo está lá, em pequenas doses e detalhes.
(Inclusive a inspiração para o tablet - sim, num filme de 1968, nós vemos o primeiro tablet!)
Como a pista mais clara impossível de que HAL estava funcionando com defeito: Ao dizer erroneamente os movimentos das peças de xadrez (HAL fala de suas próprias peças pela perspectiva de Frank).
Isso facilmente passa desapercebido de qualquer um, e, para muitos seria considerado um erro (como o IMDB destaca como possível), mas isso é ignorar o autor do filme, o campeão de xadrez - em nível de torneio - e que fez o roteiro com Arthur C Clarke página por página...

Mais que isso, essa é a peça definitiva para minha teoria sobre o final do filme, que faz ainda mais sentido à luz das evidências (que cada detalhe é importante).

Veja, o Monólito representa o avanço evolutivo, e é justamente por isso que o filme inicia na 'aurora da humanidade', sem mostrar um homem ou sequer hominídeo. Kubrick retrata o talvez 'elo perdido', numa mescla de chimpanzé com pouco mais de capacidade motora e desenvolvimento de membros.

E o que é o ato final "Júpiter e além"? A morte de Dave, representando os cinco estágios do luto (através dos 'cinco Daves' - incluindo o último, o bebê/Starchild), mas mais que isso, com algo que fica claro na canção que HAL canta enquanto está sendo 'desligado', a música folk "Daisy Bell".
Dave, não só está morrendo, como está sendo 'incorporado' por HAL - esse, em um ato desesperado vendo seu fim, une sua consciência com a de Dave, em uma 'bicicleta feita para dois', para poder desta forma salvar a ambos.
Isso, inclusive, é o ponto do monólito descoberto na Lua: O próximo passo evolutivo (o Homo Machina).


Entender essa cena final - o quarto branco simétrico - após toda uma longa sucessão de flashes, negativos e cenas que poderiam melhor ser descritas como uma bad trip - é na verdade mais difícil que entender todo o restante do filme.
Até porque todo o material é uma escada, seguindo numa progressão ordenada e lógica (mas, como as cenas fazem questão de ilustrar claramente, com uma referência cíclica, sempre dando voltas ao início).

Mas... E o monólito?
Ele não é apenas uma metáfora, uma vez que serve de mote para a missão exploratória em Júpiter, logo após ser encontrado na Lua... Não é mesmo?
Bem... Então... Sim e não.
Os computadores HAL (que nunca deram problema antes) administram todos os sistemas de informação da associação espacial científica... Vemos o monólito na Lua seguido por um ruído forte - e nenhum dos personagens ali envolvidos é citado novamente... Lembrando que HAL insiste na importância da expedição, que vale inclusive o sacrifício de toda a tripulação, se necessário fosse...

Qualquer coisa além disso entra nas leis de Clarke (1- Quando um cientista distinto e experiente diz que algo é possível, é quase certeza que tem razão. Quando ele diz que algo é impossível, ele está muito provavelmente errado; 2 -O único caminho para desvendar os limites do possível é aventurar-se um pouco além dele, adentrando o impossível; 3 -Qualquer tecnologia suficientemente avançada é indistinguível de magia).

Só reforçando, já para concluir o argumento final, Kubrick sempre foi muito possessivo com suas adaptações, e nunca se importou muito em modificar o material fonte (vide "O Iluminado" - que estará numa coluna dessas nas próximas semanas), então ignore qualquer continuação como "2010 - O Ano que fizemos contato", ou coisa que o valha.
Pro filme de Kubrick, o contexto é esse.

9 de setembro de 2013

"Devemos fazer asas melhores"


Transcrição:

"Boa noite. Sinto muito por não ser possível estar com vocês hoje para receber essa honraria que é o prêmio D.W.Griffith, mas estou em Londres gravando 'De olhos bem fechados' com Tom Cruise e Nicole Kidman e, nesse exato momento, provavelmente estou no carro a caminho do estúdio.

O que, como parece, me lembra de uma conversa que tive com Steven Spielberg sobre o que seria a coisa mais difícil e desafiadora sobre a direção de um filme. Eu acredito que Steven resumiu da maneira mais profunda que alguém possa. Ele disse que o mais difícil e desafiador sobre a direção se resumia a sair do carro. Eu acredito que vocês todos entendem o sentimento (se trata de um prêmio direcionado a diretores).

Mas ao mesmo tempo, qualquer um que teve o privilégio de dirigir um filme também sabe que, apesar de que poder se assemelhar a tentar escrever Guerra e Paz num carrinho de bate-bate de parque de diversões, quando você finalmente acerta, não existem mais muitos outros prazeres na vida que podem se equivaler a isso.

Acho que existe uma ironia intrigante no fato de nomear um prêmio que recompense o trabalho de uma vida sobre D.W. Griffith uma vez que sua carreira é ao mesmo tempo uma inspiração e uma história de alerta. Seus melhores filmes sempre estão entre os filmes mais importantes já feitos. E alguns deles geraram a ele uma boa quantia de dinheiro. Seu trabalho foi instrumental na transformação de filmes de uma brincadeira nova em uma forma de arte. E ele começou e formalizou muito das sintaxes que os cineastas de hoje menosprezam.

Se tornou uma celebridade internacional e seu apadrinhamento incluía muitos dos mais proeminentes artistas do mundo e os governantes do período. Ainda assim, Griffith estava sempre disposto a correr riscos abissais em seus filmes e seus empreendimentos. Estava sempre disposto a voar alto demais. E ao final as asas da sorte provaram para ele, como aquelas de Ícaro, não ser feitas de nada mais substancial que cera e penas, e como Ícaro, quando voou perto demais do sol, elas derreteram. E como o homem cuja fama excede aos mais ilustres cineastas modernos passou os últimos dezessete anos de sua vida ignorado pela indústria cinematográfica que ele ajudou a criar.

Comparo a carreira de Griffith com o mito de Ícaro, mas ao mesmo tempo eu nunca tive muita certeza se a moral da história de Ícaro deveria somente se ater, ao que é geralmente aceito, "Não tente voar alto demais", ou deveria também ser vista como "Esqueça a cera e as penas e façamos um trabalho melhor na confecção de asas".


Uma coisa, entretanto, é certa: D.W. Griffith nos deixou um legado inspirador e intrigante, e o prêmio que leva seu nome é uma das maiores honras que um diretor de filmes poderia receber, algo pelo qual eu agradeço a todos vocês imensamente".


Stanley Kubrick,  em seu discurso de 1997 no recebimento de prêmio em reconhecimento à carreira.

5 de agosto de 2013

Sessão de cinema cabeçudo: Eraserhead

David Lynch num filme aterrador.



Elenco:
Jack Nance     ... Henry Spencer (as John Nance)
Charlotte Stewart ... Mary X
Allen Joseph    ... Mr. X
Jeanne Bates    ... Mrs. X
Judith Roberts    ... Beautiful Girl Across the Hall (as Judith Anna Roberts)
Laurel Near    ... Lady in the Radiator
V. Phipps-Wilson... Landlady (long version)
Jack Fisk            ... Man in the Planet
Jean Lange    ... Grandmother
Thomas Coulson  ... The Boy
John Monez     ... Bum

29 de julho de 2013

Sessão de cinema cabeçudo: A fonte da virgem

Bergman - Parte II, a Missão!
Agora mais no elemento do cineasta, com um filme sueco, que se passa na Suécia medieval trazendo a história de uma garota estuprada por um grupo, que, após o fato a assassina... E depois vai buscar abrigo na casa da família da menina.
É um filme difícil (só a cena do estupro já é um negócio forte - e cheio de simbolismos), e com uma temática complexa sobre a religiosidade e tradições (o filme se passa no momento da transição dos velhos costumes Vikings para a nova moral Católica), e boa parte do conflito moral se deve a isso.


Ficha técnica:
Suécia, 1960
Título original: Jungfrukällan
Direção: Ingmar Bergman
Elenco:
Max von Sydow – Töre
Birgitta Valberg – Märeta
Gunnel Lindblom – Ingeri
Birgitta Pettersson – Karin
Axel Düberg – Thin Herdsman
Tor Isedal – Mute Herdsman
Allan Edwall – Beggar
Ove Porath – Boy
Axel Slangus – Bridge Keeper
Gudrun Brost – Frida
Oscar Ljung – Simon
Curiosidades: Bem... Acho que o mais curioso é o filme ter gerado não uma, mas três remakes estadunidenses... E um pior que o outro...

22 de julho de 2013

Semi-sessão de cinema cabeçudo: Office Space*

(*Ou "Como enlouquecer seu chefe", o nome em português que é sumariamente ridículo).

Essa é uma sessão 'novos clássicos', uma sessão light (pois não traz diretores consagrados, produções ímpares em qualidade ou mesmo uma equipe incomparável), mas não se deixe enganar. Filmes bons, assim como todas as coisas da vida, não tem idade ou validade.

Como o filme não está disponível em nenhum lugar, fica apenas o trailer de(mais)ssa incrível produção de Mike Judge (o cara que criou Beavis e Butthead, assim como o genial Idiocracia)


Vale muito a pena assistir esse filmão - principalmente pra quem trabalha (ou já trabalhou) num escritório.
Apesar de recente (de 1999) o filme já possui a antológica cena da destruição de uma máquina de fax, mas não só isso...

"Não que eu seja preguiçoso, é só que eu não me importo"
E ainda tem a Jennifer Aniston se fosse necessário mais algum motivo para assistir o filme!

E se prepare que o fim da trilogia de sabores de Cornetto vem aí!

8 de julho de 2013

Sessão de cinema cabeçudo: Rashômon

Talvez o melhor filme de Akira Kurosawa? Não sei...
Mas há uma... Não, uma só é pouco... Há uma dezena de aulas nesse filme que faz dele uma prova incontestável do valor da arte e da capacidade do cinema como forma.
Com um roteiro intrincado que se passa pelas narrativas de diversos personagens sobre um mesmo evento - cada qual com uma observação diferente sobre suas próprias ações - e consequente a dos demais atores no evento.
Só que o roteiro é uma das peças que compõem uma obra-prima... É a direção contemplando cada nuance das expressões faciais dos atores, dos tons de branco e preto da câmera (inclusive como simbolismo para a história - passando pelas nuances do cinza dos fatos), com uma fotografia primorosa e, sem sombra de dúvidas, a atuação da vida de todos os atores. Mesmo papéis pequenos (como o do padre que inicia a história) são indispensáveis para o bom andamento da narrativa.
Uma pena que eu nunca achei esse filme em DVD, blu-ray ou o que fosse (até aí uma boa sugestão de presente pra mim se você estivesse imaginando), mas graças aos céus existe a internet!


Fica técnica:
Japão, 1950.
Título Original: Rashomon
Direção: Akira Kurosawa
Elenco:
Toshirô Mifune ... Tajômaru
Machiko Kyô ... Masako Kanazawa
Masayuki Mori ... Takehiro Kanazawa
Takashi Shimura...    Madereiro
Minoru Chiaki ... Padre
Kichijirô Ueda ... Plebeu
Noriko Honma ... Medium

1 de julho de 2013

Sessão de cinema cabeçudo: Germinal

Dando seguimento ao segmento (ficou bonito, hein? Pode falar!) da Sessão de cinema cabeçudo, e continuando com o tema de revolução revolucionária (é, devia ter parado no primeiro), trago Germinal, filme francês de 1993 que traz a adaptação do romance de Émile Zola sobre o processo de gestação e maturação de movimentos grevistas e de uma atitude mais ofensiva por parte dos trabalhadores das minas de carvão do século 19 na França em relação à exploração de seus patrões.
O nome, inclusive, é exatamente pela questão do 'nascimento', da 'germinação' do movimento social dos trabalhadores.

Classificação etária 18 anos: Nudez, violência, e mais um monte de coisa que criancinha não devia ver!
Ficha técnica:
Produção francesa de 1993
Título Original: Germinal
Direção: Claude Berri
Elenco:
Miou-Miou (Maheude)
Renaud (Étienne Lantier)
Jean Carmet (Vincent Maheu dit Bonnemort)
Judith Henry (Catherine Maheu)
Jean-Roger Milo (Chaval)
Gérard Depardieu (Toussaint Maheu)
Laurent Terzieff  (Souvarine)
Curiosidades: Sobre o filme dificilmente tem alguma... É uma adaptação bastante fiel da obra de Zola, e até por isso ganhou prêmios e diversas indicações.
Mas, o autor em si não é tão conhecido do grande público brasileiro, o que é uma pena. Sua obra é interessantíssima, e sua história igualmente recheada de curiosidades, particularidades e fatos brilhante.
Como J' Accuse, uma carta aberta publicada ao presidente da França no jornal L'Aurore em que ele questionava ações militares do país (mais especificamente a corte marcial - e prisão por traição - do capitão Alfred Dreyfus). É uma peculiaridade que vale a leitura.

24 de junho de 2013

Sessão de Cinema Cabeçudo: O ovo da Serpente

Porque?
Porque simplesmente é o filme que explica a Segunda Guerra Mundial.
É o filme que define porque a juventude Hitlerista foi pras ruas - protestar - e acabou com a invasão da Áustria.
Como Bergman magistralmente mostra através do ponto de vista de um forasteiro - para que fique uma noção mais clara do desprendimento emocional do protagonista com o que ocorre em seu entorno - é uma revolução que começa graças ao crescimento da inflação e a desvalorização da moeda...
Mas o problema é justamente que existe gente mal intencionada manipulando a ação popular...
Não se deixe enganar pela canastrice do ator principal, ou pela música tocada enquanto sobem os créditos iniciais... Bergman estabelece a mesma precisão de trabalhos anteriores, e constrói uma peça única com a mais profunda análise sobre (não apenas) o nascimento do nazismo na Alemanha de 1923.
(Não recomendado para menores de 18 anos - cenas de sexo, violência, consumo de álcool e uso de drogas )

Ficha Técnica:
Produção estadunidense/alemã de 1977.
Título Original: The Serpent's Egg
Direção: Ingmar Bergman
Elenco:
Liv Ullmann (Manuela Rosenberg)
David Carradine (Abel Rosenberg)
Gert Fröbe (Inspetor Bauer)
Heinz Bennent (Hans Vergérus)
Fritz Straßner (Doutor Soltermann)
Hans Quest (Doutor Silbermann)
Walter Schmidinger (Solomon)
Grischa Huber (Stella)
Toni Berger (Mr. Rosenberg)
Erna Brunell (Mrs. Rosenberg)
Hans Eichler (Max)
Curiosidades: Esse é o ÚNICO filme de Bergman produzido em Hollywood, e seu título surge de uma fala de Brutus na peça Júlio César de Shakespeare.