Minha mãe faleceu na última sexta-feira, e, ainda sem palavras ou cabeça para pensar em qualquer coisa eu só quero avisar que o blog ficará suspenso temporariamente, talvez apenas com alguns posts já programados para os próximos dias ou meses, até que eu consiga me situar melhor e, bem, voltar ao meu normal.
Isso não é fácil para ninguém - e quando a situação é mais rápida, nem dá muito tempo da gente pensar ou se preparar, e, foi justamente o caso - e minha mãe era uma pessoa difícil mas que, quanto mais eu penso nela nesses últimos dias, mais eu vejo e entendo o quanto isso também era muito difícil para ela.
Ela perdeu meu pai quando eu e meu irmão erámos muito pequenos ainda, e, ela teve que ralar muito para garantir o mínimo para nós dois - trabalhando demais e se esforçando mais que qualquer outra pessoa que eu conheça ou conheci. Ela voltou a estudar depois de adulta para completar o fundamental e o médio, ela se esforçou demais e por mais que fosse mais reservada (algo que eu também sou), eu entendo que parte disso para ela era mais geracional.
Pra geração dela a ideia de depressão era frescura e não obstante a ajuda especializada era buscar "médico de louco", formando um estigma social quase intrasponível para o pessoal da geração dela, e ainda que nada disso tenha a ver efetivamente com a morte dela - ela foi diagnosticada com leucemia pouco mais de 20 dias atrás e teve complicações com pneumonia na última semana - a depressão com toda a certeza foi um fator que a impediu de fazer mais, de viver mais, e o estigma social a impediu de buscar mais e melhor ajuda para seu problema.
Ela sempre falou que queria conhecer o Rio de Janeiro e o Cristo Redentor, e, uma das minhas maiores alegrias foi que eu pude levá-la para lá em 2010 (e com isso ajudá-la a realizar seu sonho), e, depois pude fazer parte de outra viagem que ela sempre quis fazer em 2018 para Foz do Iguaçu, e, na medida do possível tentei ajudá-la de uma forma ou de outra, por mais que, sempre nos fique a impressão de que nunca foi o suficiente e que sempre poderia ter feito algo a mais (como eu disse ela era fechada e reservada e eu não sou diferente).
Eu espero e muito que ela não tenha sofrido em seus momentos finais, e, que se falhei em algo com ela, que ela possa me perdoar, mas mais que qualquer coisa, espero que ela esteja em algum lugar melhor, e que possámos nos encontrar algum dia, pois eu devo uma série de abraços a ela.
Para aqueles que me acompanham e acompanharam até hoje, essa não é uma despedida, apenas um até breve para que eu possa organizar minha cabeça e minhas coisas.
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